Dando continuidade aos lançamentos cinematográficos que abordam a vida e a obra do famoso médium brasileiro Chico Xavier no ano de seu centenário, “Nosso Lar” utiliza a experiência espiritual do médico André Luiz para mostrar, de forma bem detalhada, parte da estrutura espírita e toda sua complexidade dentro de “planos” em que situam-se. Além de mostrar visualmente a estrutura do “Lar” dos espíritos, o filme explica também como funciona o tempo, como os sentimentos são julgados, enfatiza os outros planos existentes, mostra como é a evolução, fala da reencarnação e até como eles conseguem o contato com a Terra. É neste momento em que se sugere a existência de um médium bastante requisitado. Alguém advinha quem seja?
Inicialmente, o que mais chama a atenção são os efeitos visuais, e eles estão em quase toda a obra. Produzidos em grande parte no Canadá, em determinados momentos, eles funcionam muito bem. A imagem do médico caminhando no plano dos suicidas é de um visual surreal e extremamente apropriada para a cena, sendo um marco para o cinema nacional. Em outras tantas situações, eles beiram o amadorismo, com técnicas bem desgastadas na telona. Ainda assim, vale o esforço e a ousadia de incrementar efeitos em grande escala com um resultado bem interessante.
Ao tratar dos efeitos visuais, é importante também acompanhar o trabalho feito com a fotografia. Ueli Steiger teve a arriscada tarefa de cumprir com uma ideia que mexe com a filosofia de muita gente. Seu trabalho não mostrou nada além do que já se esperava, dessa forma, algo considerado padrão, variando no tom azulado dominante, imagens claras no plano do bem e escuras no plano sombrio. Algumas cenas trabalham com as cores estouradas e a maioria delas sofreu alguma modificação tecnológica.
A direção e roteiro do longa ficou a cargo de Wagner de Assis, que teve a ideia da adaptação há cinco anos. E tanto empenho para a realização da obra pode ser visto em seu trabalho principalmente como diretor. Ângulos inteligentes, sequencias bem trabalhadas e um clima propício para a temática. Tudo isso é fruto de um longo trabalho cuidadosamente pensado, já que se trata de um tema que envolve um sentimento de milhares de pessoas. Como o próprio diretor diz, o filme faz pensar e refletir sobre as origens. Já o seu roteiro é bem fraco e repleto de diálogos vazios.
O elenco, diferente de “Chico Xavier – O Filme”, tem poucos nomes conhecidos . Os mais lembrados são os de Ana Rosa, Paulo Goulart, Othon Bastos e Wagner Schünemann. No entanto, o maior destaque não é nenhum deles. O intérprete principal é Renato Prieto, que se preparou durante seis meses e mostrou êxito no longa. Na pele do médico André Luiz, ele demonstra em todas as fases do personagem uma importante verdade que muito acrescenta à trama. Dúvidas, raivas, culpa, arrependimento, até a evolução dentro do plano, tudo é desenvolvido com competência pelo ator. Outro que também faz bonito é Fernando Alves Pinto na pele de Lísias. Suas explicações servem não apenas para o recém chegado, mas também para o público cheio de dúvidas. A missão foi bem realizada pelo rapaz.
A trilha sonora composta totalmente por Philip Glass apresenta uma emoção no nível certo. Sua vibração consegue efeito até onde não tem, como nas cenas apenas de paisagem. Ela toca com sua suavidade que se complementa com a grande complexidade do tema. O som do piano exerce diversas funções na mesma sequência. Ele faz uma comunicação entre o pai e a filha, emociona os personagens e o espectador, denota um clima nostálgico e realça até a fotografia da cena. Um trabalho excelente de quem sente e percebe o clima antes de executar o seu trabalho.
“Nosso Lar” merece ser visto não apenas pela temática abordada, já que o roteiro não consegue fugir do comum, mas pelo seu bom trabalho de produção que não deixou escapar nada. Com efeitos visuais bem interessantes aos olhos nacionais e um conjunto que se complementa, o filme é uma boa surpresa ao espírito do cinema nacional.



























16 Comentários
É com esses filmes que a umanidade,pode começar a despertar, para o melhor.com anatureza,com os animais com as próprias pessoas.filmes asim deveria ser passado nos presidios.obrigado
A crítica foi boa, mas não consigo entender como que o roteiro tem “peso” igual a aproximadamente 3 dos 10 pontos. Acho que deveria ter muitos outros erros para fazer o filme se levar uma nota mediana.
Bem, não se trata de uma discussão reigiosa/filosófica/doutrinária, mas quando vejo que uma das críticas mais ferozes ao “Livro de Eli” foi justamente o seu caráter cristão, por que não fazer o mesmo aqui? Estranho… muito estranho “tirar o corpo”. O filme é como o livro: pura ficção, e deve ser tratado como tal. Afinal, crer que, depois da vida, nossa alma leve lembranças (alguém já ouviu falar que uma pancada forte na cabeça pode apagar, momentaneamente, lembranças… na mente?) é completamente absurdo! As memórias ficam no cérebro, garotada! Voltando para o livro: ônibus que voa numa cidade espiritual… hehehe!! Começa por aí, até vermos a lanhouse do além-mundo do trailer. Patético.
porque no te calas han???
patetico é tu, que nao exerga o que vê.
Está me dizendo então que seria impossível o corpo humano FÍSICO ser feito para “copiar” as capacidades do espírito? Já chegou a pensar que talvez a memória esteja no espírito e que, para podermos viver no mundo material para aprendermos e evoluirmos, nosso corpo físico tenha de possuir funções parecidas – ainda que limitadas – com a de nosso espírito? Pode até não acreditar, mas falar que isso é impossível já é demais.
Além disso, muitos costumam estar tão atrelados mentalmente à realidade material, que se esquecem de imaginar que possa existir algo a mais. Quem te garante que o mundo físico é o mundo “real”? E se estivermos aqui só de passagem e, na verdade, todas as coisas aqui na Terra sejam apenas uma cópia “arcaica” do mundo espiritual? O grande problema da maioria é que nossa cultura nos faz imaginar um além-túmulo em que há nuvens, anjos e harpas pra todos os lados, como se, ao desencarnarmos, tornássemos automaticamente seres de pura bondade. Ora, meu amigo… Isso sim é que seria “patético”. Simplesmente não faz lógica alguma.
Não peço pra que acredite nisso tudo. Apenas que abra sua mente, tente enxergar além do que você vê. Você não precisa acreditar na existência de tecnologia avançada no mundo espiritual, nem em vida após a morte. Não precisa concordar com nada disso, mas tente, ao menos, entender.
Quero deixar claro que em momento algum procurei atacá-lo ou polemizar qualquer coisa. O que eu quero pedir é que não só você, mas qualquer pessoa (espírita ou não) respeite a crença do próximo. Afinal, não é necessário que uma pessoa seja espírita para que ela seja alguém de bem, não é mesmo?
“O filme é como o livro: pura ficção”.
Antes de se pronunciar a respeito daquilo que você não conhece, melhor seria se se mantivesse calado. Você sabe o que é ser patético?
Vai estudar, cara – aprenda primeiro antes de falar tanta besteira!
Brother, você vem até aqui pra discutir religião? fail
pegue seu banquinho e saia de finiho
estou ansioso para assistir a “Nosso Lar”.
Entretanto, como espírita, tenho certeza de que terei muito mais prazer ao final do filme do que alguém que não é religioso, e muito menos acredita na ideia apresentada ali.
O que acontece é que muitos filmes por aí retratam o tema “vida após a morte”, mas o fazem com a única intenção de conquistar bilheteria ($$$). A consequência disso são estórias intrigantes, ficcionais, envoltas nos mistérios do além, mas sem grande comprometimento com fidelidade a nenhum ponto de vista ou ideologia.
Já Nosso Lar não. O filme é baseado na Obra de Chico Xavier mais conhecida no Brasil. Obra essa indicada como o primeiro contato para quem quer conhecer melhor a respeito da doutrina espírita. Nosso Lar foi escrito com o intuito de conquistar adeptos, aprofundar a questão da reencarnação e afirmar a doutrina espírita no contexto do país na época.
Por isso, os diálogos são cheios de didática, muitas vezes elaborados de maneira repetitiva, para justamente firmar o entendimento do assunto em debate. Há também um viés contemplativo, descritivo, onde o leitor tentará imaginar uma realidade muito diferente da sua, num “plano espiritual” abstrato. O texto não tem um foco na surpresa, suspense, clímaxes ou demais artifícios literários, típicos de um “blockbuster”. Na realidade a estória é até meio paradona…
Enfim, quem estiver disposto a assistir ao filme, deverá comparecer no cinema despido de preconceitos ou defesas e predisposto a presenciar algo diferente de uma linha cinematográfica padrão. O filme retrata a obra e a obra tem uma finalidade muito específica.
Resumindo, querer agradar ao leigo e ao espírita, sem perder a identidade com a obra originária seria uma tarefa impossível.
No mais é tentar achar um tempinho e tirar minhas próprias percepções a respeito da película!!!
Gostei da crítica
Sensata e interessante.
É difícil fugir da discussão religiosa e, nesse aspecto, muitos críticos acabam pecando por seus próprios preconceitos.
Gostei da crítica. Todos sabemos que quando um filme é realizado dificilmente o resultado não contem alguma falha. Seja no tocante aos efeitos especiais ou mesmo na capacidade de interpretar dos atores. Assisti Nosso Lar, pois já tinha lido o livro e, mesmo que o filme não tenha seguido fielmente a história do livro (talvez ficasse longo demais), gostei, me emocionei e penso que outros filmes poderiam ser feitos seguindo a mesma temática. Sou espírita e já li outras críticas sobre o filme em outros sites, onde simplesmente aproveitam o filme para criticar o espiritismo. Filmam tantas coisas sem sentido, com roteiros sem nexo, falam de pessoas que nada fizeram por ninguém a não ser por si, por que não fazer um filme que retrata o que acontece depois da morte do corpo físico. Acreditar ou não depende de cada um. Mas um conselho vale. Leia o livro para ter condições de entender o filme.
Parabéns Marcus é a primeira crítica que leio de alguém que sabe que se o tema do filme é espiritismo é isso que será abordado nele, os demais críticos parecem que não entenderam bem isso.
Gostei bastante do filme, acho que ele ilustra bem as crenças do pós morte em que os espiritas acreditam.
Olá.
Uma crítica sensata sobre o filme, até que enfim vi uma, pois
a maioria dos criticos não entendem e criticam além do filme
a religião, e falam isso sem conhecer.
A parte do piano também conseguiu me emocionar sim, o filme é lindo,
maravilhoso, e conseguiu passar a sua mensagem, independente de qual
religião a pessoa for.
Lindo o filme, fantástico, o melhor que assisti esse Ano, o filme do
Chico Xavier foi bom também, mas o Nosso Lar foi melhor.
Parabéns amigo pela crítica, vc criticou algumas coisas que achou certo,
mas o importante é que não falou mal sem antes conhecer, pois muitos criticos estão fazendo isso, falando sem conhecer, eu achei o filme perfeito, vc não, mas respeito sua opinião.
Abraços, continue sempre assim, imparcial e correto
Bela crítica. Realizada de maneira respeitosa, descompromissada e imparcial.
Muito bom!
Assisti hoje o filme, muito bom…perfeito!
porcaria de filme agpra virou modinha essa historia de espiritismo é novela das 6, seriado filme do chico xavier e o que mais vem por ai?
eca não quero nem imaginar o que será a modinha do ano que vem
vomito nesse filme
Se você vomita nesse filme, e não tem crença alguma, tudo bem, pior para você, mas não precisa ser desrespeitoso e xingar um filme que fala precisamente sobre algo que não está dentro de sua capacidade de compreensão. E como você obviamente já sabia que o filme tratava de assuntos religiosos (os quais você mesmo disse ocultamente que não acredita), porque foi vê-lo?