O comando no DOS “C:\run\Prince” marcou a infância de muita gente. O game “Prince of Persia” tinha o seu personagem-título pulando, se esquivando, se agarrando e lutando para salvar uma bela princesa no final. Após divertir toda uma geração e evoluir dentro da era dos jogos mais elaborados, a franquia chega aos cinemas com este “Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo”.
Adaptações de games para as telas costumam ser um desastre, mas esta conseguiu me divertir. Obviamente ambientada na Pérsia antiga, a aventura nos narra a jornada de Dastan (Jake Gyllenhaal), um garoto dos becos que fora escolhido pelo Rei por sua coragem para se tornar um dos seus filhos, sendo tão bem tratado quanto os herdeiros consangüíneos do monarca, mas sem chances de chegar ao trono.
Anos se passam e Dastan cresce e se torna um honrado e impetuoso guerreiro, respeitado entre seus irmãos e comandados. Com sua nação levada por uma falácia a atacar a um reino por motivos mentirosos, o Príncipe acaba sendo acusado injustamente de assassinato e acaba ligado à regente local, a jovem e mimada Tamina (Gemma Arterton), graças a uma misteriosa adaga que, abastecida por uma areia mística, permite ao usuário retornar poucos momentos no tempo.
Caçado por todos, Dastan tenta provar sua inocência junto a seu tio, Nizam (Ben Kingsley), enquanto Tamina possui sua própria missão, algo que a coloca em conflito direto com seu companheiro por diversas vezes. No caminho, a dupla encontrará intrigas, perigo e até um sheik (Alfred Molina) bastante carismático e ganancioso, mas que pode vir a ser um valoroso aliado.
O longa possui uma clara vantagem em relação à outra aventura em tempos antigos lançada recentemente: não se leva muito a sério. Aliás, digo que as falhas desta fita são oriundas justamente dos poucos momentos em que o filme tenta ser mais do que é. Quando o filme se entrega a este seu lado mais “divertido”, funciona muito bem.
Por algum motivo, os escritores da produção resolveram que era uma idéia bacana introduzir um comentário sobre erros bélicos contemporâneos dos EUA na fita, gerando uma subtrama (e um subtexto) bem irrelevante. Ora, em um filme dessa franquia queremos ver princesas sendo salvas, vilões perigosos e um mocinho realizando proezas físicas e se agarrando em construções para escapar de inimigos. Assim, a tentativa ingênua de mensagem política soa deslocada dentro do roteiro, como uma nota desafinada dentro de uma música.
Durante boa parte da produção, esta possui um tom adequadamente leve, remetendo aos dois primeiros filmes da série “A Múmia”. Prova disso é o próprio Dastan, vivido por Jake Gyllenhaal. O protagonista tem realmente um porte que convence como herói de ação, sabe rir de si mesmo e das encrencas em que se mete, embora reconheça o peso de seus problemas, fazendo com que o público simpatize com ele.
Além disso, suas briguinhas com a personagem de Gemma Arterton podem soar um tanto quanto clichês, mas elas funcionam. A despeito de Gyllenhaal estar bem longe do seu potencial total (como em “Entre Irmãos”, por exemplo) e da bela Arterton ser tão pouco expressiva quanto linda, os dois acabam funcionando bem juntos, tendo uma boa química. Claro que não serão um exemplo romântico a ser lembrado pelos anais da sétima arte, mas se encaixam bem no filme.
Outro que merece elogios é Alfred Molina, como o sheik Amar. Engraçado e ganancioso na mesma medida, o personagem evolui muito dentro da história e o ator explora muito bem o arco narrativo deste espertalhão.
Molina faz uma dupla bastante eficiente com Steve Toussaint, que vive o atirador de facas núbio Seso, que possui uma relação que lembra muito aquela entre Chewbacca e Han Solo. Além da amizade dos dois soar convincente, ambos os personagens possuem seus momentos de destaque bem colocados na fita.
O mesmo não pode se dizer de Ben Kingsley, intérprete de Nizam, que, a despeito de surgir, acertadamente, de maneira calma e tranqüila, acaba se entregando ao exagero conforme o filme passa, simplesmente não roubando a atenção do público e criando um personagem pouco memorável e pendendo muito para o comum.
Por falar em atenção, não precisava ter inserido os tais hansanssinos na fita de maneira tão espalhafatosa, mostrando-os de uma maneira tão curta e exageradamente elaborada que as seqüências nas quais eles aparecem mais remetem a vídeos musicais de heavy metal. Como passam de meros assassinos e capangas contratados, não havia necessidade da produção fazer tanto “auê” em cima desses personagens.
Mas o grande escorrego do filme fora o seu final. Sem entrar muito em detalhes, adianto que o longa começa a perder o fôlego após uma revelação no final de seu segundo ato, ficando deveras arrastado em sua derradeira parte. Quando chega o momento do desfecho, a fita apela para uma solução que basicamente anula tudo o que tínhamos visto até o momento, jogando fora o desenvolvimento de vários personagens, chegando a ser irritante e até um tanto quanto machista.
Mike Newell está fazendo claramente um filme de produtor aqui, mas isso não o impede de fazer um bom trabalho com esta produção. A despeito dos efeitos especiais dominarem quase toda a produção, o tom de fábula adotado pelo diretor ao nos levar para dentro do mundo desta fantasiosa versão da Pérsia acaba nos fazendo embarcar na brincadeira.
Um dos acertos do diretor está em reconhecer a mídia original da franquia, principalmente no primeiro ato da projeção. Existem alguns movimentos de câmera tirados diretamente de games, como o zoom na chegada de um inimigo poderoso (de um “chefe”) ou mesmo a explanação de objetivos, que nos remetem diretamente aos jogos. As próprias peripécias físicas de Dastan, a despeito de tiradas do Le Parkour, são adaptadas diretamente dos games.
A trilha sonora, assinada por Harry Gregson-Williams, é um tanto quanto genérica, mas efetiva. O visual do filme é ótimo, não tendo a mínima obrigação de seguir uma linha realista justamente por este se assumir como uma aventura despretensiosa (ao menos durante boa parte do tempo).
A despeito de seu meio de campo enrolado e algumas falhas bem óbvias, “Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo” é um bom passatempo e um caso raro de adaptação cinematográfica dos games que acaba por funcionar realmente como filme. O longa poderia realmente ser melhor, mas, mesmo falho, a fita termina com saldo positivo.



























25 Comentários
Empolga mesmo, depois do filme vi um garotinho pulando de dois em dois degraus e girando no andaime da escada. -.-'
É um bom filme com toda certeza e distrai de forma eficiente, mas deixa a desejar em deteminados aspectos, como em nao explicar alguns fatos relacionados à historia primeiramente, para apos isso dar continuidade no roteiro. Gyllenhaal esta otimo e convence de forma simples e divertida.
Tbm gostei muito do filme, poderia ter ficado melhor claro, mas para um filme que quase ninguém (incluindo eu) colocava fé, ficou excelente. E em comparação a outros filmes que estão no cinema agora, como o medíocre Fúria de Titans que tem o trailer melhor que o filme – aliás, parabéns a quem fez o trailer de furia de titans, realmente conseguiu enganar o mundo todo fazendo parecer que o filme era algo espetacular – robin hood 2, que é bom, mas devia ter outro nome que não robin hood já que é totalmente diferente da história original, e homem de ferro 2, que foi muito bom tbm, mas teve muita pouca ação, prince of persia é o que recomendo em primeiro lugar pra se ver no cinema, seguido de homem de ferro 2 pra quem ainda não viu.
Cara, o filme impressiona visualmente, tem boas cenas cômicas e excelentes cenas de ação. O único problema é que toda vez que eu via Dastan (Jake Gyllenhaal) eu lembrava do homem que Heath Ledger comeu, nada mais. Muito bom o filme.
É legal mesmo. Da pra ir assistir e se divertir só, não da pra dizer OLHA QUE FILMAÇO. Gemma Artenton agrada os olhos mas ela ta sempre lacrimejando em qualquer momento, ainda sim melhor do que sua atuação em “Furia de Titãs”, alias é impossivel não comparar, nisso “Principe da Persia” é bem melhor e tem mais ritmo e coesão.
Estranho todo mundo reclamar do final, já que ele foi uma das coisas mais fiéis ao jogo Sands of Time. É claro que tem suas diferenças, mas isso se deve ao fato da adaptação pro roteiro do filme. No entanto, a base do fim é quase a mesma, e isso com certeza me agradou.
O filme foi bom principalmente para quem gosta do jogo, não é memoravel mais valeu a pena o ingresso ainda mais sendo a adaptação de um jogo, espero que tenha uma sequencia para que possa se desenvolver.
Realmente, me diverti, ri e adorei as cenas de ação. O filme com certeza tem altos e baixos, mas, no geral, o filme me surpreendeu, principalmente pq tava esperando uma bomba. Recomendo. Que venham mais adaptações de games nesse estilo =D
Tb gostei muito do filme, poderia ter ficado melhor claro, mas para um filme que quase ninguém (incluindo eu) colocava fé, ficou excelente. E em comparação a outros filmes que estão no cinema agora, como o medíocre Fúria de Titans que tem o trailer melhor que o filme – aliás, parabéns a quem fez o trailer de furia de titans, realmente conseguiu enganar o mundo todo fazendo parecer que o filme era algo espetacular – robin hood 2, que é bom, mas devia ter outro nome que não robin hood já que é totalmente diferente da história original, e homem de ferro 2, que foi muito bom tbm, mas teve muita pouca ação, prince of persia é o que recomendo em primeiro lugar pra se ver no cinema, seguido de homem de ferro 2 pra quem ainda não viu.
O Siqueira! O mega rewind do final, que você disse que enfraquece a trama foi tirado diretamente do jogo! Não sei se você jogou a trilogis nova das areias do tempo, mas é justamente esse final que possibilita as continuações.
Pois é, o dito final “deslocado” é totalmente apropriado para a temática e roteiro do filme… Como dito, o filme diverte e cumpre o que propõe.
Simplesmente assino embaixo, Danilo. Nem vou defender muita coisa criticada desnecessariamente aqui. Só digo uma coisa: o CCR deveria reavaliar alguns de seus críticos. Até parece que acabam de sair da sala de cinema e já pulam pra frente do PC (ou do papel e caneta) e avaliam o filme que ainda está sendo digerido em suas mentes.
O CCR já teve críticos mais sensatos.
O final é apropriado para o roteiro do jogo, não do filme. No jogo Sands of Time, o príncipe liberava as areias do tempo, trazendo uma maldição sobre o reino que transformou todas as pessoas em monstros de areia. No filme eles não fizeram essa trama, portanto o final ficou sim deslocado e sem sentido.
Danilo, nos games o final funciona porque a jornada que o personagem trava é a nossa, portanto o “reset” não nos incomoda pois passamos por aquelas situações e essa volta não nos apaga tais experiências.
O cinema é uma arte onde o especador é mais passivo à ação. Nós apenas a assistimos e observamos os personagens evoluirem e serem afetados por aquelas experiências. Quando ocorre esse “reset” é como se tudo o que nós ASSISTIMOS (não como nos games em que VIVENCIAMOS em algum nível) virasse areia.
Não dá pra julgar duas formas de arte diferentes pelo mesmo nível.
Cara, aposto que se não tivesse esse rewind no final, haveria mais reclamações quanto a fidelidade do filme ao jogo. Eu mesmo acharia ruim, pois como em nenhum outro momento vemos o príncipe liberar as Areias do Tempo, não haveria como ter uma futura continuação baseada em Warrior Within.
Além disso, ninguém que assistiu comigo (apenas um tinha jogado o jogo) se sentiu incomodado com esse rewind final. Até porque, o filme fala sobre areias que podem fazer você voltar ao passado. Se há uma coisa a reclamar desse rewind é que ele foi previsível… todos tinham, no mínimo, uma idéia de que isso ia acabar acontecendo no final.
É um bom filme, concordei com quase todas as críticas apresentadas, e tenho uma a acrescentar: o filme se explica demais! O personagem principal, quando descobre como a adaga funciona, repete 2 ou 3 vezes o funcionamento. Parece professora explicando pela primeira vez como funciona a potenciação.
Siqueira, creio que a inclusão dos hassassins com toda aquela pompa foi para introduzir um futuro filme sobre Assassin’s Creed, game da mesma produtora do atual Prince of Persia.
Esse filme e bom mais poderia mesmo ser mais além , mais ele tem unas cenas muitos lindas !! vale a pena assistir
Na minha humilde opinião de quem já jogou todas as versões e quando falo todas as versões estou falando das primeiras em 1990+-, este filme realmente é um fracasso, nem de longe parece com o jogo, para quem é fã e jogou o prince of persia sands of time, prince of persia warrior within e o prince of persia the two thrones não vale apena sair de casa para ver, no maxímo fazer um torrent para assistir em casa se realmente não tiver nada melhor para fazer porque você vai odiar o filme assim como eu..
Agora se você nunca jogou da para ver por que vai ser apenas mais um filme de aventura.
Os filmes pode ter milhões de dolares porem quem faz os filmes baseados em jogo não tem o coração a emoção dos jogadores fazem algo pelo simples fato de ganhar mais uma grana, onde acaba saindo umas porcaria que os fãs tanto critica, claro este não vai ser o primeiro e nem o ultimo filme que os fã de jogos ou quadrinhos vão malhar, com certeza viram outras porcarias de adaptações por ai.
E como tudo na vida tem gente que gosta outros que odeia, eu faço parte dos que odiaram o filme.
E não é só minha opinião não veja outros comentários sobre, então não temos um sucesso.
http://www.metacritic.com/film/titles/princeofpersia?q=prince%20of%20persia
http://beta.rottentomatoes.com/m/prince_of_persia_sands_of_time/
Pode até ter arrecadado milhões ter pago os custos, mais acredito que os verdadeiros fãs do jogo ficaram decepcionados com a historia com a falta de armadilhas, sand monster entre outras coisas que não tiveram no filme, não é por que arrecadou milhões pelo mundo que os fãs ficaram realmente satisfeito.
Bom, vou parar por aqui, pois poderia escrever um livro do que não gostei neste filme…
Aaaffff…
Apesar de não ter jogado as “últimas” franquias de Prince of Persia, sou um grande fã daquele simples, lento, mas muito legal game, em que tinhamos que descer e subir por paredes, esperar os espinhos baixarem, elementos que, para a época, fez o sucesso que anos depois resultaria numa retomada com grandes mudanças e avanços consideráveis.
Sobre o filme, acho que o “retrocesso final” não estragou a ideia do filme, já que de alguma forma (pode ser que não retomem)nos foi apresentado que nada foge do destino, o que para mim, mostra que nas proximas continuações, Dastan e CIA, possam reecontrar com os personagens do primeiro filme, em situações diferentes, claro.
Não sei se só fui eu que me senti incomodado com a trilha sonora, mas, como sou um grande admiridador de algumas trilhas, inclusive a do tema de Piratas do Caribe, achei insensato (re) aproveitarem as melodias (modificadas ao final) da trilogia dos próprios diretores de Prince o Persia (filme). No mais…é só esperar as diversas constinuações…
Muito bom ensina hollywood como se faz adaptações de verdade.
Boa crítica, e concordo de forma geral.
Mas Thiago, cuida teu texto.
… a despeito… a despeito… a despeito… a despeito… a despeito…
Cinco vezes chama mais atenção que deveria.
Nossa, realmente me lembrou os dois primeiros filmes de “A Múmia”, bateu uma saudade… gostei desse filme, foi divertido, esperava menos.
pow gostei do filme….
foi bem divetido…
valeu o ingresso que pagaram pra mim..
tenho que aplaudir o Jake Gyllenhaal que fez com que eu visse o nosso heroi que não precisa de portas pra entrar nos lugares…
e aquela que fez a princesa… mesmo que ela não atue tão bem.. ela é LINDA.. pra mim ta bom.. XD
Adaptar jogos ao cinema não tem sido a maioria das vezes sinonimo de sucesso e acertos ,mas POP consegue na medida do possivel acertar.ainda que cheios de erros a parte tecnica encarrega de disfarçar.efeitos de primeira e otima fotografia. no fundo POP cumpre o papel de um cuja a função é entreter o espectador sem muitas prentençoes.
NOTA 8