
O reality show sempre terá seu espaço na TV americana por ser um formato consagrado, além de gerar versões ao redor do mundo. Assim foi com “American Idol”, “Survivor”, “Dancing With The Stars”, “Big Brother”, entre outros. Geralmente, tais produtos audiovisuais tentam mostrar o que há de melhor e pior em seus concorrentes, tornando-os motivos de discussão do público.
A série “Glee”, que entrará para o terceiro ano na próxima temporada, não perdeu tempo e lançou seu reality quando o criador Ryan Murphy percebeu que seus atores originais não poderão interpretar alunos high school para sempre. Seguindo a identidade de sua série base, “The Glee Project” se lançou como a nova aposta da Fox para dar um refresh no elenco. Doze jovens, muitos que já fogem do padrão de pré-adolescentes dado pela série, precisam mostrar seus talentos cênicos e musicais para garantir o prêmio de sete episódios na terceira temporada.
O piloto dá a sensação de familiaridade nos cenários e nas tarefas realizadas pelos competidores. Afinal, eles precisam mostrar o quanto são imperfeitos para conquistar o papel perfeito na série. Dessa forma, é preciso ter um pouco de “Glee” dentro deles, características que vão desde o visual ao comportamental. Temos estereótipos: as garotas bonitas e os meninos desengonçados, todos precisando ser lapidados. A cada semana, os concorrentes recebem uma visita do elenco original da série para passar dicas e treiná-los para o vídeo de eliminação. Os três piores desempenhos farão uma última audição para Ryan Murphy, criador da série.
Ainda no primeiro episódio, é possível estranhar um pouco a linguagem adotada pelo reality. Muitas vezes, toques ficcionais se misturam com o que supostamente é a representação da vida deles dentro do jogo, e isso prejudica o andamento dos conflitos. A mesma falha ocorre no segundo episódio, que bagunça um pouco a estrutura e a credibilidade da competição. De toda forma, é compreensível que o formato siga o padrão “Glee” de qualidade e precise inserir alguns momentos ficcionais para dar liga à história, mas o risco é grande.
Felizmente, esse escorregão é praticamente abolido nos episódios seguintes. Acompanhamos os ensaios da Lição do Dia, que anteriormente não mostrava o preparo dos competidores, e percebemos uma preocupação maior na realização da apresentação de eliminação. Aliás, é a força do terceiro episódio que anula a fraqueza dos anteriores, humanizando os alunos dentro de seus universos particulares.
Ainda que os critérios de eliminação final sejam duvidosos, talvez porque ainda não se encontraram, o reality passa a trabalhar temáticas que a série original aborda, como os defeitos, inseguranças, exclusão e sociabilidade. Aqui, a proposta ganha força ao continuar mostrando ao público a inacabável luta da aceitação pessoal de cada um e dos outros com eles.
“The Glee Project” é lançado no momento certo de descanso de “Glee” e supre, de certa forma, os fãs com uma competição em que não é preciso ter apenas talento, mas principalmente ter motivos para ser criado um personagem para eles na série. Ao contrário do que aconteceu com o recente e ótimo “The Voice”, não se busca uma nova celebridade no mainstream, mas uma força motriz que consiga absorver os ensinamentos que “Glee” passa para a sociedade americana e, assim, para o mundo.
Expectativas
Para a terceira temporada, o desfecho de alguns arcos narrativos devem acontecer, já que foi anunciado que parte do elenco não voltará para o quarto ano. A protagonista Rachel, vivida por Lea Michele, seu par romântico interpretado por Cory Monteith e o premiado Chris Colfer, que vive Kurt, devem abandonar a série. Este último declarou que nem sabia de tais planos da Fox, já que não foi comunicado sobre a eliminação. Pegou mal. Vamos ver como a emissora resolverá esse impasse.
Em “The Glee Project”, Ryan Murphy revela diversos posicionamentos do que prevê abordar na premiada série, ainda que nada sólido seja realmente mostrado nesses episódios iniciais. Aliás, é complicado supor quem poderá vencer o reality, já que alguns grandes talentos foram eliminados enquanto outros não são simpáticos aos olhos dos espectadores continuam na disputa.
“Glee” na TV aberta
Há algumas semanas, a Rede Globo começou a exibir a primeira temporada de “Glee” nas manhãs de sábado, horário basicamente voltado para o público infantil. A popularização na TV aberta deve se concretizar com o poderio global, ainda que o encaixe na grade de programação preocupe a exibição de alguns episódios que são mais delicados para o entendimento das crianças que estarão assistindo. Por um lado, fazê-las compreender que as diferenças fazem parte é um acerto da emissora.
O show no cinema
Durou pouco tempo a iniciativa de levar o show em 3D aos cinemas internacionais. A estreia brasileira de “Glee: The 3D Concert Movie” foi agendada para 16 de setembro. Os fãs terão a oportunidade de assistir à turnê que reúne performances das principais músicas da série, além de conhecer um pouco mais os atores que estão por trás dos personagens. O trailer já foi disponibilizado e gera mais expectativas. Assista abaixo:
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Diego Benevides é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), atualmente é pós-graduando em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e professor universitário na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.



























7 Comentários
“De toda forma, é compreensível que o formato siga o padrão “Glee” de qualidade”Que não é lá essas coisas…personagens rasos,roteiro fraco…(prefiro TREME)mas o reality show não é ruim
Otimo texto Diego.
Opinião minha sobre a globo passar Glee: ACHEI DEPLORÁVEL.
Como assim eles dublarem as vozes dos personagens? Ficou horrível, as vozes não batem e não combinam, e o horário tbm é deprimente, deveria ser a noite.
Mas fazer o que né, país analfabeto precisa passar tudo dublado. aff
Também não gostei do horario escolhido para a exibição de Glee.
Não condiz com a proposta da série e muito menos com o público. Com tanta série de Disney pra passar nesse horário, deveria passar em um horário próprio para o público a qual se destina. Acaba logo com Malhação e passa Glee no lugar, seria mais interessante do que de manhã para um publico que não conseguirá consumir devidamente a série.
Quanto ao Glee Project, tenho acompanhado e gostado muito do está sendo feito. Ajuda os fãs a assimilarem melhor toda a proposta da série além de dar um certo ar de continuidade a série, uma vez que este será o ultimo ano de McKinley para muitos personagens da série.
Peraí, Glee tem o roteiro fraco? Personagens fracos? Mateus, Treme é muito bom ,mas não compare com Glee, sabia que o Chris Colfer ganhou um globo de ouro pela sua atuação em Glee? E você ainda diz que os personagens são fracos? Peraí né! O roteiro não é fraco de maneira alguma, aposto que você deve ter visto só dois ou três episódios, não fale mal de um seriado que já ganhou vários Emmys e Globos de ouro
Concordo com a Vanessa e a Gabi. Roteiro e personagens fracos? em que mundo vce vive meu caro?
Acho que Glee tem uma proposta mais adolescente, não acho que deveria ter um horario de manha, glee aborda sobre temas que não condizem com o horario. Gostei muito de Glee Project, apesar de ter pequenas falhas eu gostei, apesar de achar que o Matheus ter saido injusto, deveria ganhar! Mas então, torcendo pro Cameron.
O Fato é que Glee gerou não só muitos fãns que amam a série,mas também muita gente que odeia Glee,esse é o risco de ser popular,pra curtir Glee é preciso assistir os episodios desde o inicio pra se acustumar com o ritmo,afinal é uma série em que tudo acontece muito rápido e as vezes de forma louca e surreal,mas o que Glee tem de surreal tem também de real,abordando temas polêmicos e ensinando jovens,crianças e adultos a respeitar as diferenças.
Sobre o reality,já viciei,é muito bom,tem sim seus pontos fracos,mas que progama consegue ser 100%,dificil,já tenho meus favoritos,mas por mim boa parte do elenco já estaria em Glee.
[...] para a terceira temporada de “Glee” e com a ameaça de troca de elencos (o spin off “The Glee Project” procura novas estrelas para a série, mas ouso dizer que “Glee” não vá durar muito [...]