Vamos deixar logo uma coisa clara: “Meu Malvado Favorito” não chega nem perto de ameaçar a Pixar. Mas isso não quer dizer que este primeiro trabalho da Ilumination Entertainment não tenha seu brilho próprio. Ao contar uma história de paternidade, adicionando um tempero todo especial à formula, esse iniciante estúdio nos apresenta a um grupo de personagens bastante divertido e encantador do seu próprio modo.
A trama é simples: após ser ultrapassado pelo novato Vetor, o vilão Gru quer voltar a ser a maior mente criminosa do mundo, com seu plano-mestre de roubar a lua. No entanto, para isto, ele precisa de um raio encolhedor, que acaba indo parar nas mãos de seu rival. Gru, então, arquiteta um modo de pôr as mãos na arma, mas, para entrar na fortaleza de Vetor, ele precisa da ajuda de Agnes, Edith e Margô, três garotinhas órfãs que vendem biscoitos. Mas as meninas podem exercer uma influência sobre Gru que o vilão jamais poderia prever.
Comandado por Pierre Coffin e Chris Renaud, o visual do filme é bem cartunesco, passando pelas características de seus personagens até a sua direção de arte. O design é bastante colorido e iluminado, fazendo contraste justamente com a história, que é contada do ponto de vista de um “vilão”, com a ausência de um herói mais clássico.
O ponto mais interessante do filme é justamente a evolução de seu protagonista. Gru nos é apresentado como um homem que adora ser mau, seja magoando criancinhas, batendo outros veículos com seu carro-foguete ou realizando os seus golpes. Aos poucos, vamos conhecendo melhor o vilão e descobrindo que ele não foi sempre assim, fazendo com que seu relacionamento com as meninas e seu consequente crescimento pessoal não soem forçados.
Em comum com “Os Incríveis”, este filme possui o fato de que seus personagens vivem em zonas urbanas, em plena vista das pessoas comuns. No entanto, isto acaba tirando um pouco da força da história, pois a trama precisaria se passar ou em uma cidade de cegos ou de idiotas para não notar alguns absurdos, como o carro-foguete de Gru ou o rombo aberto em plena via pública pelo protagonista no final do segundo ato.
O que nos faz ignorar essas “pequenas” falhas é o carisma dos personagens. Enquanto o trio de órfãs, cada um com sua personalidade própria, nos conquista tanto quanto ao próprio Gru, este se torna a figura mais complexa e adorável do filme, mesmo com suas “maldades”. A relação dele com seu parceiro, o cientista louco Dr. Nefário, com seus divertidos minions e com sua própria mãe revelam muito sobre o próprio protagonista e divertem o público ao mesmo tempo.
Aliás, as cenas entre Vetor e o diretor do Banco do Mal encontra eco justamente nas sequências protagonizadas por Gru e sua progenitora. Outras sacadas interessantes são as referências visuais e narrativas plantadas pelos roteiristas Ken Daurio e Cinco Paul (“Meu Papai é Noel 2″) durante o filme, remetendo a “O Poderoso Chefão”, fazendo piadas com a indústria de cinema e até com a economia americana (essa só os adultos vão entender, aliás).
A dublagem nacional do filme está deveras eficiente. Leandro Hassum faz a voz de Gru na versão brasileira e está ótimo com o sotaque peculiar do personagem. Já Marcius Melhem, que dubla Vetor, também aparece bem, embora sem tanto destaque. Na versão original, os personagens são dublados por Steve Carell e Jason Segel. Interessante notar que, mesmo acidentalmente, Hassum acaba por lembrar o tom de voz do comediante americano em alguns momentos.
“Meu Malvado Favorito” passa longe de ser um novo clássico animado, tendo defeitos óbvios e abordando um tema que já fora contado nas telas centenas de vezes (até pelos mesmos roteiristas). Mas, por ser rápido e despretensioso e por contar com personagens divertidos, vale a pena ser conferido.



























11 Comentários
Este é um filme, que no pré-filme me empolga mais do que “Toy Story3″. Estou esperando algo parecido com “Os Incríveis”,da pixar.
Aguardo a estréia.
Não seria O Grinch, Sicas?
Temática igual né, malvadão que quer ser malvadão mas não consegue!
Willtage
Alguem sabe me diser como está o 3d desse filme??
Quero saber se vale apenar pagar mais caro
=D
pelo trailer dele que passou antes de Shrek o 3D é muito bom, a broca assustou todo mundo na sala U.U vale a pena sim
O 3D do filme está muito bom, não está forçado te jogando um monte de coisa em sua direção a todo momento, a cena da montanha russa é muito legal! e a cena com os Minions entre os créditos também! recomendo fortemente esse filme, afinal o básico de uma animação que é nos entreter e fazer rir esse filme conseguiu muito bem, o que vi de marmanjo se rachando de dar risada prova isso!
não vi em 3D e acho que pude apreciar muito do filme, lembrar que o filme não é da Pixar foi um elogio que combina bem com o que é o filme.
Pra mim é “quase” um Pixar, tem um pouco de Os Incríveis, Monstros SA e um humor mais Dreamworks
Concordo com a crítica, menos no que se refere aos citados “defeitos”. Me pareceram mais como uma das muitas (e boas) piadas do filme.
nem tudo que é da pixar surpreende não meu amigo, mal título"
Fui ver o filme sem pretenção, mas preciso dizer que saí da sala encantado.
esperamos muito realmente quando vamos ver uma animação da pixar, mas penso que este nao fique devendo em muita coisa pra qualquer um.
testemunhamos o nascimento de um novo estudio. Assim como a dreamworks surgiu com shrek e conseguiu seu lugar ao sol, a ilumination entertainment nos apresenta “meu malvado favorito” e faz seu dever de casa.
Com relação aos defeitos citados, concordo. Notei eles e comentei na hora com amigos, mas tudo isso é deixado de lado diante do carisma dos personagens.
Gostei mais desse filme do que do último Shrek.
O Vetor é a cara do Bill Gates, tudo do vetor faz referência a apple, lembro que na cena que o Vetor está tentando escapar com a nave dele está escrito Iscape… alguma coisa assim na alavanca.
Esse filme me surpreendeu. Pra mim ele não fica muito atrás de Toy Story 3, apesar da história meio clichê.
Os personagens são muito bem feitos.
Cumpriu o que eu esperava dele e fez mais.