Pessoalmente, entrei no cinema com os dois pés atrás para conferir este novo “Karate Kid”. Vários fatores contribuíram para esta insegurança, como o carinho que tenho pelo original, a troca do karate pelo kung-fu e, principalmente, Jaden Smith, cuja atuação desastrosa em “O Dia Em Que a Terra Parou” (outro remake, por sinal) ainda queimava em minha memória. Mas tudo no filme me surpreendeu, até o seu ator principal, que deve ter tomado umas aulas de carisma em casa com o pai, Will Smith.
A história base é a mesma do longa oitentista. Garoto se muda com a mãe para uma nova cidade e é ameaçado por valentões locais. Para ajudá-lo, surge um improvável instrutor de artes marciais que lhe ensina não só a lutar, mas também a ter respeito próprio. Mas os desafios encarados pelo pequeno Dre (Smith) e seu mestre, Sr. Han (Jackie Chan), são bem mais complicados que as dificuldades enfrentadas por Daniel-san e Sr. Miyagi no original.
Nesta nova versão, Dre e sua mãe se mudam de Detroit para a China, tendo de lidar com o choque cultural e com um idioma bem diferente do seu. A ambientação atualizada também trouxe uma mudança óbvia na arte marcial praticada pelos personagens, agora sendo o Kung-Fu. O motivo do filme ainda se chamar “Karate Kid” é um mistério, embora uma cena cortada na qual o antagonista ironiza o karate poderia ter explicado o título.
O roteiro de Christopher Murphey, baseado no argumento de Robert Mark Kamen, é bem amarrado, equilibrando momentos que homenageiam o original e outros que dão a este filme sua própria identidade. Os próprios personagens não são apenas sombras daqueles da fita oitentista. Isso não quer dizer que o texto não escape de problemas pontuais, como a referência gratuita à vila olímpica, que acaba por datar o filme, e clichês um tanto inúteis na história, como o fato do romance entre Dre e Meiying (Wenwen Han) ser proibido pelo pai da donzela em dado momento.
O fato de Dre ser bem mais jovem que o protagonista do original nos ajuda a deixar Daniel-san de lado. No personagem, o pequeno Jaden Smith realmente age como uma criança, algo raro em produções norte-americanas. Smith traz carisma e vivacidade e transmite bem toda a inquietação e os problemas que Dre atravessa, mas sem perder o espírito infantil, agindo como um garoto de verdade, seja no seu tratamento com a mãe, com o seu mestre ou mesmo em seu jeito inocente e um tanto quanto inconsequente. Tais “defeitos” tornam fácil a identificação com o personagem.
O pequeno segura o filme de maneira inconteste, além de ter uma ótima química com Jackie Chan. O astro asiático, por sua vez, jamais tenta emular o amado Sr. Miyagi, transformando Han em uma pessoa de verdade, não em uma caricatura (algo que o próprio Miyagi havia se tornado na última fita da franquia). Chan, mais sisudo que de costume, não apenas passa a credibilidade necessária para o papel, mostrando as suas habilidades em uma curta, porém impactante, cena de luta, como também convence nos momentos dramáticos, com seu personagem passando por um ótimo arco narrativo no filme.
As damas do elenco, a indicada ao Oscar Taraji P. Henson e a novata Wenwen Han, pouco têm a fazer, mas surgem bem no filme, sendo os grandes apoios e motivações de Dre. Destaco principalmente Henson, extremamente divertida e carinhosa em cena. Os antagonistas, o jovem arruaceiro Cheng (Zhenwei Wang) e o Mestre Li (Rongguang Yu), são estereotipados ao máximo, mas tal característica cai como uma luva para as intenções da história sendo contada, principalmente honrando o espírito dos “vilões” dos longas dos anos 1980.
A produção é deveras caprichada. O diretor Harold Zwart, cujo último filme havia sido o terrível “A Pantera Cor-de-Rosa 2″, faz um ótimo trabalho aqui. Além de boas e interessantes transições entre as cenas (vide o corte entre a cena na quadra de basquete e a do apartamento), o diretor ainda utiliza muito bem a câmera de mão em dados momentos, imprimindo urgência em dadas sequências. Sim, existem eventuais exageros, como alguns momentos em câmera lenta, como a surra que Dre leva de Cheng e seus colegas, que simplesmente não funcionam, mas o cineasta acerta muito mais do que erra, também explorando com eficácia as locações nos icônicos cartões-postais chineses, como a Grande Muralha e a Cidade Proibida.
Ressalto ainda a cinematografia de Roger Pratt, que acertadamente investe em cores quentes e em uma fotografia mais iluminada, contribuindo para o clima alegre do filme. A montagem da película, que ficou a cargo de Joel Negron, consegue fazer com que os 140 minutos da fita passem voando, imprimindo um ritmo perfeito à narrativa.
Outro acerto (ao menos em grande parte) é a trilha sonora da fita, tanto a incidental, composta por James Horner, quanto as músicas escolhidas para a produção, que incluem Lady Gaga e Red Hot Chilli Peppers. Não digo que todas as músicas da película são perfeitas, pois esta acaba com um dueto entre Jaden Smith e Justin Bieber, algo que, ainda bem, só acontece nos créditos. Por falar nos créditos, vale a pena aguentar o showzinho da dupla da escola só para ver as fotos da produção, uma tradição oitentista honrada aqui.
O longa ainda tem certa importância história, sendo a primeira grande aventura hollywoodiana que é uma co-produção sino-estadunidense, mostrando uma otimista direção para a relação entre as duas superpotências. Divertido e emocionante, além de contar com lutas bem coreografadas e atuações na medida certa, “Karate Kid” é uma das surpresas do ano e irá agradar tanto aos fãs do original, quanto à nova geração. Recomendado!



























22 Comentários
Gostei da crítica. Me fez pensar melhor sobre o filme, achando eu que era mais um destes filmes destinados à crianças e que um jovem adulto como eu não poderia assistir…
valew!
DESCULPE, SIQUEIRA. MAS SOU FÃ DO ORIGINAL E COM CERTEZA NÃO ME AGRADARIA NEM UM POUCO COM CERTOS HORRORES FEITOS NESSA PRODUÇÃO. PENSO QUE, APESAR DO TÍTULO, NÃO TEM NADA A VER COM A PRODUÇÃO DE 1984 E QUE FOI FEITO SÓ PRA GERAÇÃO BIEBERIANA, COM ARES DE NEPOTISMO POR PARTE DA FAMÍLIA SMITH, SÓ PRA LANÇAR O FILHOTE JADEN. TÁ INDO MUITO BEM, SR. SMITH.
OMG! Meu caro parece que vc não viu o mesmo filme que muita gente viu. Dizer que esse filme não tem nada a ver com o original parece ser um impulso emocional. Seria interessante que vc expusesse esses “certos horrores” que vc cita na sua fala.
Nepotismo no cinema?! LOL. Vou assumir que esse comentário foi meramente analógico.
PS.: Sem querer ser chato.
esse filme eu nao vejo nem morto prometi pra mim msm nunca mais assistir filme que jack chan faz eita cara chato
Ótima crítica, Thiago. Eu concordo com um twitt seu: achei o remake surpreendente. Embora seja um filme relativamente longo para o gênero, o filme cativa bastante, fazendo com que a sessão seja agradável, divertida e fluída. O Jaden e o Jackie Chan foram formidáveis na atuação. Um filme divertido, incrível e ao mesmo tempo emocionante (aquela cena dos dois no carro destruído foi muito tocante, e a cena dos dois treinando na Muralha da China foi épica). É um filme no qual você se identifica, tem pena e torce pelo personagem (quando o Dre apanhava, parecia que eu estava sentindo as dores dele).
Eu também recomendo! Vale cada centavo do ingresso. Um dos remakes mais bem feitos que já vi. =)
mano eu vi o filme fiquei satisfeito com remake so que uma copia nao poder subistituir a original chan jade formaram uma boa dupla mas so que alonga e lenta ja no horiginal eles trinam mas tempo mas a parte mas legal do filme na hora do chute ga garça els trocaram o golpe final interesante mas vale a pena ver de novo
Calmaí, “Karate Kid” é com kung-fu?!?!? Tu tá de brincadeira, qué isso. Hollywood chegou a esse nível de fanfarronice???
Concordo plenamente com a crítica. Não vou discutir qual dos dois é melhor, o oitentista ou o atual, mas uma coisa é certa, fazia tempo que eu não assistia um verdadeiro filme de Sessão da Tarde. Gostoso, leve, despretensioso.
Acho que cumpriu com a função, simplesmente divertir.
Ps: Foi a melhor atuação do Jackie Chan.
Otima critica, concordo com cada palavra.
Concordo com o critico, gostei do filme.
Vi o filme ontem, ñ tinha muita escolha ja q so estava passando filme infantil, o A Origem q eu estava louca para ver ñ estava mais em exibição.Porém faço minhas as palavras do Siqueira, entrei na sala com as dois pés atrás e torcendo para q ninguem conhecido me visse, mas me surpreendi.É incrivel como o filme que vc estava louco pra ver te decepciona e o q vc nem imaginava pagar o ingresso te surpriende. O filme tem cenas muito parecidas com o original, mas também tem algumas diferenças. Gostei da atuação do pequeno Smith,o pessoal fica pegando no pé do garoto mais poxa é o 1º filme como protagonista e se ele seguir os passos do pai concerteza vai ser um grande ator futuramente, os trejeitos ja estão bem parecidos com os do pai. Foi estranho ver o jack Chan em um filme em q ele quase ñ luta, mas gostei acho q o personagem é isso msm , sem falas muito longas e sem lutar o filme inteiro. Resumindo gostei do filme , ñ é o melhor filme q eu ja vi, concerteza, mas deu pra se diverti e ñ é tão infantil como eu imaginava.
Assisti ao filme ontem, na verdade eu queria mesmo é ter assistida A Origem, porém ñ estava mais em exibição no cinema em q fui. É horrivel vc ir ao cinema e saber q só está passando filme infantil, então fui de Karate kid msm. Faço minhas as palavras do Siqueira, entrei no cinema com os dois pés atrás e torcendo pra q ninguém conhecido me visse, porém também me surpreendi. Tudo bem q o filme ñ é o melhor q eu ja vi na minha vida, mas deu pra se diverti. Gostei da atuação do pequeno Smith e era impissivel ñ lembrar dos trejeitos do pai dele. Não q a história seja idêntica a do primeiro filme mas algumas cenas lembraram muito. Sobre a atuação de Jack achei q foi boa, bem diferente dos outros pesonagens que ele constuma fazer, mas o personagem era aquilo mesmo sem falas muito longas e sem lutar o filme inteiro. Resumindo gostei do filme, divertido, ñ é tão infantiu e bobo como pensei, me surpreendeu, diferente dos outros filmes q vi esse ano muito esperançosa, mas acabei saindo do cinema decepcionada.
Com certeza vc está precisando ler mais. Mas isto não mais me surpreende.
As críticas do Siqueira são as que mais acompanho por aqui. E realmente faria dessa sua crítica do Karatê Kid, a minha. Eu só poderia parafraseá-la. Como fã dos originais, (somente os 3 primeiros) eu tinha péssimas espectativas para esse filme, e embora não considere melhor que nenhum dos 3 anteriores, achei muito bom, respeitou os antigos (com exceção de ter mantido o nome de “Karatê” Kid, Kung Fu Kid soaria mais real e a alusão teria sido feita brilhantemente) e ainda trouxe um tom atualizado, algo necessário mesmo para um remake. Aprovado.
Por causa da minha noiva que ainda não tinha visto o filme fui esse final de semana novamente ver o filme…. E cara e incrível como esse filme funciona, sem querer fui em uma sessão dublada e acabou que tinha muita criança familia … muito legal ver as crianças empolgadas rindo participando interagindo com o filme digo que até me emocione com algumas cenas os valores apresentados etc..etc..
Felizmente as coisas se renovam e esse filme prova isso para ele existir foi necessário que o original existisse, mas esse novo na minha opinião e o melhor..sem duvidas.
A sua crítica, como sempre, está muito bem escrita. Porém, o filme é uma bosta ;D
O filme não é ruim. Quando vi ele pela primeira vez achei muito estranha a parte em que o Sr.Han pega a mosca com o mata moscas, bem diferente do original, mas tambem convenhamos seria muito clichê se ele fizesse isso. Tambem notei que muita gente fala do nome, mas é bem verdade que no filme original não tinha muito, ou quase nada, de karatê e além disso o estilo garça não é exatamente de karatê e faz parte de um dos estilos de kung fu.A atuação do Smith não me agradou muito por ele ser meio marrentinho ,porem em certo ponto bem carismatico, ja a do Jackie Chan foi muito boa.E pra completar em nenhum momento eles disseram no filme que a arte marcial era karatê, o personagem principal deixa isso claro em certo ponto do filme, e acho que eles deixaram esse nome mais como homenagem ao antigo do que qualquer outra coisa pois se usassem outro nome as pessoas diriam que é uma copia tentando se fazer com a fama do antigo de qualquer forma.
Kkkk pelo visto as pessoas não gostam que mexam com as coisas que marcaram sua infância. Olha, Se tratando de um remake achei até pouco a nota do Thiago. O novo filme com base nos anteriores, concertou alguns erros do Karate-Kid anterior. O fato de ser um remake não desmerece nem esse novo, muito menos anterior. Pelo contrario, são duas obras diferente contando de formas diferentes. Unica cena que fiquei chateado, foi com a final que na minha opinião ficou muito superficial(mecânica). E caraca é homenagem… tanto faz Karate-Kid quanto Kung-fu-Kid.
Ainda bem que tomei um novo costume, o de ler a crítica só depois de ver o filme ( o que deveria ser o contrário ). Pois o que tem de spoiler hoje em dia nas críticas ….
Estava desconfiado com as patifarias que “holy would” tem feito ultimamente.Mas esses karate/kun fu kid até que foi edificante, claro que saudade do Pat Morita,e salvo falhas e fanfarronices americanas conseguimos ter até um pouco de empatia com o filme,surpresa foi o HAN / CHAN que conseguiu fazer um papel um pouco mais sério e deu-se bem.O afro-Smith é novo tem muito que fazer contudo, deu conta do recado,(não falo do nepotismo por que nós brasileiros podemos dar aula no assunto),tá certo que há momentos que dá vontade de ser o chang,cheng,iching , pia marrento o Smith.A chinesa consegue encantar,(é fato que nunca vi uma assim nas pastelarias aqui).Só não gostei do uniforme com cor holandesa,recentimento da Copa 2010. O filme cumpre o que promete:um pouco de lazer e filosofia Oriental diluída para a massa.Os cŕiticos na maior das vezes criticam a falta de profundidade do gênero. Mas que querem o herói citando Hamlet e Kant entre um catiripapo e outro e acertando o sujeito com um dativo e objeto direto na /kara/. Faça-me o favor cada macaco no seu galho, cada rei no seu baralho…O filme pode ser uma m. para alguns mas convenhamos depois de deglutida,excetuado-se o que de bom se retira, toda históra vira o quê?
Não preciso falar muita depois da críttica do Thiago e do post do Felipe. Mas não há como negar que o filme foi um dos melhores de 2010, um filme que leva toda a sala a vibrar e a torcer de uma maneira que eu nunca vi em nenhuma outra sessão que ja fui. Acompanho o mundo do cinema de perto desde meus 14 anos e garanto: Karate Kid foi o melhor remake de um filme já feito.