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	<title>Cinema com Rapadura &#187; Críticas</title>
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		<title>O Artista: favorito ao Oscar, filme celebra o amor pelo cinema</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2012 18:21:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Com formato “mudo” e em preto e branco, esta maravilhosa produção possui um ritmo atual e trata de um tema que nunca sairá de moda: o amor pela sétima arte!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-250414" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/02/O-Artista-poster1.jpg" alt="" width="222" height="326" />Assistir ao aclamado &#8220;O Artista&#8221; é uma experiência interessante. Em uma visão superficial, o longa escrito e dirigido por Michel Hazanavicious parece mais uma versão de <em>&#8220;Nasce Uma Estrela&#8221;</em>. Aqui, o astro do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin) se vê em declínio graças ao advento dos filmes falados. Enquanto isso, a estreante Peppy Miller (Bérénice Bejo), que só conseguiu seu primeiro papel graças a um flerte desastrado com Valentin, ascende ao estrelato, o que a distancia de seu amado, aparentemente destinado ao esquecimento.</p>
<p>No entanto, o fato do plot principal ser uma versão modificada de uma fita de 1937 não incomoda, mas acrescenta. Aqui, assim como Quentin Tarantino fez em toda a sua filmografia, Hazanavicious utiliza a trama principal para falar de uma paixão, não entre um homem e uma mulher, mas entre um cineasta – ele mesmo – e a arte do cinema. Por isso, não havia outro modo de contar a história de um ator de filmes mudos se não emulando uma dessas produções.</p>
<p>Apesar de se apresentar como uma produção silenciosa, o som possui uma importância fundamental em &#8220;O Artista&#8221;, principalmente em uma ótima sequência que ilustra o medo que Valentin sente das mudanças que virão. Mesmo inicialmente zombando da tecnologia dos <em>talkies</em>, aos poucos o ator percebe a possibilidade real de se tornar obsoleto, certamente o pior pesadelo para alguém que vive de sua arte.</p>
<p>Apesar do orgulho que tem de seu ofício (&#8220;<em>Sou um artista, não uma marionete!</em>&#8220;), o personagem de Jean Dujardin em momento algum soa pretensioso ou arrogante. Divertido e extrovertido (o que torna certo momento do clímax ainda mais chocante), é muito fácil gostar de George Valentin, sendo compreensível a fidelidade que aqueles que o amam sentem para com ele.</p>
<p>Nesse sentido, o trabalho de Dujardin em fazer com que o carisma de George chegue ao público mesmo sem o uso das palavras é magnífico, não sendo injustificada sua indicação ao Oscar. O ator monta seu personagem com uma pessoa real, dando-lhe traços de figuras como Douglas Fairbanks e Rodolfo Valentino, mas escapando da armadilha de transformá-lo em uma caricatura.</p>
<p>O resto da trupe mantém o nível alto estabelecido pelo protagonista. Bérénice Bejo nos remete diretamente ao charme das musas da aurora do cinema e nos conquista com sua audaciosa Peppy Miller desde o primeiro momento, se destacando em um momento solo no qual demonstra seu amor por Valentin que, em troca, lhe presenteia com aquilo que se tornaria a marca da atriz.</p>
<p>James Cromwell empresta um ar solene ao leal Clifton, mordomo, motorista e faz tudo de George. Mas seria difícil imaginar o longa sem a presença de Uggie, o fiel escudeiro canino do Artista. A química em cena entre Dujardin e o cachorrinho é uma das melhores coisas da produção, tornando impossível não sorrir a cada interação dos dois. John Goodman e Missi Pyle têm participações curtas e hilárias, se apresentando como belos alívios cômicos adequadamente cartunescos.</p>
<p>A direção de arte é absolutamente perfeita em sua recriação não apenas do <em>glamour</em> da velha Hollywoodland, mas também dos bastidores dos estúdios, possibilitando o mergulho naquele universo que Hazanavicious nos propõe, com tal visual sendo potencializado pela bela fotografia em preto e branco. O ritmo do filme é deveras empolgante, graças a sua ótima trilha sonora e montagem ágil.</p>
<p>&#8220;O Artista&#8221; é um belo retrato de uma Hollywood de tempos mais simples, capturando o coração da plateia pela leveza de seu tom e mostrando, com uma ternura tocante, quão belo pode ser o amor pelo cinema. Recomendado!</p>
<p><em>___<br />
<strong><em>Thiago Siqueira</em></strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>O Artista: longa resgata cinema mudo dos anos 20 de forma encantadora</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2012 17:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Co-produção franco-belga indicada a dez estatuetas do Oscar preza pela nostalgia e qualidade em comédia romântica sobre o surgimento do cinema falado]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-250409" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/02/O-Artista-poster.jpg" alt="" width="222" height="326" />Que a França foi o berço do Cinema, isso não há sombra de dúvida. Porém, foi nos EUA que a Sétima Arte deu os primeiros passos que a levaram em direção ao pote de ouro do chamado cinema clássico. No <em>glamour</em> de Hollywood, as produções mudas dos anos 20 conheceram astros como Rodolfo Valentino, Charles Chaplin e Louise Brooks.</p>
<p>A obra que melhor expressou a migração do silêncio ao som (inaugurada com <em>“O Cantor de Jazz”</em>, de 1929) foi, obviamente, o musical <em>“Cantando na Chuva”</em> (1952). Em “O Artista”, o praticamente desconhecido cineasta francês Michel Hazanavicius dirige e roteiriza uma grande homenagem às produções mudas daquele tempo. Em 1927, acompanhamos George Valentin (o ator francês Jean Dujardin) que, grande estrela do cinema, atua em filmes que misturam ação e romance, sendo sucesso garantido de público. Qualquer semelhança com o finado astro Rodolfo Valentino não é mera coincidência.</p>
<p>Junto ao seu fiel cachorro e coadjuvante nas películas, George é a máquina de fazer dinheiro da Kinograph Studios, chefiada pelo grande diretor do estúdio, Al Zimmer (John Goodman). Com um casamento em profunda crise com Doris (Penelope Ann Miller), o astro, durante a histeria de uma multidão de fãs, é fotografado junto de Peppy Miller (Bérénice Bejo) que, imediatamente, se torna alvo da imprensa. Aspirante a atriz, a jovem estreia em um filme ao lado de George e o rápido convívio dos dois faz nascer uma paixão mútua, mas que colocaria a carreira e o casamento do ator em maus lençóis.</p>
<p>Nesse ínterim, Peppy, rapidamente, ganha espaço na telona e, em 1929, com a eclosão do cinema falado, criando um conflito de interesses entre os dois: enquanto George, orgulhoso, decide preservar a arte muda e se recusa a falar em seus filmes, a atriz alça uma carreira incrivelmente repentina rumo ao som. A George resta o esquecimento, observando como mero espectador o estrelato da, agora estrela, Peppy Miller.</p>
<p>De forma surpreendente, “O Artista” conquistou a crítica norte-americana, não somente por homenagear o cinema ianque, mas também por resgatar de forma notável a aura das produções de uma época onde letreiros de diálogos dividiam espaço com atuações teatrais, dignas de forte expressionismo. E por conseguir se destacar na atual filmografia mundial, onde produções com explosões em ritmo de videoclipe e franquias multimilionárias monopolizam os grandes cinemas, o longa  traz de volta a inocência de contar uma história onde intertextualidade e homenagem caminham juntas de forma primorosa. E o mais surpreendente: em um filme mudo.</p>
<p>Indicado a dez prêmios no Oscar, incluindo Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro, “O Artista” se destaca, justamente, por reciclar todos os clichês do gênero de forma leve, sem maiores pretensões. Irônico, levando em conta que esses mesmos clichês eram a grande novidade quando o cinema começou a caminhar com as próprias pernas e, claro, não teriam caído no lugar comum das produções se não fossem constantemente utilizados com o passar do tempo, Hazanavicius dá uma volta de 360 graus para utilizar esses mesmos recursos “batidos” em uma obra, digamos, clássica. Simples e inteligente, para dizer o mínimo.</p>
<p>Com leveza e inocência – nem tão puros assim – a obra oferece aos saudosistas de plantão um filme suave que, mesmo em momentos de drama intenso, não perde o fio da meada e nem a atenção do espectador. Os responsáveis por tal louvor são inúmeros: a sensualidade, o talento e o carisma de Jean Dujardin e seu bigode à la Errol Flynn (astro de filmes de ação dos anos 30, 40 e 50); a doçura, o despojamento e a beleza convencional de Berenice Bejo; a direção de arte impecável que nos coloca diante da Era de Ouro do cinema hollywoodiano como se fosse ontem; a trilha estonteante e milimétrica de Ludovic Bource que cai como uma luva durante os exatos 100 minutos de projeção; e por aí vai.</p>
<p>Com cenas que já devem ficar cravadas na memória do público (como esquecer Peppy  Miller vestindo o paletó de George em um jogo de cena quase lúdico ou o pesadelo do astro em um medo psicossomático de, simplesmente, pronunciar as palavras?) temos a nítida sensação de estarmos em uma sessão de uma comédia romântica, literalmente,  feita à moda antiga. Por outro lado, “O Artista” ainda cutuca a ferida do amargo gosto do ostracismo experimentado pelos astros do então cinema mudo. Afinal, nem só de sonho bom sobrevive a sala escura. E com os trunfos do som vieram, também, as consequências, em que outra obra explicitou de forma magistral: <em>“Crepúsculo dos Deuses”</em>, de 1950.</p>
<p>De charme e delicadeza louváveis, o longa traz, ainda, presenças ilustres de atores em papéis menores, como James Cromwell como o fiel motorista Clifton e a ponta de um irreconhecível Malcolm McDowell (automaticamente lembrado por seu papel em <em>“Laranja Mecânica”</em>). Porém, o filme é mesmo de Jean Dujardin, que entrega um personagem capaz de emocionar em todo seu silêncio e encantar em cheio com seu carisma. Extremamente expressivo, o ator francês consegue, ainda, mostrar o peso dos anos de esquecimento em seu olhar e físico, em um conjunto que rendeu a indicação ao Oscar e ao Bafta, além de já ter levado para casa os prêmios de Melhor Ator em Cannes, no Globo de Ouro e no Screen Actor Guild (SAG). E, diante de tantos méritos, “O Artista” comprova que uma imagem pode, realmente, valer mais do que mil palavras; especialmente em se tratando de cinema, capaz de unir franceses e americanos, lendários por suas divergências. <em>That&#8217;s la vie</em>.</p>
<p>___<em><strong><br />
Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
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		<title>Histórias Cruzadas: preconceito velado prejudica filme de temática importante</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 23:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Escrito e dirigido por Tate Taylor, longa dá voz a quem já possuía, deixando os negros, mais uma vez, de lado. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-249830" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/02/Histórias-Cruzadas.jpg" alt="" width="222" height="324" />Não é preciso conhecer a fundo os Estados Unidos para perceber que a segregação racial ainda é marcante no país. Basta uma simples visita para se dar conta que os postos de trabalho de menor remuneração são ocupados pelos negros quase que completamente. Eles ainda sofrem com as consequências da falta de direitos civis que os prejudicava há cerca de 50 anos. Pois é exatamente sobre uma época em que os negros ainda lutavam por fazer valer a sua voz que se passa a trama deste “Histórias Cruzadas”. A relevância da temática, porém, esbarra em um roteiro preconceituoso, mais preocupado com causos cômicos e caricaturais do que com a dura rotina de discriminação vivida por empregadas e ajudantes de lares.</p>
<p>São exatos 146 minutos de duração, dos quais poucos são realmente dedicados a ouvir as histórias dessas mulheres responsáveis e lutadoras que lavam, passam, cozinham e ainda cuidam dos filhos de casais brancos, enquanto os seus próprios são educados por outras pessoas. Logo, não se torna tão importante saber que a trama é inicialmente justificada pela iniciativa de uma recém-formada jornalista e pretensa escritora, Eugenia Phelan ou apenas Skeeter (Emma Stone), em fazer um livro retratando o ponto de vista das domésticas, como jamais havia sido realizado pela literatura local.</p>
<p>Tudo porque o real ponto de vista exibido é o das donas de casa ricas e mimadas, especialmente o de Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard), a mais megera delas. Tão excludente quanto suas reais personagens principais (a exceção é Skeeter), o roteiro de Tate Taylor (adaptado do livro <em>“A Resposta”</em>, de Kathryn Stockett), que também dirige a produção, é uma contradição só, chegando ao ponto de apenas citar a agressão doméstica vivida por Minny (Octavia Spencer), uma das empregadas, enquanto a repercussão acerca de uma polêmica torta de chocolate servida a Hilly se estende por diversos e desnecessários minutos. Essas errôneas opções acabam fazendo com que o filme não se transforme em um  pedido de desculpas, que cede aos negros o espaço que sempre lhes faltou, mas sim em um ato de vingança contra os brancos.</p>
<p>E esse ato de vingança não é organizado pelos empregados, mas sim pelo próprio <em>script</em> infantil, ao achar que basta demonizar umas e inocentar outras para alcançar os seus méritos. Logo os estereótipos estão em ambos os lados. Se de um deles temos mulheres extremamente estúpidas e preconceituosas, de outro estão mulheres frágeis, inteligentes e humildes. A única que destoa é Celia Foote (Jessica Chastain), como a ricaça estridente, mas cheia de coração. Talvez, por isso, seja uma das poucas personagens que verdadeiramente diverte o público. A personalidade de Minny, como a negra “desbocada”, até provoca algumas risadas, mas, entre as variadas limitações do roteiro, é bem mais interessante acompanhar a desconstrução da vaidade de Foote.</p>
<p>Já a emoção fica por conta de Viola Davis, que interpreta a trágica Aibileen. É ela quem desnecessariamente narra a história. É dela de quem deveríamos ouvir mais causos sobre sua profissão, que exerce desde os 14 anos de idade. Mas a ânsia de Tate Taylor por voltar aos ricos subúrbios e exibir mais piadas impedem a plateia de se identificar ainda mais com a personagem. A morte precipitada do filho é o único fato pessoal inteiramente contado por ela. De resto, o longa exibe moderadamente a passividade dessa doméstica dedicada, que não seria tão verdadeira se vivida por outra atriz que não Davis. A expressividade desse talento tão tardiamente descoberto faz mágica com tão pouco que lhe é concedido.</p>
<p>O trabalho do elenco (quase completamente feminino), por sinal, salva “Histórias Cruzadas” da tragédia. Do alto de suas caricaturas, elas ainda são capazes de despertar a empatia dos espectadores. Os diversos diálogos do roteiro de Taylor, assim como sua direção comedida e com algum ritmo, permitem tal destaque. Pena que todas estejam em prol de um trabalho tecnicamente bem acabado, mas narrativamente fracassado, que dá voz a quem já possuía, exibindo um preconceito velado de envergonhar. Indicado ao Oscar de melhor filme este ano, o longa-metragem deveria ter passado despercebido.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Darlano Dídimo</em></strong><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
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		<title>Filha do Mal: mais um terror barato sobre exorcismo chega aos cinemas</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/249763/filha-do-mal-mais-um-terror-barato-sobre-exorcismo-chega-aos-cinemas/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 23:43:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Benevides</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Filme entra para a lista das piores produções já realizadas do gênero.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-249767" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/02/Filha-do-Mal.jpg" alt="" width="222" height="286" />Logo no início de “Filha do Mal”, o público é alertado sobre a recusa do Vaticano em apoiar ou colaborar com a produção do filme, visto seu teor polêmico que envolve exorcismos e as controvérsias religiosas. Até parece que a história apresentará uma trama ousada, passível de condenações, cuja pretensão pode ir além de outros filmes do gênero, como o recente e decepcionante<em> “O Último Exorcismo”</em> e até mesmo clássicos como <em>“O Exorcista”</em> e <em>“O Exorcismo de Emily Rose”</em>. O que acontece durante a projeção é uma compilação de tudo que já foi visto anteriormente, mas com um tom patético inacreditável.</p>
<p>No enredo, conhecemos Maria Rossi (Suzan Crowley) por meio de uma ligação de emergência, onde ela afirma ter matado três pessoas. Ao chegar ao local, a polícia encontra os corpos e prende a mulher. Não demora muito para entendermos que ela participava de um ritual de exorcismo com dois padres e uma freira, que não acabou bem para os religiosos. Considerada inocente no assassinato, Maria é enviada para a Itália para ganhar cuidados médicos e ficar sob tutela da Igreja, que não expõe os casos perigosos de exorcismo. Cerca de 20 anos depois, a filha de Maria, Isabella (Fernanda Andrade), decide realizar um documentário para entender o que aconteceu com a mãe. Isabella então viaja para a Itália e conhece dois padres conhecedores do assunto e que atuam entre a ciência e a religião para salvar vidas supostamente atacadas por demônios.</p>
<p>Não há como apontar onde começam e terminam os erros e o mau gosto de “Filha do Mal”. É tudo tão absurdamente medonho que chega a impressionar. Filmado ao estilo de <em>“Cloverfield: Monstro”</em> e<em> “Atividade Paranormal”</em>, o prólogo muito lembra<em> “REC”,</em> quando a repórter Ángela Vidal, interpretada por Manuela Velasco, acompanha um chamado dos bombeiros. No caso em questão, a equipe da polícia registra as mortes ocasionadas por Maria dentro da casa. Até aí, o filme parecia estar seguro, já que existe tensão nos planos da filmagem amadora e na forma como os cadáveres são encontrados. Mas o roteiro da dupla William Brent Bell e Matthew Peterman, que em 2006 lançaram o péssimo <em>“Stay Alive – Jogo Mortal”</em>, decide inserir a realização de um documentário para estudar o caso.</p>
<p>Dentro da narrativa de “Filha do Mal”, o falso documentário poderia funcionar de forma eficiente se Bell e Peterman fizessem ideia do que fazer com esse gênero. Então além de a dupla não ter muita criatividade para amarrar a história de uma forma aceitável, eles não sabem realizar um falso documentário que é o básico para a proposta desta película. Quem opera a câmera é Michael (Ionut Grama), amigo de Isabella, mas em praticamente todos os momentos as imagens captadas exalam ficção, já que os atores não convencem e a montagem destrói a naturalidade das sequências. Chega a ser risível a forma como os personagens são postos em cena, gerando uma miscelânea de perfis que em nada dá solidez ou credibilidade à trama.</p>
<p>Além da falta de empatia da brasileira Fernanda Andrade como Isabella e dos diálogos constrangedores do roteiro, outro problema do engodo diz respeito aos padres David (Evan Helmuth) e Ben (Simon Quaterman). É bizarra a forma como eles aceitam dar entrevista para o documentário de Isabella, sabendo de suas funções religiosas e mesmo assim chegando a contar segredos para a câmera. Durante a maior parte do filme, eles não se preocupam com possíveis punições da Igreja por colaborar com a investigação de um caso de exorcismo. Quando eles percebem que estão &#8220;ajudando demais&#8221; e &#8220;se expondo&#8221;, não demora muito para trocarem a preocupação pelo argumento de que o documentário tem força para convencer a Igreja se cair nas mãos da imprensa.</p>
<p>Nesse meio tempo, vemos Isabella participando de um curso de exorcismo para padres, visitando a mãe no manicômio e sendo desafiada a descobrir a diferença de uma possessão e uma doença mental. A confiança que ela deposita nos padres David e Ben, sem ao menos conhecê-los, é primária, já que eles são apenas alunos do tal curso e suas habilidades são questionáveis. Quando o roteiro decide contar um pouco mais sobre o passado de Ben, já é tarde demais para criar empatia ou antipatia pelo personagem. Ele já se tornou ordinário para a trama.</p>
<p>Não tem como deixar de citar também a resolução do terceiro ato, que mais parece uma brincadeira colegial entre crianças, forçando o público a acreditar que todo e qualquer corpo é passível de possessão demoníaca e que isso pode ser divertido. E mais, a falta de competência dos criadores em fechar as pontas mais simples da trama é absurda. A sonorização do curta também atrapalha a falsa realidade das cenas, sendo pouco compreensível a captação de alguns ruídos pelo material de filmagem de David em suas instalações.</p>
<p>Para não dizer que o filme é um completo fracasso e para justificar a singela nota desta crítica, o longa traz alguns poucos momentos inspirados, como as contorções dos corpos possuídos e a cena de David durante o batismo que, por mais previsível que fosse, cria uma boa tensão. Na sequência final, de concepção interessantíssima, mas tola, a sensação que dá é de choque. Não pela competência da história, mas justamente pelo contrário. Tudo aquilo que foi apresentado é tão estúpido que não demora muito para dar vontade de rir. “Filha do Mal” chega aos cinemas com a única função de deixar saudade de uma época em que não era qualquer um que fazia terror no cinema.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Diego Benevides</strong> é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), é especialista em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e arte educador na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.</em></p>
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		<title>À Beira do Abismo: mistura de roubo e thriller culminam em filme sem sentido</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/249749/a-beira-do-abismo-mistura-de-roubo-e-thriller-culminam-em-filme-sem-sentido/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 23:43:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sabe aquele tipo de thriller policial de segunda com roteiro de terceira que, de algum modo, conseguiu um bom elenco? Pois este é justamente o caso deste futuro clássico do Super Cine.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-249873" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/02/À-Beira-do-Abismo.jpg" alt="" width="222" height="326" />Thrillers policiais e tramas de roubo são filmes onde a forma deve seguir a função, pelo menos os que têm como objetivo serem levados a sério. Tudo em tela deve seguir uma estrutura lógica para que a trama no final faça sentido e, ao mesmo tempo, o espectador fique surpreso com as revelações que se seguem. Pois bem, esqueceram de avisar isso aos realizadores de &#8220;À Beira do Abismo&#8221;. A despeito de o longa não se apresentar como uma caricatura, é impossível não sair da sala se perguntando o que passou pela cabeça dos realizadores ao produzir esta pequena bomba.</p>
<p>Escrito pelo desconhecido Pablo F. Fenjves, aqui em seu primeiro esforço para o cinema, a fita mostra o ex-policial Nick Cassidy (Sam Worthington) que, condenado por um roubo que não cometeu, foge da prisão e resolve pular de um edifício no centro de Nova York, com a problemática negociadora da polícia Lydia Mercer (Elizabeth Banks) tentando dissuadi-lo. Enquanto isso, seu irmão Joey (Jamie Bell) e a namorada deste, Angie (Genesis Rodriguez), arquitetam um roubo contra um magnata local (Ed Harris).</p>
<p>A projeção é repleta de clichês que fazem o público adivinhar tudo o que vai acontecer muito antes do que deveria, eliminando o suspense da equação. O <em>script</em> possui problemas gravíssimos. A estrutura do filme sofre um baque logo no seu primeiro ato ao nos apresentar ao protagonista já no prédio, matando qualquer preocupação que poderíamos ter com sua fuga da prisão, apresentada em um <em>flashback</em> logo depois.</p>
<p>Mais parece que o roteiro foi alvejado por uma metralhadora por conta do excesso de furos que possui. Além da escapada do protagonista ser tremendamente mal explicada, jamais entendemos como irmão e cunhada possuem as habilidades e informações necessárias para o roubo a um prédio de alta segurança. Até mesmo suas ações dentro do edifício não escapam deste problema, vide o modo como se utilizam de um sensor de calor (que desconheciam existir) a seu favor.</p>
<p>Sam Worthington e Elizabeth Banks, que trabalham juntos em boa parte da projeção, até possuem uma química interessante e Jamie Bell parece até entender a bomba em que se meteu, fazendo até uma pequena referência a <em>&#8220;Billy Elliot&#8221;</em> e Kyra Sedgwick tem uma participação divertida, mas a maioria das atuações é bastante exagerada, com destaque negativo para o veterano Ed Harris, cujo vilão tem até mesmo um momento “risada maligna”. Ele deve ter pensado que era Chris Cooper no filme dos Muppets&#8230;</p>
<p>A frouxidão no elenco pode ser consequência da inexperiência do diretor Asger Leth, aqui trabalhando pela primeira vez com cinema ficcional. Apesar de alguns planos mais inspirados, o cineasta parece perdido, apelando até mesmo para a exploração gratuita do corpo da belíssima Genesis Rodrigues. Notem como em todas as cenas do roubo a câmera parece se centrar nos seios da atriz.</p>
<p>Implodindo em um final estúpido e completamente sem sentido, &#8220;À Beira do Abismo&#8221; é uma produção medíocre e que só recebeu algum destaque por possuir alguns atores famosos em seu elenco. Passe longe.</p>
<p><em>___<br />
<strong><em>Thiago Siqueira</em></strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>A Ilha Misteriosa: uma aventura construída artesanalmente</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 23:42:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Versão de 1961 destaca os efeitos visuais de Ray Harryhausen.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-249868" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/02/A-Ilha-Misteriosa-uma-aventura-construída-artesanalmente-em-1961aventura-.jpg" alt="" width="222" height="330" />O escritor francês Júlio Verne já teve diversas obras contempladas no cinema. Em 1961, a adaptação de &#8220;A Ilha Misteriosa&#8221; foi dirigida por Cy Endfield (<em>&#8220;O Insaciável Marquês de Sade&#8221;</em>) e contou a história de pessoas que acidentalmente vão parar em uma ilha com animais e plantas gigantes. Além de se defender do constante perigo ao qual estão submetidos e de providenciar diariamente as necessidades básicas para sua sobrevivência, eles têm que arranjar uma forma de sair do local.</p>
<p>Os efeitos especiais são o ponto forte do longa que, mesmo realizado nos anos 60, preocupou-se em reproduzir o universo criado por Verne de maneira adequada para a época. É possível observar duas diferentes estratégias de interação na filmagem, embora ambas sigam a mesma lógica. A primeira delas é a gravação das atuações em frente a projeção de um filme com um determinado ambiente no qual se intenciona mostrar que os atores estão. Além disso, também são utilizados recursos que remetem ao ambiente de fundo, em uma tentativa de tornar mais real esta interação entre as diferentes camadas. Isso pode ser muito bem observado na cena em que o balão voa em meio a uma tempestade, com a chuva e as ondas do mar produzidas em estúdio.</p>
<p>A outra estratégia é um pouco mais complicada e requer um planejamento bem mais meticuloso, pois envolve o trabalho de <em>stop-motion</em> do experiente Ray Harryhausen que dá vida às criaturas gigantes. Isso se dá por meio da paciente captura de imagens quadro a quadro do boneco em frente à projeção da cena já gravada com atores reais reagindo a um espaço vazio. A cada fotograma da projeção, mexe-se um pouco o boneco, até que toda a sequência seja completada. Assim, a nova gravação é exibida na velocidade padrão (24 quadros por segundo) para produzir a ilusão de movimento e de posição corretas do boneco em relação ao fundo. A técnica requer um nível de precisão absurda para que as transições soem o mais natural possível em cena.</p>
<p>A fotografia equilibra a intensidade e a temperatura das luzes do estúdio com as do fundo projetado. Embora seja nítida a diferença em algumas passagens, provavelmente isto se dá mais devido às limitações qualitativas na técnica de sobreposição de imagens do que a uma iluminação descuidada. Porém, a fotografia não se limita a preocupações meramente técnicas. Em determinadas cenas, percebe-se uma certa ousadia estética, dando-se preferência à construção de um visual imagético do que à reprodução fiel da realidade. Essa tendência pode ser observada nas cenas da caverna, onde a iluminação colorida contrasta com a escuridão esperada para esse tipo de lugar. A proposta casa bem com a atmosfera fantasiosa do filme. É válida a tentativa de manter um estranhamento no público que não é muito trabalhado nos próprios personagens do filme, que parecem se acostumar muito rápido com a ilha inóspita.</p>
<p>Entretanto, esse modo pouco questionador de lidar com algo tão estranho é importante para dar ao longa um tom de humor negro. Exemplos disso são o hábito de comer o animal gigante após derrotá-lo e a trilha sonora aventuresca e ao mesmo tempo pateta de Bernard Herrmann na sequência da ave. A direção de arte acentua este tom com figurinos e cenários tão espalhafatosos e bizarros que chegam a ser risíveis em determinadas ocasiões, como o intrigante equipamento de mergulho feito de conchas gigantes.</p>
<p>Assim como outras obras de Júlio Verne que foram adaptadas para o cinema, “A Ilha Misteriosa” não falha em despertar um constante interesse no público pelos personagens e pelos mistérios que o local esconde. Além disso, o longa também é um excelente registro cinematográfico de uma época onde a criatividade artística falava mais alto do que os avanços tecnológicos. As limitações forçavam um raciocínio para criar algo novo a partir do que se tem, e não esperar a invenção de alguma coisa que torne possível um resultado perfeito.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
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		<title>Os Homens Que Não Amavam as Mulheres: nova adaptação é imperdível</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 04:37:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Combinando ótimas atuações, um roteiro instigante e um visual de tirar o fôlego, a adaptação hollywoodiana para o livro sueco se mostra imperdível.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-248385" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/MIllennium-Os-Homens-que-não-Amavam-as-Mulheres-544x800.jpg" alt="" width="222" height="326" />Em regra, <em>remakes</em> são mal-vistos pelos cinéfilos. A ideia de pegar uma obra já feita e refazê-la por algum motivo geralmente não cai bem junto ao público. No caso específico da trilogia &#8220;Millennium&#8221;, os três livros de Stieg Larsson, que já haviam sido adaptados anteriormente na Suécia, ganham agora novas versões hollywoodianas.</p>
<p>O que torna &#8220;Millennium &#8211; Os Homens Que Não Amavam as Mulheres&#8221; uma experiência interessante até mesmo para quem viu os longas suecos é a diferença que o cineasta David Fincher faz. Um diretor sempre visualmente impressionante, Fincher não se contenta em meramente refazer a fita sueca, mas se apropria do material literário original e cria um thriller de tirar o fôlego até mesmo para aqueles que conhecem a franquia de outros carnavais, pegando a audiência desde os créditos iniciais.</p>
<p>O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig), após passar por um perrengue judicial, é contratado pelo rico e influente Henrik Vanger (Christopher Plummer) para solucionar o desaparecimento da sobrinha deste, Harriet, que ocorreu há mais de quatro décadas. Enquanto isso, conhecemos a <em>hacker</em> Lisbeth Salander (Rooney Mara) que, a despeito de seu brilhantismo, se mostra incapaz de interagir em sociedade da maneira habitual, trazendo consigo um passado trágico e um quê auto-destrutivo fascinante. As vidas de Blomkvist e Salander se cruzam de maneira explosiva, revelando vários esqueletos que a problemática família Vanger deseja ver enterrados.</p>
<p>Os momentos cruciais em tramas de mistério são aqueles em que acompanhamos os protagonistas solucionando seus desafios e compreendemos o raciocínio lógico por trás de suas descobertas. A definição sobre a inteligência do texto e dos personagens acontece ali, sendo tais sequências capazes de diferenciar bons filmes de meros engodos. O texto de Steve Zaillian e o preciosismo gráfico de Fincher nos permitem entrar na cabeça de Blomkvist e Salander enquanto trabalham, tornando a investigação mais tensa e real, mesmo quando as habilidades de Lisbeth com os computadores tornam tais investidas um pouco menos verossímeis, algo que o próprio filme brinca ao mostrar o desconforto de Mikael com tais ações digitais.</p>
<p>Nesse sentido, a trilha sonora da dupla Trent Reznor e Atticus Ross e a montagem criam um clima de urgência tão presentes que tornam os “mergulhos” nas mentes de Mikael e Lisbeth sufocantemente ágeis, nos ajudando a navegar em meio aos fluxos constantes de <em>flashbacks</em>. Dessa forma, o público jamais se sente perdido ou entediado em tais momentos, mas sim posto em um estado de tensão constante.</p>
<p>Outro grande acerto da produção foi manter a história na Suécia. Transferir a trama para algum lugar dos EUA acabaria por extirpar boa parte da atração visual do filme, considerando o uso magnífico das paisagens marcadas por uma opressiva onipresença do branco por Fincher e seu diretor de fotografia, Jeff Cronenweth, merecidamente indicado ao Oscar por seu trabalho aqui. Até mesmo a percepção de frieza que o mundo tem dos suecos acaba contribuindo para o clima imposto no decorrer da narrativa. Tal decisão também cobra seu preço, sendo impossível não sentir certa estranheza ao ver pessoas na Suécia falando quase exclusivamente inglês no universo realista proposto pelo diretor.</p>
<p>Zaillian e Fincher também compreendem que a investigação, por mais interessante que seja, funciona mais como uma desculpa para que conheçamos mais sobre os personagens principais, tanto que o filme prossegue mesmo após a resolução desta. As personalidades e os conflitos de Mikael e Lisbeth são realmente o que tornam a fita tão instigante, principalmente no caso da <em>hacker</em>. Não é à toa que, no primeiro ato da projeção, a garota possui uma trama paralela ao mistério de Harriet, revelando mais e mais sobre sua existência tortuosa e como sua natureza agressiva pode ser terrível ao ser provocada.</p>
<p>O <em>background</em> de Salander e suas tendências para a autoflagelação complementam as tentativas de Mikael de se livrar de alguns de seus problemas e vícios. O relacionamento do jornalista com Erika (Robin Wright), sua bela e casada colega na revista Millennium, cria um interessante contraponto para a relação dos dois protagonistas.</p>
<p>Enquanto Daniel Craig explora de maneira admirável o orgulho e a angústia de Mikael com a situação delicada na qual se encontra, bem como seu desejo em resolver certos aspectos da sua vida, é inegável que o filme pertence a Rooney Mara, que compõe de maneira fabulosa sua Lisbeth, ficando claros os motivos que levaram David Fincher a apostar na garota mesmo quando nomes mais famosos mostraram claro interesse pelo papel.</p>
<p>Se entregando sem medo a uma personagem difícil, repleta de nuances e jamais usando o visual punk como muleta, Mara convence não só nos momentos mais chocantes de Lisbeth, mas também naqueles mais introspectivos, como em um simples jogo de xadrez com seu ex-tutor, mostrando ali uma ânsia em expressar um sentimento com o qual ela é pouco familiar.</p>
<p>O clã Vanger também está muito bem representado com <em>performances</em> marcantes por parte de Christopher Plummer e Stellan Skarsgård, cujos trabalhos revelam pistas sutis sobre a verdadeira natureza dos mistérios envolvendo aquela família, descrita pelo seu líder como um bando de degenerados miseráveis e ladrões.</p>
<p>Inteligente, arrebatador e repleto de personagens interessantes e atuações idem, &#8220;Millennium &#8211; Os Homens Que Não Amavam as Mulheres&#8221; é uma adaptação mais do que digna do sucesso que os livros de Larsson, deixando o público salivando por mais na saída do cinema. Recomendado.</p>
<p><em>___<br />
<strong><em>Thiago Siqueira</em></strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Os Descendentes: um comovente drama familiar de Alexander Payne</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 04:21:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa indicado a cinco estatuetas do Oscar traz George Clooney como um pai que se vê obrigado a cuidar das filhas e lidar com as surpresas de seu novo dia-a-dia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-248397" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/Os-Descendentes.jpg" alt="" width="222" height="320" />Foram sete anos sem lançar um longa-metragem, período aparentemente necessário para Alexander Payne aperfeiçoar ainda mais o seu cinema. Se <em>“Sideways – Entre Umas e Outras”</em> (2004) trouxe um diretor-roteirista quase consciente do nível correto de dramaticidade e comicidade com que deveria balancear em seus trabalhos, “Os Descendentes” demonstra que ele definitivamente encontrou a naturalidade que lhe faltava. Deixando os risos para momentos isolados e apostando em um eficiente drama familiar, Payne entrega um filme comovente que é, sem dúvida, o seu melhor até então.</p>
<p>Quem protagoniza a trama é George Clooney na pele de Matt King, inicialmente um herdeiro sortudo e pai ausente habitante do arquipélago havaiano que logo se vê forçado a mudar sua rotina. Um acidente deixa sua esposa Elizabeth (Patricia Hastie) em coma e as duas filhas do casal sob a sua responsabilidade. Se a mais nova Scottie (Amara Miller) já apronta na escola, a mais velha, Alexandra (Shailene Woodley), faz questão de quase ignorar as tentativas do pai em lhe tratar bem. Mas é um segredo revelado por ela que choca Matt: Elizabeth estava o traindo. A partir de então, o trio, acompanhado de Sid (Nick Krause), amigo de Alex, inicia busca pela identidade do amante, mas eles acabam conhecendo a si mesmos.</p>
<p>Já o público passa a conhecer desde os primeiros minutos de exibição o personagem principal. Com excelentes <em>offs</em> que adentram a cabeça de Matt King fazendo com que ele também descreva toda a situação que está tendo de encarar no momento, o roteiro de Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (que adaptam o romance de Kaui Hart Hemmings) possibilita uma imediata afeição com esse homem sensível, são e responsável. Diferente dos antigos protagonistas criados pelo cineasta, King é maduro (ao ponto de perdoar um dos responsáveis pelo acidente da esposa), nada trágico, além de ter exata consciência das dificuldades que terá de enfrentar. Na verdade, é nada além de um homem comum, de atitudes que seguem pelo mesmo caminho.</p>
<p>E é com essa simplicidade que “Os Descendentes” nos conquista, nunca fazendo das sequências pouco habituais maiores do que a linda história dessa família imperfeita, assim como qualquer outra. Logo, a busca por conhecer o amante de Elizabeth jamais supera os preciosos minutos de vivência entre Matt, Alexandra e Scottie. Trata-se apenas de um ato de curiosidade de um marido e uma filha traídos, que não entendem porque a esposa/mãe agiu de tal forma. A indignação e a revolta surgem, mas são logo substituídas pela bondade e pelo amor, os quais também, felizmente, impossibilitam estereótipos em relação ao casal de amantes, o que prejudicaria o resultado final do filme.</p>
<p>O roteiro também não força a barra para fazer dessa harmonia entre os King um caso quase impossível. A inicial rebeldia e insensibilidade da primogênita não demora para ser desmascarada em uma linda sequência em que ela, envergonhada por estar na frente do pai, chora debaixo d’água ao receber notícias sobre a nada favorável saúde da mãe. A partir de então, Alexandra transforma-se em outra interessante personagem, revelando-se uma garota já amadurecida e ainda assim jovem, ao ponto de impedir que a irmã assista a um canal pornô para pouco depois soltar o mais cabeludo palavrão, ignorando a idade da menina. Como intérprete, Shailene Woodley faz dela uma adolescente ainda mais carismática e complexa, sendo a não-nomeação da atriz para o Oscar mais uma das imperdoáveis esnobadas da Academia este ano.</p>
<p>Por outro lado, a caçula Scottie funciona como escopo cômico, sempre aprontando, como uma inquieta criança de dez anos. Mas diferente das produções anteriores de Payne, a comicidade é dona de uma naturalidade que pouco deturpa o tom dramático da trama. “Pouco” porque ainda temos Sid, o amigo de Alex, que está ali apenas para exibir sua imbecilidade, ao ponto de achar graça de uma pessoa com Mal de Alzheimer. Trata-se de um personagem desnecessário, ainda que o roteiro busque compensar seu alto grau de ignorância com sequências em que ele conta parte de sua nem tão agradável vida.</p>
<p>Mesmo assim, não há nada que impede que o intenso nível de emotividade da narrativa de “Os Descendentes” seja recuperado, seja por reservar poucos e preciosos minutos para os pais de Elizabeth, seja por explorar, com intensidade, a melhor interpretação de George Clooney em sua carreira. Tendo como principal mérito em sua direção a capacidade de manter o drama e a honestidade da história, Alexander Payne transforma um já ótimo roteiro em um filme sensível, daqueles de fazer chorar, que merece cada menção em premiações que está recebendo.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
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		<title>Precisamos Falar Sobre o Kevin: história trágica e densa sobre mãe e filho</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/247853/precisamos-falar-sobre-o-kevin-adaptacao-tragica-e-densa-sobre-mae-e-filho/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 13:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa baseado em romance norte-americano é estrelado por Tilda Swinton, que interpreta uma mãe assombrada por episódio trágico envolvendo o filho primogênito.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-248337" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/poster-kevin.jpg" alt="" width="222" height="334" />Para quem foge de informações cruciais sobre um filme, respeitarei a vontade dos mesmos e não entregarei o cerne da trama de &#8220;Precisamos Falar Sobre o Kevin&#8221;, obra baseada no romance homônimo escrito em 2003 pela norte-americana Lionel Shriver. Afinal, àqueles que não leram o livro, recomendo que mantenham-se longe até mesmo de informações da sinopse do <em>IMDb</em> (The Internet Movie Database), que entrega em três linhas o resultado final de 112 minutos de uma história que é um soco de mão cheia na boca do estômago.</p>
<p>O filme começa com a situação atual de Eva Khatchadourian (Tilda Swinton, sempre ótima), uma mulher em depressão, desempregada, vivendo sozinha sem rumo em uma casa de uma pequena cidade, onde sofre com o ódio de alguns moradores. Nesse ambiente tedioso e extremamente melancólico, vemos o cotidiano de Eva se costurar, por meio de <em>flashbacks</em>, com um passado não tão distante.</p>
<p>Casada com Franklin (John C. Reilly), ela dá à luz a Kevin, o primogênito da família, que gera conflito entre mãe/filho desde o berço. A relação entre os dois permeia todo o filme, até atingir o ápice na adolescência do garoto, muito bem interpretado pelo jovem Ezra Miller. O nascimento da doce Celia (Ashley Gerasimovich) vem complicar ainda mais a convivência de Eva com Kevin, que se mostra um filho exemplar para o pai, indiferente diante das tentativas da esposa de alertá-lo com relação às maldades do adolescente. O título do livro/filme, assim, não poderia ser mais adequado.</p>
<p>Em uma edição primorosa, que entrega em doses homeopáticas as peças deste quebra-cabeça tenso e mórbido, &#8220;Precisamos Falar Sobre o Kevin&#8221; tem um tom de suspense crescente e constante. Por vezes fantasmagórico, prende o espectador na cadeira o tempo todo graças à diretora Lynne Ramsay (que também adaptou a obra para a telona em parceria com Rory Kinnear), que conduz a dupla Tilda Swinton e Ezra Miller com competência louvável, aproveitando ao máximo os olhares e os silêncios &#8211; que não são poucos e funcionam muito bem. Não é à toa que Ramsay disputou a Palma de Ouro de Melhor Direção no Festival de Cannes 2011, perdendo para Nicolas Wind Refn, diretor do ainda inédito <em>&#8220;Drive&#8221;</em>.</p>
<p>Da fotografia confortante que alterna entre amarelo e vermelho dos momentos em família às caóticas imagens fora de foco e de movimentos bruscos que retratam a opaca existência atual de Eva, o longa se posiciona em <em>flashes</em> da mente perturbada de Eva, em que as lembranças perturbadoras casam com a frieza natural e temerosa da figura de Tilda. Ela, vencedora do National Board of Review e indicada ao Screen Actors Guild (SAG), Bafta e Globo de Ouro, ficou de fora na corrida pelo Oscar, que cedeu a já esperada vaga a Rooney Mara, de &#8220;<em>Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres</em>&#8220;.</p>
<p>Simbologia clara à Eva bíblica, em uma analogia cristã à “mãe de todos nós”, embora o filme não se embrenhe no campo religioso, a personagem carrega uma culpa dilacerante como uma mãe e como um ser humano prestes a explodir, como se sobreviver já se tratasse de um esforço superior ao que poucos seriam capazes de suportar após o grande trauma que a assola.</p>
<p>E nestes lapsos mostrando a trama em migalhas, como se estivesse em um pesadelo, deixamos com que nossa imaginação, mais cruel que a própria realidade, nos surpreenda e nos entregue o tão pesado epílogo. Brutal, cruel e sincero ao extremo, &#8220;Precisamos Falar Sobre o Kevin&#8221; prova que, entre tantas histórias da ficção que justificam a maldade, ela pode ser tão natural como o aquele pecado cometido pela Eva original e seu Adão no tal grande livro escrito há quase dois mil anos.</p>
<p>___<em><strong><br />
Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
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		<title>Os Homens que Não Amavam as Mulheres: filme sueco investe em tensão</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 13:20:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Suspense investigativo adapta bem a linguagem literária ao cinema.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="wp-image-248073 alignleft" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-poster-407x600.jpg" alt="" width="222" height="328" />O longa sueco “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, de 2009, é a adaptação do primeiro volume da trilogia literária <em>&#8220;Millennium</em>&#8220;, escrita pelo sueco Stieg Larsson. Trata-se de um suspense investigativo onde o jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) é contratado para desvendar um mistério de 40 anos sobre o desaparecimento da sobrinha do grande empresário Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube). Para isso, conta com a ajuda da <em>hacker</em> Lisbeth Salander (Noomi Rapace), cuja vida igualmente misteriosa também chama a atenção de Blomkvist.</p>
<p>O roteiro adaptado é seguro em sua estrutura, elaborando a complexa trama de forma compreensível sem prejudicar o ritmo em prol de “mastigar” explicações ao público. Além disso, preocupa-se com o tipo de abordagem particular que dá aos protagonistas. A apresentação destes é diferente uma da outra, buscando uma compatibilidade com a própria personalidade de cada um. Mikael é introduzido em meio a um polêmico julgamento no qual repórteres explicam de maneira geral quem ele é e o que faz, indo ao encontro das principais características do personagem: uma figura pública e sem muitos segredos. Já Lisbeth, uma jovem introvertida e profissionalmente sigilosa, é apresentada de maneira a causar estranhamento e curiosidade no público, assim como nos demais personagens do filme.</p>
<p>A direção de Niels Arden Opley também segue esta mesma ideia. Os planos abordam Mikael a fim de explorá-lo, com movimentos ao seu redor, seguindo-o de frente enquanto anda pela rua, revelando sua expressão em planos fechados, invadindo sua privacidade com a família dentro de casa, seus afazeres domésticos etc. Já em relação à Lisbeth, a câmera se mantém distante, seguindo-a de costas pela rua, tentando perceber seu rosto escondido debaixo do capuz ou atrás da tela do notebook, até o primeiro momento em que a vemos explicitamente e temos a mesma reação de surpresa que um dos personagens exibe.</p>
<p>O figurino e a maquiagem são elementos fundamentais para destacar a <em>hacker</em>. Durante grande parte das cenas em que ela aparece, torna-se a figura que mais chama atenção na tela. Seu visual incomum impõe um constante desequilíbrio em relação aos cenários e aos outros personagens, quase um incômodo na composição dos planos. Isso também diz muito sobre a psicologia de Lisbeth, simbolizando o modo como ela mesma se vê na sociedade: uma pessoa diferente e deslocada.</p>
<p>A atmosfera de tensão que se mantém durante todo o filme é construída essencialmente pela valorização de planos fechados. Os planos médios e abertos são usados apenas pontualmente por uma questão geográfica. Esse clima tenso também é sustentando pela trilha sonora que, mesmo em cenas de transição, estabelece um pano de fundo sonoro que antecipa eventos posteriores – como quando Mikael está a caminho da casa de Henrik Vanger sem saber o motivo do chamado e da urgência – ou impõe uma carga dramática maior a uma ação corriqueira – como as cenas em que Lisbeth trabalha no notebook.</p>
<p>A grande falha do filme é a montagem, que parece querer aproveitar todas as sequências que foram filmadas. Essa postura acaba por enfatizar algumas falhas na decupagem, com câmeras desobedecendo aos eixos e ao <em>racor</em> (continuidade de um movimento entre dois planos). O uso de pequenas elipses (supressões do tempo da ação) parece ser uma tentativa de amenizar tais falhas e sua frequencia busca uma unidade estética que esconde esta intenção. No fim das contas, temos um primeiro erro cuja tentativa de conserto acaba por gerar uma nova necessidade que, por sua vez, prejudica todo o produto final. Isso tudo poderia ter sido evitado por uma proposta mais objetiva e econômica.</p>
<p>Porém, o longa acerta muito mais do que erra. “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” serve de exemplo para a recente estratégia mercadológica de adaptação de grandes séries literárias. Revela-se técnica e artisticamente como um ótimo diálogo entre duas linguagens, obedecendo ao ritmo do cinema ao mesmo tempo em que respeita o conteúdo da literatura.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
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		<title>A Fonte das Mulheres: humor e teor político na nova obra de Mihaileanu</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 05:34:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Benevides</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Cineasta romeno Radu Mihaileanu discute manifesto feminista de um povo movido pela tradição.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-247454" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/A-Fonte-das-Mulheres.jpg" alt="" width="222" height="326" />A guerra dos sexos não é um tema novo. Mas assim como qualquer outra premissa recorrente, o que diferencia o caráter de uma obra é a forma como ela é contada. Talvez seja até um tema que tenha pouca força atualmente, por sabermos que as mulheres já não são mais seres sensíveis que ficam dentro de casa cuidando da família. Hoje elas são modernas, defendem seus próprios pontos de vista e ocupam espaços importantes tanto quanto os homens. Mas não há como negar que os costumes e tradições de alguns povos não seguem essa linha. É essa peculiaridade o foco do novo filme do cineasta romeno Radu Mihaileanu.</p>
<p>A trama é inspirada em um recente fato registrado na Turquia, quando mulheres muçulmanas já não enxergam na cotidiano o modo correto de viver. Elas fazem o trabalho pesado, em busca de água para o vilarejo onde moram, enquanto os homens passam o dia bebendo chá e jogando cartas, além de serem meros reprodutores. Em tempo, elas são valorizadas pelo dom da maternidade, mas isso não impede que elas continuem com o trabalho braçal, que causa machucados e até mesmo abortos durante o percurso de retirada da água. Quando Leila, interpretada pela estonteante Leila Bekhti, sugere uma greve de amor (leia-se sexo) para que os homens percebam que o valor das companheiras não está apenas nos serviços domésticos, os moradores precisam lidar com o que supostamente diz o Alcorão e essa nova realidade feminina.</p>
<p>Radu Mihaileanu, que já realizou obras como <em>“Trem da Vida”</em> e o simpático <em>“O Concerto”</em>, mais uma vez empresta seu talento em uma obra que reflete, por meio de olhos modernos, a inclusão de uma sociedade feminina para o povo muçulmano. Em determinado momento, Leila faz uma leitura coerente, porém estranha para aquelas pessoas que mal sabem ler (função dos homens), do Alcorão, dizendo que lá está escrito que as mulheres têm direitos iguais e que estão destinadas ao paraíso, já que são os seres divinos que procriam.</p>
<p>Além disso, Mihaileanu traz novamente o toque cômico indispensável para a trama, principalmente quando se expressa por meio das canções de vitalidade e denúncia do que aquelas mulheres vivem em uma sociedade, digamos, retrógrada. A trama aparentemente beira o piegas ou mesmo à inocência, na construção de uma sociedade que ao invés de reclamar das autoridades políticas, até então despreocupadas com seu povo, preferem resolver a situação com as próprias mãos.</p>
<p>Essa ingenuidade limita o contexto político da trama, mas em nada atrapalha a valorização dos costumes em detrimento de pessoas que podem muito bem escolher seus caminhos. É tanto que algumas mulheres, ao insinuarem uma greve de sexo, resistem à ideia, porque elas também não querem ficar sem se relacionar com seus respectivos maridos. Enquanto elas têm voz para escolher não submeter à abstinência, as que optam por apoiar o manifesto precisam enfrentar os homens machistas e acomodados.</p>
<p>Ainda que mostre o tradicionalismo de boa parte dos homens da vila, Mihaileanu confere ao namorado de Leila, Sami (Saleh Bakri), certa tolerância ao manifesto, levando mais dimensões para aquele universo e apostando em mudanças que podem vir ou não com o tempo. Colaborando na construção desse universo em recomposição, Mihaileanu conta com um elenco afiado, abrilhantado também pelo bom humor da atriz Biyouna na pele da experiente Velho Fuzil, responsável por dar a Leila uma espécie de consultoria daquela estrutura familiar arcaica pré-estabelecida e também pelos diálogos cômicos do roteiro.</p>
<p>A fotografia de Glynn Speeckaert, experiente no cargo, auxilia o departamento de arte na construção daquele espaço tão conservador, mas com um toque moderno quase aparentando ser uma fábula. Na direção, Mihaileanu conta a sua história de uma forma descontraída e vai facilmente do drama à comédia. Como musical, é bastante curioso o contraponto que o cineasta cria em diversos momentos do longa. Em uma determinada cena, as mulheres cantam uma música de protesto para um público estrangeiros que estão ali para admirar a cultura, mas não entendem o idioma, e neste momento vemos como o cineasta brinca com o constrangimento dos maridos que nada podem fazer.</p>
<p>Longe de ser utópico, “A Fonte das Mulheres” atualiza um tema desgastado pelas películas sexistas por meio do bom humor e do questionamento de suas tradições. Afinal, tudo é uma questão de ponto de vista. Vale ressaltar que em momento algum o longa desrespeita tais costumes, apenas os questiona. E mais uma vez Radu Mihaileanu acerta em uma trama despretensiosa e mantém a qualidade da sua filmografia.</p>
<p><em>Esse filme foi visto durante o 8º Amazonas Film Festival, em novembro de 2011.</em><br />
___<br />
<em><strong>Diego Benevides</strong> é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), é especialista em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e arte educador na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.</em></p>
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		<title>2 Coelhos: ousadia e diversão na produção dirigida por Afonso Poyart</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 19:19:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Advindo da publicidade, Afonso Poyart dirige e escreve um dos mais originais e divertidos filmes nacionais dos últimos anos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-247246" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/2-Coelhos.jpg" alt="" width="222" height="325" />O cinema brasileiro estava precisando de um Afonso Poyart. Não que não tenhamos talento entre os diretores nacionais, mas entre as exportações dos melhores deles para Hollywood e as limitações impostas pela<em> Globo Filmes</em> em suas produções, sobra pouco espaço para a ousadia. Quase nenhum, na verdade. O público está cansado das nossas bobas comédias-românticas e da intensa exploração da miséria. Por isso, é mais do que louvável que, em sua estreia em longas-metragens, Poyart explicite sua inquietude narrativa, seu senso de humor apurado e sua crítica política e faça de “2 Coelhos” uma grande bagunça, que é nada menos do que um dos mais divertidos e originais filmes já realizados no País.</p>
<p>Já em suas primeiras cenas, é possível notar que estamos diante de algo incomum, especialmente se estamos falando de Brasil. Efeitos especiais da mais alta qualidade e depoimentos bem ao estilo documentário ajudam a introduzir a história contada e protagonizada por Edgar (Fernando Alves Pinto), um aparente “boyzinho” viciado em videogame e pornografia, odiado por ex-namoradas e porteiros. Mas sua indignação com a sociedade, bem como sua falta de juízo, levam-no a armar um plano que visa matar, de uma só vez, um poderoso criminoso e um político corrupto de São Paulo. No entanto, nem tudo sai como esperado.</p>
<p>É surpresa atrás de surpresa, menos para o personagem principal e mais para os espectadores. Tendo como um de seus principais trunfos sua trama intricada, “2 Coelhos” revela sua história aos poucos, unindo seus núcleos com a inteligência de um excelente filme de suspense. Pode até dar a precipitada impressão de possuir diversos furos, mas a onisciência concedida pelo roteiro do próprio Poyart a Edgar permite que ele seja cauteloso em sua narração descontraída e escrachada. E dessa forma, o longa demonstra-se mais pretensioso e vai além de uma mera danação de um adulto com espírito de adolescente.</p>
<p>Uma história de amor logo surge, acompanhada de um enorme pedido de desculpas e uma vingança. De pessoal, a trama torna-se de interesse público. Mas, se nesses momentos provoca inevitáveis comparações com<em> “Tropa de Elite 2”</em> (especialmente ao sobrevoar São Paulo e exibir uma flamejante bandeira do Estado), o tom de brincadeira, que sempre acompanha a produção, deixa claro que felizmente não estamos diante de algo tão sério. A proposta aqui é proporcionar uma experiência cinematográfica diferenciada e intensa, jamais ultrapassando esse limite e soando por diversas vezes tarantinesca, seja por brincar com fatos reais ou pelos diálogos com outras linguagens artísticas.</p>
<p>Em sua direção, Poyart faz a criatividade e a loucura da mente de seu protagonista visíveis, utilizando-se para tanto de animações, elementos gráficos e diversos efeitos especiais, que também permitem uma ótima dose de sequências de ação. O cineasta até exagera em alguns momentos, especialmente no primeiro ato, mas em geral as ferramentas servem para incrementar o ritmo incansável da narrativa, cheia de idas e vindas, em uma edição muito bem realizada, que conta ainda com uma pesada trilha sonora sob responsabilidade de André Abujamra e Márcio Nigro.</p>
<p>Outro ponto forte de “2 Coelhos” é o seu elenco, graças a uma natural direção de atores (especialmente de coadjuvantes) e um texto descontraído, que sabe como transformar uma piada de português em um dos melhores momentos da projeção. Algumas relações entre personagens poderiam ser melhor definidas, especialmente entre Edgar e Walter (Caco Ciocler), o professor universitário que trabalha no restaurante do pai do rapaz, mas os atores compensam, sendo Fenando Alves Pinto uma agradável surpresa. Alessandra Negrini, como Júlia, a promotora corrupta, é outro destaque ao lado de Marat Descartes, o traficante-sequestrador-ladrão paulista Maicom.</p>
<p>Há ainda Neco Villa Lobos, como o advogado defensor dos criminosos, Thaíde, como o motoqueiro assaltante, e Thogun, como o comparsa do chefão Maicom. Todos contribuem com sua devida parcela para fazer de “2 Coelhos” um entretenimento marcante, cheio de explosões, correrias, piadas, tiros e, principalmente, inteligência, que por sorte não vem de Hollywood. É produção nacional que tem tudo para virar sucesso, cuja fonte, Afonso Poyart, deve ser preservada, para que dela advenham outros filmes tão ousados quanto.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
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		<title>A Condenação: drama de Tony Goldwyn peca por excesso de melodrama</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 18:32:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Falhas do longa o tornam apenas mediano, a despeito de ótimas atuações de Hillary Swank e Sam Rockwell.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-247159" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/1320056613727_f.jpg" alt="" width="222" height="326" />É inevitável que a Justiça, administrada por homens falhos, cometa erros. A arrogância e a teimosia humana, bem como nossos próprios preconceitos, só fortalecem tal possibilidade. De tais equívocos, podem surgir tragédias desoladoras e triunfos inesquecíveis.</p>
<p>Baseado em uma história real, &#8220;A Condenação&#8221; tem um pouco dos dois. Dirigido por Tony Goldwyn, o longa traz Hillary Swank como Betty Anne Waters, mãe de família que resolve encarar tudo e todos ao entrar na faculdade de Direito para se tornar advogada e tentar inocentar seu irmão, Kenny (Sam Rockwell), condenado à prisão perpétua por um crime que ele afirma não ter cometido.</p>
<p>O roteiro, escrito por Pamela Grey, adota uma narrativa não-linear em seu início para nos apresentar à situação dos irmãos e de como se deu a prisão de Kenny. Esse primeiro ato estabelece bem a relação dos protagonistas, mas pesa a mão em dados momentos, principalmente ao forçar uma simpatia para com Kenny com seus atos &#8220;engraçadinhos&#8221;, como o <em>strip</em> no bar após o rapaz ter agredido um homem que falou um palavrão na frente de sua filha durante uma discussão de bar.</p>
<p>Apesar de ser compreensível a necessidade de fazer com que o amor de Betty Anne pelo irmão seja palpável para o público, ficamos mais atônitos com sua incapacidade em repreender Kenny em sua &#8220;maturidade&#8221; do que admirados com o carinho dela. Bem mais eficazes em estabelecer a cumplicidade entre os personagens são os pequenos <em>flashbacks</em> que nos mostram a difícil infância da dupla e seus anseios por um lar mais normal.</p>
<p>No final das contas, o que faz com que o elo entre os irmãos acabe por funcionar junto ao público é realmente a boa química entre Hillary Swank e Sam Rockwell. A ternura com a qual a atriz encara seu parceiro de cena em momentos mais íntimos &#8220;vendem&#8221; melhor a relação entre os dois do que os pontos mais exagerados, como a já citada sequência do bar. Já o trabalho de Rockwell e sua energia habitual salvam Kenny de se tornar uma mera caricatura, concedendo intensidade aos seus momentos dramáticos, como a sequência na qual ele é imobilizado por alguns guardas.</p>
<p>O trabalho de Swank concede mais robustez ao ponto forte do filme, que é a verdadeira guerra travada por Betty Anne contra o sistema, mostrando muito bem a dificuldade e a frustração de se batalhar contra a burocracia, bem como a teimosia de certos operadores do direito, mais interessados em glória pessoal do que em justiça.</p>
<p>Alguns clichês pontuais atrapalham o andamento da trama, como a reação absurda do marido de Betty Anne ao saber que sua esposa fará o curso de Direito e a óbvia briga da personagem com os filhos por não lhes dar a atenção que eles requerem, mas a história consegue navegar relativamente bem nestes chavões.</p>
<p>O elenco ainda conta com Juliette Lewis que, surgindo um tanto exagerada, interpreta uma ex-namorada de Kenny cujo depoimento ajuda a colocá-lo na prisão. Já Melissa Leo, no papel da policial Nancy Taylor, não tem tempo em cena para desenvolver melhor seu papel, resultando em uma antagonista extremamente unidimensional, sem a mínima motivação para seus atos, em um dos grandes tropeços da produção. Completam a trupe Minnie Driver, como a melhor amiga de Betty Anne, Abra, e Peter Gallagher, como um ativista do direito, ambos corretos e só.</p>
<p>Mais conhecido por seus trabalhos para a televisão, o diretor Tony Goldwyn entrega uma fita visualmente sóbria, reconhecendo que este é o tom mais adequado para a produção, auxiliada por uma fotografia que tende para tons mais frios. O visual do filme eventualmente contrasta com sua trilha sonora que, assim como o roteiro, cede em alguns pontos para o sentimentalismo barato.</p>
<p>A montagem começa meio trôpega, graças ao já citado primeiro ato da fita, mas consegue dar ritmo, mesmo com algumas elipses que surgem sem o devido impacto. A maquiagem dos atores funciona muito bem em ilustrar a passagem de duas décadas que ocorre durante a projeção, com exceção de Hillary Swank, que não ganha uma só ruga o filme inteiro. Mesmo com suas falhas, &#8220;A Condenação&#8221; é efetivo no que se propõe, devendo muito de seu resultado final às atuações de Swank e Rockwell.</p>
<p><em>___<br />
<strong><em>Thiago Siqueira</em></strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida: o herói de Steven Spielberg</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 18:04:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa de 1981 rendeu uma das franquias mais famosas do cinema.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft  wp-image-247195" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/Indiana-Jones.jpg" alt="" width="222" height="308" />Steven Spielberg exerceu uma indiscutível influência na maneira de se fazer filmes, especialmente até o início dos anos 90. Suas obras, sempre carregadas de uma atmosfera juvenil e aventuresca, conquistaram um público fiel e necessitado deste tipo de entretenimento, que equilibrava o bom uso da linguagem artística e a leveza da diversão. Com filmes como <em>“Tubarão”</em> e<em> “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”</em><em></em>, Spielberg ajudou a inaugurar a tendência dos <em>blockbusters</em>, que até hoje garantem o sustento financeiro da indústria cinematográfica norte-americana.</p>
<p>“Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida”<em></em> leva ao grande público uma figura já muito trabalhada em filmes independentes: o aventureiro de chapéu e chicote. Não se trata apenas de um estereótipo, mas de um símbolo da bravura, valor tão reforçado na cultura estadunidense. Porém, no filme de Spielberg, este símbolo é timidamente desconstruído. Isso pode ser muito bem observado no seu grande medo por cobras e quando se embriaga após a suposta morte de sua namorada, em vez de partir para a vingança como os heróis tradicionais fariam. Essa personalidade, sutilmente fragilizada, é muito importante para dar mais humanidade e realismo ao personagem, facilitando seu vínculo com o público.</p>
<p>A história de George Lucas, que também produz o longa, não poderia ser mais acadêmica. Toda a narrativa se desenvolve a partir do ponto de conflito, onde alguém deseja algo e encontra um obstáculo à efetivação desse desejo. Nesse caso, Indiana Jones deseja encontrar a Arca da Aliança, mas tem que competir com outras pessoas que também querem o mesmo. Os motivos de cada lado dividem claramente o mocinho e o vilão: Jones (Harrison Ford) representa os nobres valores de conservação histórica, enquanto os inimigos nazistas representam a busca pelo poder a fim de usá-lo da pior forma possível. Ainda assim, há uma tentativa ingênua, mas válida, de crítica ao ideal de herói, com o vilão Belloq (Paul Freeman) nos lembrando constante e didaticamente que Jones é muito parecido com ele.</p>
<p>A escolha por planos abertos nas cenas de ação permite uma melhor noção geográfica do cenário por parte do público. A montagem controlada nessas mesmas sequências garante o ritmo necessário para a adrenalina sem deixar de valorizar a coreografia, as marcações e a própria composição do quadro, que sempre busca o preenchimento de espaços vazios. Tudo isso é ajudado pela competente direção de arte, que possibilita uma integração do cenário e dos objetos na construção dramatúrgica, servindo não apenas como artefatos decorativos ou uma mera reprodução de determinada época ou local.</p>
<p>A fotografia trabalha muito com sombras e contraluz, que cumprem funções diferentes de acordo com o personagem a que serve. Por exemplo, o uso da iluminação em torno do protagonista na primeira sequência do filme, assim como no primeiro reencontro com sua antiga namorada, serve para glorificá-lo em meio aos demais. Já nas cenas de apresentação dos vilões, as sombras servem para criar uma tensão que antecipa uma ameaça. Apesar de simples e desgastado mesmo para a época, esse recurso cumpre seu papel na maioria das vezes. Porém, é tão usado ao longo do filme, provavelmente buscando uma unidade estética, que se torna previsível e perde sua utilidade narrativa.</p>
<p>“Indiana Jones e os Caçadores da Arca perdida” rendeu uma das mais famosas franquias do cinema, que está em desenvolvimento até hoje. É talvez o filme mais emblemático da carreira de Steven Spielberg, consolidando-o como um dos melhores diretores contemporâneos. Com sua simplicidade, foi responsável por introduzir muitos jovens à apreciação e à produção da sétima arte, marcando toda uma geração.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
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		<title>Sherlock Holmes 2: acima de qualquer suspeita, franquia segue divertida</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 05:59:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Benevides</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Segunda parceria de Guy Ritchie, Robert Downey Jr. e Jude Law não decepciona em diversão, ainda que cambaleie na estruturação da trama.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-246186" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/Sherlock-Holmes-2.jpg" alt="" width="222" height="333" />Quando Guy Ritchie assumiu a adaptação moderna de Sherlock Holmes em 2009, o potencial da franquia estava claro principalmente com a participação de Robert Downey Jr., certamente o ator de maior credibilidade e, ao mesmo tempo, cinismo da atualidade. Adaptando de uma forma peculiar o detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle para as telonas, o segundo filme mantém o nível de entretenimento do primeiro e aumenta a ação em uma história basicamente mais interessante, mas se atropela em algumas escolhas erradas.</p>
<p>Em “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras”, o maior inimigo de Holmes (Robert Downey Jr.) é o professor Moriarty (Jared Harris), que está envolvido com um plano que pode dar origem a um dos maiores conflitos da humanidade. Começando do ponto de onde o último longa parou, vemos Holmes se desventurar ao lado de Irene Adler (Rachel McAdams), até que esta tem seus serviços suspensos devido a uma suposta traição. Enquanto Watson caminha para o casório, Holmes detecta mais um plano mirabolante que precisa de sua interferência. Após convencer Watson que esse seria o último problema que o causaria e ajudado pela Cigana Simza (Noomi Rapace), o trio parte em uma viagem por vários países em busca de impedir os planos de Moriarty.</p>
<p>Mais uma vez, Ritchie conta com uma direção de arte impecável na reprodução da época e dos cenários onde a história se passa. Ainda que o uso da tela verde seja exagerado, os efeitos visuais compensam a artificialidade de algumas sequências. Aliás, Ritchie conta com uma equipe técnica bem mais afiada, focada no bom desenvolvimento das cenas. A trilha sonora de Hans Zimmer mais uma vez dá o toque característico de investigação que a trama precisa, sem nunca cair no caricato. A mistura de todo esse bom desempenho é notável principalmente na sequência do tiroteio na floresta, um espetáculo visual irretocável.</p>
<p>O roteiro da dupla Michele e Kieran Mulroney investe em conflitos bem mais interessantes que colocam as habilidades de Sherlock na berlinda, já que agora o seu inimigo é tão inteligente quanto ele e, de certa forma, há uma admiração mútua que canaliza uma disputa pessoal bem apresentada em uma das sequências do terceiro ato, mais precisamente quando o xadrez é o elemento chave para um dos diálogos mais inspirados da franquia. Outro ponto positivo é a relação entre Holmes e Watson, que faz com que o primeiro mostre um pouco da sua humanidade, mesmo que ao seu jeito próprio, e se importe com o destino de Watson, por mais perigoso que isso possa custar.</p>
<p>A montagem de Ritchie exagera na autoexplicação, enquanto vai e volta ao tempo para mostrar o que o público precisa saber, sem aceitar que os espectadores estavam atentos o suficiente para compreender a trama. Não que o texto subestime a capacidade de quem assiste (quase), mas a insistência em explicar demais alonga as pontas do roteiro. Afinal, sem motivações ocultas ou mesmo segredos curiosos, a obra perde um pouco da graça. Ritchie, que é um dos cineastas mais talentosos da atualidade, aqui se perde um pouco no seu próprio estilo com o exagero nos recortes da edição, mas nada que o diminua frente ao resultado final, que é proporcionar entretenimento ao público.</p>
<p>As piadas continuam sendo os pontos mais fortes do filme, até porque ficou claro desde o anterior que, se não fosse Robert Downey Jr., a franquia estaria fadada ao fracasso. As <em>gags</em> e o teor cômico se aproximam do deselegante, mas Downey Jr. consegue superar isso e dar o seu toque pessoal de ironia. É da química com Jude Law que saem os melhores momentos da película. Se por um lado vemos o melhor desenvolvimento dos personagens, o vilão perde sua força pelas motivações, que não são tão surpreendentes. E por mais que Jared Harris tente dar a presença necessária a Moriarty, apenas quando se sobrepõe a Sherlock é que ele alcança a nuance correta, tendo nas demais cenas pouca vitalidade ou funcionamento.</p>
<p>Noomi Rapace tem pouca energia em cena e nem mesmo suas habilidades contribuem para algo importante da história. Subutilizada pelo roteiro, a atriz não consegue substituir Rachel McAdams que, em sua pequena participação neste longa, serve não só como elo entre os dois filmes, mas como colírio aos espectadores. A principal adição ao elenco fica com Stephen Fry na pele de Mycroft Holmes, irmão de Sherlock, e peça essencial para a sustentação de todo aquele engodo. Ao ator também é dada uma comicidade que complementa a persona de Sherlock e funciona com espontaneidade em cena.</p>
<p>“Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras” é uma boa pedida para os amantes da diversão por trazer bons momentos de ação e personagens impagáveis. O talento de Guy Ritchie encontrou em Robert Downey Jr. e Jude Law boas oportunidades de realizar um blockbuster de qualidade e certamente a franquia não irá parar por aqui, tendo uma infinidade de possibilidades para novas histórias do detetive mais peculiar da história.</p>
<p><em>___</em><em><br />
</em><em><strong>Diego Benevides</strong> é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), é especialista em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e arte educador na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.</em></p>
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		<title>O Espião que Sabia Demais: longa de espionagem rende boas atuações</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 22:19:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Baseado em romance do escritor John Le Carré, filme traz Gary Oldman em trama ambientada nos anos 70 sobre traição e assassinatos em pleno Serviço Secreto de Inteligência Britânico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-245809" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/O-Espião-que-Sabia-Demais.jpg" alt="" width="222" height="330" />Durante boa parte dos filmes de ação e espionagem que imperaram nos anos da Guerra Fria (1947 – 1991), os soviéticos foram os grandes vilões da Sétima Arte. O cinema, especialmente hollywoodiano, se limitava a culpar a URSS em grande parte de suas películas, alimentando o imaginário do público que assistia de camarote a uma guerra (aparentemente) silenciosa. O medo generalizado diante de uma Alemanha dividida e do conflito armado de mísseis na tríplice União Soviética, EUA e Cuba incomodaram uma sociedade que se dividia entre render-se ao Capitalismo, abraçar com riscos a bandeira vermelha do Comunismo ou, mais seguro e majoritário, abster-se e assistir em silêncio a uma provável Terceira Guerra Mundial.</p>
<p>Em “O Espião que Sabia Demais”, longa baseado em romance homônimo do escritor britânico John Le Carré e dirigido pelo cineasta sueco Tomas Alfredson (do terror <em>“Deixe Ela Entrar”</em>) acompanhamos, em meados dos anos 70, um grupo de agentes do Serviço Secreto de Inteligência Britânico que se envolve em uma trama de gato e rato quando emergem suspeitas de um agente duplo entre eles, que estaria fornecendo informações sigilosas tanto aos britânicos como aos soviéticos.</p>
<p>Quem enfrenta os riscos de descobrir a verdade é um experiente membro da equipe, conhecido como Control (John Hurt) que, após enviar um dos seus colegas a uma mal sucedida operação na Hungria, tem de contar com o colega aposentado George Smiley (Gary Oldman) para investigar a sujeira debaixo do tapete da renomada instituição. Se confirmada, a infiltração poderia mudar os rumos da Grã Bretanha no conflito.</p>
<p>Nesta busca pela “maçã podre da cesta”, Smiley entrará em um confronto, inicialmente velado, com a grande cúpula do Serviço de Inteligência, formado por Bill Haydon (Colin Firth), Percy Alleline (Toby Jones), Roy Bland (Ciarán Hinds) e Toby Esterhase (David Dencik). Todos ali são suspeitos de cooperar com a operação Witchcraft, grande jogada do oponente que envolve assassinatos, política e, claro, dinheiro.</p>
<p>Com a ajuda de Peter Guillam (Benedict Cumberbatch) e das pistas deixadas por Control, Smiley vai ligando os pouquíssimos rastros que o levam a Ricki Tarr (Tom Hardy), um elemento importante – e mais humano – que se envolve com Irina (Svetlana Khodchenkova), soviética intimamente ligada ao chefe do Serviço de Inteligência de Moscou, tornando-o mais um suspeito da traição. Neste emaranhado de personagens, o quebra-cabeça vai se formando a conta-gotas, onde nada é entregue de bandeja ao público até os momentos finais em um filme sério, adulto e intrigante.</p>
<p>Com uma cadência lenta que, paradoxalmente, não perde o ritmo, Alfredson cria um filme bem acabado e roteirizado, que mantém a tensão constante ao fornecer pistas que não somente instigam o espectador, mas também embaralham as suspeitas. Trocando em miúdos, é como tentar uma criança diante de um doce que ela terá de esperar para saborear. E diante de tal suspense, todos em “O Espião que Sabia Demais” são inimigos e suspeitos em potencial, com acesso a informações sigilosas do inimigo, ligações telefônicas em russo dos agentes britânicos, segredos pessoais que podem pôr tudo a perder e aí por diante.</p>
<p>A direção firme e as atuações críveis dos atores (em especial do trio Oldman, Hurt e Hardy) fazem com que a película não se perca em seu labirinto de eventos, especialmente pelo vai e vem cronológico, um caminho que, quando não bem trabalhado, pode ser fatal. Créditos para a edição, visto que o filme não deixa a desejar também com relação à direção de arte e fotografia, carregada de tons de cinza e detalhes esfumaçados, onde até mesmo os momentos de maior descontração transpiram mistério, tensão e desconfiança.</p>
<p>O resultado deve agradar aos fãs do gênero, em um filme que, por conta da frieza dos personagens, pode não criar empatia com o público, acostumado a torcer &#8211; contra ou a favor &#8211; por seus personagens. Assim, o sentimento de indiferença é capaz de permear as pouco mais de duas horas de projeção. Isso, claro, não tira todos os créditos de &#8220;O Espião que Sabia Demais&#8221;, porém a distância recíproca personagens/espectador não evolui, como se todo seu enredo tenha sido criado para contemplar e não emocionar.</p>
<p>John Le Carré, que co-assina a produção executiva e faz uma ponta no longa como convidado em uma festa de Natal, é autor de outras obras já adaptadas para a telona, como  <em>&#8220;O Alfaiate do Panamá&#8221;, &#8220;A Casa da Rússia&#8221;</em> e <em>&#8220;O Jardineiro Fiel&#8221;</em>. Em “O Espião que Sabia Demais”, cujo título original <em>“Tinker Tailor Soldier Spy”</em> vem do trocadilho da rima britânica Tinker, Tailor / Soldier, Sailor, o autor retorna com seu personagem mais famoso, George Smiley, uma versão mais plausível de agente do MI6, área do Serviço Secreto responsável pelas investigações externas. E que é, diga-se de passagem, bem diferente do “colega de trabalho” James Bond, cujo histórico em enfrentar soviéticos com muitas explosões nada lembra o discreto Smiley, que leva nas costas um filme de espionagem discreto e sem grandiloquências, bem ao estilo britânico.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
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		<title>A Hora da Escuridão: invasão alienígena resulta em suspense sem sal</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 17:45:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Mesmo tendo algumas ideias interessantes, longa falha em causar sensação de urgência ou perigo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-245802" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/A-Hora-da-Escuridão.jpg" alt="" width="222" height="301" />Um dos fundamentos mais básicos em um suspense de sobrevivência é fazer com que o público se interesse e se importe pelos personagens colocados naquela situação de perigo. Ao não fazer isso, a história, seja ela contada em um livro, série ou filme, se torna uma mera contagem regressiva para ver qual será o próximo a morrer, com a audiência jamais investindo emocionalmente em nenhuma daquelas pessoas e, consequentemente, jamais se importando com a trama.</p>
<p>Pois bem, alguém se esqueceu de contar isso aos realizadores deste &#8220;A Hora da Escuridão&#8221;, fita produzida pelo cineasta russo Timur Bekmambetov (<em>&#8220;O Procurado&#8221;</em>) e dirigida por Chris Gorak,  cujo retrospecto mais proeminente no cinema é como diretor de arte em longas como <em>&#8220;Minority Report &#8211; A Nova Lei&#8221;</em> e <em>&#8220;Clube da Luta&#8221;</em>. Unir dois profissionais que não são exatamente especialistas em desenvolvimento de personagens provavelmente não ajudou no sucesso da produção.</p>
<p>A trama básica mostra os desenvolvedores de software americanos Sean (Emile Hirsch) e Ben (Max Minghella) em aventura pela Rússia tentando fechar um grande negócio. Durante uma balada noturna, os dois conhecem as turistas Natalie (Olivia Thrilby) e Anne (Rachael Taylor). Tudo corria bem, até estourar uma invasão alienígena que os coloca em uma corrida pela própria sobrevivência.</p>
<p>Os aliens, aparentemente sem corpos físicos, são capazes de desintegrar seres vivos ao entrar em contato com eles. A presença das criaturas é delatada por surtos de eletricidade, como o ligar repentino de lâmpadas ou celulares. Ou seja, são antagonistas com um potencial formidável para um longa de suspense. No entanto, o visual pouco ameaçador das luzes amarelas da &#8220;aura&#8221; dos aliens e o efeito copiado de <em>&#8220;Guerra dos Mundos&#8221;</em> dos ataques destes acabam minando essa possibilidade. Até mesmo quando os bichos aparecem em sua forma real eles lembram mais um <em>Pokémon</em> do que qualquer outra coisa.</p>
<p>Outro problema são os personagens. O cast principal conta com ótimos jovens atores. Ninguém duvida do talento de Emile Hirsch, Max Minghella ou Olivia Thrilby. A questão é que eles não possuem espaço para trabalhar e estabelecer seus personagens, contando com cerca cinco minutos de histórias pessoais antes dos aliens invadirem, com a fita jamais permitindo que os conheçamos. Nesse sentido, o longa mais parece um adolescente ansioso para chegar ao clímax, pulando todas as preliminares.</p>
<p>Durante o segundo ato, são apresentados novos personagens russos, todos bastante caricatos e sem muita expressão, quase como se o roteiro estivesse cumprindo as cotas de adolescentes sobreviventes, militares durões e cientistas loucos. Chris Gorak ainda tem uma desatenção a detalhes que é preocupante. Em dado ponto, os protagonistas passam quase uma semana barricados em alguns escombros. Nesse período, nem as roupas deles ficam amarrotadas ou rasgadas e nem a barba dos rapazes cresce um milímetro que seja. Sem contar a arma elétrica que, mesmo molhada, continua a funcionar.</p>
<p>Além disso, a montagem é trôpega, com o cineasta e seus três montadores usando tanto o recurso do <em>fade out</em> que  começa a irritar. Dando a mão à palmatória, o diretor consegue arrancar algumas tomadas interessantes de Moscou deserta, coberta com as cinzas dos mortos, e a película conta com alguns efeitos bem realizados, principalmente nos escombros da metrópole russa, mas é pouco para compensar o investimento.</p>
<p>Quando visitamos uma cidade nova, nos sentimos como um elemento estranho ali e a adição de uma invasão alienígena seria uma oportunidade interessante para lidar tal premissa. No entanto, os realizadores falharam em perceber isso. A falta de grandes cenas de ação e a inclusão de uma trilha sonora genérica completam o espetáculo tedioso, que termina em um gancho para uma sequência que provavelmente nunca sairá.</p>
<p><em>___<br />
<strong><em>Thiago Siqueira</em></strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Tomboy: sobre orientação e opções inerentes à natureza do ser humano</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 17:33:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de “Lírios D’Água”, a francesa Céline Sciamma volta seus olhos delicados para o universo infantil em filme discreto, mas cheio de atitude.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-245757" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/Tomboy.jpg" alt="" width="222" height="303" />Experimente assistir a “Tomboy” de olhos fechados, sem ler a sinopse e muito menos essa crítica. Vale a pena, acredite! Teste o seu preconceito e o seu conceito do que é ser feminino e masculino. Adentre a história escrita e dirigida por Céline Sciamma sem expectativas e se envolva na nova rotina da criança que protagoniza esta produção. A naturalidade do trabalho de Sciamma, que dispensa completamente a trilha sonora, já proporciona suficientes atrativos com o que se envolver, característica que fica mais explícita nas ótimas interpretações de todo o elenco. Pois é exatamente com essa mesma naturalidade, com apenas uma tomada, que o longa revela suas verdadeiras intenções.</p>
<p>Michael, na verdade, não é Michael, e sim Laura (Zoé Héran), uma menina moleque (tradução literal do título do filme) que adora vestir roupas tradicionalmente feitas para garotos e que não curte se maquiar, mas sim jogar futebol. Sua aparência, de cabelos curtos, corpo magro e traços pouco delicados, permitem-na confundir com um menino. E é o que ela finge ser ao fazer amizades no novo apartamento para onde a família se mudou. Não era o objetivo dela, como deixa implícita a direção de Sciamma ao fazê-la calar-se por um momento quando lhe perguntam seu nome pela primeira vez, mas a maneira que encontra para não ser rejeitada e se entrosar mais facilmente.</p>
<p>Dando uma maturidade acima do comum para crianças da idade, mas nunca exagerando, o roteiro constrói a personalidade de sua protagonista como uma pessoa já consciente de sua condição “diferenciada”, mas que jamais busca mudar ou moldar-se à estética padrão. Não há como, explicam as sequências comandadas pela cineasta que não hesitam em apreciar o arborizado bairro que agora habitam. Está em sua natureza. Pode até ser uma opção a maneira como ela se veste, mas o seu comportamento é imodificável. Ela nasceu assim e dessa mesma forma se sente confortável.</p>
<p>Com mais atitude do que aparenta ter, o filme, que até o seu segundo ato aborda o processo de aceitação de Michael/Laura pelos novos amigos, testa o espectador ao introduzir a temática sexualidade com uma discrição e um cuidado invejável, defendendo a mesma teoria que tão bem desenvolveu até ali. Um sorriso depois de um simples e inocente beijo é o suficiente para que “Tomboy” ouse em suas pretensões humanísticas e faça deste, provável e infelizmente, o primeiro imbróglio em que Laura se envolverá.</p>
<p>Mas se depender da desenvolvida sociedade apresentada por Céline Sciamma, ela sofrerá menos, especialmente por pertencer a uma família que a aceita como ela é, que a deixa se vestir como deseja, que não a julga. A mãe, por exemplo, não expressa estranhamento ao vê-la maquiada pela primeira vez, chegando a fazer um curto elogio sobre a face quase escondida pela timidez da garota. O pai também jamais a pressiona. Já com a irmã mais nova compartilha os momentos mais divertidos, em uma relação bonita e de grande química entre as talentosas Zoé Héran e Mallon Lévanna, como Jeanne, que seria ainda uma melhor personagem se fosse dona de uma consciência mais condizente com sua idade.</p>
<p>Sem nomear os pais das garotas, Céline Sciamma, na verdade, quase vislumbra uma família perfeita, que respeita seus gostos e a sua forma natural de ser. A cor neutra na roupinha do novo irmãozinho revela um lar harmonioso, não abalado tão facilmente, onde as discussões raramente acontecem. Exatamente como é em “Tomboy”, um longa ousado de temática importante, mas que a aborda sem exageros ou dramatizações melodramáticas, situações corriqueiras em filmes sobre o assunto, as quais que não resistem à delicadeza dessa cineasta, que como poucos fala sobre sexualidade.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
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		<title>As Aventuras de Sherlock Holmes: um clássico do melhor detetive do mundo</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/245719/as-aventuras-de-sherlock-holmes-um-classico-do-melhor-detetive-do-mundo/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 17:16:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa de 1939 é uma boa opção para introdução ao universo criado por Sir Arthur Conan Doyle.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="wp-image-245771 alignleft" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/the-adventures-of-sherlock-holmes-movie-poster-1939-1020144261.jpg" alt="" width="222" height="332" />As obras literárias de Sir Arthur Conan Doyle sempre renderam ótimas adaptações cinematográficas. Os filmes de Sherlock Holmes – o melhor e mais famoso detetive do mundo – acompanharam praticamente toda a história do cinema, começando a ser produzidos no início do século XX e estando até hoje em voga, mais populares do que nunca. Vários foram os atores que interpretaram o personagem, mas nenhum deles é tão lembrado quanto Basil Rathbone, que foi quem mais viveu o detetive nas telonas.</p>
<p>&#8220;As Aventuras de Sherlock Holmes&#8221;, de 1939, foi inspirado na peça de William Gillette e é o segundo filme do ciclo de Rathbone e de Nigel Bruce como Dr. Watson. Logo no início, vemos a intrigante relação passivo-agressiva entre Sherlock Holmes e seu maior inimigo, o Professor Moriarty (George Zucco). Ao mesmo tempo em que há uma mútua admiração da inteligência de cada um, existe também um ódio por parte de ambos que, embora explícito, se dá de uma maneira extremamente elegante.</p>
<p>As sequências do julgamento e da conversa entre os dois exercem as funções básicas do primeiro ato de forma pouco tradicional, mas muito efetiva. Ao longo da conversa, percebemos que Holmes e Moriarty são muito parecidos, e a única coisa que os separa é o ego. Embora o vilão torne mais claro esta vaidade e arrogância, é fácil notar uma motivação equivalente neste sentido por parte do detetive. Ambos têm a plena consciência e o orgulho de admitir que o único que pode vencê-los é o outro. Eles parecem se importar mais com essa competição do que com o próprio lucro do crime, por um lado, ou o estabelecimento da justiça, por outro.</p>
<p>É interessante como algumas cenas de pouca relevância para a trama são muito bem aproveitadas para revelar características da personalidade dos protagonistas ao longo de todo o filme. Por exemplo, na cena em que Moriarty diz que seu mordomo deveria ser mais punido por ter deixado sua planta morrer do que ele foi por ter assassinado uma pessoa, fica claro o seu desprezo pela vida humana. Já quando ele chama seu mordomo de covarde por não ter realizado o desejo de cortar sua a garganta enquanto fazia sua barba com uma navalha, é notável seu divertimento com provocações psicológicas.</p>
<p>Já no personage Sherlock Holmes, percebemos seu hábito natural de observação cotidiana quando ele deduz que um empregado empurrou a sujeira para debaixo do tapete porque seus sapatos estavam sujos de poeira. Quando ele procura uma relação entre as notas musicais e o comportamento das moscas – cena esta reproduzida no primeiro filme da atual franquia de Guy Ritchie –, notamos seu fascínio pela ciência.</p>
<p>A fotografia é sutil, mas muito bem trabalhada. O uso de sombras para indicar a localização e a ação de algum personagem que não aparece no quadro – como na cena em que um capanga de Moriarty toca um instrumento de sopro dentro de um cômodo e quando Holmes sobe as escadas correndo – é uma maneira sagaz de manipular a iluminação a favor da narrativa. Porém, no clímax, esse recurso pontual se torna uma opção estética para toda a sequência. O jogo de sombras que envolve toda a perseguição de Holmes a Moriarty é recheada com cenários e planos que lembram muito o expressionismo alemão. A ousada quebra da unidade estética em relação ao resto do filme gera um nível de tensão particular.</p>
<p>&#8220;As Aventuras de Sherlock Holmes&#8221; é uma ótima opção para introduzir o universo de Sir Arthur Conan Doyle no cinema a quem nunca teve contato com este. Foi extremamente importante para estabelecer certas regras da franquia, como a clássica frase <em>“Elementar, meu caro Watson”</em>, popularizada a partir deste filme. No mais, ainda contém toda a atmosfera de mistério e as reviravoltas que um bom suspense policial exige.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
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		<title>As Aventuras de Tintim: técnica impecável marca animação divertida</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 22:33:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lais Cattassini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Animação surpreende crianças e diverte adultos, comandada brilhantemente por Steven Spielberg.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-245475" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/As-Aventuras-de-Tintim.jpg" alt="" width="222" height="326" />As histórias do repórter belga que, acompanhado de seu cãozinho Milu, desvenda grandes casos de conspiração mundial, foram muito bem reproduzidas na série animada dos anos 90. Ao ganhar sua versão para o cinema, a animação optou pela captura de movimento, uma técnica que nem sempre traz bons resultados. Apesar de ser dirigido por Steven Spielberg e roteirizado por Steven Moffat e Edgar Wright, britânicos responsáveis por algumas das melhores histórias da atualidade (<em>&#8220;Doctor Who&#8221;</em> e <em>&#8220;Todo Mundo Quase Morto&#8221;</em>, respectivamente), eu ainda tinha as minhas dúvidas sobre a qualidade de “As Aventuras de Tintim”.</p>
<p>A surpresa foi mais do que grata. “As Aventuras de Tintim” é um filme divertido, muito bem feito e com uma história absurdamente envolvente. Adapatado do quadrinho “O Segredo do Licorne”, o filme acompanha os apuros pelo qual passa o jovem repórter depois de comprar um modelo de um navio cobiçado por um estranho colecionador. É nessa aventura que Tintim irá conhecer o Capitão Haddock, um personagem engraçado que o acompanha em grande parte de suas aventuras.</p>
<p>Os quadrinhos de Hergé são um prato cheio para as adaptações cinematográficas. Quem conhece o personagem sabe que Tintim não foge da ação e está sempre aparecendo em cenários diferentes. O filme não é diferente. Tintim, Milu e Haddock visitam toda espécie de cenário, magnificamente construído pela computação gráfica. Assim como os lugares que visitam, os personagens são construídos de forma belíssima. Os traços de Hergé continuam lá. Tintim exibe seu famoso topetinho ruivo e Haddock tem a mesma barba e o ar beberrão do desenho tradicional, mas a técnica da nova animação suavisou os traços cartunescos e tornou a turma mais verossímil.</p>
<p>Mesmo escondidos por trás dos traços de Hergé, os atores que emprestaram suas vozes e movimentos aos personagens imprimem muita personalidade às figuras. Tintim foi interpretado por Jamie Bell, que faz um trabalho justo. Já o capitão Haddock foi papel de Andy Serkis, que pode ser considerado um especialista em atuar por captura de movimento. O ator já foi o Gollum, King Kong e César, dorecente <em>“Planeta dos Macacos: A Origem”</em>. Sua experiência transparece em um capitão que rouba a cena e é um dos personagens mais expressivos do filme. Também estão no elenco Nick Frost e Simon Pegg, interpretando os policiais Dupont e Dupond, e Daniel Craig, que empresa sua voz ao vilão.</p>
<p>“As Aventuras de Tintim” dosa muito bem ação e comédia. Entre cenas de explosões, tiros e perseguições, somos apresentados a boas piadas, normalmente protagonizadas por Haddock, que nessa versão ficou ainda mais envolvido com o álcool. Esse, aliás, pode ser uma das críticas feitas por quem é fã da série. Diferente dos quadrinhos, onde Haddock bebe, mas não exagera, o personagem do filme é um alcoólatra inegável. Ele chega a ficar limitado pela abstinência. Seu amor pela bebida, entretanto, gera excelentes momentos de descontração, assim como as peripécias de Milu, que deve conquistar ainda mais as crianças.</p>
<p>Para dar ainda mais intensidade a um filme que une um elenco primoroso a diretor e roteiristas de talento, a trilha sonora foi composta por John Williams que, claro, não decepciona. Somente a cena de abertura, feita em animação 2D e com uma trilha instrumental fantástica, já é de cair o queixo. Não precisa muito mais para ter a certeza de que a exibição, que dura cerca de 1 hora e 40 minutos, será inesquecível.</p>
<p>A animação, que certamente vai surpreender as crianças e divertir os adultos, deixa o espectador pedindo por mais. Se o próximo filme, baseado na história <em>“O Templo do Sol”</em> e dirigido por Peter Jackson vai ser tão bom quanto o primeiro da série não temos como saber. Mas o fato é que, se for apenas uma fração do que é o longa dirigido por Spielberg, a produção já sairá ganhando.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Lais Cattassini</strong> é jornalista paulistana, graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2009. É repórter do Jornal da Tarde, em São Paulo, e membro do CCR desde 2007.</em></p>
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		<title>Cavalo de Guerra: Spielberg emociona em épico sobre a Primeira Guerra</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 04:46:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Colocando o coração nas lentes de sua câmera, o diretor ignora a preferência das audiências modernas por tramas ambíguas do ponto de vista moral e nos entrega um longa mais simples e sincero, mas visualmente belíssimo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-244458" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/cavalo-de-guerra-poster-2.jpg" alt="" width="222" height="321" />Steven Spielberg é um homem sentimental. Seus filmes às vezes beiraram a pieguice e, em um mundo marcado por cinismo, isso pode ser considerado um defeito para muitos. Mas, ao nos mostrar um conto de coragem e amizade que, mesmo se passando no mundo &#8220;real&#8221;, apresenta-se mais como uma parábola do que como qualquer outra coisa, ser piegas pode ser uma coisa boa. Em &#8220;Cavalo de Guerra&#8221;, ele se utiliza dos olhos do animal do título para nos mostrar as virtudes de uma vida simples e os horrores de uma das mais sujas das guerras, sempre com o lado emocional em evidência.</p>
<p>Baseado no livro infantil de Michael Mopurgo, adaptado pelos ingleses Lee Hall (<em>&#8220;Billy Elliot&#8221;</em>) e Richard Curtis (<em>&#8220;A Garota do Café&#8221;</em>), a trama do filme segue as jornadas de Joey, cavalo dos humildes Narracotts que forja uma incrível amizade com Albert (Jeremy Irvine), filho do seu dono, Ted (Peter Mullan), e responsável por treiná-lo. Juntos, eles tentarão salvar a fazenda das mãos do ganancioso Lyons (David Twellis), arrendatário das terras onde a família vive. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial, Albert e Joey são separados, com o cavalo sendo vendido para o exército inglês e começando sua estadia nos campos de batalha europeus.</p>
<p>Na parte inicial da projeção, Spielberg faz uma ode a um estilo de vida mais simples, com o tom da trama se tornando cada vez mais sombrio à medida que a guerra avança e o &#8220;romantismo&#8221; do combate clássico dá lugar às impiedosas máquinas de guerra, que destroçam tudo o que vêem pela frente. Joey leva o público consigo em diversos momentos do conflito, nos mostrando o sofrimento de soldados e civis. O impacto da brutalidade dos confrontos se torna maior graças ao contraste com o clima rural idílico proposto inicialmente, ilustrando muito bem outra grande luta da Primeira Guerra: o natural contra o maquinário.</p>
<p>O elenco reunido pelo cineasta, primariamente britânico, se apresenta de maneira bastante competente, com breves ressalvas ao próprio protagonista humano. A performance de Jeremy Irvine, em sua estreia em longas-metragens, não é exatamente ruim e o ator convence ao compor a amizade de Albert e seu amigo equino e sua luta para transpor adversidades quase intransponíveis. No entanto, Albert quase não possui nuances a serem exploradas e dá pouco espaço para que Irvine manobre, tornando-o um tanto quanto unidimensional. Nesse sentido, os talentosos Tom Hiddleston e David Kross, que vivem respectivamente um capitão inglês e um recruta alemão, acabam por chamar mais a atenção do público, mesmo tendo muito menos tempo de tela.Destaco ainda a bela participação do ótimo ator francês Niels Arestrup, como um camponês que tenta ajudar sua netinha a suportar esse período difícil.</p>
<p>Mas os grandes nomes do elenco são mesmo os cavalos que &#8220;vivem&#8221; Joey durante a película. Mostrando grande capacidade de expressão, não só através grandes olhos, mas por todo o corpo, os animais demonstram emoções de um modo surpreendente, tornando fácil a conexão com o público. Ora, até mesmo o relacionamento de Joey com um cavalo &#8220;rival&#8221; é retratado com maestria graças ao talento dos intérpretes equinos.</p>
<p>Apesar de sangue jamais ser mostrado na tela, não há como negar que &#8220;Cavalo de Guerra&#8221; é um filme violento. Adepto da máxima &#8220;menos é mais&#8221;, o diretor jamais depende da violência gráfica para ilustrar os horrores pelos quais os personagens passam, deixando-os sempre implícitos e utilizando inteligentes saídas para evitar mostrá-los diretamente para o público.</p>
<p>Visualmente falando, trata-se de um dos trabalhos mais bonitos de Spielberg. Muito graças ao design de produção belíssimo (e históricamente acurado) de Rick Carter, mas mais ainda devido à genialidade de sempre do veterano cinematógrafo Janusz Kaminski. Ele e Spielberg buscaram inspiração nos antigos épicos da velha Hollywood, como <em>&#8220;&#8230;E o Vento Levou&#8221;</em> e nos <em>westerns</em> de John Ford, resultando em uma verdadeira carta de amor ao cinema.</p>
<p>Os <em>travellings</em> e planos abertos do filme, cheio de cores vivas e vibrantes, são tão impressionantes quanto seus planos fechados, sombrios e quase claustrofóbicos, mostrando o alcance do talento de Kaminski. Claro que também não atrapalha em nada tais cenas serem embaladas pela magistral trilha do maestro John Williams, que se mostra completamente à vontade aqui.</p>
<p>Meu conselho para quem for se aventurar por &#8220;Cavalo de Guerra&#8221; é que embarque com corações, olhos e ouvidos abertos para este sincero e inocente épico da sétima arte. A recompensa vale a pena.</p>
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		<title>As Aventuras de Agamenon, O Repórter: comédia nacional pouco inspirada</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 04:34:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Piadas pontuais marcam este fraco o longa-metragem que conta a vida e, principalmente, os causos protagonizados por esse controverso jornalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft  wp-image-244633" title="As Aventuras de Agamenon, O Repórter" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/asaventurasdeagamenonposter.jpg" alt="" width="222" height="329" />Os últimos anos deixaram bastante claro que adaptar <em>sitcoms</em> e quadros televisivos nacionais para os cinemas não deriva nos mais agradáveis dos resultados. Não se trata apenas de se estender episódios curtos para outros de no mínimo oitenta minutos, mas sim de modificar linguagens, alterar padrões e incluir irresistíveis novidades. <em>“Os Normais”</em> (em ambas as produções),<em> “A Grande Família”</em> e, mais recentemente<em>, “Cilada”</em> deixaram explícita essa dificuldade ao simplesmente apresentarem, em seus respectivos longas-metragens, piadas pontuais, que certamente divertem, mas que não passam de um entretenimento mediano que afronta a linguagem cinematográfica. Do mesmo mal sofre este “As Aventuras de Agamenon, O Repórter”, coluna do Jornal O Globo que virou quadro do Fantástico, de onde jamais deveria ter saído.</p>
<p>De meros cômicos causos protagonizados por um jornalista controverso passamos a assistir meros cômicos causos protagonizados por esse mesmo profissional, com a diferença que são vários ao mesmo tempo, além de sabermos, desnecessariamente, da vida pessoal desse homem de destino conturbado, empregado do mesmo jornal O Globo e com uma incrível capacidade de estar presente em eventos históricos. Funciona mais ou menos como se comprássemos o DVD das temporadas já exibidas e assistíssemos a todos os episódios de uma só vez, com direito a extras contando isoladamente sua biografia, já que a cola que une todas essas histórias pertence a uma marca de péssima qualidade.</p>
<p>E a cola ruim fica sob responsabilidade da narração em <em>off</em> de uma Fernanda Montenegro visivelmente desconfortável e de um Ruy Castro surpreendentemente natural. O roteiro dos ex-cassetas Hubert, que interpreta o próprio Agamenon na versão atual, e Marcelo Madureira, pelo menos, tem a ideia inicial de realizar um falso documentário em que artistas e políticos, como Caetano Veloso e Fernando Henrique Cardoso, contam as suas próprias experiências com o repórter, exaltando a sua fama e dando ao filme um ar ainda mais brincalhão, como se a essência do personagem já não fosse suficiente. E como não poderia faltar em docs sobre personalidades, está lá Nelson Motta, em um dos melhores momentos do longa, fazendo piada sobre as próprias recorrentes participações em produções do gênero.</p>
<p>A partir de então, as aventuras do jornalista começam verdadeiramente, indo de tiroteios na esquina a intervenções na Segunda Guerra Mundial. Felizmente, neste caso, pretensão não falta ao <em>script</em> de Hubert e Madureira, que colocam Agamenon nas mais bizarras situações, sendo algumas delas incrivelmente originais e outras nem tanto. Em suma, a História Contemporânea do Mundo é reescrita através de um humor anárquico, mas jamais crítico, que por vezes visita o limite do mau gosto, quase extrapolando-o, o que certamente incomodará os mais conservadores. Até mesmo personagens do mundo do cinema que estiveram presentes em versões ficcionais de eventos históricos entram na brincadeira, sendo o “momento Titanic” outro que merece ser citado.</p>
<p>Se diversas dessas partes funcionam isoladamente, o conjunto decepciona e torna-se mais frágil quando partes específicas da vida profissional de Agamenon, como as entrevistas mais marcantes, são exibidas sem diálogo algum com o já desmembrado conteúdo apresentado, tornando explícito o grande episódio que é o filme. Nem mesmo a inserção da personagem Isaura (Luana Piovani), como o caso conjugal do protagonista, ajuda a fazer de Agamenon alguém minimamente real, já que o romance esbarra na ânsia do roteiro em vomitar um humor mais físico do que o habitual, que não hesita em explorar toda a sensualidade de Piovani. E alguém pode explicar a razão da existência do psicoproctologista Jacintho Leite Aquino Rêgo (Madureira) além da possibilidade de fazer graça sobre o seu nome e sua profissão?</p>
<p>Entre estas e outras caricaturas exageradas (não se trata de uma redundância, acredite), pelo menos temos Marcelo Adnet, como o jovem Agamenon, demonstrando ainda mais versatilidade e ensinando aos colegas de filme que para ser engraçado não é preciso muitas caras e bocas. Ele se aproveita ao máximo da edição dinâmica e da direção de Victor Lopes, que, mesmo sendo mais cinematográfica do que outras adaptações de séries e quadros televisivos, soa confusa ao misturar colagens com restituições, quando a primeira estratégia é bastante superior à segunda e proporcionam as melhores sequências desse filme, as quais fariam juz à originalidade de seu protagonista se continuassem a ser exibidas semanalmente, sem pretensões além.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
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		<title>Janela Indiscreta: uma das principais realizações de Alfred Hitchcock</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/244483/janela-indiscreta-uma-das-principais-realizacoes-de-alfred-hitchcock/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 03:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Além do lado técnico impecável, longa também é um bom entretenimento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-244579" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/Janela-Indiscreta.jpg" alt="" width="222" height="325" />Poucos são os cineastas que detém um completo e seguro conhecimento sobre a linguagem cinematográfica. Alfred Hitchcock foi um deles. Seu domínio sobre as possibilidades de manipulação técnica a serviço da arte é demonstrado na grande maioria de suas obras, entre elas, &#8220;Janela Indiscreta&#8221;. O filme conta a história de L. B. Jefferies (James Stewart), um fotógrafo que sofre um acidente de trabalho e é obrigado a ficar de repouso durante um certo período. Incapacitado de se movimentar livremente, Jeff passa a maior parte do tempo em uma cadeira de rodas, observando sua vizinhança através da janela de sua casa. Durante suas observações, ele começa a desconfiar que um de seus vizinhos matou a esposa.</p>
<p>Desde o começo, é fácil perceber a habilidade do diretor no trabalho das imagens como fonte principal de construção narrativa. Trata-se de uma sequência na qual somos apresentados à vizinhança onde ocorre toda a trama e, em seguida, ao protagonista. O gesso na perna com a inscrição “aqui jazem os ossos quebrados de L. B. Jefferies” já deixa claro quem ele é e em que estado se encontra. Logo depois, uma câmera fotográfica quebrada e fotos de um acidente nos revelam o que ele faz e o que aconteceu com ele. Isso contribui bastante para o ritmo do filme, uma vez que o primeiro ato resolve tais questões explicativas logo na primeira sequência, fornecendo tempo para desenvolver o personagem a partir do momento em que suas ações afetam diretamente o desenrolar da história.</p>
<p>O padrão do movimento de câmera dessa primeira sequência é repetido diversas vezes durante o filme: uma panorâmica mostrando os apartamentos vizinhos e, em seguida, um recuo que mostra Jeff e revela de onde parte essa visão. A opção por essa constante é talvez um dos maiores méritos da direção de Hitchcock na obra porque ao mesmo tempo em que estabelece uma coesão narrativa, servindo como ponto de apoio para toda a trama, remete ao significado da própria prática de observação/espionagem do protagonista.</p>
<p>Isso é apontado em uma das cenas em que Jeff conversa com sua namorada Lisa (Grace Kelly), enquanto ambos olham os vizinhos pela janela. É como se cada morador fosse uma projeção de algum conflito interno de Jeff: o pianista que mora sozinho representa o tipo de vida que ele almeja, com liberdade e descompromisso; o casal recém-casado remete à sua constante discussão com Lisa sobre esse tema; a “Sr. Coração Solitário” representa seu medo de ficar sozinho e infeliz pelo resto da vida, caso não se case com Lisa; e a bailarina, uma bela jovem que vive rodeada por homens, é como Jeff imagina que seja a vida de sua namorada. Dessa forma, não é à toa que a câmera sempre recua para dentro do apartamento do protagonista após um passeio por cada uma das janelas alheias, como se estas fossem internalizadas.</p>
<p>Ainda neste sentido, o único momento além do clímax em que o ponto de vista sai do apartamento em alguns planos é na cena da morte do cachorro. Na sequência, a dona do animal acusa os vizinhos de o terem matado e fala sobre como eles devem se gostar em vez de cometer tais atos. A câmera não é alheia ao drama da personagem, atrevendo-se a compor planos mais fechados que mostram a face de alguns dos coadjuvantes, antes vistos somente em planos abertos. Talvez esta seja a cena mais importante do filme, pois além de servir como ponto de virada para a trama, dialoga com o próprio espectador por meio da crítica a uma sociedade que evolui de modo cada vez mais individualista. Isso fica evidente no final desta sequência, quando todos os que saíram para a sacada de seus apartamentos e escutavam surpresos ao monólogo da dona do cachorro simplesmente retornam a seus afazeres como se nada tivesse acontecido.</p>
<p>Porém, é no clímax que Hitchcock mostra sua verdadeira marca. A tensão construída se baseia no tradicional desenvolvimento de dois eventos simultâneos e interligados, muito trabalhado por D. W. Griffth nos primórdios da sétima arte: algo de ruim está prestes a acontecer enquanto a salvação corre para impedir. Entretanto, em Griffith, esta tensão é construída revelando ambos os eventos através da montagem paralela; já Hitchcock optou por fixar a atenção só no evento trágico que está perto de acontecer – também para manter todo o filme no mesmo ambiente, a vizinhança –, mas sem deixar de fornecer informações ao espectador que pessoas estão a caminho desta situação para impedi-la. Isso torna o evento ainda mais tenso, pois não sabemos o quão perto ou longe essas pessoas se encontram.</p>
<p>Alfred Hitchcock soube lidar com a linguagem cinematográfica como poucos porque explora ao máximo cada situação do filme, estendendo sua utilidade narrativa para mais de uma função. &#8220;Janela Indiscreta&#8221; é sempre lembrado como um dos melhores filmes do diretor, servindo ao mesmo tempo como fonte de estudo técnico e como ótimo entretenimento.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
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		<title>Imortais: épico de ação erra ao apostar apenas no choque gráfico</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/243335/imortais-epico-de-acao-erra-ao-apostar-apenas-no-choque-grafico/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 19:48:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Diretor indiano mistura referências bollywoodianas com temas gregos e o resultado acaba sendo digno do carnaval carioca.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-243780" title="Imortais" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/imortais-poster-peq.jpg" alt="" width="222" height="334" />É possível fazer um filme divertido com um roteiro ruim, embora seja bastante improvável. No entanto, é praticamente impossível sair algo aproveitável ao se juntar um texto ruim e uma direção pedante. Esse é exatamente o caso de &#8220;Imortais&#8221;, fita de ação baseada nos mitos gregos que chega (atrasado) na esteira de <em>&#8220;Fúria de Titãs&#8221;</em> e <em>&#8220;300&#8243;</em>.</p>
<p>Escrito pelos desconhecidos Charley Parlapanides e Vlas Parlapanides (americanos com ascendência grega), o filme mostra a jornada do mortal Teseu (Henry Cavill) para impedir que o rei louco Hipérion (Mickey Rourke) coloque suas mãos no lendário Arco de Éforos, uma poderosa arma que pode libertar os titãs e destruir os deuses e o mundo. Em sua missão, Teseu terá a ajuda do ladrão Stavros (Stephen Dorff) e da oráculo Faedra (Freida Pinto).</p>
<p>O roteiro é um verdadeiro queijo suíço, com personagens entrando e saindo da narrativa sem muitas explicações, com estes jamais tendo suas motivações expostas na tela de maneira clara. Ao não nos dar nem ao menos um relance da família de Hypérion, explicação oferecida para sua insanidade, impossibilita-se uma maior aproximação com o vilão.</p>
<p>Também é impossível entender o motivo de Stavros se juntar a Teseu em sua busca quase suicida, as razões da persistência de Zeus (Luke Evans) em manter a lei que o impede de ajudar Teseu mais diretamente ou mesmo a insistência de Atena (Isabel Lucas) em desrespeitar tal decreto.</p>
<p>Henry Cavill mostra disposição para as cenas de luta e é um ator carismático, tendo todo o ar de herói que o projeto requer. John Hurt, mesmo aparecendo pouco, se mostra à vontade no papel de mentor do protagonista e é sempre bom ouvir sua voz rouca característica. Mickey Rourke, por sua vez, atua no piloto automático, se mostrando um vilão desinteressante, com sua característica mais marcante sendo o sadismo, o que fica chato depois de duas ou três cenas. Já dentre os coadjuvantes, Stephen Dorff está insuportável como de costume e Freida Pinto parece ter sido colocada como um enfeite bonito para o público masculino.</p>
<p>A verdadeira &#8220;estrela&#8221; da produção é o diretor Tarsem Singh (que também assina apenas como &#8220;Tarsem&#8221;, dependendo do seu humor). Desde a ficção científica <em>&#8220;A Cela&#8221;</em>, sua estreia nos cinemas, ficou claro que o cineasta adora exibir na tela visuais mais exóticos, tentando dar uma aura de maior profundidade às suas obras por meio de fetiches gráficos. Aqui reunido com seus colaboradores habituais, o designer de produção Tom Foden e a figurinista Eiko Ishioka, o indiano leva os mitos gregos à Sapucaí, nos mostrando uma Grécia Antiga bizarramente carnavalesca, excessivamente adornada.</p>
<p>Nada explica o visual esquisitíssimo dos deuses gregos adotado pela produção, causando risadas no público ao invés de reverência. Quebrar a iconografia visual estabelecida para o panteão helênico é uma coisa mais do que aceitável hoje em dia, considerando o excesso de obras audiovisuais sobre os mitos gregos, mas transformar as divindades em Acadêmicos do Grande Olímpo é sabotar o próprio filme. Dar um visual que beira o sado-masoquista a Hipérion e aos titãs, sem muita explicação, também gera resultados igualmente risonhos, vide a aparição do &#8220;Minotauro&#8221;.</p>
<p>O clima mais exagerado e um tanto teatral proposto por Tarsem e sua equipe jamais casa com o banho de sangue que são as cenas de ação que surgem durante a projeção, claramente tiradas de <em>&#8220;300&#8243;</em>, inclusive com o <em>slow motion</em>, a angulação <em>side-scroll</em> e a tendência ao <em>gore</em>. O problema é que as cenas absurdas ali funcionavam exatamente pelo tom cartunesco dado por Zack Snyder. Tarsem, por sua vez, jamais deixa espaço para o humor em sua tentativa de épico, se levando absolutamente a sério.</p>
<p>O mais frustrante é que, mesmo com o roteiro se utilizando de deuses e armas fantásticas, tais elementos jamais são empregados por Tarsem de maneira criativa nas sequências de luta, nem mesmo nas que envolvem os combates entre seres imortais, que se resumem a embates genéricos dos deuses contra oponentes absolutamente iguais e, ao que parece, infinitos. Aparentemente, as divindades perdem seus poderes quando lutam entre si, só isso explicando a ausência de suas habilidades especiais nesses momentos.</p>
<p>Não posso deixar de falar do 3D, essencialmente inútil, servindo apenas para matar a fotografia com o escurecimento da imagem, sendo a projeção tradicional preferível, caso decida conferir a produção. Sem ritmo e contando com cenas de ação requentadas, a única coisa que “Imortais” teria para oferecer ao seu público seria seu visual. Infelizmente, trata-se de um filme de ação, não de um desfile de moda.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Thiago Siqueira</em></strong><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Alvin e os Esquilos 3: quando superioridade não significa qualidade</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 01:27:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Retorno de Jason Lee e viagem para longe da civilização marcam o  filme mais agradável da franquia, que continua a subestimar seu público alvo. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-243778" title="Alvin e os Esquilos 3" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/01/alvin-3-poster-peq.jpg" alt="" width="222" height="334" />Por mais insignificante que possa parecer Dave, o personagem interpretado por Jason Lee na franquia dos esquilos artistas nascida em 2007, ele fez muita falta na completa tortura que foi o segundo filme. Tratava-se do único ser vivo sóbrio, com um mínimo de seriedade, em meio a gente e bichos imbecilizados em tramas que seguem pelo mesmo caminho, mas que por alguma razão conseguem lotar as salas de cinema e garantir mais uma sequência. O retorno de Lee em “Alvin e os Esquilos 3” não é o suficiente. No entanto, garante escassos momentos de pretensa afetividade e ordem neste mundo habitado por animais elétricos que irritantemente cantam, dançam e falam sem parar.</p>
<p>Outra boa escolha do roteiro escrito por Jonathan Aibel e Glenn Berger é retirar essa esquisita família americana do continente e, inicialmente, levá-los para um cruzeiro, para que possam aproveitar as férias. É o sinal que o público será poupado de medonhos concursos de calouros de resultados mais do que previsíveis, o que realmente acontece (com exceção de uma vergonhosa disputa em plena boate do barco). De fato, os números artísticos são, felizmente, reduzidos, limitando-se a apresentações curtas que “homenageiam”, principalmente, Lady Gaga e Katy Perry em performances que já não mais impressionam ninguém. Substituindo-as está uma aventura clichê que inclui nada menos do que a busca por um tesouro escondido há milhares de anos. Quanta originalidade!</p>
<p>A situação citada acaba ocorrendo em uma ilha aparentemente inóspita, onde Alvin, Simon e Theodore, juntamente com as três esquiletes, abrigam-se, depois de um acidente causado pelo líder dos esquilos em pleno cruzeiro, e esperam com esperança a chegada de Dave. A partir de então, o filme vira uma espécie de <em>“O Náufrago”</em> sem a dramaticidade da luta pela sobrevivência, mas com as referências à querida bola Wilson, aqui multiplicada por três e nem por isso causando o efeito cômico desejado. As piadas, por sinal, continuam pouco inspiradas, já que exploram novamente a personalidade dos bichinhos, com sua energia, inteligência e doçura demasiadamente bem definidas.</p>
<p>Na verdade, as danações armadas por Alvin incomodam mais do que empolgam, certificação de uma direção estática realizada por um nada talentoso Mike Mitchell (<em>“Shrek para Sempre”</em> e <em>“Gigolô por Acidente”</em>). Simon até que tenta ser o oposto do irmão, mas futuros “problemas funcionais” tornam-no ainda mais chato, transformando-se em um galanteador e aventureiro esquilo francês que tem mais o padrão latino de personalidade. Cabe a Theodore, então, compensar a falta de carisma dos companheiros. E ele o faz sem precisar gastar energia ou neurônios. A doçura do mais novo e gordinho dos esquilos conquista a audiência com simplicidade, sendo o único que verdadeiramente transmite a saudade sentida pelo dono, que está mais próximo do que eles pensam.</p>
<p>Dave, por sua vez, exerce sua função de pai, contendo, o quanto pode, a energia e o ímpeto de seus “filhos” (como costuma chamá-los) bagunceiros. Jamais soando rigoroso, Jason Lee traz a humanidade e verossimilhança que falta no longa-metragem, podendo despertar nos pais uma mínima identificação. Uma pena que ele, em boa parte do filme, tenha que repartir a tela com um ridículo David Cross, como o eterno vilão que nunca consegue boicotar de fato os esquilos. Sempre vestido de pelicano, Ian nunca diz a que veio, nem chegando a armar suas falcatruas e planos diabólicos. A impressão é de que foi escalado apenas para pagar mais mico e complementar o elenco original da franquia.</p>
<p>Desempenhando seu antigo papel está Zoe (Jenny Slate), a única habitante da ilha, que está ali há cerca de oito anos sem aparentemente desperdiçar o kit de maquiagem. A personagem chega até a soar como novidade, mas desagrada quando se revela seu preocupante estado de sanidade e quando o roteiro a concede um destino que envergonha qualquer pirata em busca de um tesouro escondido. E dessa forma, com escolhas extremamente infantis, “Alvin e os Esquilos 3” sustenta-se em Jason Lee e na busca por uma aventura diferente, mesmo que capenga, fazendo do longa o melhor da franquia, o que não significa muito. Na verdade, não significa nada.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
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		<title>A Fera: modernização de conto de fadas clássico é pior que maldição de bruxa</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 22:01:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Roteiro absurdo, situações ridículas, romance sem sal entre humana e ser amaldiçoado... Parece “Crepúsculo”, mas consegue ser ainda pior!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-242661" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2011/12/beastly-movie-poster.jpg" alt="" width="222" height="330" />Em 1987, a <em>CBS</em> lançou na TV uma versão &#8220;atual&#8221; de <em>&#8220;A Bela e a Fera&#8221;</em>, com Linda Hamilton e Ron Pearlman nos papéis principais, onde a donzela era uma promotora durona de Nova York e a natureza nobre do feral Vincent a conquistava. Era uma série interessante e que fez algum sucesso durante suas três temporadas. Aproveitando a moda de releitura dos contos de fadas que assola o cinema, o braço fílmico da <em>CBS</em> resolveu produzir uma nova versão moderna para essa clássica história, voltada para a geração <em>&#8220;Crepúsculo&#8221;</em>, se baseando no livro homônimo de Alex Flinn. Esta é a gênese da abominação cinematográfica chamada &#8220;A Fera&#8221;.</p>
<p>Aqui, acompanhamos as desventuras do jovem Kyle (Alex Pettyfer), um vaidoso, rico e popular rapaz de um colégio de elite de Nova York que, após humilhar Kendra (Mary-Kate Olsen), uma garota emo que todos pensam ser uma bruxa, acaba descobrindo que a menina é mesmo uma bruxa. Transformado em uma figura &#8220;horrenda&#8221;, Kyle tem um ano para fazer com que alguém se apaixone por ele, caso contrário, a maldição será permanente.</p>
<p>Abandonado pelo pai (Peter Krause), Kyle fica sob os cuidados de um tutor cego (Neil Patrick Harris) e uma governanta (Lisagay Hamilton). O rapaz acaba se apaixonando por Lindy (Vanessa Hudgens), uma politizada ex-colega de colégio, passando a adotar o nome de Hunter ao assediar a jovem para que esta não saiba sua verdadeira identidade.</p>
<p>É difícil precisar onde as coisas começaram a dar errado aqui. Mas, vamos nos ater ao básico nesse tipo de filme, que é o romance. O fato é que a história de amor dos dois envolve Kyle basicamente sequestrando Lindy, chantageando o pai da menina para que esta vá morar com ele em sua mansão. Isso já destrói qualquer premissa de romantismo que o longa poderia ter. O que se desenvolve entre os dois não é amor, é Síndrome de Estocolmo!</p>
<p>O casal principal é chato, desinteressante e sem química. Pettyfer simplesmente espera que seu visual (com ou sem maquiagem) faça o trabalho cênico por ele, enquanto Hudgens está tão forçada que mais parece estar em uma peça (ruim) de alguma High School estadunidense, com ambos estando ali claramente apenas pelo pagamento, sem nenhum investimento emocional na história e, francamente, não posso culpá-los.</p>
<p>Os diálogos expositivos são outra coisa que ultrapassam a barreira do aceitável. Exemplos disso são o discurso inicial de Kyle, as cenas do garoto falando com o pai relapso, o momento em que um traficante ameaça Lindy (&#8220;<em>Sua filha pelo meu irmão!</em>&#8220;), a cena em que a mocinha tem de dizer em alto e bom som o quão gosta de fazer trabalho voluntário em um abrigo depois de vermos a moça fazendo isso&#8230; Parece que o roteirista e diretor Daniel Barnz precisa mastigar absolutamente tudo para que o público compreenda o que acontece na trama, subestimando a inteligência da audiência. Só lembrando ao Sr. Barnz a regra de ouro do cinema: Mostre, não diga!</p>
<p>Por falar em mostrar, o visual &#8220;fera&#8221; de Kyle é fichinha perto de figuras como Marilyn Manson, por exemplo, longe de ser exatamente uma criatura repulsiva. Acho que é a primeira fera punk na história da cultura pop, com direito a <em>scars</em>, tatuagens (inclusive uma dizendo &#8220;<em>suck</em>&#8220;) e cabelo raspado. E mesmo a bruxa que é humilhada por Kyle no começo da projeção jamais chega a ser &#8220;feia&#8221; como o roteiro (aparentemente) pedia. E chamar a vaidosíssima Mary-Kate Olsen para o papel de uma garota que apronta o diabo para mostrar que vaidade é algo ruim só pode ter sido uma piada por parte dos produtores.</p>
<p>A única coisa que torna a experiência de assistir &#8220;A Fera&#8221; menos dolorosa é a presença de Neil Patrick Harris, cujo senso de humor traz alguma luz aos intermináveis 86 minutos desta produção. Atuando como o cego menos convincente do cinema desde Ben Affleck em <em>&#8220;Demolidor – O Homem Sem Medo&#8221;</em>, Harris deve ter percebido a bomba na qual se enfiou e, em todas as suas cenas, resolve fazer piadas com o filme. E, acredite, Harris teve muito material para trabalhar.</p>
<p>Chutando o público para fora da sala de cinema com dois pequenos epílogos mal costurados dentro da narrativa e absolutamente falsos,  &#8220;A Fera&#8221; consegue a proeza de tornar os filmes da série <em>&#8220;Crepúsculo&#8221;</em> mais toleráveis por comparação, estando para aquela franquia como <em>&#8220;Os Carrinhos&#8221;</em> está para <em>&#8220;Carros&#8221;</em> .</p>
<p>___<br />
<strong><em>Thiago Siqueira</em></strong><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Missão Impossível 4: a tecnologia usada a favor do bom entretenimento</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 21:40:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Brad Bird assume direção da franquia em filme com ação quase ininterrupta graças à irresistíveis bugigangas de "última" geração.  ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-242638" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2011/12/Missão-Impossível-4.jpg" alt="" width="222" height="329" />Quando Josh Holloway (em participação especial) surge em tela, ainda nos primeiros segundos de “Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma”, correndo e se jogando de um prédio em Budapeste, somos surpreendidos com o aparecimento repentino de um colchão inflável que impede sua queda brusca no chão. É apenas o começo. Durante mais de duas horas de duração, o quarto longa da franquia nascida em 1996 exibe os mais criativos e impressionantes artefatos tecnológicos jamais vistos no cinema. E o melhor é que boa parte deles é usada a favor da ação e da comédia, fazendo de cada cena um espetáculo à parte, e tornando o todo um dos mais agradáveis entretenimentos cinematográficos do ano.</p>
<p>Assumindo a franquia depois de realizar os excelentes <em>“Os Incríveis”</em> e <em>“Ratatouille”</em>, Brad Bird estreia no mundo<em> live-action</em> com mais inteligência do que o seu filme aparenta possuir. Seu objetivo é, acima de tudo, prender a atenção do público durante a exibição. Deixá-lo embasbacado com a singularidade de cada sequência, ao mesmo tempo em que admite explicitamente que tudo não passa de uma grande brincadeira, daquelas que dá vontade de experimentar novamente por sua intensidade e pela dose certa de comprometimento com a realidade. Afinal, não é todo dia que tempestades de areia soam tão providencialmente prazerosas!</p>
<p>Também não é todo dia que Hollywood explode o Kremlim. Mas é exatamente com esse fato que a trama do longa verdadeiramente tem início. Depois de resgatarem Ethan Hunt (Tom Cruise) da prisão, os integrantes da IMF, Jane Carter (Paula Patton) e Benji Dunn (Simon Pegg), dão prosseguimento à investigação que visa saber quem roubou arquivos russos ultraconfidenciais, bem como assassinou um dos agentes da rede de espionagem americana. No entanto, a investigação toma rumos mais perigosos quando o prédio mais importante da Rússia vem abaixo, levando a uma ruptura diplomática entre os dois antigos rivais de Guerra Fria e fazendo Hunt agir mais secretamente do que nunca para impedir uma catástrofe nuclear.</p>
<p>Sim, como de praxe na série, “Missão Impossível 4” é bastante pretensioso em sua sinopse, que coloca o futuro da humanidade em questão mais uma vez. E não poderia ser diferente. Enfim, o que justificaria fazer seus personagens arriscarem tanto suas vidas durante o serviço? E arriscar a vida aqui assume felizmente um sentido extremo. Não é a toa que Brad Bird declarou ter temido pela vida de seu protagonista. O mesmo sentimos por Ethan Hunt, em um sinal do ótimo trabalho do diretor e sua equipe técnica, que fazem uma escalada ao prédio mais alto do mundo soar realista, e ainda divertida. No entanto, a sequência não teria o mesmo efeito se não fosse o apurado senso de comédia juntamente com uma enorme capacidade para inventar tecnologias por parte dos roteiristas.</p>
<p>Josh Apleubaum e André Nemec ainda fazem seus personagens flutuarem e fugirem de prisões de segurança máxima com meros cliques no computador. Alguns podem acusá-los de mentirosos. Mas “criatividade” é a palavra que melhor define o trabalho da dupla. Eles entendem que não basta dar vida a artefatos de última geração, mas que é preciso transformá-los em objetos capazes de proporcionar ação e comédia. Se Tom Cruise e Jeremy Renner, como um analista cheio de segredos da IMF, responsabilizam-se por colocar em prática as correrias e os tiroteios, Simon Pegg provoca as gargalhadas, nunca excessivas ou forçadas.</p>
<p>Paula Patton vem com a sensualidade. Ela complementa a equipe, enquanto Ethan Hunt recebe uma atenção mais comedida do que nos filmes anteriores. Com uma história de vida já relativamente bem explorada e desgastada, o personagem é por vezes ofuscado pela novidade introduzida pelo trágico Brandt (Renner) e o genial Benji. O roteiro opta ainda por uma trama bem mais simples, sem reviravoltas, em que a surpresa é o próximo desafio a ser enfrentado. Vacila, porém, no desenvolvimento raso de seu vilão, especialmente no idealismo que o motiva, demasiadamente radical para o baixo padrão de intelectualidade da história.</p>
<p>Se Apleubaum e Nemec evitam total e acertadamente envolvimentos amorosos, escorrega ao fazer determinados personagens compartilharem o sentimento de luto que nunca convence o espectador. Mas nada que uma sequência de ação de tirar o fôlego não compense. E em “Missão Impossível 4: Protocolo Fantasma” elas são várias, musicadas por mais uma espetacular trilha sonora de Michael Giacchino (que não hesita em usar o tema inesquecível criado por Lalo Schifrin) e regidas por um Brad Bird engenhoso, que faz da produção algo tão divertido quanto suas bugigangas tecnológicas.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
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		<title>Missão Impossível 4: Brad Bird entra com o pé direito nos filmes live-action</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/242522/missao-impossivel-4-brad-bird-entra-com-o-pe-direito-nos-filmes-live-action/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Dec 2011 21:10:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Dobradinha entre o diretor de animações da Pixar e o sempre acelerado Tom Cruise dá o ritmo certo à nova aventura de Ethan Hunt.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-242837" title="Missão Impossível 4: Brad Bird entra com o pé direito nos filmes live-action" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2011/12/missao_impossivel_protocolo_fantasma.jpg" alt="" width="240" height="337" />Quem viu<em> &#8220;Os Incríveis&#8221;</em>, longa da Pixar dirigido por Brad Bird, sabe que o cineasta é um fã incondicional da franquia <em>&#8220;Missão: Impossível&#8221;</em>, lançando mão de diversas referências à série dentro daquela animação. Pois bem, o maior acerto dos produtores Tom Cruise e J.J. Abrams na feitura deste &#8220;Missão: Impossível &#8211; Protocolo Fantasma&#8221; foi ter chamado Bird, que nunca havia comandado um longa em <em>live-action</em>, para assumir o leme da quarta película para o cinema do Agente Ethan Hunt.</p>
<p>Após o seu &#8220;felizes para sempre&#8221; no final de<em> &#8220;M:I-III&#8221;</em>, parecia que Hunt (Cruise) nunca mais assumiria uma missão da IMF. No entanto, nosso herói já começa este filme preso na Rússia. Após sair de lá, com a ajuda da agente Jane Carter (a estonteante Paula Patton) e do recém-promovido às operações de campo Benji (o sempre hilário Simon Pegg),</p>
<p>Hunt e sua equipe têm de lidar com uma ameaça de guerra nuclear provocada pelo insano terrorista Hendricks (Michael Nyqvist), também conhecido como Cobalto. Quando a missão dá errado e a IMF é desativada, Ethan e sua equipe improvisada, com a ajuda do analista Brandt (Jeremy Renner), se lançam para deter Cobalto antes que um conflito entre EUA e Rússia comece.</p>
<p>A fita pode ser descrita como um trabalho da DreamWorks dirigido por um homem da Pixar (com direito a um <em>A113</em>) e feito com atores reais. Digo isso porque o foco da produção é divertir, sem inventar muito no meio de campo, desejando apenas entreter o público com uma aventura de tirar o fôlego.</p>
<p>Nesse sentido, a contratação de Bird foi ouro puro, com o diretor arquitetando as melhores cenas de ação da franquia e, com a ajuda do consagrado montador Paul Hirsch, impondo um ritmo tão alucinante à projeção que acabamos por ignorar os problemas óbvios que o roteiro possui.</p>
<p>O <em>script</em> é extremamente genérico e não precisaria de muitas revisões para ser aproveitado por qualquer outra franquia, dando pouquíssima &#8220;voz&#8221; para seu protagonista. Somente por enxergarmos em Tom Cruise a figura de Ethan Hunt é que reconhecemos o personagem, além de algumas menções feitas ao terceiro filme da série, incluídas aqui e ali durante a projeção, especialmente em seu epílogo.</p>
<p>Além disso, o texto carece de um bom vilão, desperdiçando o competente Michael Nyqvist em um antagonista que não possui função dramática, jamais despertando raiva ou qualquer sentimento junto ao público, servindo apenas para ser o terrorista maluco da vez. Isso é especialmente decepcionante após o ótimo trabalho que Phillip Seymour Hoffman fez no episódio anterior da franquia, causando ódio na audiência desde sua entrada em tela.</p>
<p>Apesar disso, em momento nenhum a fita se leva muito a sério, com a equipe de Hunt percebendo os absurdos nos quais se metem e fazendo graça deles, e o <em>timing</em> cômico de Simon Pegg sendo impecável nesse ponto. Outro “detalhe” que faz com que o filme flua de maneira mais leve é o domínio de cena que Tom Cruise exerce. Mesmo beirando os 50 anos de idade, o astro possui aquele tipo de carisma que nos faz pensar logo &#8220;esse é o cara&#8221;.</p>
<p>O papel de Ethan Hunt lhe dá a oportunidade de fazer o impossível na tela de um modo que a audiência aceita as façanhas insanas que surgem na tela, quase como se ele fosse um super-herói (o fato de que o ator não usa dublês em algumas cenas mais arriscadas contribui para esse efeito). Isso permite que Brad Bird insira Hunt e os membros da IMF em sequências de ação que parecem vindas diretamente de <em>&#8220;Os Incríveis&#8221;</em>, inclusive com tiradas hilárias realmente engraçadas mescladas dentro da ação, o que dá àqueles momentos deliciosamente impossíveis um charme todo especial.</p>
<p>Jeremy Renner chega bem na franquia, mostrando disposição para o gênero de ação e desenvoltura para lidar com os necessários momentos mais bem-humorados da fita (“<em>Da próxima vez, EU seduzo o ricaço</em>”), além de seu pequeno plot em relação ao passado de Ethan ser um dos poucos em toda a série a exploraro psicológico do protagonista.</p>
<p>O filme ainda possui participações especiais de Tom Wilkinson como o secretário de defesa americano, Josh Holloway como um agente da IMF, Léa Seydoux como uma lida e mortal assassina (com direito a <em>catfight</em> com Paula Patton), além do retorno de outros dois atores dos capítulos anteriores, cujos nomes devem ser mantidos em sigilo. Por falar em retornos, não podemos olvidar o trabalho do sempre competente compositor Michael Giacchino, que aqui volta a brincar com o tema musical clássico criado por Lalo Schifrin.</p>
<p>Brad Bird manteve suas características como cineasta nesta transição da animação para a ação ao vivo, como o ritmo rápido, a musicalidade de suas cenas e a predileção por um tom mais <em>vintage</em> ao orquestrar até mesmo as cenas mais movimentadas. O resultado da estreia de Bird no mundo<em> live-action</em> é um verdadeiro presente de Natal para os fãs de filmes de ação, capaz de prender na cadeira audiências de todos os tipos, mesmo sem um roteiro impecável.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Thiago Siqueira</em></strong><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Compramos um Zoológico: Cameron Crowe volta em comédia familiar</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 18:47:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Benevides</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Cineasta trabalha bem os clichês de um filme para todos os públicos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-242037" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2011/12/Compramos-um-Zool%C3%B3gico1.jpg" alt="" width="222" height="317" />Cameron Crowe é um dos cineastas mais talentosos da atualidade. Com uma filmografia versátil que inclui o <em>road movie</em> musical <em>“Quase Famosos”,</em> a comédia romântica <em>“Tudo Acontece em Elizabethtown”</em> e os dramas <em>“Vanilla Sky”</em> e<em> “Jerry Maguire – A Grande Virada”</em>, entre outros, o diretor e roteirista se insere no mercado cinematográfico de forma branda, quase sempre com grandes espaços de tempo entre uma produção e outra. Dessa vez, Crowe se aventura em um filme família baseado em fatos reais, bem ao estilo Sessão da Tarde, reunindo todos os clichês possíveis do gênero, mas contando do seu jeito único uma história simples que não passa despercebida.</p>
<p>Na trama, Benjamin Mee (Matt Damon) vive a perda da esposa ao lado de seus dois filhos, Dylan (Colin Ford) e Rosie (Maggie Elizabeth Jones). Buscando se reencontrar nesta relação paterna, a família decide se mudar quando Dylan é expulso do colégio. Após procurar uma casa agradável, eles chegam a um zoológico que está à venda com a condição de que o novo dono terá toda a responsabilidade sobre os animais e os profissionais que ali trabalham, entre eles a bela Kelly Foster (Scarlett Johansson), que se dedica integralmente aos animais, e sua prima Lily (Elle Fanning). Então Benjamin decide assumir o risco e comprar o local, onde aprenderá lições não somente ligadas à natureza, mas principalmente à superação de sua perda.</p>
<p>Roteirizado por Crowe em parceria com Aline Brosh McKenna (com grande experiência em adaptações literárias, mas que transita entre bons textos como<em> “O Diabo Veste Prada”</em> e roteiros pouco inspirados como <em>“Uma Manhã Gloriosa&#8221;</em>), o filme é inteiramente familiar, com o propósito de divertir o público infantil e entreter os adultos. O mais importante no roteiro de Crowe e McKenna é que em momento algum o público é enganado no decorrer da trama e que, mesmo com a previsibilidade de algumas sequências, o diretor conduz com delicadeza todos os conflitos dos personagens.</p>
<p>Junta-se a isso o bom humor típico das piadas de Crowe, sempre afiadas e neste caso, ingênuas, no sentido positivo da palavra. Vale citar também que a preocupação de Crowe em retrabalhar os clichês é clara, influenciando também nos efeitos especiais, principalmente naqueles que envolvem os animais do zoológico, que nunca são imbecilizados (ao contrário do recente <em>“O Zelador Animal”</em>) e cujas <em>gags</em> funcionam com naturalidade.</p>
<p>As lições aqui se estabelecem de maneira sutil, já que em momento algum o diretor se posiciona como moralista. Fazendo o óbvio paralelo da preservação ambiental e do contato com os animais, o <em>script</em> faz também um denso estudo sobre o luto e suas conseqüências. Assim como no recente<em> “Reencontrando a Felicidade”</em>, o que menos importa é da situação de onde os personagens saíram, mas sim onde eles chegam ao final da projeção. Mas ao contrário da obra de John Cameron Mitchell, o filme de Crowe é positivista e mostra o sofrimento como algo inerente a todo ser humano, que lida de formas diferentes.</p>
<p>Este é mais um filme em que o público se identificará com as situações apresentadas. Como patriarca, Benjamin tenta tocar a vida, mas também sofre e precisa, assim como seus filhos, de novas motivações para seguir em frente. O elenco colabora para o bom trabalho do roteiro de Crowe, que sempre foi um ótimo diretor de atores. Matt Damon interpreta um típico pai americano, <em>workaholic</em> e amante de aventuras, que vê no zoológico uma oportunidade de encontrar uma nova razão de viver, por mais que isso custe toda a sua poupança.</p>
<p>Os filhos interpretados por Colin Ford e Maggie Elizabeth Jones também aparecem com destaque e protagonizam cenas importantes para o desenrolar da trama. Aliás, vale ressaltar que fica claro o encantamento de Crowe com a pequena e carismática Maggie, cuja ingenuidade é catalisadora de diversos momentos da narrativa. Ainda temos a sempre estonteante Scartlet Johansson, fazendo o interesse romântico do protagonista, mas sempre focada no amor que tem aos animais. Johansson está incrivelmente à vontade em cena e traz uma <em>performance</em> diferenciada de alguns de seus últimos trabalhos: menos sensualidade e mais inteligência. Destaque também para a espontaneidade e carisma de Elle Fanning, cada vez mais talentosa.</p>
<p>Como é de costume nos filmes de Crowe, a trilha sonora é um espetáculo à parte. Elaborada por John Thor Birgisson (assinando Jónsi), que já trabalhou com Crowe em <em>“Vanilla Sky”</em> e colaborou em soundtracks de filmes de primeira linha como<em> “Penélope”, “A Vida Marinha de Steve Zissou”, “Mistérios da Carne”</em> e<em> “Como Treinar o Seu Dragão”</em>, o músico sabe conduzir a narrativa e colabora para que as emoções do público se aflorem, sem nunca cair no melodrama exagerado ou na comédia pastelão.</p>
<p>Ainda que “Compramos um Zoológico” seja um filme que não inove, o que vale a pena é ver um diretor do nível de Cameron Crowe contar uma história quase de ninar. Talvez por ser possível prever todo o desenrolar da trama logo nos primeiros minutos, o longa não tenha a grandiosidade de suas obras anteriores, mas nem por isso deve ser menosprezado, já que dentro da sua proposta é correto. Dessa forma, nada melhor do que chamar a família inteira para assistir a um <em>feel good movie</em> carismático e divertido.</p>
<p><em>___<br />
<strong><em>Diego Benevides</em></strong></em><em> é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), atualmente é pós-graduando em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e professor universitário na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.</em></p>
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		<title>Roubo nas Alturas: crise financeira é o foco da ação cômica de Brett Ratner</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 05:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ben Stiller e Eddie Murphy unem-se em produção que começa bem, mas acaba se perdendo em sua vingança contra os vilões da crise. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-242331" title="Roubos nas Alturas" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2011/12/roubonasalturas-poster3.jpg" alt="" width="213" height="331" />A crise financeira global de 2008, que ainda dá mostras de não ter acabado, está quase se tornando um subgênero em Hollywood. E o melhor é que a diversidade caracteriza a abordagem da temática nos cinemas. <em>“Amor sem Escalas”</em> deu início a esse <em>hall</em> de filmes ao utilizar o assunto como pano de fundo para uma história mais universal. O premiado documentário <em>“Trabalho Interno”</em> fez diferente e mergulhou na crise, explicando-a detalhada e didaticamente, devendo ser assistido juntamente com o interessantíssimo <em>“Margin Call – O Dia Antes do Fim”</em>, que ficcionaliza o declínio de uma gigantesca empresa em apenas algumas horas.</p>
<p>Como não falta bom humor no cinema industrial dos EUA, o assunto agora virou comédia com uma forte pitada de ação. Em “Roubo nas Alturas”, o diretor Brett Ratner junta Ben Stiller e Eddie Murphy e exibe o dia em que os verdadeiros prejudicados pelo rombo financeiro decidiram se vingar. O plano é idealizado por Josh Kovacs (Stiller), o gerente da Tower, um super-prédio residencial que está entre um dos milhares de bens do investidor Arthur Shaw (Alan Alda). A prisão de Shaw pelo FBI, no entanto, revela que aquele homem gentil não passava de um fraudador capaz de dar golpes até em seus próprios funcionários, esvaziando as suas pensões.</p>
<p>Demitido depois de se revoltar contra a atitude de seu chefe, Kovacs monta uma equipe que tem como objetivo roubar dinheiro de Shaw em um cofre na cobertura do prédio. O problema é que nenhum deles está acostumado com a prática e, por isso, torna-se necessária a participação de um ladrão profissional no bando. Slide (Murphy), então, surge e conclui o grupo formado pelo ex-balconista Charlie Gibbs (Casey Affleck), pelo ex-ascensorista Dev’reaux (Michael Peña) e pelo falido acionista Sr. Fitzhugh (Matthew Broderick), que ainda ganham a colaboração da camareira Odessa (Gabourey Sidibe).</p>
<p>A participação de Eddie Murphy força, inevitavelmente, associações com suas comédias de mau gosto de humor escrachado e muitas vezes escatológico. Mas “Roubo nas Alturas” pertence a Brett Ratner, o mesmo diretor responsável pela franquia <em>“A Hora do Rush”</em>. Estamos diante, então, de uma ação cômica que depende de uma história no mínimo plausível para funcionar. E, de fato, o filme possui esse comprometimento, revelado logo em seu início, que exibe a puxada rotina de trabalho na Tower, sob a liderança do dedicado Kovacs, que não permite nem o uso de celular durante o serviço e que já acorda pensando nas refeições que oferecerá ao seu chefe.</p>
<p>Em seus primeiros trinta e melhores minutos, o longa sustenta-se em diálogos leves e rápidos (beneficiados por uma edição dinâmica) que, eventualmente, trazem momentos de descontração, os quais acontecem naturalmente, advindos da natureza de seus personagens. Fugindo de caricaturas, o roteiro de Ted Griffrin e Jeff Nathanson tira graça da falta de cultura e instrução de alguns ou da teimosia de outros, como na cena em que Charlie parabeniza uma coreana pelo ano novo chinês ou na que a moça insiste em dizer que não estava estudando durante o serviço.</p>
<p>Mesmo assim, jamais torna-se destoante o aparecimento de Eddie Murphy com todas as suas caras, bocas e linguajar particular, já que a comicidade permanece apostando em naturais atos de bizarrices. Apenas não passam a ocorrer de forma tão isolada como anteriormente. A presença de Ben Stiller também ajuda a manter a sobriedade da produção, graças a um protagonista carismático e minimamente verossimilhante, que chega quase a se apaixonar pela agente do FBI Claire Denham (Téa Leoni), em um “romance” que é um dos grandes acertos do roteiro ao nunca soar idealizado ou clichê.</p>
<p>Ao desaguar na ação, porém, o filme declina. Além de ser extremamente previsível, a sequência do roubo conta com questionáveis atos de esperteza do roteiro e da edição. Ainda assim, as falhas e faltas de explicação para certos acontecimentos ficam explícitas. Mostrando o plano e as consequências dele, mas por diversas vezes escondendo como de fato ocorreu, a trama perde força, chegando ao ponto de sacrificar o único momento dramático de uma produção que tem como pano de fundo a dolorosa crise financeira.</p>
<p>Algumas interpretações também incomodam, especialmente a de Matthew Broderick, absolutamente perdido no papel do homem que tinha tudo e passou a ser devedor em questão de dias. O personagem, por sinal, poderia ser melhor explorado pelo roteiro, que acaba por usar a crise apenas como contexto, dispensando críticas e ironias, como <em>“As Loucuras de Dick e Jane”</em> havia feito mesmo três anos antes do acontecido. Com um desfecho súbito, que deixa brechas para todos os lados e não conclui suas inúmeras tramas, “Roubo nas Alturas” diverte sem comprometimento quando poderia ser bem melhor.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
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