Uma cidade pequena e pacata, um vírus desconhecido, um exército de pessoas contaminadas, estes são os principais ingredientes para o longa de terror “A Epidemia”. E, mais uma vez, não restará outra coisa aos habitantes da cidade a não ser a luta pela sobrevivência aos terríveis ataques dos exterminadores. O xerife da cidade David e sua mulher também são capturados pelas tropas e lutarão não só pela sobrevivência, mas também para continuarem juntos dentro da área separada para eles.
Algo bem relevante a ser dito é que o filme marca a volta dos famosos “mortos-vivos”. As pessoas que contraem o vírus transformam-se nas criaturas que por muito tempo tiraram o sono de uma geração. É interessante perceber o clima nostálgico que o surgimento dessas criaturas proporciona. Em um ambiente marcado pelos efeitos visuais de última geração, elas aparecem com sua simplicidade e objetividade que criam um aspecto mais realista a estes seres e, por isso, tenham causado tanto medo, algo que hoje em dia dificilmente acontece.
Na direção está Breck Eisner, que só havia dirigido filmes e séries para a TV. Ele respeita a versão original e acrescenta o ritmo tão conhecido nas obras atuais. É só observar as cenas de fuga dos personagens em que a câmera acompanha quase colada no elenco. O ângulo de visão também varia e muitas vezes assume o papel do personagem e seu olhar na cena. Recursos que muito agradam e surtem efeito principalmente na “modernização saudável” do filme.
Ainda assim, o roteiro não agrada e repleto de falhas que tiram da credibilidade da obra. As falhas estão por toda a parte, desde as coincidências forçadas a até mesmo a falta de explicação dos fatos, como a cena em que o sangue do xerife entra em contato com o de uma infectada e ele não contrai o vírus. Assim, o roteiro respeita até demais a versão anterior repetindo falhas que naquela época não eram tão interrogadas como hoje.
No elenco estão Timothy Olyphant e Radha Mitchell. O ator que faz o xerife David consegue ter um desempenho bem interessante a obra. Além de ser a principal autoridade da cidade, ele é também o principal nome do filme e consegue fazê-lo de forma modesta e eficiente. Já a atriz que interpreta Judy, esposa do xerife, faz um trabalho até melhor do que o seu companheiro de cena. A cena em que ela observa a crueldade dos infectados é digna de elogios.
Dentre os principais atrativos do longa estão os efeitos visuais e sonoros. Estes últimos os mais requisitados, uma vez que não faltam na obra cenas de ação e suspense em que o som tem total valor de impacto. As cenas de fuga e seus obstáculos só comprovam isso. Já os efeitos visuais, sobretudo no fim da obra, impressionam por tamanha precisão e acabam dando o tão almejado toque moderno. É bom lembrar que o equilíbrio é o mínimo que se espera, já que não se pode descartar nem passado nem presente.
O que faltou a esta obra sobrou em duas obras similares. Em “Extermínio”, e sua continuação, “Extermínio 2”, esbanjaram de um realismo poucas vezes visto em filmes do gênero. Em “A Epidemia” faltou essa realidade próxima. Tudo é muito superficial. E quando tenta fugir disso soa forçado e distante do compreensível. Em determinado momento, a tamanha sorte do xerife que consegue escapar de todos os ataques chega a ser cansativo a tal ponto do público torcer para que ele seja atingido.
“ A Epidemia” não consegue acrescentar muita coisa à obra original. A missão de trazer uma trama do passado deve ser encarada com mais cuidado, sem deixar de lado um componente fundamental e diferencial, a ousadia. Os tempos são outros e o público também.



























3 Comentários
O filme eh mto bom, ousadia teve ate d+, eu nao esperava q fosse se sair tao bem, pq o de 1973 nao eh lá essas coisas! Recomendo!!!!
Discordo do autor em alguns pontos. Primeiro, na questão zumbi, em Epidemia não existem zumbis e sim algo semelhante a zumbis que vou chamar de doentes pra facilitar. Os doentes estão vivos, não precisam se alimentar de carne humana e não tem nenhum problema grave de locomoção. Porém o mais legal é a deterioração moral que eles apresentam: tenho algum problema com a minha mulher e filho taco fogo neles; sou um caçador porque não começo a caçar humanos; o policial matou meu pai por que não ir e o matar; esses são apenas alguns problemas morais que você ira ver no filme.
Segundo, a falha apontada, a possível contaminação do xerife, não é necessariamente uma falha pois o filme acaba antes do tempo de incubação do virus.
De resto concordo que tecnicamente o filme é muito e os efeitos sonoros casam perfeitamente com as cenas e reforçam todas as “cenas de sustos”.
Recomendo que seja o filme, a anos não gostava de um filme de terror americano como gostei desse.
eu tenho interesse em ver esse filme no cinema porem eu gostaria de saber se está totalmente picotado igual fizeram com “halloween” levando em consideração que a classificação indicativa é de 16 anos e não 18…
esse filme esta cortado na versão cinema???(se tiver cortes até va lá mas o que fizeram com “halloween foi ridiculo)