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Clock sábado, 05 de janeiro, 2013 - às 01h32

Seria As Aventuras de Pi plágio do livro brasileiro Max e Os Felinos?

Autor Moacyr Scliar fala sobre o caso.

As Aventuras de Pi + Max e Os Felinos

Todo ano surgem polêmicas sobre plágios. De preferência, se o filme é popular, surgem vários indícios de plágio. Lembra de “Avatar“, filme dirigido por James Cameron? Depois que foi lançado e conseguiu se tornar o filme com maior bilheteria de todos os tempos, surgiram várias fontes de onde o Cameron poderia ter se inspirado para fazer o filme. Falaram que os Navi’s eram parecidos com os personagens dos quadrinhos “Timespirits,” que o enredo era o de “Pocahontas”, que o roteiro era igual ao de “Dança com Lobos” e que o argumento era chupado dôo livro “Call me Joe“. Sendo ou não sendo, a verdade é que o filme se tornou um fenômeno mundial.

Atualmente está acontecendo uma polêmica semelhante, mas agora envolvendo um autor brasileiro. O novo filme de Ang Lee, “As Aventuras de Pi“, é espetacular (nota 10/10, na minha opinião), mas a sua historia aparentemente não é totalmente original. De acordo com o jornal britânico The Guardian, o livro “Life Of Pi” (2001) escrito por canadense Yann Martel (49 anos), no qual o filme é baseado, é um plágio do livro brasileiro “Max e Os Felinos“, obra do gaúcho Moacyr Scliar (75 anos, já falecido) lançado em 1980 no Brasil e em 1990 no Reino Unido.

O próprio Moacyr falo sobre o assunto há alguns anos. Veja:

Life Of Pi” ganhou o Prêmio Man Booker em 2002 e na época da premiação, Martel foi acusado de plágio por sua história ter muitos pontos similares a um conto do livro escrito por Moacyr. Nele, um adolescente judeu foge da Alemanha nazista em um barco e, após o seu naufrágio, ele encontra-se perdido no oceano dividindo um bote com um jaguar. Já o livro de Martel, Pi é filho do dono de um zoológico na Índia. Após anos cuidando do negócio, a família decide vender o empreendimento devido à retirada do incentivo dado pela prefeitura local. A ideia é se mudar para o Canadá, onde poderiam vender os animais para reiniciar a vida. Entretanto, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala

Posteriormente, Martel admitiu ter se baseado na mesma premissa do livro brasileiro e inseriu uma nota de agradecimento no prefácio de sua obra.

E aí? Eu acredito que, apesar das premissas semelhantes, as histórias são bem diferentes. Enquanto o livro do brasileiro tem caráter totalmente político, o livro do canadense vai pelo lado mais espiritualizado e de descoberta interior. Premissas semelhantes, destinos diferentes. MAS, se canadense realmente se inspirou no livro do brasileiro, ele tem que reconhecer (e fez isso anos depois) e creditar. Assunto encerrado. Não existe processo contra inspiração. Se você ler os dois livros, verá que são obras completamente diferentes.

O fato é que o autor Moacyr Scliar se mostrou uma GRANDE PESSOA. Que postura fantástica. Exemplar. Ganhou muitos admiradores com essa posição sobre o caso. Ele poderia querer aparecer, mas com certeza o caso fez com que muita gente fosse atrás do seu clássico livro. Descanse em paz, Moacyr.

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Últimas sobre o assunto:

  • Muito interessante essa entrevista. O autor Moacyr Scliar realmente mostra ser uma grande pessoa em relação ao ocorrido.

  • Augusto Ganzert

    Caraca!

  • Gui Oliveira

    Eu já sabia desse bolo, é que o Moacyr não quis levar em frente, porque é um plágio descarado, creio que ganharia tranquilamente.
    Se o Yann queria tanto readaptar a história à sua maneira, era só falar com o Moacyr, que de acordo com o que falou no vídeo, era capaz nem de querer qualquer dinheiro pra isso, mas fazer o quê? O que não falta são aproveitadores no mundo.

  • Giordano Bruno

    “O fato é que o autor Moacyr Scliar se mostrou uma GRANDE PESSOA”.
    Ele sempre se mostrou ser, aliás, um grande escritor, um dos melhores expoentes da literatura brasileira. E nem precisa disto, também, para ser reconhecido.
    O problema é que a sociedade brasileira gosta (em sua maioria) de literatura estrangeira, deixando de lado seu patriotismo e gosto por nossa tão densa literatura!

  • Desde o primeiro trailer, fiquei boquiaberto e muito afim de ver o filme!

    Fiquei sabendo sobre o suposto plágio há alguns meses e cheguei a ver esse vídeo. O pior é que fiquei com vontade de ler o livro também, mas fiquei num grande conflito interno em “dar dinheiro” para esse autor, pois o pior, como o Moacyr disse, foi como ele fez isso e como se comportou, isso talvez tenha sido pior do que o suposto plágio em si.

    Peguei uma amostra do livro “As Aventuras de Pi” e terminei de ler agora o prefácio. A ÚNICA menção ao autor brasileiro é nos agradecimentos: “Já a centelha de vida devo ao sr Moacyr Scliar.” Só isso.

    Porém, o que me causou maior estranhamento é que, no prefácio, me deu a entender que se tratava de uma suposta história real…

    Pois ele diz que soube da história de Pi num café na Índia, onde um idoso havia lhe contado sobre a história e lhe indicado para falar com o próprio Pi (que estava no Canadá). Então ele conta que foi atrás dele, chega até a agradecer a certos funcionários de transportes marítimos do Japão, um departamento de cultura do Canadá…

    Não busquei maiores informações para não tomar spoiler na cara, mas fiquei com a pulga atrás da orelha. Mas é fato: quando eu achar o livro Max e os Felinos em formato digital, vou comprar! Pois parece ser muito bom também. E, verdade seja dita: se não fosse o filme/livro do Pi, não teria tomado conhecimento da obra do autor brasileiro.

    PS: Só hoje fiquei sabendo, o Moacyr Scliar morreu em 2011 🙁 R.I.P.

  • adelso

    Se fosse o contrario esse brasileiro grande pessoa boa taria ferrado. Teria q vender ate as calcas. Viva os mais espertos. Por isso q o brasil nao vai pra frente.

    • É complicado mesmo! Também acho que o brasileiro não teria tanta sorte na situação inversa. Decidi fazer o seguinte: já comprei o ebook de As Aventuras de Pi na Amazon e estou lendo. Se eu ler em até 7 dias, posso devolvê-lo e pegar meu dinheiro de volta. Se eu ainda estiver com bronca disso, vou devolver, se achar que o livro foi original ou que o Canadense merece, não faço nada, pois já paguei mesmo.

      Quanto ao filme, se terminar de ler o livro a tempo, vou ver no Cinema mesmo! 🙂

    • Giordano Bruno

      Comentários como estes demonstram o quão babaca são os “leitores” brasileiros…
      Sclyar é (era, no caso) um dos escritores mais famosos do país.
      Reconhecido mundialmente, até (tanto que seu livro estava sendo vendido no Reino Unido).
      E faço questão de defendê-lo, principalmente perante pessoas que insultam tão ilustre persona.

  • Inspiração é inspiração… Se a história em si for diferente, tá valendo. Não acho que seja plágio, mas concordo que a postura do cara foi extremamente infantil na declaração dele à respeito o livro do autor brasileiro =/

    O cara fala que num leu o livro, fala que leu só uma resenha, num lembra nem de onde era a resenha… Aí pra completar diz que o livro era ruim (sendo que ele disse que nem leu, né?). Realmente, postura bem infantil =/ Ele tava era com medo de levar um processo e aí deu uma de babaca na defensiva…

    Era melhor simplesmente ter admitido que se inspirou na história, mas que a história em si era diferente e pronto.

  • Maurício

    Moacyr Scliar foi realmente GRANDE!
    Lembro que fiquei péssimo um bom tempo devido a morte dele…
    As cronicas desse cara publicadas no jornal Zero Hora aqui de Porto Alegre era geniais…

  • Arthur Souto

    O texto refere-se a Scliar como se ele ainda estivesse vivo. Estranho…

  • Wil

    Aí é mole né! Pega várias histórias e monta um outro filme como se fosse novo, igual ao Avatar e Os Mercenários!
    A moda agora também é disfarçar copiando Crepúsculo, com imitações Branca de Neve, Sangue Quente, Vampires Diares e outros que virão!!!

  • Letícia Portela

    Jurandir, muito legal a matéria. Só mereceria uma correção: o grande autor brasileiro, Moacyr Sciliar, faleceu aos 73 anos.

  • andré

    “Moacyr Scliar (75 anos)” curioso que ele morreu com 73… tá faltando se informar melhor,um dos maiores escritos brasileiros dos [ultimos tempos, podia pelo menos saber que o cara tá morto

  • manolocarvalho222

    Acho que inspiração nada tem a ver com plágio…podia pelo menos ter modificado a capa né, afinal, não haviam mais animais no barco? Bom, se ele diz que pegou uma idéia mal executada e a lapidou aí Martel automaticamente declara o plágio e nada se pode fazer. Como dizem, o mundo é dos espertos, ele nasceu numa época que uma história bacana logo é convidada a tornar-se filme e tudo convergia para o sucesso. O mundo, naquela época, não estava preparado para a história de Moacyr Scliar…

  • Erik

    Uma das características dos subdesenvolvimento é a falta de uma identidade nacional. Significa que o que é de fora é mais valorizado, mesmo sendo de baixa qualidade. Lamentavelmente o grande escritor Moacyr não quis reclamar os direitos autorais e ainda manifestou aceitação ao plágio do canadense. Escritores com menos talento, como a do “Harry Potter”, por exemplo, defendem judicialmente suas propriedades intelectuais de forma incansável.

  • Interessante, já li Moacyr Scliar e gosto muito da sua obra. Se “Life of Pi” foi baseado, não vejo problema desde que o gaúcho seja referenciado.

  • Thiago

    Inspiração é aquilo que te leva a escrever e não a premissa da história. O fato é que as duas histórias partem da ideia (e não da inspiração) de um garoto num barco perdido junto a um grande felino. Tudo que envolve uma situação como essa é a premissa da história. Se o resultado é diverso, tanto melhor, pois se fosse o mesmo não seria plágio, seria cópia, pirataria descarada… Life of Pi é sim um plágio de Max e os Felinos, a premissa é a mesma, a ideia que gerou o enredo é a mesma, o motivo pelo qual as histórias a se desenreadar é o mesmo. Há plágio e deveria haver uma retratação à altura. O que faz de um escritor, um grande escritor não é só o texto, mas fundamentalmente as suas ideias e isso preciso ser respeitado. Sem ideias, um escritor não é nada!

  • Caio Vieira de Mello

    Não falecido Moacyr Scliar não é uma boa ideia estragada por um mau escritor brasileiro como você diz.. .Teve um livro bom que esteve num lugar errado: Onde a cultura está estragada com maus leitores…

  • Fernando

    Plágio ou uma adaptação não autorizada. As semelhanças são realmente absurdas e dizem que as duas partes chegaram a um acordo, na época. Mas o a descoberta manchou a reputação de Yann Martel após ter receber o prestigioso prêmio Man Booker. E o filme é simplesmente a adaptação da adaptação de Scliar.

  • Gabriela alves ghidorsi

    Desde o primeiro trailer, fiquei boquiaberto e muito afim de ver o filme!

    Fiquei sabendo sobre o suposto plágio há alguns meses e cheguei a ver esse vídeo. O pior é que fiquei com vontade de ler o livro também, mas fiquei num grande conflito interno em “dar dinheiro” para esse autor, pois o pior, como o Moacyr disse, foi como ele fez isso e como se comportou, isso talvez tenha sido pior do que o suposto plágio em si.

    Peguei uma amostra do livro “As Aventuras de Pi” e terminei de ler agora o prefácio. A ÚNICA menção ao autor brasileiro é nos agradecimentos: “Já a centelha de vida devo ao sr Moacyr Scliar.” Só isso.

    Porém, o que me causou maior estranhamento é que, no prefácio, me deu a entender que se tratava de uma suposta história real…

    Pois ele diz que soube da história de Pi num café na Índia, onde um idoso havia lhe contado sobre a história e lhe indicado para falar com o próprio Pi (que estava no Canadá). Então ele conta que foi atrás dele, chega até a agradecer a certos funcionários de transportes marítimos do Japão, um departamento de cultura do Canadá…

    Não busquei maiores informações para não tomar spoiler na cara, mas fiquei com a pulga atrás da orelha. Mas é fato: quando eu achar o livro Max e os Felinos em formato digital, vou comprar! Pois parece ser muito bom também. E, verdade seja dita: se não fosse o filme/livro do Pi, não teria tomado conhecimento da obra do autor brasileiro.