Falar de “Jogos Mortais” todos os anos requer criatividade, que, por sinal, a franquia perdeu gradativamente. Durante seis anos, as armadilhas de Jigsaw (Tobin Bell) são trabalhadas com sadismo e horror, em maiores ou menores proporções, em uma trama que parece não ter fim. Os primeiros filmes são ótimas demonstrações de como o suspense e a tensão podem ser trabalhados em uma película que visa simplesmente mostrar um serial killer que, por achar a vida preciosa, expõe as pessoas em situações que as façam valorizá-la. Assim aconteceu com Amanda (Shawnee Smith), fiel seguidora do doente e doentio Jigsaw. Ao lado deles também apareceu o Detetive Hoffman (Costas Mandylor), que desde o filme anterior se põe à frente do legado do assassino. O problema de “Jogos Mortais 5” esteve justamente em transferir esse poder de julgamento de Jigsaw para Hoffman, o que o torna canastrão e antipático, coisa que nem mesmo Jigsaw e todo o seu sadismo eram.
A franquia estabeleceu uma marca que tirava o fôlego do público: o prólogo. Desta vez, apesar de ainda continuar com jogos bizarros, o prólogo não causa o efeito de tensão esperado e se configura como o pior já visto da franquia. O mais engraçado é que a armadilha do prólogo acaba sendo uma das mais interessantes de todo o “Jogos Mortais 6”, e sabe-se lá quem pode explicar essa ambiguidade. Para este sexto longa, foi planejado começar o filme exatamente onde o anterior terminou. Não se preocupe, o longa tem flashbacks até demais que tornam possível a compreensão e ligação dos fatos, ainda que seja recomendável conhecer um pouco dos nomes, vítimas e detetives dos filmes anteriores. Agora, Hoffman tenta limpar as pistas que deixou e continuar o legado de Jigsaw. Em paralelo, Jill (Betsy Russell) revela a todos o que Jigsaw deixou de orçamento para ela. Meio a esses dois pontos dramáticos do filme, novas vítimas, muitos miolos e sangue invadem a tela.
O roteiro de Marcus Dunstan e Patrick Melton parece que realmente se perdeu em ideias. As armadilhas vistas são praticamente repescagens do que já foi armado em outros filmes, deixando tudo bastante previsível. As maiores sacadas de “Jogos Mortais 6” poderiam estar em alguns pontos dramáticos, mas os roteiristas também se perdem em tais sequências. Aliás, este filme tem bastante drama, o que às vezes o torna sacal. Como destaque temos a volta de um personagem bem interessante dos filmes anteriores, mas que é completamente desvalorizado da trama e poderia ter muito a contribuir para o jogo de gato e rato que Hoffman vive. Como sempre, uma surpresa é aguardada para o desfecho da película, e até cria boas e falsas relações entre os personagens, mas muito do que está no terceiro ato é previsível, principalmente no que diz respeito a Hoffman e Jill. Novos segredos são revelados e associações são feitas aos outros longas, mas nada é tão eficaz ao ponto de fazer de “Jogos Mortais 6” o grande salvador da franquia que está indo por água abaixo.
Kevin Greutert, que editou os filmes anteriores, agora assumiu o cargo de diretor e é perceptível o orgulho que ele tem a assinar a película. Tanto nos créditos iniciais quanto nos finais, seu nome junto com um “A film by” estouram na tela. Pena é que ele ainda tem muito a aprender como diretor, já que talvez ele ache mais fácil enganar e distrair o público menos atento para que não percebam seus erros. Greutert se sai mais sóbrio nas sequências dramáticas, mas quando a intenção é mostrar o terror e o sangue, o diretor não tem sucesso. Aliado a isso, a direção de arte e fotografia estão menos eficazes aqui, assim como no filme anterior, perdendo um pouco do gosto real e nojento da série. E acredite: ser assim é bom para o sucesso de uma franquia que gosta de revirar o estômago do público.
O diretor também tem pouco tato com seu elenco. Quem costuma dizer que não é preciso ser um bom ator para transmitir o pânico em filmes de suspense e terror precisa reavaliar suas ideias. O pavor pode se tornar bastante cômico com a falha de atores ruins e estragar um filme que não tem a comédia como objetivo. Em “Jogos Mortais 6”, os atores que interpretam vítimas são regulares, porém não é possível perceber uma boa direção de elenco de Greutert. No elenco principal, Costas Mandylor continua o canastrão de sempre e apático, perdendo apenas para Betsy Russell, que poderia trazer o charme feminino para a franquia, mas agora parece estar preocupada em apenas fazer caretas para a câmera. Os experientes Tobin Bell e Shawnee Smith dão um toque de saudosismo à trama, o que é sempre positivo.
Depois do péssimo “Jogos Mortais 5” e do cansaço do público com a série, não é de se espantar que “Jogos Mortais 6” não tenha tido uma boa recepção na estreia nos Estados Unidos, mesmo que este exemplar seja um pouco superior ao anterior. Ainda assim, faltam ideias e novas emoções para a trajetória de vida e morte de Jigsaw. Talvez falte mais ainda Darren Lynn Bousman e sua incrível capacidade de chocar. Falta até o próprio Jigsaw e Amanda, a melhor dupla de psicopatas vista nos últimos anos. De qualquer forma, os jogos sempre dão um jeito de continuar. Agora é esperar os próximos, já que não temos o poder de mandar parar antes que continuem estragando tudo.



























13 Comentários
Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
concordo com tudo o q foi dito na critica mais ainda assim na minha opniao a saga tem gas, mesmo sem imagnar o q vao inventar de trama alem da loucura de Hofffman, visto no desfecho do Saw 6 e talvez o envolvimento de Jill nos fututos jogos, ñ consuigo mais imaginar aonde colocar Jigsaw e Amanda, os queridinhos carnificina do publico gore!
Otima critica, você não acabou com o filme como muitos fizeram mas tambem não exaltou (também não merece).
Fui no cinema já sabendo o que iria ver.
Muita mutilação, tiros, perfurações e outras coisas do genero. Enfim, assisti as 6 partes todas no cinema. Já se tornou meio que um ritual.
E confesso que apenas as 3 primeiras partes são realmente bacanas como um filme. As outras 3 servem apenas pelas cenas violentas (que são o único motivo pelo qual continuo a conferir a série).
Saw 6 é melhor do que o 5… como se depois do primeiro filme, essa série prestasse. Prostituiram a franquia ainda que o tema não rende muito mais do que foi mostrado no primeiro. Original? Até era sim, mas descambou legal. Saw 6 é um lixo! Ser melhor do que o 5 não é mérito algum! Falaram que vai ter o 7 em 3d. Ah, faça o favor né? Vai voar braço no balde pipoca agora?
Concordo com a crítica em relação às armadilhas e a trama…
Mas não acho q Saw 5 foi péssimo,a fuga do detetive Hoffman no fim foi sensacional, é claro q 6 filmes parecidos cansam, eu teria ido só até o 5,e fica claro q a saída de JigSaw e Amanda enfraqueceram a história…O 6ºfilme eu não vi,o erro foi aumentar o número de sequências,já q a idéia inicial era de 5 filmes…
Concorso com a crítica…….Saí arrasado do cinema quando fui ver o Jogos Mortais 5…achei o filme horrorooso…perdeu o sentido todinho…..Ví o 6 por curiosidade, pois estava com a impressão péssima deixada pelo 5° filme e realmente é melhorzinho, muitas coisas se esclaresceram e achei alguns diálogos complexos demais para entendimento! Não penso q deveria ter parado no 3° filme, pois achei o 4° filme exelente….Concordo q deveria ter parado no 4° isso sim!
Mas é impresssionante fazer 3 primeiros filmes exelentes…. e oitros 2 medianos e o 5° pésimo…..
O que um roteirista num faz não é?
ja detestei o filme logo de cara. Talvez esteja sendo exigente demais, mas a franquia não tem mais aquele tom arrepiante que tinha em suas primeiras edições. Talvez em sua sétima tentativa ele se recupere, mas eu duvido.
Jogos Mortais ja deu o que tinha que dar. Novas ideias precisam ser apresentadas e vejamos o que o cinema tem a dizer em 2010.
Até.
A partir do quarto virou caça-níquel. Não há o que discutir.
Particularmente odeio terror. Acho ridículo a idéia de , em vez de relaxarmos com um ótimo lazer que é o cinema, retesarmos nossos nervos por tantos minutos em frente aos horrores de um filme desse tipo e sairmos mais tensos ainda.
Assisti só o terceiro. Pra quem se empolga com mutilação e sofrimento, com certeza, é uma série infinita.
Filme muito bom! Cenas muito bem feitas, intrigante.
Com todo o respeito com o gosto de algumas pessoas aqui, mas a genialidade foi até o segundo filme e parou. O resto é somente carnificina e, sinceramente quem gosta dessas sequencias (minha opinião), deve se tratar. Divertimento para psicopatas! Como idéia são horríveis, como filmes, tá abaixo de série de grindhouses. Esses podem ser até divertidos. SAW se leva a sério demais.
Achei o 6º filme da série melhor do que o 4º e o 5º, mas totalmente desnecessário em termos de continuação. A única parte legal do filme é o drama referente à escolha de quem vive e quem morre, que poderia trazer algum tom mais atrativo para o filme, mas no final é trabalhado de forma simplesmente porca !
Sem dúvida, JOGOS MORTAIS perdeu completamente a sua essência, a sua identidade. Jigsaw conseguiu a proeza de ser o maior serial killer da história do cinema (no primeiro filme), maior mesmo que Hannibal Lecter (na minha opinião), mas os caras fizeram o favor de acabar com a beleza do filme e o transformaram num terror barato em que tripas voam pela tela.
Eu sou um grande fã de filmes de terror e posso dizer que JOGOS MORTAIS gostem ou não continua sendo uma boa franquia,a cada filme novas partes do enredo são solucionas,é como um grande quebra-cabeça,as continuações não são desnecessarias e sim parte importante para a saga como um todo.
não há duvida que os 3 primeiros foram os melhores,mas os 3 últimos tambem são bons,mas eu acho que o roteiro do sétimo e oitavo filme deveriam ser escritos por James Wan e Leigh Whannell que são os melhores roteristas da franquia,com os dois a franquia poderia ser fechada com chave de ouro!
Kevin Greutert salvou a franquia após o quase ruim Saw V.
Não é a toa que o cara está sendo adorado pelos fãs americanos.
Já rolam até petições online pro cara dirigir o VII…
Mt bom diretor, muito melhor que Darren Lynn