Colunas   segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2018

Ignorados pela Academia: filmes que tinham tudo para concorrer ao Oscar de Melhor Filme

Eles redefiniram a história do cinema e foram marcantes para a indústria e para a forma como filmes são produzidos até hoje. Mas foram ignorados pela principal premiação do cinema.

“Atômica”, “Mãe!”, “Planeta dos Macacos: A Guerra” e “Eu, Tonya”. Esses são apenas alguns dos filmes que poderiam ter sido indicados ao Oscar de Melhor Filme de 2018. Ano após ano, quando a Academia divulga os filmes concorrentes nas diversas categorias, é normal que as pessoas apontem os chamados “filmes injustiçados”.

O Cinema com Rapadura preparou uma lista com alguns filmes que foram ignorados na categoria principal, mas que poderiam ter sido incluídos facilmente. Os critérios utilizados foram: 1) apenas filmes em inglês (se considerássemos filmes estrangeiros, a lista não teria fim); 2) no ano em que o filme poderia concorrer, pelo menos um dos indicados poderia ser substituído pelo injustiçado. Vamos a eles:

“King Kong” (1933)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 1934: “Adeus às Armas”, “As Quatro Irmãs”, Cavalgada”, “Dama por um Dia”, “Feira de Amostras”, “O Amor que não Morreu”, “O Fugitivo”, “Os Amores de Henrique VIII”, “Rua 42”, “Uma Loira para Três”).

O uso de efeitos especiais atualmente é visto com naturalidade. Em 1933, porém, o que o público testemunhou ao assistir “King Kong” estava fora da compreensão humana. As técnicas de stop motion utilizadas por Harry Redmond Jr. redefiniram o cinema por muito tempo. O filme serviu com inspiração para que Ray Harryhausen, um dos maiores nomes quando se fala de efeitos especiais. Devido ao enorme sucesso na época, o longa foi reexibido nos cinemas diversas vezes nos anos seguintes.

“Os Pássaros” (1963)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 1964: “A Conquista do Oeste”, As Aventuras de Tom Jones”, “Cleópatra”, “Terra do Sonho Distante”, “Uma Voz Nas Sombras”).

Alfred Hitchcock ocupa o topo da lista dentre os mais injustiçados pela Academia. De todos os seus filmes, apenas dois concorreram na categoria principal: “Rebecca, A Mulher Inesquecível”, que acabou levando a estatueta na cerimônia de 1941, e “Suspeita”, que concorreu no ano seguinte. Porém, nenhum dos filmes que mantém viva a imagem do diretor teve o merecido destaque. Dentre eles, “Os Pássaros”, lançado em 1963, é um de seus mais eficientes trabalhos.

A sequência do primeiro ataque já seria suficiente para garantir a indicação. Mas o filme vai além, como na cena das crianças na escola cantando enquanto os pássaros começam a pousar na cerca (criando uma partitura) – absolutamente genial. Dentre os indicados, ironicamente, o vencedor “As Aventuras de Tom Jones” poderia ter sido substituído sem que fizesse falta.

“Era uma Vez no Oeste” (1968)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 1969: “Funny Girl: A Garota Genial”, “O Leão no Inverno”, Oliver!”, “Rachel, Rachel”, “Romeu & Julieta”).

A cerimônia de 1969 pode ser considerada a que mais ignorou ótimos filmes. O primeiro exemplo é “Era uma Vez no Oeste”. Sergio Leone criou um conceito totalmente novo de western com a obra. A forma como o diretor trabalha imagem e som é impecável, tendo a trilha sonora sido composta por Ennio Morriconne antes mesmo das gravações começarem. O filme também conta com atuações (dignas de Oscar) de Charles Bronson e Henry Fonda.

“2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 1969: “Funny Girl: A Garota Genial”, “O Leão no Inverno”, Oliver!”, “Rachel, Rachel”, “Romeu & Julieta”).

Talvez a maior injustiça já cometida pelo Oscar foi ter ignorado “2001: Uma Odisseia no Espaço”. O filme foi indicado para roteiro original, direção, direção de arte e fotografia – nesta última ele foi o vencedor -, mas considerando que este foi um dos longas que redefiniu o gênero de ficção científica, qualquer um dos indicados poderia ter sido substituído por ele sem nenhum problema.

“Planeta dos Macacos” (1968) – (Indicados a melhor filme na cerimônia de 1969: “Funny Girl: A Garota Genial”, “O Leão no Inverno”, Oliver!”, “Rachel, Rachel”, “Romeu & Julieta”)

Junto com “2001: Uma Odisseia no Espaço”, “Planeta dos Macacos” foi um marco para a ficção científica. Esses dois filmes definiram o gênero como algo a ser levado a sério. Com uma direção precisa e um roteiro provocativo e angustiante, o longa é, até hoje, uma referência, tanto no gênero envolvendo viagem espacial viagem espacial, como pela maquiagem impressionante.

“Alien: O Oitavo Passageiro” (1979)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 1980: “Apocalypse Now”, Kramer vs. Kramer”, “Norma Rae”, “O Show Deve Continuar”, “O Vencedor”)

O filme que conseguiu unir dois gêneros com públicos específicos e criar um nova categoria no cinema, “Alien: O Oitavo Passageiro” é um dos trabalhos mais importantes de Ridley Scott (“Todo o Dinheiro do Mundo”). A forma como ele consegue lidar com a exploração espacial e, ao mesmo tempo, com o invasor inesperado, ainda é repetida à exaustão, embora muitas vezes sem o mesmo sucesso.

“Blade Runner” (1982)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 1983: Desaparecido – Um Grande Mistério”, “E.T. – O Extraterrestre”, Gandhi”, “O Veredicto”, “Tootsie”)

O mesmo Ridley Scott, anos mais tarde foi responsável por outra obra da ficção científica que ampliou as possibilidades do gênero. O visual cyberpunk e a influência dos filmes noir criaram um dos longas mais visualmente memoráveis da história do cinema. Soma-se a isso as excelentes atuações de Harrison Ford (“Blade Runner 2049”) e Rutger Hauer (“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”) e a belíssima fotografia, tornando “Blade Runner” um dos mais relevantes filmes da história.

“Duro de Matar” (1988)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 1989: Ligações Perigosas”, “Mississipi Em Chamas”, “O Turista Acidental”, Rain Man”, “Uma Secretária de Futuro”)

“Duro de Matar” é um filme que ignorou as convenções do cinema de ação e colocou uma pessoa “normal” enfrentando terroristas num espaço confinado. Na contramão dos clássicos com Sylvester Stallone (“Creed”) e Arnold Schwarzenegger (“Aftermath”), o filme consegue criar um vínculo entre o protagonista e o público, além de ter sido um divisor de águas dentro do gênero.

“Matrix” (1999)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 2000: “À Espera de um Milagre”, Beleza Americana”, “O Informante”, “O Sexto Sentido”, “Regras da Vida”)

Mesmo tendo sido lançado no século passado, “Matrix” é, sem dúvidas, um dos filmes mais importantes para o século XXI (e não seria um exagero colocá-lo como o mais importante). O uso dos efeitos especiais, o conceito e as técnicas utilizadas ainda são atualmente repetidas em diversos longas. E, de quebra, este é mais um dos marcos da ficção científica, um gênero que a Academia insiste em ignorar.

“Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2004)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 2005: “Em Busca da Terra do Nunca”, Menina de Ouro”, “O Aviador”, “Ray”, “Sideways – Entre Umas e Outras”)

Romance é um gênero difícil. Para funcionar, é necessário criar uma história plausível, que cative o público e sem se apegar. Mais difícil ainda é conciliar essa narrativa com a ficção científica. “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” conseguiu isso de forma brilhante – com o perdão do trocadilho – ao utilizar um método científico convincente e, através dele, desenvolver o relacionamento de duas pessoas que já esqueceram uma da outra. O diretor Michel Gondry (“A Espuma dos Dias”) ainda consegue contar a história numa sequência invertida a partir das memórias do protagonista, e o que inicialmente parecia confuso, ao final torna-se coerente.

“Beasts of No Nation” (2015)

(Indicados a melhor filme na cerimônia de 2016: “A Grande Aposta”, “Brooklyn”, “Mad Max: Estrada da Fúria”, “O Quarto de Jack”, “O Regresso”, “Perdido em Marte”, “Ponte dos Espiões”, “Spotlight: Segredos Revelados”)

O filme cria um cenário fictício para abordar um problema real, não tem medo de ser agressivo, gera tantas reflexões sobre um tema normalmente ignorado e ainda conta com uma das melhores atuações da carreira de Idris Elba (“A Grande Jogada”). A Academia já demonstrou não ter muito interesse por filmes distribuídos pela Netflix, mas este poderia ter sido indicado facilmente.

E para você, quais foram os maiores injustiçados do Oscar? Deixe um comentário para nós!

Robinson Samulak Alves
@rsamulakalves

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