Convenciona-se no mundo da crítica cinematográfica evitar comparações exageradas entre refilmagens, adaptações ou mesmo episódios de uma única franquia. “Karatê Kid”, porém, pede, clama, implora para ser analisado por meio de analogias com a versão original de 1984, clássico da Sessão da Tarde que tão bem permanece na memória dos recém-adultos. O problema é que o filme se confunde entre tantas referências e homenagens que em alguns momentos se torna inevitável perguntar o real motivo da realização desta refilmagem. Reviver? Relembrar? Sem conseguir e, aparentemente, sem querer se dissociar do longa oitentista, o filme acaba por proporcionar aos seus fãs raros momentos de originalidade e inovação e outros vários de puro embaraço. Ao público restante, sobra um entretenimento passageiro.
A proposta aqui parece ser apenas atualizar a trama. Então, concluiu-se que no mundo atual ela jamais poderia se passar em território americano. “Acho que poderia ser em um país mais ligado a cultura das artes marciais”. Esse deve ter sido o pensamento do estreante roteirista de cinema Christopher Murphey ao escolher a China como locação para seu filme. Sem nunca justificar apropriadamente o motivo da mudança do protagonista e sua mãe para o país asiático, Murphey, então, passa a procurar envolver seus personagens nas mesmas situações vividas por Daniel Larusso, Sr. Miyagi e companhia, com uma grande exceção: eles agora lutam kung fu.
É bom que se ressalte que não está sendo cobrada uma versão totalmente nova do filme, mas sim que o quase plágio fosse evitado, como fica evidente em algumas cenas semelhantes, com destaque para o momento em que o menino Dre Parker (Jaden Smith) conhece seu futuro mentor, Sr. Han (Jackie Chan). A base dessa narrativa redentora deveria se manter, mas pouco além disso. No entanto, o que vemos é uma série de repetições com meras modificações de atores e cenários, além de tentativas de modernizações de gosto duvidoso que geram ocasiões negativamente hilárias.
Em “Karatê Kid”, tudo volta a ser motivado pela briga entre uma gangue de garotos “delinquentes” e o protagonista, em decorrência de um ciúmes inconsequente em torno de uma garota. Se aqueles eram adolescentes rebeldes em busca de confusão, eles agora são crianças estereotipadas de personalidade maléfica incapazes de realizarem um gesto de bondade. Já a menina não mais ouve som e paquera na praia com as amigas. Ela agora toca violino em uma praça super movimentada sem a companhia de ninguém. Na tentativa de rejuvenescer os personagens, o roteirista acaba por enfraquecer a beleza desta história e dá a ela um aspecto de inverossimilhança.
Christopher Murphey também leva a sério demais sua trama. O tom de descontração, que por vezes o filme de 1984 possui, se perde, restando apenas a Taraji P. Henson, que interpreta a mãe de Dre, a função de proporcionar algumas escassas risadas. A coisa piora quando decide-se instalar um drama ainda mais intenso com a revelação do passado de Sr. Han. Por falar nele, este é um dos maiores déficits desta refilmagem. Jackie Chan é absolutamente incapaz de trazer a serenidade e a sabedoria exalada por Pat Morita, por mais que tente desesperadamente, chegando ao ponto de imitar o modo de andar do clássico personagem.
Por outro lado, Jaden Smith assume um papel mais liberto e diferente e, por isso mesmo, um dos pontos altos do filme. O carisma já demonstrado pelo ator em longas como “À Procura da Felicidade” volta a se repetir, mas agora em uma performance exigente em termos físicos. E nesse quesito, Smith merece todos os méritos. Impressiona como aquele franzino menino de doze anos se torna um belo lutador de kung fu, desenvolvendo sua agilidade e melhorando seus golpes diante dos olhos do público.
O ator, aliás, é responsável por boas cenas de lutas exibidas no longa, resultado de ótimas coreografias e direção competente de Harald Zwart ( do horroroso “A Pantera Cor-de-rosa 2“). O cineasta, porém, não consegue se conter na sequência final e se rende a exageros lamentáveis, visivelmente na intenção de fazer algo mais marcante do que o famoso “golpe da garça” desferido por Daniel Larusso. Em mais uma tentativa de imitação, o longa compromete sua própria qualidade.
E se a duração da fita é demasiadamente longa (são incríveis 140 minutos que prejudicam o ritmo e podem causar sono), é preciso que se destaque as belas locações encontradas para fazer o filme. Explorando espaços turísticos da China, como o estádio olímpico “Ninho do Pássaro” e a Cidade Proibida, mas sem deixar os humildes ambientes residenciais de lado, “Karatê Kid” vibra, chegando ao auge na linda tomada em que Dre e Sr. Han treinam em plena Muralha da China.
Preso às amarras de uma versão superior, “Karatê Kid”, no entanto, incomoda com sua insistência de referenciar. Se a intenção dos produtores era causar nostalgia nos fãs do filme original, ela foi fracassada. Pode até servir como diversão instantânea, mas com tantos clichês e repetições, o máximo que o filme deve alcançar é reproduzir o sucesso na Sessão da Tarde, em uma época em que a qualidade dos longas da sessão global é bem inferior.
P.S: As fãs de Justin Bieber que pretendem assistir ao filme apenas para ouvir a música “Never Say Never”, cantada em parceria com Jaden Smith, terão de esperar até os créditos finais para se satisfazerem. Não esperem, porém, ver o cantor exibir sua franja na tela grande. Escutá-lo já basta.



























31 Comentários
Cara, no antigo também a Kung Fu, não?
E é uma refilmagem, o primeiro filme se fosse apresentado hoje também seria clichê.
Não coloca defeito onde não tem.
NAO, NAO ERA KUNK FU MEU AMIGO
ERA KARATE!!!
**KUNG
Ah, é!Faz anos que não vejo os antigos…foi mal.
heheh
Anyway, não vejo nada de errado o kug fu nesse novo filme.A maioria que critica isso nem sabe a diferença dos dois.É uma adptação, não uma cópia.
=)
Chamar Kung-fu de Karate é o mesmo que chamar belga de francês, austríaco de alemão, ou chinês de japonês. Muitos podem não ver a diferença, mas um veículo de comunicação de massa como o cinema não deveria fazer tal generalização, correndo o risco de desrespeitar as culturas que criaram as artes marciais mencionadas, ambas com suas características, princípios e belezas próprias.
Era karatê sim! af…
Só por ser um nome diferente da própria luta no filme essa refilmagem até tira a vontade de assistir o filme….seria como ir ao cinema para ver “Jurassic Park” e em vez de ver dinossouros ver mamíferos e macacos………..mais um gol-contra da Columbia!
Se pegar o termo pela origem mesmo, karate eh uma forma de kung fu, procurem saber antes de criticar.
vo entrar em depressão só de ler as criticas negativas (qe são a maioria)desse site.
pocha, as vezes o filme é só pra divertir, e não pra mudar a sua vida, ou ser poético, ou entrar pra história…
e tbm sei lá qntos anos tem o cinema ou o teatro, mas é difícil inventar uma história original hoje em dia. Imagine vc tendo qe inventar uma história diferente todos os dias e sem sequer ter uma coisa parecida com a outra, senão vc é massacrado.
Mais do mesmo… se vcs lembram até Hillary Swank já fez um karate kid na vida, então não reclamem da vida de crítico! Querem profundidade de temas, filosofia, questionamentos existenciais, discussões éticas, políticas, morais, culturais??? Assistam Bergman, Truffaut, Rohmer, Fassbinder, Kieslowski, Visconti… Infelizmente, todos já morreram, mas suas obras estão aí, prontas para infinitas leituras e releituras. O cinema hoje é mais indústria que outra coisa, e precisa dar lucro, então o jeito é apostar em fórmulas surradas mas que funcionam, mesmo que sejam pura diversão escapista… E só.
kk, gostei muito de todas as críticas…
Claro que cada um tem sua Opnião.
Euri da parte : “Querem profundidade de temas, filosofia, questionamentos existenciais, discussões éticas, políticas, morais, culturais??? Assistam Bergman, Truffaut, Rohmer, Fassbinder, Kieslowski, Visconti… ”
Bergman, Rohmer? nem sabia que isso existia. sem cultura cinematográfica*
Enfim, só isso mesmo pra me fazer rir 5:00 da manhã.
No minimo deveria ser mudado o nome, fica meio controverso… mas por outro lado não chamaria tanto a atenção pro remake.
Mas deixando isso de lado…
vou ver esse filme no fim de semana, e estou com boas espectativas
pois a critica do Mauricio no CC me chamou a atenção…
quero ler agora a do Siqueira
Mas enfim, tudo bem que é só por diversão
mas no minimo o filme tem que ter uma boa estrutura, um bom drama do personagem e tbm boas atuações
Em relação a refilmagem do Karate Kid, só tenho uma coisa a dizer: é praticamente uma cópia do filme de 1984. Porém, acredito que as atualizações embutidas na estória, não mexeram no “espírito” da obra original. O filme é agradável de se ver. E definitivamente, Jaden não é o Daniel e Chan, não é o Miyagi. Os atores interpretaram (bem, na minha modesta opinião) personagens totalmente diferentes, que enfrentam as mesmas dificuldades dos personagens originais. Por isso, não acho correto fazer comparações.
Acho que é por isso que se chama remake. Ele deve se inspirar na estória original e tentar se adaptar aos moldes atuais. Não há como fugir dos clichês fazendo um remake. E discordo do autor da crítica que diz que os produtores fracassam ao tentar trazer nostalgia aos fãs… Sou fã do original e digo que SIM, me fez lembrar de bons momentos dos anos 80. Nota-se que o autor da crítica não é fã da série.
Mas é isso mesmo. O críticos fazem seu papel. Os espectadores fazem o seu.
Gente, desculpa, mas tem que respeitar a opinião do outro.
Sempre que uma nova crítica surge no site, tem uns 20 infelizes que começam a atacar o crítico e muitas vezes com argumentos tão limitados e
ofensivos.
Do que adianta cultura cinematográfica, conceito de cinema como indústria, entretenimento e o escambal?
Só porque o filme é comercial ele, necessariamente, tem que ser burro?
Será que custa, para os produtores, esforçarem-se para surpreender um público que está em busca de entretenimento?
Porque existe um entretenimento sagaz e inteligente, sem cansar a mente do público…só diversão mesmo. Isso custa? Ao meu ver, não.
Remakes precisam disso e esse filme não teve esforço nenhum.
Mas, deixando minha humilde opinião de lado, respeitar o crítico é fundamental.
Se vocês querem fazer a própria crítica, daí é uma coisa. Acho que esse espaço permite isso. Mas, agredir ao crítico porque ele se fez valer de argumentos válidos e bem contextualizados, só porque vocês não concordaram ou querem agir feito crianças mimadas e ignorantes para se fazer valerem de suas palavras? Sinto muito, mas quem perde aqui são vocês!
E não to falando de produndidade de temas, filosofia, questionamentos existencias,discussões éticas, políticas, morais e/ou culturais.
Quero entretenimento e arte, assim como Bergman, Truffaut, Rohmer, Fassbinder, Kieslowski, Visconti…E aposto que se eles se desafiassem a fazer cinema comercial, eles fariam com tamanha maestria que, daí sim, vocês veriam que o cinema inteligente não é só o cinema de arte, mas o cinema em si, não importa para que público ele se destine.
cara, aprenda a escrever criticas por favor, você deve se achar um baita intelectual… “falta de originalidade”? se o filme é uma refilmagem, então é de se esperar que tenha coisas do original, não?
esse Guilherme é meio doido! ninguem ofendeu ninguem, todos deram sua opinião. Mas que crítico costuma ser meio chato! Ah! isso sim. Por isso que gosto do Maurício Saldanha. Ele é o cara! Se eu gostei, problema meu, se vc não gostou, problema seu. E assim a gente vai vivendo a vida.
bom eu curti o filme em si achei bem bacana só não gostei muito do final colocaram muita maldade em uma criança e os golpes da ultima luta foram muito cliche
mais fora isso o filme é muito bom!
Gente, o filme é bom sim!
Vale a pena ser conferido sim! Tem muitas refer|ências ao original? Siiim!!! A maior de todas é o nome do filme(um pouco desnecessária).
Mas o filme tem espírito próprio! O jaden? To pasmo ainda, o guri deu um show no filme! Divertido, emocionante, envolvente. E definitivamente os 140 minutos NÃO são cansativos, eles passam que nem percebemos…
Ah vai e o Chan não foi tão ruim assim… gostei e me surpreendi com ele.
Enfim, acho que é um dos melhores remakes ja feitos, mudaria apenas o nome para “The Kung Fu Kid”, mas isso ja é esperar demais neh? o filme ainda assim eh extremamente comercial.
Nota 8(ta boom, 7,5)
Não assisti ainda o filme, só vou assistir na locadora.
E sem mudar muito de assunto.
Esses dias eu assisti Gran Torino, e lembrei muito de Karate Kid.
Para mim, Gran Torino é que é uma revisitação ao Karate Kid … nem precisava desse.
[]s
Olha meu caro, não coloca defeito onde não existe, o filme ficou ótimo!
Não é uma cópia, foi apenas adaptado e o Jackie Chan homenageou o ‘senhor Miyagi’, personagem de Pat Morita de maneira esplêndida, foi inclível!
O antigo Karatê Kid, apesar do nome, era praticado também o Kung Fu, porém no filme não existia essa informação, não estou criticando, são filmes ótimos também, sou super fã, mas quero apenas deixar minha opinião, foi bem dito no novo filme “Karate Kid” 2010, que a arte marcial praticada é o Kung Fu!
Então faça um favor para todos… Cala a sua boca e para de escrever asneiras, que isso é dor de cotovelo!
Se manda!
assisti a primeira vez e achei muito bom! Tive que fazer quase uma procissão pra minha namorada assistir e depois que ela viu, adorou também!
Tem gente que fica com essa boiolice de “karate, kung fu”… não caiam nessa, isso só importa pros nerds mesmo…
muitas vezes eu gostei das criticas deste site.
bem construtivas, analise bastante séria e competente.
mas esta, foi além do plausível, chegando a beira do ridículo.
não é questão pessoal, criticar este filme como foi feito aqui é muita ignorância.
O filme deveria se chamar “Kung Fu Kid”, isso pra mim AINDA seria uma referência ao Karate Kid (84).
Vendo Jackie Chan atuando, percebi que ele ainda presta para papéis que o humor não é o foco. Não seguirá (espero)os passos de Eddie Murphy, que até onde eu vi, só fez filmes bombas ultimamente.
-Spoiler-
E realmente o golpe da serpente foi de ****r…
abçz
pelo amor de Deus!
quando soube q ia sair esse remake pensei q seria pelo menos um pouco melhor q PESSIMO karate kid antigo!
me enganei legal!!!!!!!!!!
nota 3
O filme é muito, não da pra fazer
uma história totalmente diferente
do filme antigo
nota 8
O filme é muito bom….
Por ser uma adaptação(Reboot) e não um remake..não precisa ser exatamente igual ao original,o filme surpreende, com uma boa trama,e uma história sólida e algumas referências ao original..
Assisti duas vezes e achei um dos melhores dessa temporada,não sou fã da saga,mas esse me agradou mais que o primeiro…
Fiquem com Deus
ESSE FILME É MUITO MASA EU VOU SER A PRIMERA A CONPRA
Assisti o filme e gostei d++++.
Lixo de Crítica.
Lixo de Crítico.
Comparações sem fundamento.
Basta.
Devo admitir que voce foi muito, mas muito infeliz mesmo em sua crítica Darlano. Com toda certeza foi uma das críticas mais sem fundamentos concretos que eu já li na minha vida.
Você nao assimilou a idéia do filme, esperava uma coisa e encontrou outra. Nao pode descontar sua frustração em argumentos sem razão em todo o filme. Uma dica: reveja seus conceitos.