
Muito se comenta que 2011 tem sido um ano difícil para as novas produções seriadas americanas. Oscilando entre boas ideias desperdiçadas desde o episódio piloto e tramas com potencial duvidoso, o fall season já trouxe seus primeiros cancelamentos (“The Playboy Club” e “Free Agents”), como visto na coluna anterior. Agora é hora de analisar os pilotos de outra lista de séries. Lembrando que a avaliação do piloto é apenas uma projeção superficial (apesar da importância do piloto, um julgamento mais profundo só pode ser feito ao ver um pouco mais da temporada), então muita coisa ainda pode mudar nos próximos episódios. E esperamos que mudem para melhor!
Ringer: A presença de Sarah Michelle Gellar certamente chamou atenção desde o anúncio de “Ringer”, ainda que a trama trouxesse um conteúdo comum (principalmente na produção televisiva latina). Gellar interpreta as gêmeas idênticas Bridget e Siobhan, em uma história que envolve mistério e, como era previsível, um pouco de vergonha alheia. Ver Gellar interpretando da mesma forma as duas personagens é primário, apelando apenas para a troca de penteado e figurino (nem sempre) para diferenciar as personagens. O piloto da série, que mais faz rir do que investe em suspense, é bastante inferior aos episódios seguintes). Parece que aos poucos os roteiristas têm lapsos de criatividade e colocam a protagonista em situações interessantes. No mais, a série só irá prosperar quando ela começar a se levar menos a sério.
Charlie’s Angels: A nova versão de “As Panteras” traz o mais do mesmo que poderia se esperar sobre a vida das três espiãs. Ex-criminosas que agora trabalham resolvendo casos difíceis para o misterioso chefe Charlie, as beldades usam e abusam dos disfarces, do aparato tecnológico e do vigor físico em cada desafio. Produzida por Drew Barrymore, que esteve nos filmes “As Panteras”, e por Tim Scanlan, responsável pela finalizada “Smallville”, o piloto demora a mostrar ao que veio. Além de virar motivo de chacota em diversas sequências constrangedoras, não consigo visualizar uma grande progressão dos casos nos próximos episódios, já que não foi projetado nenhum diferencial para a nova versão.
Person of Interest: Produzida por J.J. Abrams, a série conta com um elenco de peso formado por Jim Caviezel, Michael Emerson e Taraji P. Henson, todos bastante interessantes em seus papéis. Na trama, um gênio da computação desenvolve uma máquina que prevê futuros crimes a partir da codificação do número de registro das pessoas. Entretanto, a máquina não aponta se os envolvidos da lista são os criminosos ou apenas vítimas. Para tentar impedir tais crimes, John Reese (Caviezel), ex-CIA considerado morto, é contratado por Finch (Emerson) para descobrir mais sobre as pessoas apontadas pela máquina. Desde o piloto, a série demonstra uma facilidade ao resolver seus conflitos e ao manter a suspensão e o interesse entre um episódio e outro. Abrams acerta mais uma vez em sua ousada trama que ainda tem muito a oferecer no decorrer da temporada. “Person of Interest” e “Pan Am” se estabelecem como as melhores surpresas das estreias de setembro.
Whitney: Comédia sobre relacionamentos estrelada por Whitney Cummings tem um humor rápido e um bom elenco, apoiado principalmente em seus coadjuvantes. Ainda que se aproprie de ideias requentadas e, muitas vezes, idiotas, a série faz rir pelas atuações exageradas, mas não se diferencia meio a uma produção atual cheia de comédias de bom gosto, como “Parks and Recreation”, “Raising Hope” e “Happy Endings”. Os episódios seguintes são inferiores ao piloto e erram ao infantilizar os personagens.
2 Broke Girls: O sitcom, também produzido por Whitney Cummings em parceria com Michael Patrick King (da série “Sex and the City”), é focado na vida de duas garçonetes tentando ganhar a vida. O piloto mostra a provável rivalidade que as duas teriam, já que são bastante diferentes em níveis sociais e intelectuais, mas logo trata de transformá-las em amigas em potencial. Com algumas gags bem realizadas, a comédia não é provocativa o bastante. O humor existe, mas não permeia o episódio inteiro. O roteiro, com diálogos rápidos interpretados pelas atrizes Kat Dennings e Beth Behrs, não tem grandes diferenciais em sua trama e traz piadas repetidas.
How to be a Gentleman: A série é protagonizada por David Hornsby e Kevin Dillon, que mostram o que fazer (ou não fazer) em situações diversas, sempre incluindo a gentileza como passaporte fundamental para os bons relacionamentos. O que falha no piloto da série é mostrar ao público que possui pouca criatividade para se segurar nos próximos episódios. Além de não fazer rir, por ter um humor repetitivo e estereotipado, a trama não também não mostra seu diferencial, talvez por não tê-lo.
Revenge: Inspirada livremente em “O Conde do Monte Cristo”, a trama mostra uma garota, intepretada por Emily VanCamp, que passa a morar em uma casa de Hamptons. Lá ela troca de nome e passa a ter uma nova vida. Na realidade, a garota quer vingar o pai que morreu por causa de motivos misteriosos envolvendo os Graysons, que moram ao lado. O piloto não mostra todos os argumentos da trama que transformaram a doce protagonista em uma vingadora, mas espero que repare isso nos próximos episódios. É divertido e cruel, ao mesmo tempo, ver como a vingadora articula seus planos.
Unforgettable: A CBS apostou no charme de Poppy Montgomery e de Dylan Walsh para este procedural de investigação. Na trama, Montgomery interpreta Carrie, uma ex-policial com uma rara condição que a faz lembrar de tudo, seja imagens, objetos, horários ou situações. Logo no piloto, Carrie é testemunha de um assassinato e acaba utilizando sua habilidade para refazer a cena do crime, mas as situações se desenrolam muito facilmente, o que incomoda bastante. Ainda assim, o drama pessoal da protagonista em relação ao seu passado é bastante interessante e pode dar muito material para que venham bons episódios ainda nesta temporada.
The Secret Circle: Ainda colhendo os frutos pela adaptação de “The Vampire Diaries”, L.J. Smith leva seus livros sobre bruxaria para as telinhas. A série certamente funcionará como um novo atrativo para o público adolescente. O piloto apresenta os personagens da trama e suas índoles, nos dando uma noção do que a recém-bruxa Cassie (Britt Robertson) irá enfrentar pelo caminho no Círculo Secreto do título. O maior problema do episódio inicial é ter pouca originalidade em sua abordagem (o mesmo também acontece com “The Vampire Diaries”), mas espera-se que “The Secret Circle” traga bons argumentos no decorrer da temporada.
A Gifted Man: Misturando o gênero médico com o transcendental, a série traz como principal atração o excelente Patrick Wilson, que aqui vive um médico que descobre ser apto a entrar em contato com a sua ex-esposa falecida. O espírito da mulher vaga para resolver as coisas inacabadas que ela deixou no nosso mundo e supostamente implicará no protagonista algumas reviravoltas de caráter e foco profissional. O episódio não deixa a desejar, ainda que em sua segunda metade jogue inúmeras informações para o protagonista, mas me questiono se a série terá ideias suficientes para manter um bom nível de abordagem na narrativa.
Hart of Dixie: Rachel Bilson, famosa pelo extindo “The O.C.”, volta à TV como protagonista de uma série médica que mistura relações familiares e romance. Zoe Hart (Bilson) foi “exilada” de Nova York ao ver seus sonhos de se tornar uma cirurgiã ficarem mais distantes. Ela decide então aceitar o convite para se mudar para o Alabama, onde descobre que herdou metade de uma clínica médica. Lá ela se depara um romance impossível, uma segunda opção de namoro e tenta se adaptar a uma cidadezinha retrógrada. O piloto mas não mostra muito bem sua identidade, já que não é tanto sobre medicina (seria impossível disputar com “House”, “Grey’s Anatomy” ou “Private Practice”), e sim sobre lições de vida, com uma inevitável temática adolescente (a protagonista não perde seu visual teen, nem as atitudes) que não empolga tanto de início.
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Diego Benevides é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), atualmente é pós-graduando em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e professor universitário na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.



























11 Comentários
Person of Interest não eh do Abrams, ele só produz. O criador e roteirista da serie eh o Jonathan Nolan (irmão do Christopher Nolan). Enfim dois grandes nomes por trás da serie, que parece ser muito boa.
Valeu, Diogo! Troquei os termos mesmo. My bad! =)
Diego,
Vc chegou a conversar com o Jurandir sobre a possibilidade de fazer um podcast de seriados? Acompanho o rapaduracast e tenho certeza que a qualidade de um podcast voltado para a televisão daria muito certo.
Tenho certeza que o Jurandir, Mauricio e o Siqueira entendem muito de seriados…
Abs
Não conversamos sobre isso, Fernando. Acho ótima a ideia, mas não sei se a curto prazo.
Concordo com o Fernando…
Seria legal ter PodCast sobre séries..
Um podcast sobre seriado seria interessante, tá aí eu apoio.
Charlie’s Angels: series fail!
A ABC cancelou a série As Panteras…
Era de se esperar, Sandro.
Eu cancelei da minha lista no segundo episódio. rs
O terceiro é bem melhor, mas é meio tarde pra tentar agradar.
Larguei HTBaG no piloto, 2 Broke Girls no episódio 02 e Whitney no episódio 04. Ainda não tive tempo de ver Unforgattable.
Revenge foi uma boa surpresa. Confesso que só assisti porque liberaram o piloto duas semanas antes e como não tinha nada novo, conferi. Também gostei de A Gifted Man, mas não sei o que esperar.
Só tô vendo Secret Circle por causa do Kevin Williamson. A série ainda não me fisgou, mas vou dar chances até o episódio 06, que foi o tempo que The Vampire Diaries levou pra ficar boa de verdade.
Acabei de assistir o quarto episódio de “Person of Interest”. Olha, posso apenas adiantar que Michael Emerson de novo rouba a cena – dessa vez, como mocinho – e Caviezel também não deixa a desejar! Muitos podem até achar “forçado” alguns momentos da série, mas “Person…” tem uma temática muito interessante e estou curtindo muito!
Aliás, concordo com o pessoal ai de cima: que tal Rapaduracast sobre séries? Grande abraço e parabéns pelo ótimo trabalho no Cinema com Rapadura!