O cinema vive um exagerado momento de adaptações de tudo para as telonas. Livros, quadrinhos, contos, séries, enfim. Tudo que pode ser adaptado para a Sétima Arte e, supostamente, pode arrecadar grana segue este caminho. Até aí, nenhum problema, até porque a literatura, por exemplo, possui obras maravilhosas e deliciosas possíveis de invadir o cinema (“Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis” são exemplos).
Quem tem o hábito de ver muito filme constantemente pode notar que, quase sempre, as produções tem um “based” antes de começar. Quando o assunto é adaptação, livros infantis/juvenis e HQs são os mais recorrentes. A franquia “Harry Potter” se instalou como uma das mais lucrativas e interessantes dos últimos anos, e até hoje os estúdios ainda procuram alguma outra série que possa causar o mesmo frisson e amor quando o “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II” for lançado. Não deu certo com “As Crônicas de Nárnia”, nem com “Eragon”, nem com “A Bússola de Ouro”, nem com “Percy Jackson” e quase dá certo com “Crepúsculo”. Eu digo “quase” porque o público é basicamente outro.

Assim, quando eu leio um livro que já foi ou vai aos cinemas, eu vivo uma situação que me incomoda: ao ler, penso diretamente nas imagens no cinema. Parece que boa parte da magia da literatura se perde e se associa ao que é possível ser feito no cinema. Não sei vocês, mas quando eu leio qualquer livro eu cogito atores, diretores, planos e linguagem adequados para o que está em texto. Dessa forma, me distancio um pouco do prazer de ler apenas por ler.
O problema maior das adaptações não é nem a liberdade criativa de mudar a versão cinematográfica, mas o condicionamento levado à indústria. Faltam roteiros originais para abrilhantar o cinema. Parece até preguiça. Alguns textos originais são injustamente prejudicados por estúdios que apostam apenas em explosões e retorno financeiro garantido, enquanto o cinema alternativo realiza obras maravilhosas quase nunca reconhecidas.
Mas não adianta reclamar. A tendência é continuar adaptando tudo ao cinema. Por um lado, é maravilhoso transportar o universo da literatura ou dos quadrinhos às telonas, mas por outro nos dá a sensação de que esse processo é inacabável e que a cabeça dos cineastas funciona apenas para se basear no pré-existente. E nem sempre funciona!
+ MAIS
[Mostra] A Mostra Cineastas e Imagens do Povo começa este mês no Rio de Janeiro, trazendo para as salas de exibição do CCBB-Rio curtas, médias e longas-metragens do gênero produzidos no Brasil, dos anos 60 aos 80. É a primeira vez que será reunida grande parte dos filmes citados pelo renomado crítico de cinema, Jean-Claude Bernardet, em seu livro homônimo. Escrito em 1985, “Cineastas e Imagens do Povo” é considerado uma bíblia para os estudiosos e amantes da sétima arte. Até 9 de maio poderão ser apreciados títulos raríssimos às novas gerações que não vivenciaram a efervescência dessa linguagem décadas atrás.
[Itinerante] A termelétrica Endesa Fortaleza anuncia o lançamento do programa “Cine Endesa Fortaleza – Cinema Itinerante Nordeste”. O programa contará com 420 exibições este ano nos municípios de Caucaia, Fortaleza e São Gonçalo do Amarante e tem como objetivo difundir o cinema nacional, levando cultura e educação para os moradores destas regiões. Entre outros projetos da termelétrica, o “Cine Endesa Fortaleza” visa à criação de um circuito alternativo exibidor de filmes nacionais em escolas estaduais e municipais e praças da Zona Metropolitana de Fortaleza. O diferencial está na capacitação de professores para trabalhar o conteúdo cinematográfico de forma didática fazendo ligação com o conteúdo que as crianças vêem em sala de aula.
[Documentário] Principal evento dedicado à cultura do documentário na América Latina, o “É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários” divulgou na noite do sábado (17) os vencedores de sua 15ª edição. Na competição internacional de longas e médias-metragens, os premiados foram “La Danse, O Balé da Ópera de Paris”, de Frederick Wiseman (EUA/França), e “O Homem Mais Perigoso da América: Daniel Ellsberg e os Documentos do Pentágono”, de Rick Goldsmith e Judith Ehrlich (EUA). Na competição internacional de melhor filme curtas-metragens foi escolhido “A Escuridão do Dia”, de Jay Rosenblatt (EUA).
[Fera] Semana passada, a jornalista e poderosa formadora de opinião Ana Maria Bahiana esteve no Brasil para uma turnê do curso “Como Ver um Filme’. Em Fortaleza (CE), uma turma heterogênea (de jornalistas a médicos e advogados) consumiu com euforia todo o conhecimento teórico e de experiência de cinema que ela tem em Los Angeles os três dias de curso, que foi realizado na Cecomil MegaStore. Como representante do Cinema com Rapadura, tive o prazer de me tornar, durante três dias, aluno desta carismática jornalista. Fortaleza já sente saudades e espera que volte logo.
- RÁPIDAS
[Produção Nacional] Começam esta semana as filmagens de “LB Persona”, a história da saga da realização do clássico “O Cangaceiro”, através da vida do seu diretor, Lima Barreto. Dirigido por Galileu Garcia e produzido pela Cinematográfica Vera Cruz, em co-produção com a Digital Films & Toon, “LB Persona” promete levantar histórias inacreditáveis sobre um dos períodos mais intensos do cinema brasileiro. Fazia 33 anos que a Vera Cruz não produzia um longa.
[Workshop] Caio Gullane realiza o workshop “O Mercado Cinematográfico Brasileiro – Engrenagens e Mecanismos de Inserção”, que orientará o aluno para o seu possível ingresso no mercado de trabalho do cinema brasileiro, com a visão completa e atual deste, compreendendo suas exigências, demandas e pré-requisitos, além de conhecer o trabalho e perfil dos principais profissionais e produtoras do país. O curso acontece dias 26, 28 e 29 de abril e 04 e 05 de maio no Centro Cultural B_Arco, em Pinheiros (SP). Informações: (11) 3081-6986. Update: As datas do curso foram alteradas para 21 a 25 de junho.
[Animação] O Avião Vermelho, personagem que dá título ao longa-metragem de animação “As Aventuras do Avião Vermelho”, dos diretores gaúchos Frederico Pinto e José Maia, vai ganhar voz nos próximos dias. O ator escalado para essa missão é o veterano Milton Gonçalves, que gravará a voz do personagem nos próximos dias 23 e 24 de abril, no Rio de Janeiro.
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Sugestões de Pauta: diego@cinemacomrapadura.com.br
Veja as outras matérias da coluna ACTION.



























4 Comentários
Parabéns, Diego. Realidade isso aí. E foi objetivo. Valeu!
As Crônicas de Nárnia deu certo sim , não há como narnia nao prestar, com uma história incrível que te prende do começo ao fim, já crepusculo é fraquinho e lua nova é um filme morto, e vocês ainda dizem ” QUASE” sem dizer que vocês dizem q os filmes bons são ruis e vice versa, como o percy jackson na crítica de um crítico de vocês,que disse q era ruim e o filme é incrível. 2012, um mega filme que deixa a gente sem palavras vocês também disseram que eram ruim. Porque vocês não botam nas críticas a opção para os leitores dizeer se concordam ou não?
Apesar de amar Nárnia o filme não deu certo não, tanto é que a Disney pulou fora do segundo; que agora está sendo feito pela Fox.
Percy Jackson, meu Deus estragaram a maravilhosa saga. Li todos os livros em ingles, e quado assisti o primeiro filme no cinema, a primeira coisa que pensei foi: “wtf?”. Mudaram caracteristicas essenciais dos personagens e pontos altos do livro. Minha opinião era que Percy Jackson, tinha quase tudo para ser um novo Harry Potter.(QUASE).
Agora os filmes fio terra da saga crepúsculo, são bem inferiores aos livros(que ntambém não sao muito bons), mas pelo menos dá grana, e no final é isso que todo estúdio quer.
Concordo pelanamente com o Diego.
Céus! 2012? Percy Jackson? Incrível? William, francamente, isso não é cinema, é imagem projetada no telão.