Críticas   terça-feira, 20 de outubro de 2009

Te Amarei Para Sempre

O tempo e as relações são os temas principais do filme, romance açucarado que conta uma história interessante, mesmo se perdendo em excessos que prejudicam o produto final. De qualquer forma, um filme para quem gosta de grandes histórias de amor.

Te Amarei Para SempreNa trama, Henry DeTamble (Eric Bana) descobre, aos seis anos, que possui uma estranha capacidade de viajar no tempo. A modificação genética faz com que tais viagens sejam incontroláveis, criando um verdadeiro transtorno na vida do viajante, que é colocado em situações constrangedoras. Em uma dessas viagens, Henry conhece Clare Abshire (Rachel McAdams), uma artista plástica que se torna sua musa. Com o tempo, os dois passam por provas de amor e conflitos para manter o sentimento que existe entre eles sempre vivo.

Baseado no livro de Audrey Niffenegger, “The Time Traveler’s Wife”, título original que faz referência à esposa do viajante do tempo, a película traz a direção do alemão Robert Schwentke, responsável por “Plano de Vôo”, comandando a história roteirizada por Bruce Joel Rubin. “Te Amarei Para Sempre” exalta a temática do tempo e suas constantes mudanças, bem como a espera, o arrependimento e a vontade de voltar e recuperar algo perdido, o desgaste e, acima de tudo, o ciclo da vida. Quem nunca quis corrigir algo do passado ou saber o que acontecerá no futuro?

A interessantíssima história original de Niffenegger possui uma carga dramática forte, que muitas vezes é perdida na telona por transitar em momentos bastante inspirados e outros um tanto quanto desagradáveis. Um dos maiores acertos está em tornar a história aceitável e não lúdica ao ponto de perder a credibilidade. O problema genético de Henry nunca é tão exposto, mostrando que o personagem aprendeu a aceitar o que lhe foi destinado. Em contrapartida, todos os dramas que Henry vive com a família ou com a amada Clare nem sempre alcançam o ideal. Isso é perceptível pela intensidade com que a trilha sonora aparece praticamente em todas seqüências, como quem precisa forçar uma emoção do espectador para corrigir a falha do diretor por não ter sido tão eficiente com os atores para que, pelo talento do elenco, ele trouxesse tal emoção.

A trilha instrumental é bela, porém cai no excesso e atrapalha o andamento da história. Adicionado a isso, a direção de Schwentke também oscila entre momentos bons, como aqueles que o cineasta se inspira para criar uma estética voltada à temática do tempo (note o plano da última cena, com a câmera imitando o movimento do relógio, ou até mesmo após uma noite de amor de Henry e Clare, quando esta acorda e a câmera vira em harmonia com a marcação da atriz, criando um plano interessante), e momentos pouco satisfatórios, que não acrescentam vitalidade à trama, dando pouca visibilidade a algumas cenas importantes. Schwentke também cai no amadorismo quando apresenta descaradamente, do meio para o fim da projeção, uma personagem cuja narrativa ainda não havia se desenvolvido, entregando ao público facilmente o que poderia ser uma surpresa para o final do filme.

O roteiro de Joel Rubin se preocupa com o desenvolvimento inicial da história, quando na realidade o público fica mais apreensivo por como a trama será solucionada, já que os protagonistas se amam, mas estão expostos às constantes viagens de Henry. Com isso, o último ato do longa destoa por fazer os personagens tomarem atitudes rápidas, como quando Clare se sente prejudicada com a vida que leva ao lado de Henry, quando na realidade há pouco tempo ela estava convicta de que queria casar com ele independente disso. A partir daí, a trama agiliza seu desfecho e perde o ritmo anteriormente visto. O roteiro também trabalha algumas subtramas que se perdem, como o geneticista que integra o elenco para ajudar Henry, e cai até mesmo em piadas de mal gosto, quando Henry presenteia Clare com o prêmio lotérico.

Apesar desses maus tratos que o filme sofreu, a história de Henry e Clare é apaixonante, deixando o espectador intrigado com o que vem em seguida. Assim, o público descobre, junto dos personagens, como será o desfecho da trama. O que mais embeleza em “Te Amarei Para Sempre” é a experiência de Rachel McAdams e a harmonia com Eric Bana, por mais que este até se esforce para ter uma carga dramática mais elevada, nem sempre conseguindo. Já McAdams consegue trabalhar com os olhos, transmitindo todo o amor e aflição que vive com simples gestos. O restante do elenco está apenas correto, sem grandes destaques.

Somos condicionados a entender que o tempo sempre resolve as coisas: uma paixão, uma derrota, uma falha; mas mesmo esperando que ele contribua para um bem maior, as pessoas o condenam por ser tão efêmero. Charlie Kaufman escreveu no recente “Sinédoque, Nova Iorque” que estamos aqui apenas por uma fração de segundos e que passamos a maior parte do tempo aguardando nascer ou mortos; enquanto vivos estamos sempre esperando as coisas acontecerem. Em “Time – O Amor Contra a Passagem do Tempo”, o coreano Kim Ki-Duk narra como somos ambiciosos em tentar controlar as mudanças do tempo, quando na realidade não há controle por nenhuma das partes. Em “Te Amarei Para Sempre”, a lição que fica é que não importa quantas vezes a pessoa amada se vá, o tempo que ela voltou e ficou com você é o que você vai guardar para sempre.

Diego Benevides
@DiegoBenevides

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