Colunas   segunda-feira, 12 de junho de 2017

5 casais LGBT do cinema que quebraram preconceitos e viveram um grande amor

Neste 12 de junho, conheça alguns personagens que deram uma aula de aceitação e diversidade nas telas de cinema.

O dia 12 de junho é dedicado aos namorados, data em que os brasileiros celebram o amor e a união de um relacionamento. Porém, tão importante quanto, em junho é celebrado o mês do orgulho LGBT. Não só no Brasil, como em todo o mundo, lésbicas, gays, bissexuais e transexuais buscam aumentar a visibilidade e educar sobre questões importantes para sua comunidade, principalmente no que diz respeito aos seus direitos. O cinema e as artes, de modo geral, são fundamentais nesse processo, pois nos apresentam histórias e novas maneiras de enxergar o mundo.

Por isso, o Cinema com Rapadura aproveitou o momento e escolheu cinco casais que não só viveram uma bela história de amor como também quebraram preconceitos e ajudaram a promover a diversidade dentro e fora das telonas.

Jack & Ennie – “O Segredo de Brokeback Mountain”

Interpretados por Jake Gyllenhaal (“Animais Noturnos“) e Heath Ledger (“Batman: O Cavaleiro das Trevas“), Jack Twist e Ennie Del Mar são dois jovens que se conhecem no verão de 1963, após serem contratados para cuidar de ovelhas na montanha Brokeback. Jack sonha em ser cowboy, enquanto Ennie pretende se casar com Alma (Michelle Williams, de “Manchester à Beira-mar”) ao final do verão. Ao viverem de forma isolada por muitas semanas, eles se tornam cada vez mais amigos e iniciam um relacionamento amoroso. Ao final do período de trabalho, cada um segue seu caminho, mas o romance daquele momento marca suas vidas para sempre.

Polêmico à época de seu lançamento, “O Segredo de Brokeback Mountain” é considerado, atualmente, um grande marco na história recente do cinema norte-americano, por ter sido o primeiro filme da indústria hollywoodiana a contar o romance entre dois homens. O filme chegou a ser banido na China e gerou diversos protestos em seu país de origem, quando foi lançado, mas também se tornou rapidamente em uma bandeira gay. Além disso, o longa dirigido por Ang Lee (“As Aventuras de Pi“) é considerado um grande injustiçado por ter perdido o Oscar de melhor filme para “Crash – No Limite”, em 2006, mesmo tendo sua vitória como certa pela crítica especializada, o que levou a um debate sobre a possibilidade de a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ter cedido a impulsos preconceituosos. Das oito categorias em que foi indicado, “O Segredo de Brokeback Mountain” venceu em três: direção, roteiro adaptado e trilha sonora.

Adèle & Emma – “Azul É a Cor Mais Quente”

O filme francês dirigido, co-escrito e co-produzido por Abdellatif Kechiche (“Vênus Negra“) gira em torno de Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma adolescente que descobre amor e liberdade quando conhece uma aspirante à pintora (Léa Seydoux). O longa segue a relação de anos do casal, ao longo do ensino médio de Adèle, sua precoce vida adulta e carreira como professora de escola.

“Azul É a Cor Mais Quente” gerou controvérsias quando estreou no Festival de Cannes 2013, principalmente por conta das alegações de más condições de trabalho da dupla de protagonistas e por representar a sexualidade feminina de maneira crua e gráfica. Ainda assim, o filme acabou levando o principal prêmio do festival, a Palma de Ouro, por unanimidade. Meses depois, foi indicado ao Globo de Ouro e ao BAFTA.

Léo & Gabriel – “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”

Leonardo (Ghilherme Lobo) é um adolescente cego que tenta lidar com a mãe superprotetora, ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel (Fabio Audi) chega à cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade.

Embora também acompanhe o processo de desenvolvimento sexual na adolescência, o filme brasileiro tem uma abordagem bem diferente, em relação a “Azul É a Cor Mais Quente”. No filme francês, o romance é explícito e intenso. No brasileiro, a trama é mais leve e até inocente, pois conduz o espectador pela jornada de Léo em busca de seu primeiro beijo.

Laure & Lisa – “Tomboy”

Em “Tomboy”, uma família se muda para uma nova vizinhança e Laure (Zoé Héran), de 10 anos de idade, passa a se apresentar aos novos amigos como um menino chamado Mikhael. O filme mostra as dificuldades de Laure/Mikhael em manter seu segredo diante das outras crianças e sua criatividade para fugir de situações que denunciariam, por exemplo, seu verdadeiro sexo.

A situação se complica ainda mais quando Laure conhece Lisa, que, ao ver Laure de cabelo curto e roupas masculinas, deduz se tratar de um menino. As duas se tornam grandes amigas e, com o tempo, acabam se apaixonando. Dividida entre contar ou não a verdade para Lisa e ao mesmo tempo tendo que lidar com a ambiguidade envolvendo sua identidade de gênero, Laure protagoniza uma bela história de autoaceitação e amor.

Jules & Nic – “Minhas Mães e Meu Pai”

Em “Minhas Mães e Meu Pai”, Jules e Nic são duas mulheres que vivem juntas há quase 20 anos e têm dois filhos adolescentes, concebidos por meio de inseminação artificial. Embora a trama seja focada na busca dos filhos pelo pai biológico, o filme ganha força ao retratar um casal de lésbicas com a mesma perspectiva que vemos em histórias de casais héteros. O cotidiano da vida conjugal, a interação com os filhos, as dificuldades em envelhecer são alguns dos temas abordados no filme e que afetam famílias, de modo geral, ortodoxas ou não.

O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, em 2011, nas categorias de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz, para Annette Bening, e melhor ator coadjuvante, para Mark Ruffalo. Apesar de aclamado pela crítica, o longa saiu sem estatuetas da premiação.

Embora a lista de grandes casais vá além destes citados, a quantidade de histórias sobre casais ou que insiram casais LGBT ainda é muito pequena no cinema. Que estes exemplos sejam a prova de que ainda há muita representatividade a ser alcançada e preconceitos a serem quebrados, até mesmo nas artes.

Qual seu filme favorito com casais LGBT? E qual você acha que retrata melhor o assunto? Escreva nos comentários!

Sarah Lyra
@sarahlyra

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