Colunas   sábado, 03 de junho de 2017

Uncharted nos cinemas – o ótimo game, a maldição e a esperança

Entenda como "Uncharted" pode ser a salvação dos filmes baseados em games ou um grande tiro no pé.

Apesar de ser uma palavra com vários significados, “maldição” pode ser utilizada para expressar infortúnio, fatalidade, algo ruim na vida de alguém. Difícil não associar as adaptações de games para o cinema com esse termo. Afinal, de que forma explicar esse fato quase que sobrenatural de absolutamente nenhuma obra baseada em videojogos ser uma unanimidade entre fãs, público e nas bilheterias?

Democráticas, as adaptações vão de blockbusters a filmes B, passando por produções independentes. Mesmo com a triste sina de renderem filmes ruins e grandes fiascos de arrecadação, estúdios e produtoras seguem insistindo e tentando finalmente encontrar o sucesso. Um dos candidatos mais promissores é “Uncharted”, ação-aventura desenvolvido pela Naughty Dog.

Depois de anunciar Tom Holland como protagonista, a Sony trouxe de volta aos holofotes o projeto que já perdura por quase 10 anos. Será que o aclamado game tem o que é preciso para superar as expectativas e finalmente quebrar a maldição? O Cinema com Rapadura separou alguns problemas que pesam contra o filme mas também destacamos alguns motivos para acreditar que as adaptações de games serão finalmente exorcizadas.

A história (do game)

A história do primeiro game, “Uncharted: Drake’s Fortune” (2007), deixa bem claro o tom que segue por toda a franquia. A aventura começa a bordo de um barco cujos tripulantes, o caçador de tesouros Nathan Drake e a jornalista Elena Fishes, buscam resgatar o caixão de Sir Francis Drake, famoso navegador inglês. No entanto, ao abrir o caixão, eles não encontram um corpo, pois Francis forjou a própria morte e deixou apenas um diário em seu lugar, com informações que poderiam ser utilizadas para localizar a lendária cidade de El Dorado.

Após um confronto com piratas onde o barco pega fogo, Nathan e Elena são resgatados Victor Sullivan, mentor e velho amigo de Drake, que os leva em seu avião à terra firme. Ávidos por descobrir a cidade feita de ouro maciço, os aventureiros passam por muitos perigos durante a jornada pela América do Sul em busca do sonhado prêmio.

Como podemos ver, a história já foi formatada como um filme jogável. Mas só passar uma história de uma mídia para a outra é o suficiente?

A história (da adaptação)

A ideia de adaptar “Uncharted” para os cinemas surgiu pouco tempo depois do lançamento do primeiro game. Em 2008, o produtor Avi Arad, responsável por filmes como Homem-Aranha” e “Homem de Ferro”, resolveu mergulhar no universo dos games. Arad disse que a saga de Drake tinha chances de ser o primeiro a obter tanto sucesso no cinema quanto as adaptações de quadrinhos.

Daí pra frente muitos nomes passaram pelas funções criativas do projeto. David O. Russell, Neil Burger, Mark Boal e Seth Gordon são apenas alguns que chegaram e saíram sem que o longa mostrasse um avanço significante. Shawn Levy, diretor mais recente no posto, parece ser finalmente o nome definitivo para comandar a adaptação.

Por que finalmente vai dar certo?

Grande fan base e aclamação da crítica

A série “Uncharted” é uma das franquias mais lucrativas da Sony. As vendas já ultrapassam 35 milhões de cópias, um número emblemático para um exclusivo, o que claramente mostra a força da fan base do game. Além disso, todos os jogos têm notas altíssimas atribuídas pela crítica especializada. Potencial existe, só precisa ser bem aproveitado.

Potencial para uma franquia

Não há como negar o carisma de Tom Holland e o sucesso recente que ele conquistou, principalmente entre os jovens. Somando isso ao excelente preparo físico do ator (algo necessário para um aventureiro), podemos imaginar muitos filmes de “Uncharted”, possibilitando inclusive que o amadurecimento de Drake seja mostrado por anos e anos até ele se tornar o icônico personagem dos games (quantos cresceram junto com Harry Potter?).

Universo com inúmeras possibilidades

A ideia de um filme com o protagonista bem mais novo se baseia em um flashback do terceiro game da série, “Uncharted 3: Drake’s Deception” (2011), que mostra Drake, ainda como um jovem ladrão, se encontrando pela primeira vez com com seu mentor Sully. Se uma cena acabou resultando em um filme inteiro, como não imaginar as infinitas possibilidades e histórias que o universo “Uncharted” pode gerar para o cinema?

Identidade própria

É difícil não relacionar o protagonista Nathan Drake com o carismático Indiana Jones ou com a aventureira Lara Croft. Mas, segundo o roteirista Joe Carnahan, a ideia de Levy para o filme não envolve um reboot ou cópia do Dr. Jones.

Eu me encontrei com Shawn recentemente e ele é um cara muito inteligente e talentoso. Nós dois amamos ‘Os Caçadores da Arca Perdida’, mas não queremos repetir aquilo. O que eu escrevi, de certa forma, é o anti-Indiana Jones. Ele não é um cara que ama museus e quer preservar artefatos. Ele é um criminoso, um cretino, mas ainda é melhor do que os verdadeiros vilões”.

Mas nem tudo são flores…

De volta ao planejamento

A chegada de Holland ao projeto teve seu lado negativo. Ao confirmar que a história seria agora baseada em um Drake mais jovem, o roteiro, que já estava concluído, não deve mais ser levado em consideração. O estúdio, inclusive, está em busca de um novo roteirista, pondo em cheque todas as boas ideias que Carnahan já havia revelado sobre o filme.

“Feito e limpo. Agora o trabalho de verdade começa. Se existe um roteiro de ação mais monstruosamente legal em Hollywood agora, eu quero lê-lo, porque esse aqui é uma FERA”.

Mais um filme de game

Esse assunto é, de fato, delicado. Quem não lembra do frisson que aconteceu com os recentes “Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos”“Assassin’s Creed”, dois games com potencial incrível e que acabaram não atingindo às expectativas nas telonas? Felizmente a classe dos fãs, apesar de muito sofrer, mantém a esperança e aguarda que seus anseios sejam finalmente correspondidos.

Produção de baixo orçamento

A adaptação de “Uncharted” para o cinema já chegou a ser vista como o novo “Indiana Jones” pela Sony. Porém, após várias trocas de diretores e roteiristas, além da mudança na presidência do estúdio, o longa já é considerado uma produção de baixo custo na linha dos filmes “Resident Evil”. Isto não representa um problema para os executivos, que desejam repetir o sucesso da franquia mais lucrativa de filmes de games. Mas quem espera um filme com uma história bem contada não deve ter ficado muito animado com essa notícia.

Ninguém confirmado no elenco

Mark Walhberg, Chris Hemsworth, Channing Tatum, Oscar Isaac, Chris Pratt, Nathan Fillion, Brett Dalton, ufa… Esses foram apenas alguns dos nomes cogitados para o papel principal antes do anúncio de Holland. Depois de quase dez anos para escolher o personagem principal, o que esperar da Sony sobre a escolha do restante do elenco? Atores de qualidade não surgem assim do nada. A falta de planejamento do longa até agora chega a ser frustrante.

Prazo curto

Os estúdios já nos provaram que prazo nunca é um problema. Quando o projeto enfrenta qualquer dificuldade maior, basta empurrar a data de estreia pra frente que ninguém vai se importar, certo? Evidente que não. Não há dúvidas de que esse tipo de manobra afeta a confiança e a expectativa do público, grande responsável pelo sucesso ou fracasso do filme.

E a instabilidade da produção de “Uncharted” é algo que incomoda bastante. Difícil confiar em um longa que já teve sua estreia não só adiada mais de uma vez como removida do calendário de lançamentos do estúdio. Além disso, sempre que alguém do time criativo abandona o projeto, ele volta à estaca zero.

“Uncharted” ainda não tem uma data de início das filmagens ou previsão de estreia confirmadas. Pouca coisa confirmada e dúvidas ainda pairam sobre o projeto. O que você acha disso? Acredita que o longa pode finalmente quebrar a maldição das adaptações de games? Deixe seu comentário!

Martinho Neto
@marnetotinho

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