Colunas   quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

Oscar 2017: o que esperar dos indicados a Melhor Filme

Veja a nossa compilação sobre todas as histórias tocantes que concorrem à estatueta.

Convenhamos quem nunca assistiu um filme só porque ele foi indicado ou ganhou um Oscar?

O Oscar é um dos maiores prêmios do cinema mundial e não deixa de ser uma grande homenagem a todos que trabalham duro para trazer às telonas aquela montanha russa de sentimentos que toca profundamente os corações dos amantes e admiradores da sétima arte.

Se tem uma palavra que definiria os indicados ao Oscar 2017 de Melhor Filme seria: reflexão, desde os assuntos mais introspectivos até os mais polêmicos. Para você ficar por dentro da premiação de 2017 que vai acontecer no domingo, 26 de fevereiro, o Cinema com Rapadura vai falar um pouco sobre os filmes que estão concorrendo a categoria mais aguardada (vamos começar logo que esse ano tem muito filme bom).

La La Land – Cantando Estações (La La Land, 2016)

Dirigido e escrito por Damien Chazelle, que foi indicado ao Oscar 2015 com o filme “Whiplash”, “La La Land – Cantando Estações”, nos mostra de uma forma vibrante a jornada que passamos para realizar um sonho, desde se emocionar com as alegrias até transformar as tristezas em forças para continuar. Com muita influência dos musicais clássicos de Hollywood, vemos cenas deslumbrantes de sapateado até pessoas dançando no meio do trânsito de Los Angeles (sim, eles pararam uma das avenidas mais movimentadas da cidade só para gravar a cena), tudo isso embalado ao som do jazz.

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Na história Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) tentam conciliar uma forte paixão com o sonho de alcançarem o sucesso em suas carreiras na cidade de Los Angeles. Ela quer ser uma grande atriz e ele, um pianista apaixonado pelo jazz, quer abrir um bar onde possa tocar livremente o que gosta.

O longa já coleciona vários prêmios, incluindo o recorde de 7 categorias no Globos de Ouro, melhor filme no Critics Choice Awards e Toronto International Film Festival entre outros, e certamente será um dos favoritos ao Oscar 2017.

“La La Land – Cantando Canções” é um daqueles filmes vai mexer com algo dentro de você, não importa se você gosta ou não de musicais e romance, é uma magia que só entenderá assistindo:

Manchester À Beira Mar (Manchester By The Sea, 2016)

Falar sobre traumas e acontecimento trágicos nem sempre é uma tarefa fácil, pois mexe com sentimentos que evitamos sentir e até falar, mesmo tendo que conviver diariamente com eles. “Manchester À Beira Mar” consegue abordar esses temas fortes com leveza e até um toque de humor. Ficou curioso para saber como? Vamos para história.

Ao se deparar com a morte de seu irmão, Lee Chandler, um homem solitário que não espera muito da vida, é obrigado a voltar a sua cidade natal para assumir a guarda de seu sobrinho. Só que com a sua volta problemas e traumas do passado que o fizeram largar Manchester começam a aparecer. Assim inicia uma jornada do protagonista por redenção e perdão.

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(2016): o nó górdio do luto

O diretor e roteirista Kenneth Lonergan teve um cuidado imenso com o longa abusando da linguagem corporal, garantindo que cada movimento, figurino, trilha e locações também tivessem algo para dizer, tudo se complementa. Assista ao trailer:

Estrelado por Casey Affleck, Michelle Williams e Lucas Hedges vemos em um primeiro momento um drama comum, mas que ganha destaque por não apelar para o melodrama característico dos filmes de Hollywood e conseguir tratar com sutileza emoções pesadas.

Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight, 2016)

Algo intrínseco ao ser humano é buscar sua identidade e seu propósito no mundo. “Moonlight: Sob a Luz do Luar” retrata essa eterna busca pelos olhos de um jovem negro, que vive em um bairro violento dos Estados Unidos. Passando por temas complexos como a construção da família, questões raciais, drogas, sexualidade e masculinidade, o longa inicia uma discussão sobre estereótipos construídos pela sociedade que enraízam (e até determinam) a vida de uma pessoa.

No enredo temos três atos (“Little”, “Chiron” e “Black”) onde acompanhamos a vida de Chiron quando criança vivendo na Miami dos anos 80 tomada pelo tráfico de drogas. Passamos pela adolescência onde a descoberta pela sua sexualidade aumenta enquanto é alvo frequente de bullying e terminamos em sua fase adulta vendo um Chiron completamente diferente. Usando as palavras da sinopse oficial do filme: “Moonlight” é uma luta doce e ao mesmo tempo destruidora para encontrar a si mesmo.

O longa, escrito e dirigido por Barry Jenkins (“Medicine for Melancholy”), foi inspirado na peça “In Moonlight Black Boys Look Blue” (de Tarell Alvin McCraney) e demorou 8 anos para ficar pronto. No elenco temos a presença de Alex Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes que interpretam Chiron em cada um dos três atos, além de Naomie Harris, André Holland, Mahershala Ali e Janelle Monáe.

Ganhador do Globo de Ouro 2017 como Melhor Filme é um dos fortes candidatos não só ao Oscar 2017, mas a ser um filme que será lembrado por décadas.

A Chegada (The Arrival, 2016)

Imagine se você pudesse falar com alienígenas e de repente aprendesse a compreender todo seu futuro? O diretor Denis Villeneuve mostra a que veio nos presenteando com um leque de discussões e reflexões sobre a vida no sci-fi  “A Chegada”.

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(2016): chegou um dos melhores do ano
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A história é focada na linguista Louise Banks (Amy Adams), que é recrutada pelos militares americanos para decifrar mensagens de extraterrestres, após 12 naves pousarem sobre a Terra. Em uma corrida contra o tempo e contra outras nações para descobrir o propósito dos extraterrestres é colocado em jogo uma coisa que define nossa essência: a comunicação. Já pensou que você só se compreende e compreende ao outro porque existe uma linguagem que dá significado a sua existência? Se prepare para se sentir dentro de um caleidoscópio de perguntas (e muitas sem respostas).

“A Chegada” vai além de ser um filme sobre aliens, é sobre o futuro, é sobre escolhas e sobretudo sobre o amor, que nos modifica e faz enfrentar qualquer coisa. Confira o trailer:

Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion, 2016)

Inspirado no livro “A Long Way Home” que conta a história real de Saroo Brierley, “Lion:Uma Jornada Para Casa” é trazido às telonas pelas mãos do diretor estreante Garth Davies e do roteirista Luke Davies.

Nele acompanhamos a vida de Saroo (Dev Patel), um menino indiano de 5 anos que se perde da família e vai parar em Calcutá, a quilômetros de casa. Ele tenta sobreviver nas ruas sem saber falar a língua local, sem comida e sem dinheiro por meses até ser identificado pelo governo e adotado por um casal de Australianos (Nicole Kidman e David Wenham) que mudam totalmente o rumo da sua vida. Vinte de cinco anos se passam e Saroo ainda se sente preso à lembranças do passado que o levam a voltar para Índia e procurar sua família biológica.

“Lion: uma jornada para casa” é um filme cativante que você sente vontade de ajudar Saroo a encontrar sua família. É impossível também passar despercebido pelas as diferenças sociais sutilmente abordadas na telona, de um lado temos um pequeno vilarejo na Índia sem estrutura básica nenhuma quanto do outro vemos os privilégios de uma família de classe média Australiana. Para refletir!:

Fences (Fences, 2016)

Até agora vimos vários filmes com a temática de alcançar um sonho, um lugar na vida, mas e quando os sonhos não se realizam, e você acaba parado no mesmo lugar por anos?

“Fences” é sobre sonhos, frustrações em meio a questões raciais, em uma adaptação da peça de teatro vencedora do prêmio Pulitzer, escrita por August Wilson.

Dirigida e estrelada por Denzel Washington, a trama traz também Viola Davis (sim, que dulpa!) para contar a história de Troy Maxson (Denzel Washington), um homem que tinha o sonho de se tornar um grande jogador de baseball, mas foi colocado de escanteio e acabou como gari por conta do racismo nos Estados Unidos dos anos 50. Junto com sua mulher Rose (Viola Davis) e seu filho Cory (Jovan Adepo) ele tenta lidar com as frustrações pessoais do dia a dia e o sonho deixado para trás. 

Só com o trailer de “Fences” somos tocados pela atuação de Denzel e Viola, o filme promete ser intenso e é impossível não pensar como uma peça escrita em 1983 pode se encaixar muito bem nos dias de hoje.

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, 2016)

Mel Gibson retorna como diretor, após 10 anos do seu último filme “Apocalypto”, dessa vez para nos contar um drama de guerra baseada em fatos reais.

“Até o Último Homem” é sobre um médico do exército dos EUA  que se alistou para II Guerra Mundial com a condição de não tocar em nenhuma arma, apenas salvar pessoas. Já imaginou essa situação? Você no meio de um campo de batalha, cercado por inimigos armados, se recusar a usar qualquer tipo de defesa? Assim era Desmond T. Doss (Andrew Garfield), um soldado cristão que coloca seus princípios acima de tudo sem deixar o sentimento de patriotismo de lado. O longa retrata desde a infância até a paixão pela medicina que o soldado desenvolve durante guerra. Desmond chegou a salvar mais de 75 homens na Batalha de Okinawa, sendo o primeiro pacifista a receber uma Medalha de Honra do Congresso Americano.

Uma história de tirar o fôlego que foi aplaudida por 10 minutos após sua exibição de pré-estreia no 73º Festival de Veneza.  Veja:

A Qualquer Custo (Hell or High Water, 2016)

“A Qualquer Custo” nos leva para West Texas em um total clima de faroeste, prometendo ser um dos favoritos da temporada.

Após perderem a fazenda da família os irmãos, Tanner (Ben Foster), um ex presidiário e Toby (Chris Pine), um pai divorciado com dois filhos, decidem assaltar pequenos bancos para conseguir uma estabilidade financeira. Isso chama a atenção do policial Marcus Hamilton (Jeff Bridges) que inicia uma um busca para apreender os criminosos.

Pode parecer uma história simples mas as entrelinhas abrem espaço para questionamentos maiores sobre o real papel das instituições financeiras que facilmente podem nos salvar ou afundar em dívidas. Durante o filme vemos menções ao o típico American Way of Life nos outdoors, em contraponto com as consequências da crise econômica pichadas nos muros.

Dirigido por David Mackenzie de “Sentidos do Amor” e escrito por Taylor Sheridan, de “Sicario:Terra de Ninguém” a obra harmônica mostra um grande trunfo na fotografia, trilha sonora, e claro interpretação dos atores.

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, 2016)

Colocamos de pano de fundo a corrida espacial entre EUA e Rússia nos anos 60 e adicionamos heroínas com uma ousadia, força, e inteligência sem igual, assim temos as “Estrelas Além do Tempo”.

Baseado no livro de Margot Lee Shetterly, somos convidados a sentir na pele a trajetória de  Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), três mulheres negras que trabalharam na NASA e suas descobertas foram a peça chave para conseguir colocar o primeiro homem no espaço. Em um cenário onde ser mulher e negra era sinônimo de condições inferiores, como banheiros, refeitórios, salas de trabalho segregadas, chegando a literalmente não poder respirar o mesmo ar que as pessoas brancas, elas quebraram barreiras (pelo menos um pedaço delas) de um preconceito racial violento.

Dirigido Theodore Melfi, prepare-se para se emocionar com relatos que (infelizmente) não estão documentos em nenhum livro de história:

Queremos saber: qual são suas apostas? Qual filme tocou mais seu coração? Deixe seu comentário!

Lely Thais
@rapadura

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  • MichelTemerRx666

    Gente alguém aqui quer conversar?

  • MichelTemerRx666

    será que eu sou o único Rapaduriano nesse mundão?

  • Gustavo Mohr

    Acho que a disputa fica entre Moonlight e La La Land

    • Cacá Barros

      Melhor filme acredito que La La land, melhor roteiro original sem dúvidas Moonlight (Apesar de Manchester by the sea não ficar por baixo).

  • Betotruco

    Assisti a 6 e o melhor até agora, sem dúvida, como Cinema e reflexão é A Chegada!!