Colunas   quinta-feira, 03 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos | Relembrando os filmes e nos preparando para a Guerra

Da Estátua da Liberdade enterrada à guerra que se encerra: relembre os filmes e a evolução de "Planeta dos Macacos".

De um livro e uma mitologia crítica da humanidade saíram uma série de TV, nove filmes e uma das cenas mais icônicas da história da Sétima Arte. Com o fim da última trilogia se apresentando na forma de “Planeta dos Macacos – A Guerra” nos cinemas, o Cinema com Rapadura te convida a fazer uma viagem no tempo para relembrar das origens e da evolução de “Planeta dos Macacos“.

Do livro aos primeiros filmes

Estamos no ano balançante de 1963, nos idos dos Swinging Sixties, e, na França, Pierre Boulle lança seu livro La Planète Des SingesVindo desde sua concepção com o nome de “Planeta dos Macacos”, o livro ganhou as prateleiras trazendo uma proposta muito semelhante aos romances aventureiros de séculos anteriores – de “Da Terra à Lua”, de Júlio Verne, a “As Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift -, visando tratar a relação primata entre homem e macaco.

Rejeitando o título de “ficção científica”, preferindo o gênero “fantasia social”, Boulle já havia vendido os direitos de sua obra antes de sua publicação para o produtor Arthur P. Jacobs, que almejava fazer algo semelhante ao também clássico “King Kong” – o que, de certa forma, ele conseguiu. Vendo na trama escrita por Boulle um potencial cinematográfico tão grande quanto o gorila gigante que queria imitar, Jacobs trouxe à existência “Planeta dos Macacos”, em 1968.

O filme conta a história dos astronautas Landon, Stuart, Dodge e Taylor (este último vivido pelo astro Charlton Heston, de “Ben-Hur” e “Os Dez Mandamentos“), os quais acordam após de uma viagem espacial com velocidade próxima à da luz e despertam de seu sono criogênico em um planeta onde seres humanos servem a criaturas semelhantes aos nossos macacos. Com muita maquiagem, boas sequências de ação e um roteiro enxuto e bem claro, a obra que Pierre Boulle acreditou ser um de seus piores livros se tornou um sucesso de bilheteria.

Além de ter faturado mais de seis vezes o seu orçamento somente com sua bilheteria na América do Norte, “Planeta dos Macacos” se tornou uma referência da cultura pop, sendo considerado um clássico por sua relevância não só cinematográfica, mas social; com referências à capacidade destrutiva do ser humano e nosso papel em um possível cataclismo de nossa sociedade, o filme se encerra com uma das cenas mais icônicas do cinema, enquanto mostra que o planeta alienígena onde estavam era, na realidade, a Terra dizimada por uma guerra nuclear – fato esse que o título traduzido em Portugal fez questão de entregar (às avessas) ao chamá-lo de “O Homem Que Veio do Futuro“.

Para nos lembrar que continuação não é moda nova, “Planeta dos Macacos” teve quatro sequências que foram lançadas em ritmo frenético: “De Volta ao Planeta dos Macacos” (1970), “Fuga do Planeta dos Macacos” (1971), “A Conquista do Planeta dos Macacos” (1972), e, finalmente, “Batalha do Planeta dos Macacos” (1973). Com graus diferentes de sucesso de crítica, o público continuou voltando para assistir as continuações, dando uma sobrevida maior à franquia, com tramas parecidas às que seriam retomadas décadas depois.

Um recomeço para o “Planeta dos Macacos”

Antes de passar por um reboot em 2001, a franquia ganhou versão em série para a TV, desenho animado, quadrinhos e basicamente qualquer forma de mídia de baixo orçamento que você puder imaginar. Embora sucessos moderados de curta meia-vida, esses elementos paralelos foram importantes para manter o cânone da franquia no imaginário popular – por mais confuso que ele estivesse nesse ponto. Nas tentativas de emplacar o filme de volta aos cinemas, passando quase vinte anos em um processo de aprova-cancela, diversos nomes como Oliver Stone (“Platoon“) para a direção e Arnold Schwarzenegger como protagonista, o filme atravessou o fim do século XX sem ver a luz do dia.

E é aí que entra Tim Burton.

Diretor autoral com traço marcante, Burton buscou trazer para a sua versão de “Planeta dos Macacos”, já em 2001, uma abordagem diferente dos filmes anteriores. Na trama, Leo Davidson (Mark Wahlberg, “Transformers: O Último Cavaleiro“) é um cientista astronauta que trabalha com primatas em uma estação espacial no futuro e, após um acidente envolvendo uma tempestade eletromagnética, se vê em um planeta governado por – adivinhe – macacos.

Embora o filme tenha sido elogiado por seus efeitos especiais, seu roteiro foi considerado confuso e pouco convincente, com subtramas que beiravam o constrangimento – como, por exemplo, a macaca Ari (Helena Bonham-Carter, claro) se apaixonando pelo cientista humano. Além disso, a tentativa de inverter o final do filme original ao mostrar uma estátua com feições símias no que seriam os Estados Unidos também gerou um impacto inverso do pretendido, fazendo com que a nova geração que era exposta à franquia não a levasse tão a sério.

Ainda assim, o filme foi um sucesso considerável de bilheteria, e somente não recebeu uma sequência por problemas de agenda (e interesse) entre Burton e a Fox, estúdio responsável pelo desenvolvimento dos filmes. Seriam necessários dez anos para que os macacos novamente ganhassem o mundo.

O novo reboot e a “Guerra” que o conclui

É aí que finalmente chegamos nas mais novas joias da coroa da franquia: a nova trilogia, iniciada em 2011. Com o lançamento de “Planeta dos Macacos: A Origem”, os símios ganharam um novo começo no cinema, agora trazendo como fio condutor a origem do macaco César, o primeiro de uma nova linha evolutiva para sua espécie. Tendo John Lithgow (“O Contador“), Freida Pinto (“Quem Quer Ser um Milionário?“) e James Franco (“Alien: Covenant“) no elenco de apoio, o filme apostou na incrível atuação de Andy Serkis, anteriormente o Gollum/Sméagol da trilogia “Senhor dos Anéis“, como a base para os novos filmes que se estabeleciam. O filme foi um sucesso estrondoso de bilheteria e crítica, e a Fox notou que pisava em terreno firme para seguir com a franquia.

Após mostrar como a raça humana foi dizimada da Terra, abrindo espaço para a ascensão dos macacos, foi a vez de um conflito aberto entre humanos e símios inteligentes em “Planeta dos Macacos: O Confronto”, de 2014. Repetindo a fórmula anterior, mas avançando consideravelmente na cronologia, o filme agora apresentava um mundo onde macacos e humanos brigam por seus espaços, enquanto o macaco César tenta mediar os lados, lembrando-se de seus amigos humanos do filme anterior, e buscando evitar a aniquilação mútua.

Além da trama sólida e das cenas de ação convincentes, o sucesso de bilheteria e crítica também se calcou mais uma vez na brilhante interpretação de Andy Serkis como César. Através da captura de movimentos, Serkis conseguiu acrescentar detalhes e nuances não vistas antes entregando um desempenho que foi conclamado a ser indicado ao Oscar – sendo, como imaginável, ignorado pelos Academy Awards. Ficou, no entanto, o prestígio que o ator consolidou mundialmente após este papel, projetando não só sua própria imagem na indústria, mas de todos aqueles que se destacam na arte do mo-cap e da interpretação por meios digitais.

É com esta base que chegamos no lançamento de “Planeta dos Macacos: A Guerra”. Com Serkis mais uma vez como o líder César, o filme se encaminha para a batalha final entre humanos e macacos pelo controle do planeta. Com uma forte abertura nas bilheterias norte-americanas e críticas elogiosas, “Planeta dos Macacos: A Guerra” tem demonstrado ser o fechamento perfeito para uma trilogia que comprovou que reboots podem, sim, ser feitos de forma competente, de maneira a apresentar uma grande obra para um novo público sem perder a qualidade.

E você? Qual o seu filme favorito da franquia? Já assistiu algum da pentalogia antiga? Já está com seu ingresso garantido para o fechamento dessa grande trilogia atual? Deixe um comentário para nós!

Erik Avilez
@erikville

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  • Luiza Ayres

    Estou revendo a franquia clássica antes de ver o final da trilogia. Planeta dos Macacos é uma das minhas estórias favoritas de ficção. As camadas filosóficas e as críticas sociais são sensacionais.