Confira os vencedores do 17º Cine Ceará

Escrito por: Diego Benevides
Postado na Seção: Dia 8 (Sexta-feira, 8 de Junho) | Deixe um Comentário

Após oito dias de exibição de curtas e longas da Mostra Competitiva do 17º Cine Ceará, o festival chega ao fim nomeando os vencedores em diversas categorias. A noite de sexta-feira foi marcada por uma bela homenagem ao fotógrafo Thomaz Farkas, além da exibição do curta “Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba”, de Farkas e Ricardo Dias, além do longa “Madrigal”, de Fernando Perez. Consolidando o brasileiro “Querô”, de Carlos Cortês, como Melhor Filme, entre os curtas o destaque ficou com a animação “Vida Maria”, de Márcio Ramos. Confira abaixo a lista completa dos premiados da 17ª edição do Cine Ceará.

Mostra Competitiva de Longa-Metragem

Melhor Longa
- “Querô”, de Carlos Cortez
Melhor Direção:
- Pavel Giroud, de “La Edad de la Peseta”
Melhor Fotografia:
- Paulo Ares, por “Body Rice”
Melhor Edição:
- Paulo Sacramento, por “Querô”
Melhor Roteiro:
- Pablo Bardauil, por “Chile 672″
Melhor Som:
- Pedro Melo, Gerar Rousseau e Elsa Ferreira, de “Body Rice”
Melhor Trilha Sonora Original:
- Ulisses Hernandez, de “La Edad de la Peseta”
Melhor Direção de Arte:
- Vivián Del Valle, por “La edad de la Peseta”
Melhor Ator:
- Maxwell Nascimento, por “Querô”
Melhor Atriz:
- Magdyel Ugaz, de “Mariposa Negra”

Mostra Competitiva de Curta-Metragem

Melhor Curta:
- “Vida Maria”, de Márcio Ramos
Melhor Direção:
- Alexandre Basso, por “Paralelos”
Melhor Fotografia:
- Roberto Iuri, por “No Rastro do Camaleão” e “Sol de Amém”
Melhor Edição:
- Joe Pimentel e Leandro Cazumbá, por “Câmara Viajante”
Melhor Roteiro:
- Carlos Eduardo Nogueira, por “Yansan”
Melhor Som:
- Chico Bororô, por “Paralelos”
Melhor Direção de Arte:
- Carlos Eduardo Nogueira, por “Yansan”
Melhor Ator:
- Cláudio Jaborandy, por “Dia de Folga”
Melhor Atriz:
- Leuda Bandeira, por “Sol de Amém”

Prêmios Especiais

Prêmio BNB Melhor Produção com Temática Nordestina (R$ 10 mil)
- “Patativa do Assaré - Ave Poesia”, de Rosemberg Cariry

Prêmio BNB Melhor Curta-metragem (R$ 5 mil)
- “Vida Maria”, de Márcio Ramos

Prêmio Aquisição Canal Brasil (R$ 5 mil)
- “Vida Maria”, de Márcio Ramos

Prêmio Oscarito, da Câmara Municipal de Fortaleza
- “Las Cruces”, de Rafael Rosal

Assistimos e agora criticamos “The Morgue”

Escrito por: Raphael Santos
Postado na Seção: Dia 7 (Quinta-feira, 7 de Junho) | Deixe um Comentário

Dirigido por Halder Gomes e co-dirigido por Gerson Sanginitto, “The Morgue” assimila fácil os elementos básicos do suspense e faz referencias a outros filmes do gênero, como “O Sexto Sentido” por exemplo.

Halder Gomes e Gerson Sanginitto são brasileiros que já há algum tempo fazem sucesso fora dos limites verde-amarelo. Gerson tem uma produtora junto a sua esposa Carina (que produziu “The Morgue”) em Califórnia, EUA, chamada Reef Pictures. De lá a dupla trilha uma competente carreira cinematográfica. Halder Gomes também colhe de lá seus frutos, mas mantém laços estreitos com o Brasil, mais especificamente no Ceará.

Em outras oportunidades, o cineasta cearense - que já foi dublê de luta em Hollywood, dentre várias outras funções durante sua vida – já havia ganhado destaque no âmbito dos curtas-metragens com a comédia “Cine Holiúdy - O Astista Contra o Caba do Mal”. Curta esse que é até estudado em universidades, além de bastante premiado pelo Brasil todo. Atualmente, Halder está na ânsia de lançar outro curta, chamado “Loucos de Futebol” – que promete bastante - e também na de transformar “Cine Holiúdy” em um longa-metragem.


Halder procura enquadramento perfeito

Não é à toa que estou falando bastante dos diretores. A direção de “The Morgue” é o ponto forte. Até um olhar menos crítico consegue perceber tal detalhe. Para se ter idéia, o filme tem um plano que beira os quatro minutos, sendo que a câmera se encontra sempre em movimento. Movimentos complicados, diga-se de passagem. Na cena em que Margot (Lisa Crilley, de “Annapolis”) acende algumas velas, a câmera sai de uma tomada superior se movendo de forma interessante até ficar na horizontal. Sem nenhum corte ou defeito de enquadramento. Halder e Gerson acertaram nessa tomada – bem como em outras que não vou ficar contando e estragando as sensações que você deve ter da fita.

O roteiro de “The Morgue”, apesar de usar os elementos básicos do suspense (três atos: uma apresentação sem muita explicação, o desenrolar entrelaçando todos os personagens, e um terceiro com muitas revelações), conseguiu deixar todas as pontas, antes soltas durante o decorrer da trama, totalmente amarradas. Najla Ann Al-Doori não foi original, é fato, pois se apoderou de vários elementos de “O Sexto Sentido” (filme de M. Night Shyamalan), por exemplo. O espectador mais experiente pode muito bem facilmente matar a charada. Todavia, é o terceiro ato que faz o roteiro valer a pena. Além de juntar todas as pontas, como já disse, ele faz isso de uma maneira inteligente. É tanto que assistir ao filme pela segunda vez, já conhecendo de seus aspectos, é bastante válido e faz você captar alguns pequenos detalhes que enriquecem o título.

Por falar em tais detalhes, é interessante sempre guiar um olho atento. Ao longo dos seus minutos de projeção, “The Morgue”, conta com vários pequenos detalhes. Uma característica de direção do Halder Gomes, agora aliado a seu amigo Gerson Sanginitto. Os dois lotaram as cenas com particularidades. Um exemplo é a pequena participação dos dois diretores no filme (mais referencias à M. Night Shyamalan?). Halder, e seus cabelos esvoaçantes, fecha o filme, enquanto que Gerson faz uma rápida participação como para-médico. Porém, são os detalhes que fazem sentido na trama que valem a pena. De uma forma ou de outra tudo ganha certo sentido: fotografia, trilha sonora e até a falta de ação em certas cenas. Será possível que nem um simples livro ganhando vários close-ups está a esmo? Pois bem, não está!


Gerson, último à direita, de para-médico

“The Morgue” conta com nomes conhecidos no elenco. Heather Donahue, por exemplo, foi a protagonista de “A Bruxa de Blair” – filme que foi sucesso de bilheterias, mesmo sendo de baixo orçamento. O simpático Bill Cobbs, veterano de vários filmes sendo o último “Uma Noite no Museu” com Ben Stiller, também esteve lá. Inclusive, o personagem de Cobbs, no caso George, é peça chave no entendimento da trama.

O baixo orçamento de “The Morgue” talvez não tenha deixado o filme mais pomposo, mas para seus moldes não deixa de ser um destaque. Enquanto filmes medíocres com bom orçamento para o gênero - como “A Caverna”, de 2005, por exemplo - são bem vendidos, mas fracassam na opinião popular, “The Morgue” pode ter muito mais receptividade perante o público. À medida que outros se vendem com ultras-perseguições ou cenas que tentam tirar o fôlego (eu disse “tentam”), “The Morgue” se apresenta sutil, e acaba até propondo uma nova interpretação de aspectos religiosos que para todos é um mistério, quer queira, quer não.

Acima de tudo já citado, o filme ainda chega para reafirmar a versatilidade do diretor Halder Gomes. Para se ter idéia, o cearense já trilhou vários caminhos na vida. Agora no cinema tenta fazer o mesmo. Ele já passou de “filme de porrada” (“Sunland Heat”, de 2005), para um clássico da comédia regional que por onde passou conquistou chamado “Cine Holiúdy” para agora dar continuidade à sua carreira com o suspense “The Morgue”. Que venha mais de Halder Gomes!


Halder dá instruções à Heather Donahue

Abaixo, o trailer oficial do filme:


Último debate reúne realizadores de seis produções exibidas no Cine Ceará

Escrito por: Diego Benevides
Postado na Seção: Dia 8 (Sexta-feira, 8 de Junho) | Deixe um Comentário

Dando seqüência aos debates realizados na Casa Amarela Eusélio Oliveira, a sexta-feira foi marcada por uma mesa cheia e um auditório vazio. Mesmo assim, o mediador Celso Sabadin e os realizadores não economizaram o verbo e falaram de suas produções. Na mesa, estavam Michele Gabriel, animadora do curta “Yansan”, Francisco Gaspar, ator de “OD Overdose Digital”, Isabela Cribari, produtora do documentário “No Rastro do Camaleão”, Alexandre Basso, diretor de “Paralelos”, Daniel Turini, diretor de “Memórias Sentimentais de um Editor de Passos”, e Angeles Esteves, representante do longa-metragem “De Bares”.

Conversando sobre seus respectivos projetos, as discussões levantadas fizeram o debate mais longo do festival. Alexandre Basso comentou que em “Paralelos” tentou registrar o abandona do transporte ferroviário que ligava vilas ricas e influenciavam não só economicamente, mas socialmente. A idéia inicial era construir um documentário sobre isso, mas preferiu trabalhar na região do Pantanal em forma de ficção. Com uma fotografia exuberante, o diretor conseguiu misturar elementos importantes da narrativa para mostrar que a extinção do conhecido Trem da Morte prejudicou os moradores da região.

Michele Gabriel explicou o trabalho que fez em animação 3D no ousado curta-metragem “Yansan”. Tendo animado duas cenas, Michele contou que a principal idéia do diretor Carlos Eduardo Nogueira era mostrar a universalidade de um mito instaurada no Japão moderno e que foi preciso pesquisar bastante para finalizar o curta. O ator Francisco Gaspar, de “OD Overdose Digital” comentou também que o trabalho demorou algum tempo para ser realizado. Tendo como característica mais marcante, “OD” investe em divisões de tela para tratar a confusão no interior dos personagens, um traficante e um usuário, que mantém uma estranha relação durante uma negociação. Gaspar afirmou que o personagem foi construído para ele, o que o estimulou a trabalhar intensamente na construção da personalidade do traficante, fazendo laboratórios essenciais para o entendimento da trama.

A produtora Isabela Cribari contou que “No Rastro do Camaleão” foi resultado de um prêmio que o diretor Eric Laurence venceu. Sem ter feito nenhum documentário anteriormente, Laurence precisou detectar o universo dos personagens que estudaria para compor o curta. Abordando a vida da banda dos Irmãos Aniceto, a produtora comentou que a principal abordagem do curta foi conseguida em campo, já que não era planejado trabalhar com a idéia que os Irmãos tinham sobre cinema e outras produções que já fizeram sobre eles. Além disso, Cribari comentou a dificuldade em conseguir as imagens de arquivo que compuseram o longa, conseguidas após uma intensa procura.

Outro ponto abordado por Cribari disse respeito a falta de incentivo cearense para a composição do curta. Ela defendeu que, por ser cearense, Laurence deveria receber apoio do Ceará, ainda mais por trabalhar um tema local. Porém, isso não aconteceu devido às políticas locais de incentivo e a elitização dos interesses. Morando há cinco anos em Pernambuco, o diretor conseguiu terminar o curta apenas com o apoio que conseguiu lá, justificando o documentário ser registrado como de Pernambuco, ao invés de uma co-produção Recife-Ceará.

Foi nessa mesma linha que Angeles Esteves, do longa “De Bares” abordou as dificuldades de finalizar o projeto. Esteves declarou que muitos incentivos acabam sendo destorcidos para locais onde a produção cinematográfica é maior, além dos problemas enfrentados com a falta de salas para exibição. O problema com a invasão do cinema americano também na Espanha gerou muita dificuldade para “De Bares”, que foi finalizado com dinheiro próprio. Esteves comentou também que o longa ganhou a ajuda do brasileiro Ricardo Spencer, especialista em efeitos visuais que se disponibilizou em construir alguns planos do longa.

O diretor Daniel Turini, do curta “Memórias Sentimentais de um Editor de Passos”, contou que seu roteiro não tem traços autobiográficos, mas que foi buscar em algumas referências, como em “Adaptação”, as ferramentas essenciais para compor a história. Analisando seu protagonista como um alter ego, Turini afirmou que o curta possibilita várias leituras e aborda principalmente a idéia do mercado e da segmentação da indústria cinematográfica.

Os realizadores entraram em consenso quando foi levantada a questão dos sérios problemas de áudio que o SESC Luiz Severiano Ribeiro enfrenta, prejudicando a todas as produções. A conclusão geral neste aspecto é que, além disso, outros problemas como a projeção das cores, acabam prejudicando e impossibilitando que o público e os jurados analisem os filmes com a coerência necessária. Mais irônico é pensar que uma das categorias para a premiação do Cine Ceará consiste justamente em “Melhor Som”. Resta acreditar que os jurados assistiram aos filmes em casa para conseguir discernir quais produções realmente são merecedoras de destaque na análise.

Com direito a xaxado e cantoria, Vanja Orico recebe troféu Eusélio Oliveira em homenagem do 17º Cine Ceará

Escrito por: Maíra Suspiro
Postado na Seção: Dia 6 (Quarta-feira, 6 de Junho) | Deixe um Comentário

Consagrada como a “mulher bonita” do cinema, a atriz carioca Vanja Orico subiu ao palco do Espaço SESC Severiano Ribeiro durante a cerimônia do sétimo de festival para receber o Troféu Eusélio Oliveira, homenagem do 17 o Cine Ceará a essa mulher que é ícone do cinema nacional. Esbanjando simpatia e energia, Vanja subiu ao palco emocionada, agradecendo repetidas vezes à escritora cearense Rachel de Queiroz e lembrando nomes de outros companheiros queridos, como Lima Barreto. Ela encheu o cinema com sua voz, cantando “Sodade Meu Bem Sodade”, e ainda deu uma canja dançando um chachado, enquanto cantava “Olé, Mulher Rendeira”.

Destacando-se de diversas formas, Vanja Orico traz uma bagagem rica de trabalhos memoráveis e experiências que merecem ser compartilhadas. Cantora, atriz, cineasta e ativista política na década de 60, Vanja fez residência em diversos países, sendo descoberta em Roma por nada mais, nada menos que os cineastas Frederico Fellini e Alberto Lattuada.

Premiada tanto em Cannes quanto Karlovivary, a atriz carioca divulgou a música popular brasileira pelo mundo todo, principalmente quando cantou “Sodade Meu Bem Sodade”, de Zé do Norte, no premiado filme “O Cangaceiro”. A vida de Vanja desenrola-se paralelamente com a história do cinema brasileiro. Prova disso é o documentário “Vanja Vai, Vanja Vem”, de Luis Carlos Prestes Filho, que registra momentos como a foto da atriz de joelhos, segurando um lenço branco na mão, parada em frente a carros cheios de soldados armados, gritando “Não atirem, somos todos brasileiros”.

Com seus 75 anos de idade, Vanja Orico ainda exala um jeito tipicamente brasileiro, estimulado pela defesa da cultura e dos valores nacionais. Em seu discurso, Vanja lembra que nós devemos valorizar nossa história e deixar de ser “um país sem memória”. “É uma falta de respeito tremenda com a língua portuguesa!”, afirma a atriz quando percebe que palavras da língua inglesa fazem parte do nosso palavreado cotidiano.

O lançamento e a divulgação do CD “Mexe com o Corpo” são os atuais projetos de Orico. Está também em andamento um livro sobre suas memórias. Sobre os projetos passados de Vanja, eles não se restringem ao cinema. Sua discografia é vasta. Com um LP lançado em 1954, a voz de Vanja ficou eternizada com projetos como o “Rio Boa Praça” em 1980, além de inúmeras outras gravações distintas, como por exemplo: “João Valentão”, de Dorival Caymmi, “Confissão”, arranjada por Tom Jobim, “Dandara”, de Jorge Bem, “Lamento de um Homem Só”, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes e “Quem Dá Mais”, de Noel Rosa.

Dentre sua filmografia estão os filmes: “Mulheres de Luze” (1950), de Frederico Fellini e Alberto Lattuada, “O Cangaceiro” (1953), de Lima Barreto, “Yalis – A Flor das Selvas” (1955), produção italiana, “Lampião, O Rei do Cangaço” (1967), de Carlos Coimbra e outros mais.

Vanja Orico por outras celebridades:
“Ninfa, mito, espera, verdade, beleza, certeza. O fato é que ser Brasil chegou em você a um ponto de cristalização que, se alguém fizer uma equação Brasil - Vanja - Mulher, estarei aí de coração “. (Antônio Houaiss)

“Vanja vai, Vanja vem e o Brasil continua o mesmo”. (Sérgio Porto)

“Vanja Orico, cantora, artista, cineasta, atuante figura cultural brasileira, presença que se impõe à admiração de todos que amam a arte, a literatura e a democracia .” (Jorge Amado)

“Mostra Olhar No Ceará” lota mais uma vez o Cine Benjamin

Escrito por: Emanuele Silveira
Postado na Seção: Dia 7 (Quinta-feira, 7 de Junho) | Deixe um Comentário

A “Mostra Olhar no Ceará” têm tido uma altíssima audiência. Em seu segundo e terceiro dias de exibição, no Cine Benjamim Abrahão, da Casa Amarela Eusélio Oliveira (Av. da Universidade, 2591 – Benfica), a sala ficou completamente lotada, com pessoas em pé e sentadas no chão do cinema, preenchendo todo espaço físico do local. Para a exibição desta quinta-feira (7), compareceram todos os diretores dos curtas. Além de darem seus depoimentos a respeito de suas produções, eles reclamaram pelo fechamento dos cursos de audiovisual, que antes eram oferecidos pelo Centro Cultural Dragão do Mar.

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Público da “Mostra Olhar no Ceará”, antes do início da exibição.

Nesta quinta-feira (7), foram exibidos doze curtas, de diversas categorias. “Vidança”, de Annádia Leite Brito e Salomão Santana; “Des Sertão”, de Henrique Dídimo; “O que Vem por Aí”, de Beto Gaudêncio; “4rto”, de Gabriel Andrade e “21:23 Depois de Vinte Minutos na Bicicleta que não Sai do Canto”, de Gabriel Andrade, Leonardo Ferreira e Renata Gauche, abordaram temas mais poéticos, nos quais as sensações falavam mais alto do que o enredo.

“Reputação”, de Ângela Jomara e Armando Dias, contou a história de uma mulher que precisa enfrentar as dificuldades indo pras ruas vender seu corpo. Apesar de tratar da prostituição, o vídeo passa tranqüilidade ao mostrar o dia-a-dia da personagem. O pesar de sua situação pôde ser destacado numa belíssima cena, onde a mulher fuma um cigarro no meio da noite, esperando o destino chegar. “Pefináia”, de Marina Mapurunga e Raisa Saraiva, mostrou a história de uma mulher que busca seu eu, mas, quando o encontra, prefere fugir. As cenas, gravadas com a trilha sonora ao piano, destacaram a dança corporal.

As animações “Liqüidificador no Jardim”, de David Leitão Aguiar, e Robocó, de Walbersantos, trouxeram sorrisos à platéia. A primeira mostrou pequenas historinhas, que aconteciam com enfeites de geladeira, ao passar do tempo. Ao serem mudados de posição, um novo acontecimento surgia. Já a segunda, produzida com gráficos de animação em 3D, mostrou os planos armados por um robô atrapalhado, ao tentar destruir seu grande inimigo: uma pedra. Segundo Walbersantos, finalizar a animação não lhe custou só tempo e dedicação, mas também a perda de algumas namoradas.

Outro curta que divertiu bastante o público foi “Cotidiano”, de Marcelo Holanda. Mostrado em preto e branco, cheio de movimentos rápidos e com diálogos escritos ao invés da fala, o filme lembra longas antigos, quando a televisão ainda não transmitia cores. O roteiro simples conseguiu fazer todos rirem, com a grande confusão causada pelo envolvimento do pai e do filho com uma mesma mulher, e a prestação de contas com a dona de casa. “Ajuste sua TV”, de Neil Armstrong, apesar de breve, transmitiu o sentimento comum de querer destruir o irritante som transmitido quando os canais estão fora do ar.

Os documentários “Dobra Zero Experimento 01. Deleuze: O Surfista Da Imanência”, de Leom, e “Identidades em Trânsito”, de Márcio Câmara e Daniele Ellery, mostraram um pouco das diversidades existentes entre as pessoas. O primeiro fala da tribo dos surfistas, da qual os participantes possuem seus próprios costumes e dialetos, que não são usados – e as vezes, nem entendidos – por outras pessoas fora desse mundo. O segundo foi além das terras brasileiras para pesquisar o resultado da experiência de estudantes, vindos de Cabo Verde e Guiné-Bissau, ao voltar às suas terras natais depois de morarem no Brasil.

Daniele Ellery, em entrevista ao CCR, afirmou que a produção de “Identidades em Trânsito”, inicialmente um projeto de mestrado, foi bastante trabalhosa, já que encontrar os entrevistados era uma atividade difícil de ser realizada. Apesar disso, o projeto foi merecedor de um prêmio do Ministério da Cultura, possibilitando o surgimento do curta. O título, bem condizente com o enredo, enfatiza as diferenças sociais existentes entre cidadãos que, apesar de falarem a mesma língua, possuem culturas tão distintas. A própria diferença entre o português de Portugal e o português brasileiro se constituía um obstáculo entre as culturas.

“O Brasil passa a ser uma imagem e símbolo de nação e desenvolvimento para eles. Uma imagem de Brasil que a gente não tem aqui, de ser um país que dá fomento à pesquisa, que tem tecnologia. Isso é muito legal porque a gente se vê. Então eu fui pra África buscar uma África e encontrei um Brasil”, revelou Ellery, que também ressaltou a importância da diferença entre as linguagens: “A língua é uma coisa que te dá muita identidade como nação, e esse pessoal fala português de Portugal (com entonação), não é o português brasileiro”.

Estréia mundial de terror psicológico no Cine São Luiz

Escrito por: Raphael Santos
Postado na Seção: Dia 7 (Quinta-feira, 7 de Junho) | 1 Comentário

Quando falam que em todo canto do mundo tem um cearense isso é verdade. Não é à toa que já há algum tempo o cearense Halder Gomes trilha caminhos entre Brasil e Estados Unidos. E também não é com qualquer coisa que o nome vem fazendo sucesso, é simplesmente com o cinema. Porque o espanto? Imagine um brasileiro fazer sucesso com cinema nos EUA. Pois bem: Halder Gomes é o nome da fera.

Hoje, o Centro Cultura SESC Luiz Severiano Ribeiro (o Cine São Luiz) terá o prazer de acolher a estréia mundial de “The Morgue”, o mais novo filme dirigido por Halder e co-dirigido por Gerson Sanginitto (que também assina a produção ao lado de Carina Sanginitto).

“The Morgue”, como mesmo disse Halder, Gerson e Carina em debate ontem à tarde no Sebrae, trata-se de um terror, mas com cunhos psicológicos. Halder preferiu não falar muito do longa, pois qualquer coisa dita a mais estragaria a trama, mas prometeu que o final será uma total virada de mesa. O roteiro de Najla Ann Al-Doori parece que terá duas vias que prometem segurar o público durante seus três bem postos atos. Não é à toa que Halder Gomes está sendo considerado o Tarantino Cearense (como nós do CCR sempre costumamos brincar com ele).

O terror psicológico tem ninguém menos no elenco do que Bill Cobbs (que está em nossa capital e concedeu entrevista exclusiva ao Cinema com Rapadura). Mr. Cobbs pode ser visto no recente “Uma Noite no Museu”, filme que estrela Ben Stiller, mas a filmografia do veterano ator é imensa. Ele já atuou com vários célebres nomes de Hollywood. Perguntado por nós sobre o que foi trabalhar com Halder e Gerson, ele declarou que foi ótimo e que é sempre bom trabalhar com novos diretores. Ainda sobre o assunto, Cobbs nos disse que essa mescla de talentos novos com os antigos também é muito valiosa. Fizemos a mesma pergunta para o Gerson (que estava na mesa com os integrantes do CCR e Mr. Cobbs), que demonstrou ter sido um enorme prazer não só trabalhar, mas aprender com Bill Cobbs.

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Bill Cobbs sendo dirigido por Gerson e Halder

“The Morgue” também conta com Heather Donahue no quadro de atores. Ela foi a protagonista do estouro de bilheterias “A Bruxa de Blair”. Ela volta a se destacar no mundo cinematográfico com “The Morgue”. Infelizmente a atriz não pode comparecer para que fizessemos uma entrevista exclusiva, pois segundo Gerson ela estava em provas na faculdade e não podia faltar.

O filme será exibido depois de dois curtas e um longa-metragem que participam da mostra competitiva. “The Morgue” terá aqui em Fortaleza sua estréia mundial. O coro dos entrevistados, tanto para com Gerson, Halder, Mr. Cobbs e Carina é um só: “Vocês irão se surpreender!” Então, nada melhor do que lotar o glorioso Cine São Luiz e tratar feitos de pessoas fascinantes do jeito que merecem.

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Halder, Carina e Gerson nas gravações de “The Morgue”

Debate com realizadores

Escrito por: Diego Benevides
Postado na Seção: Bastidores | Deixe um Comentário

NOTA ALTA: Aos excelentes debates levantados pelos realizadores e público durante os encontros acontecidos todas as manhãs na Casa Amarela Eusélio Oliveira. A oportunidade de entrar em contato com os criadores e participantes, esclarecendo idéias e absorvendo conhecimento é uma das melhores atrações do Cine Ceará.

nota baixa: Aos constantes atrasos dos debates, marcados para as 10 da manhã, mas sempre começando quase 11hs. Além disso, nota baixa também para a falta de interesse do público e da imprensa em participar do encontro da quinta-feira, feriado, com os realizadores das produções “Galinha ao Molho Pardo“, “Yansan“, “Overdose Digital“, “No Rastro do Camaleão” e “As Cruzes“. O acontecimento foi adiado devido a falta de público para discutir sobre os filmes na sala do Cine Benjamim Abrahão. Feriado e sono não justificam a falta de respeito com a disponibilidade dos profissionais.

Quatro curtas embelezam a noite de quarta-feira

Escrito por: Diego Benevides
Postado na Seção: Dia 6 (Quarta-feira, 6 de Junho) | Deixe um Comentário

O sexto dia do Cine Ceará foi marcado pela presença de quatro curtas exibidos durante a Mostra Competitiva de Curtas. A ficção “Galinha ao Molho Pardo” (MG), de Feliciano Coelho, abriu a disputa, seguido da animação “Yansan” (SP), de Carlos Eduardo Nogueira. Passaram ainda na noite de quarta-feira, a ficção “OD Overdose Digital” (SP), de Marcos DeBrito, e o documentário “No Rastro do Camaleão” (PE), de Eric Laurence.

Baseado em um conto de Fernando Sabino, “Galinha ao Molho Pardo” conta a história de um menino que tenta salvar uma galinha da cruel cozinheira que está preparando um banquete para a família. Alessandro Rezende esteve representando o curta e contou que a intenção mais forte ao registrar o conto foi justamente o resgate da inocência infantil e da brasilidade. Construindo uma história carismática, o diretor Feliciano Coelho faz bom uso do universo infantil adotado na trama, variando as nuances do protagonista e utilizando da narração para aderir ao caráter original do conto. Este elemento merece atenção especial também pela qualidade da voz do narrador que, mesmo adulta, transmite a segurança de uma história ingênua e bela.

Galinha ao Molho Pardo

A animação “Yansan”, de Carlos Eduardo Nogueira, leva ao Japão o mito iorubá da orixá Yansan, a senhora dos ventos e dos ralos, construindo uma narrativa envolvente que tem seu caráter mágico centrada em um ambiente bem construído pelo design em 3D. Com uma narração em off que dá seqüência aos fatos inesperados da protagonista, o curta adere a um aspecto de anime que acaba conquistando o espectador por provar que ali tudo é perfeitamente possível, inclusive a personagem ter nove(!) filhos. “Yansan” mostra um peculiaridade não só na estética e nos planos belíssimos de um Japão entristecido, mas faz um estudo particular dos sentimentos dos seus persongens. A animadora Michele Gabriel esteve presente na promoção do curta que recebeu aplausos intensos.

Yansan

O ator Francisco Gaspar promoveu a exibição do ousado “OD Overdose Digital”, de Marcos DeBrito, uma produção que tira o fôlego do começo ao fim, envolta em mistério e bastante pretensão na construção das imagens. Com uma edição preocupada em dar mais densidade à história, a trama cerca dois personagens que negociam a compra de drogas, porém algumas condições são estipuladas pelo negociador. Vendo-se em uma enrascada, o cliente precisa fugir de uma apreciação vouyerista do vilão. “Overdose Digital” conta com trilha sonora e fotografia que ajudam na ambientação da narrativa e atinge as principais intenções propostas, revelando-se uma das grandes surpresas da noite.

Para finalizar a Mostra Competitiva, Eric Laurence apresentou o documentário “No Rastro do Camaleão”, tendo como abordagem a vida dos Irmãos Aniceto, marcos da cultura cearense. Mesclando imagens inéditas e de arquivo, o cineasta contou que o interesse de filmar sobre o cotidiano do grupo surgiu após assistir uma apresentação dos Irmãos. Laurence contou ao CCR que inicialmente não tinha a intenção de focar a idéia que os Irmãos tinham em relação aos diversos filmes e documentários que já tinham feito anteriormente sobre eles, mas foi um assunto que acabou surgindo nas entrevistas. Um dos maiores cuidados que o diretor decidiu ter ao conduzir o curta foi justamente mostrar o lado menos exaltado dos personagens, mas solidificando o que eles representam para a cultura regional.

Tendo trabalhado anteriormente no curta “Entre Paredes”, Laurence afirmou que montar um documentário é bem mais complicado do que rodar ficções. O diretor teve todo um cuidado ao registrar os mais diversos planos que constituem o curta e a idéia de juntar com as imagens de arquivo veio após a finalização das filmagens. A produtora Isabela Cribari contou que foi um trabalho árduo conseguir as imagens, mas que contou com a acessibilidade de Rosemberg Cariri para montar os registros. O documentário deverá ser exibido em outros festivais, como o de Ouro Preto, e os realizadores estão otimistas por terem feito um bom trabalho documental. Laurence e Cribari contaram também que estão trabalhando agora em mais um curta-metragem de ficção intintulado “Azul”, que deve tratar das necessidades que os seres humanos têm em lidar com a solidão.

Autor de quatro curtas, Diego Akel comenta suas produções para o Cinema Com Rapadura

Escrito por: Emanuele Silveira
Postado na Seção: Dia 6 (Quarta-feira, 6 de Junho) | Deixe um Comentário

O segundo dia da “Mostra Olhar no Ceará”, que acontece no Cine Benjamim Abrahão, na Casa Amarela Eusélio Oliveira até sexta-feira (8), exibiu onze curtas: “Iracema Plaza Hotel“, de Mariana Smith; “Seu Alves“, de Ythalo Demys Bezerra Rodrigues; “Saída“, de Robézio de Oliveira e Carlosnaik Martins; “Cruzamento“, de Gustavo Parente e Pedro Diógenes; “Simone“, “Zenner Sorte e os Iconoclastas” e “Um Filme de Cinema d’Os Iconoclastas“, de Ítalo Rodrigues Sousa; “O Facínora“, “Epilético - Mídia“, “Neuro Tv” e “Manifesto da Animação Total“, de Diego Akel. Os curtas, divididos em várias categorias, mostraram ao público o potencial diversificado dos produtores cearenses.

Em entrevista ao Cinema Com Rapadura, Diego Akel, autor de quatro animações exibidas na tarde de quarta-feira (6), comentou que ficou muito satisfeito por ter quatro curtas escolhidos para a Mostra e que estar presente no momento da exibição é uma experiência fantástica. “É a primeira vez que eu estou presente e foi ótimo. De repente você tá uma hora na sua mesa de desenho, passando uma madrugada inteira desenhado, e outra hora você tá vendo todo mundo olhando e estranhando ou rindo. Independente da reação, o interessante é ver o que elas acham, independente de terem gostado ou detestado. Eu to achando fantástico.”

Animações de Daniel Akel

Akel afirmou que completar as quatro produções não levou muito tempo, em torno de dois a quatro dias para cada produção, com exceção de “O Facínora”, que precisou de duas semanas até ser finalizado. O curta, premiado no Festival Animaserra, também já participou de outra Mostra, no Festival de Cinema de Gramado, e agora chega ao Cine Ceará. Com roteiro escrito por Denis Akel, irmão do diretor, ele é o único dos quatro curtas que contém uma história com início, meio e fim. O foco é mantido num ladrão que tenta achar sua paz longe de assaltos e armas, mas tudo ao redor parece guiá-lo para o contrário.

Os curtas “Epilético - Mídia” e “Manifesto da Animação Total” surgiram como um trabalho do diretor para a Escola de Audiovisual de Fortaleza. “O professor mandou criar um manifesto de alguma coisa, e eu pensei ‘vou criar um manifesto da animação’. Aí eu fiz o meu animado e foi virando um dia pro outro. Já o Epiléptico-Mídia foi por causa da questão da imprensa, pegando símbolos que eu tinha trabalhado, e fiquei brincando com isso. Tentando contar uma história através de formas geométricas e psicodélicas”, explicou Akel. Confira logo abaixo o vídeo completo do “Manifesto da Animação Total”:


Uma curiosidade dos curtas de Akel é que os fundos musicais são compostos de trilha sonoras clássicas. Segundo o diretor, que admitiu sempre ter gostado de música clássica, o uso desse gênero musical eleva a obra sempre a um patamar mais alto: “como eu acho que o desenho e animação ainda estão em estado progressivo, bem básico, eu acho que a música clássica ajuda a dar um caráter mais amplo, mais universal. Até o fato de o personagem não ter falas nem sons faz com que a música ajude a contar a história. Ela faz parte da história, e a história faz parte da música”. Mas garantiu que começará a produzir também suas próprias trilhas sonoras.

Os curtas exibidos nesta quinta-feira (7), a partir das 14, serão: “Vidança”, de Annádia Leite Brito e Salomão Santana; “Pefináia”, de Marina Mapurunga e Raisa Saraiva; “Reputação”, de Ângela Jomara e Armando Dias; “Cotidiano”, de Marcelo Holanda; “Liquidificador no Jardim”, de David Leitão Aguiar; “Des sertão”, de Henrique Dídimo; “O Que Vem por Aí”, de Beto Gaudêncio; “4rto”, de Gabriel Andrade; “21:23 depois de vinte minutos na bicicleta que não sai do canto”, de Gabriel Andrade, Leonardo Ferreira e Renata Gauche; “Ajuste sua TV”, de Neil Armstrong; “roBOCÓ”, de Walbersantos, e “Dobra Zero Experimento 01. Deleuze: o surfista da imanência”, de LeOM.

Vladimir Carvalho participa do debate “Documentário e Educação” no Cine Ceará

Escrito por: Emanuele Silveira
Postado na Seção: Dia 5 (Terça-feira, 5 de Junho) | Deixe um Comentário

O cineasta e documentarista paraibano Vladimir Carvalho esteve presente no debate “Documentário e Educação”, promovido pelo 17º Cine Ceará, no Cine Benjamim Abrahão, da Casa Amarela Eusélio Oliveira. Autor e diretor de vários longas-metragens e integrante do movimento Cinema Novo, Vladimir comentou, durante o debate mediado pelo crítico de cinema Celso Sabadin, a cerca do descaso do governo para com a cultura paraibana, além de ressaltar o trabalho de preservação no cinema.

O debate teve início com a exibição especial do documentário “O Engenho de Zé Lins”, dirigido pelo cineasta, que fala sobre a vida do autor José Lins do Rego. O filme aborda diversos aspectos da biografia do escritor, desde os segredos mantidos quando ainda era criança até a amizade intensamente afetiva com Gilberto Freyre. Depoimentos de parentes e amigos também são retratados sobre esses mesmos aspectos, criando uma nova dimensão dos acontecimentos da vida do autor. As declarações e atuações são mostradas de forma cuidadosa, sem o apelo às técnicas sofisticadas de gravação.

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“O Engenho de Zé Lins” também pode ser encarado como um reflexo da inspiração de Vladimir, que era fã do escritor desde criança. O “engenho” do título representa não só o ambiente paraibano da cidade de Itabaiana, desfrutados pelos dois, mas também seus laboratórios de produção. Quem assiste ao longa percebe a grande admiração do cineasta por José Lins e também a importância que a preservação da cultura, e não só a literária, tem para os dias atuais, em que as crianças não se dedicam à leitura.

Depois da exibição da película, o público pôde presenciar a reflexão promovida pelos convidados e participar com perguntas e observações. Entre os diversos assuntos abordados, Vladimir fez uma reclamação sobre a falta de interesse governamental em preservar o patrimônio cultural brasileiro. “O governo nunca moveu uma palha para aproveitar a riqueza cultural da Paraíba, onde nasceram grandes nomes da Literatura Brasileira, como José Lins do Rego, Augusto dos Anjos e José Américo de Almeida”, destacou.

O diretor viveu a opressão da ditadura militar e lutou contra a falta de liberdade, assim como seus amigos e grandes nomes brasileiros, entre eles o cineasta Glauber Rocha, o cantor Caetano Veloso e o teatrólogo cineasta Álvaro Guimarães. Em 1971 teve seu filme, O País de São Saruê, barrado pela censura e impedido de ser exibido em grandes festivais, como o de Cannes. Hoje, o cineasta e professor, reconhecido pelo grande talento como documentarista, continua suas lutas, em especial pela preservação, e comemora: “Agora é que está nascendo uma mentalidade de preservar o material cinematográfico.”

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