Colunas   sábado, 13 de agosto de 2016

Especial Hitchcock: Conheça a vida e obra do mestre do suspense

Falamos sobre o gênio, e precursor de um estilo e técnicas que vivem até hoje nas telonas.

Alfred Hitchcock é um nome icônico na indústria do cinema. Conhecido como o “Mestre do Suspense”, o cineasta britânico contribuiu amplamente para o trabalho cinematográfico, desenvolvendo técnicas narrativas que são usadas até hoje. Por isso, neste dia 13 de agosto, dia do aniversário de Hitchcock, o Cinema com Rapadura decidiu falar um pouco sobre a vida do diretor, bem como sobre suas marcas registradas e seus filmes mais famosos.

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Vida

Nascido em Londres, Inglaterra, no ano de 1899, Alfred era uma criança isolada, mas bastante atenta ao mundo a sua volta. A disciplina era um elemento bastante presente em sua vida, visto que estudou em uma instituição católica e em um centro jesuíta, onde as punições eram altamente rigorosas. Seu pai também era bastante autoritário, mas isso não impediu que ele fosse extremamente travesso, quebrando regras sempre que tinha a chance, elemento que também esteve sempre presente em seus filmes.

Em 1913, Alfred deixou a escola em que estudava e começou a busca para definir sua carreira profissional. Começou a estudar engenharia e fazer curso de desenho, e quando a Primeira Guerra Mundial teve início, Alfred começou a trabalhar no ramo da publicidade. Foi nessa mesma época que ele conheceu o cinema, visto apenas como um hobby de início, mas que iria se tornar o ramo em que Alfred Hitchcock iria se especializar.

Antes de se consolidar como o diretor Mestre do Suspense, Hitchcock trabalhou em diversas funções na produção de filmes, onde foi ganhando experiência e aprendendo sobre as técnicas de filmagem. Sua primeira oportunidade como diretor veio em 1925, na produção anglo-alemã “The Pleasure Garden”. Mas sua estreia no suspense veio em 1927, com “The Lodger: A story of the london fog”, que conta a história de uma família que suspeita que seu vizinho seja o Jack, o Estripador.

A carreira de Hitchcock, no entanto, iria encontrar seu auge nos Estados Unidos, onde o cineasta chegou em 1939. Sua estreia Hollywood veio no ano seguinte, com “Rebeca, a Mulher Inesquecível”, vencedor do Oscar de Melhor Filme e Melhor Fotografia Preto-e-Branco de 1941. A partir daí, Hitchcock não parou o trabalho, por 30 anos o cineasta lançou praticamente um filme por ano, tornando-se produtor de seus próprios filmes a partir de 1948. Htichcock foi indicado ao Oscar cinco vezes como diretor, e uma vez como produtor, porém, não ganhou o prêmio nenhuma vez, tendo recebido, em vez disso, o Prêmio Irving Thalberg da Academia em 1968, pela carreira completa. Alfred Hitchcock morreu em 1980, em Los Angeles, deixando um legado de mais de 50 filmes.

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Características de suas obras

Os filmes de Hitchcock possuem características marcantes, e técnicas que abriram o caminho para muitos filmes de suspense/terror de hoje em dia. Um exemplo disso é a trilha sonora, usado com maestria nas cenas chaves de seus longas. Os movimentos de câmera e os planos escolhidos também contribuem para a narrativa, fazendo com que o espectador se sinta parte dos acontecimentos mostrados.

Uma marca registrada de Hitchcock é o recurso de roteiro onde um personagem é culpado por algum crime que não cometeu e tem de encontrar o verdadeiro responsável para poder se livrar das acusações. Esta é outra característica do cineasta que faz com que o espectador se sinta mais imerso na narrativa, pois ao saber quem é o culpado, as ações de todos os personagens da tramam se tornam mais envolventes, causando o questionamento se o inocente conseguirá se livrar da culpa ou não. O diretor também costumava fazer pequenas aparições na maioria de seus filmes.

No entanto, a marca registrada mais famosa de Hitchcock é o conceito MacGuffin, criado originalmente pelo cineasta. Este conceito define um objeto chave para a trama avançar, sem ter, na realidade, grande importância na mesma. Por exemplo, em “Psicose”, o MacGuffin utilizado é o dinheiro que a personagem de Marion Crane rouba do patrão, elemento que só serve para levar Crane para o Motel Bates, onde a história se desenrolará. O MacGuffin, então, é um objeto ou um elemento que oferece a motivação para a trama, mas perde a importância depois.

Confira alguns filmes do Mestre do Suspense:

Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940)

Sinopse: Uma jovem dama de companhia e um aristocrata viúvo se apaixonam e decidem se casar. Mas quando a jovem se muda para o casarão de seu amado, tem de enfrentar a relutância dos empregados em aceitá-la como nova dona da casa, os quais nunca esquecem a primeira mulher do aristocrata, Rebecca, cuja presença continuamente a atormenta. Com Joan Fontaine, Laurence Olivier e Judith Anderson.

Com roteiro baseado no romance de Daphne Du Maurier, o filme foi o primeiro projeto norte-americano de Htichcock, o qual arrecadou 11 indicações ao Oscar, vencendo o de Melhor Filme e Melhor Fotografia Preto-e-Branco.

Sombra De Uma Dúvida (Shadow Of a Doubt, 1943)

Sinopse: A jovem Charlotte visita o seu tio Charlie, pelo qual ela tem um profundo respeito, mas ao longo do tempo ela começa a perceber que seu amado tio não é quem ela pensava, mas sim um frio criminoso. Com Teresa Wright e Joseph Cotten.

“Sombra De Uma Dúvida” é classificado como um film noir e é considerado por Hitchcock como um de seus favoritos. Foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original.

Festim Diabólico (Rope, 1948)

Sinopse: Dois homens da alta sociedade de Nova York, Brandon e Phillip, consideram-se mais importante que seu colega David, e para provar a intelectualidade que afirmam ter, os dois estrangulam o colega com uma corda, e escondem o corpo em um baú no apartamento em que vivem, com certeza de terem cometido o crime perfeito. Os dois, então, convidam amigos e família para uma festa, certos de que nada será percebido, mas eles não contam com a astúcia do antigo professor Rupert. Com John Dall, Farley Granger e James Stewart.

“Festim Diabólico” foi inspirado na peça teatral de 1929 de Patrick Hamilton, que por sua vez tem inspiração no caso de assassinato cometido por dois estudantes da Universidade de Chicago em 1924.

A inspiração na peça de Hamilton foi além da história retratada; o filme foi todo feito em plano sequência, com tomadas de até dez minutos, e com apenas oito cortes, feitos de forma tão precisa que o filme aparenta não ter corte algum.

Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)

Sinopse: O fotógrafo L.B. Jeffries quebrou a perna em um acidente de trabalho e está confinado em seu apartamento com a perna engessada. Entediado, Jeffries começa a espiar os vizinhos com sua câmera, e acaba observando uma atividade suspeita no apartamento oposto ao seu, convencendo-se de que presenciou um assassinato. Com James Stewart e Grace Kelly.

“Janela Indiscreta” é baseado em um conto de Cornell Woolrich, e teve quatro indicações ao Oscar. O filme também teve uma refilmagem de 1998, protagonizada por Chistopher Reeve e Daryl Hanna, e o filme “Paranoia”, de 2007, é uma espécie de adaptação do filme para os dias atuais. “Janela Indiscreta” é um dos longas de Hitchcock em que o espectador mais se sente participante do filme, pois observa os mesmos acontecimentos que o protagonista, impossibilitado de sair de seu apartamento, observa através de sua janela.

Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1954)

Sinopse: Um ex-tenista profissional descobre que sua mulher tem um caso com um escritor de romances policiais, e decide criar um plano para matá-la. Quando as coisas não vão como planejado, ele tem de colocar em ação um plano B para não ser descoberto. Com Ray Milland, Robert Cummings, e Grace Kelly.

“Disque M para Matar” foi o primeiro filme de Hitchcock estrelado pela atriz Grace Kelly, a futura Princesa Grace de Mônaco, considerada uma lenda do cinema mundial. No filme, o ex-tenista Tony pensa ter elaborado o plano perfeito, e a execução deste plano é de uma tensão digna de Hitchcock, com reviravoltas emocionantes até o final do longa.

Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958)

Sinopse: O detetive John Ferguson é um aposentado precoce, depois de ter desenvolvido acrofobia (medo de altura) e vertigem durante os dias de serviço. Porém, um velho amigo pede a ajuda de Ferguson para seguir sua mulher, pois desconfia de suas atividades suspeitas, e ao mesmo tempo que o detetive aceita o trabalho, também começa a ficar obcecado pela estranha mulher. Com James Stewart, Kim Novak e Barbara Bel Geddes.

“Um Corpo Que Cai” é baseado no romance de 1954 “D’entre les morts”, escrito por Boileau-Narcejac especialmente para Hitchcock. O filme foi indicado a dois Oscars, e apresentou o efeito Vertigo, onde a câmera distorce o cenário para dar a sensação de desorientação, representando, no filme, a vertigem e o medo de altura que o personagem sente.

Intriga Internacional (North by Northwest, 1959)

Sinopse: Um publicitário de Nova York é confundido com um agente federal por um grupo de espiões estrangeiros, e acaba cruzando o país em busca do verdadeiro agente para poder se livrar da sentença de morte que lhe persegue. Com Cary Grant, Eva Marie Saint e James Mason.

“Intriga Internacional” é considerado um dos melhores filmes de Hitchcock, tendo sido indicado a três Oscars. O longa captura a atenção do espectador desde os primeiros minutos, e possui duas cenas icônicas do cinema, como o avião perseguindo o publicitário Thornhill, e a perseguição no Monte Rushmore.

Psicose (Psycho, 1960)

Sinopse: A secretária Marion Crane rouba uma grande quantia de dinheiro de um cliente de seu chefe e foge da cidade. Em sua fuga, ela se hospeda no Motel Bates, sem saber que o homem dono do local representa um grande perigo. Com Janet Leigh, Anthony Perkins, Vera Miles e John Gavin.

“Psicose” é baseado no romance de Robert Bloch, que por sua vez é baseado no assassino Ed Gein, o qual possui muitas características similares a de Norman Bates. O filme foi indicado a quatro Oscars, e apesar de não ter sido sucesso absoluto nas críticas da época, foi um grande sucesso de bilheteria, o que consagrou o filme. Hoje “Psicose” é tido como um dos melhores filmes de Hitchcock, e a cena clássica do chuveiro é um marco do cinema. Atualmente, o filme inspirou a série “Bates Motel”, estrelada por Freddie Highmore (“A Arte da Conquista”) e Vera Farmiga (“Indicação do Mal 2”).

Os Pássaros (The Birds, 1963)

Sinopse: Uma socialite de São Francisco viaja para uma pequena cidade no Nordeste Califórnia para visitar um interesse amoroso, mas a visita acaba se tornando um pesadelo quando os pássaros da cidade começam a apresentar um comportamento estranho e violento, representando um perigo para todos que ali vivem. Com Tippi Hedren, Rod Taylor e Jessica Tandy.

“Os Pássaros” foi uma inovação em efeitos especiais, tendo sido indicado ao Oscar na categoria. Em uma das cenas, a atriz Tippi Hedren teve pássaros de verdade atirados contra ela, e logo depois da cena ser filmada, a atriz teve de ser levada para o hospital.

Frenesi (Frenzy, 1972)

Sinopse: Em Londres, um serial killer está à solta, estrangulando mulheres com uma gravata. Richard Blaney, um homem que passa por um momento complicado na vida, acaba se tornando o suspeito principal, mas ele é homem errado. Com John Finch, Barry Foster e Alec McCowen.

“Frenesi” tem o roteiro baseado em um livro de Arthur La Bern, e é considerado o filme mais violento de Hitchcock. Foi o primeiro filme do cineasta com nudez e palavras de baixo calão, e a tensão apresentada na história confere ao longa uma atmosfera bem mais pesada do que seus outros filmes..

Hitchcock certamente contribuiu grandemente para o cinema, principalmente para o gênero de suspense/terror e seu legado continua influenciar os filmes de hoje em dia. Em cada obra, a genialidade do cineasta é perceptível, e Hitchcock segue como o Mestre do Suspense, título mais do que merecido.

Ana Louise
@louisemtm

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  • Keilla Teixeira

    E cadê o Rapaduracast sobre o cara? Vambora Jurandir, tamo esperando.

    Já vi a maioria dos citados, mas um dos meus favoritos não tá aí: Pacto Sinistro. Acho o argumento perfeito, e dá início à parceria com a Patricia Highsmith. E coitada da Tippi Hedren, como sofreu na mão desse homem.

  • Rafael Pereira

    Ótima matéria mas um Rapadura sobre ele seria mais justo.