Nova York é um lugar que respira teatralidade. E se fizermos um recorte contemplando a Broadway na altura da Times Square, tudo o que vemos parece ser uma música. É nesse ambiente que está inserido “Smash”, novo musical do canal NBC que conta com a produção de Steven Spielberg, Craig Zadan e Neil Meron (responsáveis pelos musicais “Chicago” e “Hairspray”).

A trama do ótimo piloto nos apresenta os compositores Julia (Debra Messing) e Tom (Christian Borle) se reunindo à produtora Eileen (Anjelica Huston) para montar um musical sobre a vida da atriz Marilyn Monroe. A partir daí o que veremos no decorrer dessa primeira temporada será a produção do espetáculo e a disputa do papel principal entre a veterana dos palcos Ivy (Megan Hilty) e a inexperiente Karen (Katharine McPhee).

O primeiro acerto de “Smash” é justamente essa abordagem de metalinguagem ao apresentar um musical sobre como produzir um musical. Assim somos apresentados aos diferentes processos criativos que envolvem uma produção desse porte e, de quebra, conhecendo as características de cada personagem e os plots secundários.

O ritmo do piloto é rápido e não perde tempo com distrações, ainda que aqui e ali a coisa pare um pouco para explorar algum drama pessoal, como o caso da adoção do filho de Julia ou o processo de divórcio de Eileen. Mesmo assim a trama nunca deixa de soar interessante, ainda que essa abordagem seja recheada de clichês.

E por falar em clichês, me incomodou um pouco a cena do musical em que as atrizes estão indo para os testes, cantando em meio à Broadway e se encontrando e dando as mãos. Aquilo soou superficial e sem objetivo. Também incomoda as subtramas já batidas “garota sonha ser atriz, mas os pais não acreditam” ou “a esposa dedicada ao trabalho não dá atenção no casamento e tem crise conjugal”.

Apesar de um ou outro percalço, as cenas de musical são eficientes com uma coreografia competente e um elenco afiado. Destaque para Katharine McPhee, que compõe uma jovem atriz ingênua, mas que nunca deixa de lado suas ambições, como na cena do “teste do sofá”. Outro ator que se destaca é Jack Davenport, que interpreta o diretor do espetáculo como um sujeito cafajeste, mas ao mesmo tempo extremamente competente no que faz.

“Smash” chegou para concorrer com “Glee” no quesito musical, apesar de abordagens diferentes sobre mundos diferentes. E se não cair em algumas armadilhas, como estereotipar a disputa pelo papel de Marilyn, tem chances de ser um hit maior que a série criada por Ryan Murphy.

E vocês, gostaram de “Smash”?