No século XVI, Solomon Kane é um líder impiedoso daqueles que não deixa passar ninguém vivo. Ele traz consigo traumas do passado que perturbam seus pensamentos e o direciona a ser o que é. Quando tenta mudar e ser um homem que prega a paz, o destino faz com que ele repense suas atitudes, o que o deixa mais perturbado ainda. Com isso, tem-se um entrelaçado debate religioso, com a tentativa de um fundo moralista que, por sua vez, não surte nenhum efeito relevante. Assim é o longa, cheio de reviravoltas que nada acrescentam e que só confundem a cabeça do espectador.
O fundo religioso da obra traz um ambiente de criaturas demoníacas em que a fé é colocada em dúvida pela dicotomia entre o bem e o mal, em matar e não matar, não convence pela própria condição fantasiosa da história. A tentativa de ligação de personagens históricos confunde-se com o amadorismo ao tratar do tema de forma tão clichê. Basta escutar a voz de uma das criaturas demoníacas que é impossível de se ter a quantidade de vezes em que ela foi utilizada no cinema. Um outro fator “clichê” utilizado é o personagem principal inatingível. Chega um momento em que surgem milhares de criaturas demoníacas e o espectador já não aguenta mais ver o herói matando todo mundo.
A direção e o roteiro é de Michael J. Bassett, que chegou sem nenhuma grande obra no histórico profissional e saiu da mesma forma. No comando do longa, ele não diz a que veio e se perde na obra, assim como sua história. O que dizer das cenas de lutas em que a coreografia é nítida aos olhos do público? E para não dizer que nada agradou, a cena em que a câmera caminha sobre todo o cenário, explorando a sua produção sem qualquer corte, foi de extremo bom gosto. Pena que os acertos perdem-se em meio a tanta confusão. E se na direção ele deixou a desejar, no roteiro ele conseguiu ser pior. Além do festival de clichês jogados em cena, seu roteiro ainda traz desfechos que impressionam por tamanho amadorismo e previsibilidade.
Os efeitos visuais poderiam ter salvado a história se a mesma tivesse deixado, já que eles entram de forma bem forçada e estranha. Os personagens passam boa parte do tempo lutando até que surgem demônios e os levam para dentro de um espelho. É como se anulasse a cena seguinte em que se exigiu uma realidade natural, institiva. Assim, os efeitos, ainda que belos, surgem de todos os cantos a qualquer hora de forma confusa e inesperada.
Quem vive o herói que está mais para anti-herói no longa é o ator James Purefoy e ele até que faz um bom trabalho. Embora não seja nenhum galã, o ator inglês consegue explorar a verdade que o personagem exige, seja no conflito interno, seja nas cenas de ação, seja na hora de demonstrar liderança. O problema é que o seu personagem é muito semelhante a outros do cinema como “Van Helsing”, com Hugh Jackman, e fica difícil deixar de associar um a outro. Outro personagem que Solomon se assemelha principalmente pela temática é o de Keanu Reeves em “Constantine”.
Como entretenimento descomprometido, o filme pode até funcionar, muito pela viagem que o longa faz por universos obscuros e mágicos que mais parecem ter saído de um pesadelo. O componente visual é fantástico. A cena em que ele entra na escuridão repleta de criaturas demoníacas é bem relevante na medida que mexe com o imaginário principalmente dos sonhos, o que destaca mais ainda a fotografia do longa que não apenas funciona, mas também impressiona por sua beleza.
A temática religiosa de fundo, os efeitos visuais forçados, o personagem sem atrativos, as reviravoltas do roteiro, as cenas de ação, quase nada entra em sintonia e, consequentemente, não funcionam. A impressão que o filme deixa é que foi costurado com retalhos de outros do gênero. Assim, fica difícil fugir do resultado desastroso e da sensação de que aquilo já foi visto antes.



























1 Comentário
Saudações!!!
Bom,até que o Marcus foi um pouco mais complacente do que o Siqueira que aproveitou para expor sua frustração com quase todos os filmes adaptado do criador… nem Conan escapou…
O que eu quero deixar registrado é que o filme funciona para quem gosta do tema. Todo esse universo de demonios, Deus, diabo e um ser que é capaz de lutar com tudo isso, se conseguir vencer a si proprio é o que faz o filme ficar interessante e atrativo. Devo, mais uma vez, ressaltar a bela fotografia, junto com a maquiagem e cena de lutas junto com a camera precisa do diretor que tira o folego nas cenas de ação e retarda a história na hora de compor uma ligação do personagem com a familia na floresta. Ainda chamo a atenção para os cretidos finais que atraem para uma seguencia em quem já podemos contar com um Salomão mais famosos, pois ele já está caçando outros montros!!!
Gostaria Marcus, que se fosse possivel, você deveria assistir aquela cena novamente em que o Kane vai lutar com a criatura e a imagem mostra, em meio a chuva, o homem de mascara com sua capa cheia de lama e se arrastando pelo chão… só ai, o diretor levaria 10 por não se preocupar em mostrar um personagem limpinho pra camera mas mostrar que naquela situação, aquela capa só poderia estar do jeito que aparece… enfim, o filme poderá agradar muito no Brasil!
Um abraço e até a próxima!!!