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	<title>Cinema com Rapadura &#187; Críticas</title>
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		<title>O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua (2013): continuação ou insulto?</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 03:07:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[O Massacre da Serra Elétrica 3D - A Lenda Continua | Texas Chainsaw 3D [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Se apresentando como uma continuação direta do longa original, este desastre travestido de filme mostra um Leatherface mais "humano" em uma trama mais esburacada que os corpos que surgem em cena.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-299735" alt="cartaz-oficial-em-portugues-de-o-massacre-da-serra-eletrica-3d---a-lenda-continua---poster-nacional-1363200607260_300x420" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/cartaz-oficial-em-portugues-de-o-massacre-da-serra-eletrica-3d-a-lenda-continua-poster-nacional-1363200607260_300x420.jpg" width="222" height="311" />Sejamos honestos: o público que vai assistir a um filme como este “O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua” não está em busca de atuações primorosas ou de um roteiro que explore as bases existencialistas do ser humano, mas sim de diversão sangrenta no seu nível mais básico.</p>
<p>A franquia existe há quase quatro décadas, com muito desta longevidade se devendo ao <em>serial killer</em> Leatherface. Se <em>“Jason X”</em> provou algo foi que uma das poucas coisas que um novo capítulo de uma série do gênero não pode fazer é descaracterizar seu monstro-chave. E o que fizeram com Jason no espaço foi fichinha perto do que acontece com Letherface aqui.</p>
<p>Dirigido por John Luessenhop, o longa em início com um <em>flashback</em> do filme original de 1974, com breves participações de parte do elenco daquela fita, inclusive o primeiro Leatherface, o ator Gunnar Hansen. Logo após os tenebrosos eventos virem à tona, um grupo de moradores da cidade texana de Newt resolve matar todos os membros da sádica família Sawyer, incluindo o mascarado assassino.</p>
<p>A casa é incendiada, com uma bebezinha, prima do maníaco, sobrevivendo e sendo criada em segredo por um dos membros da multidão enfurecida. Nos dias de hoje, a criança, agora a bela jovem Heather (Alexandra Daddario) descobre que fora adotada e, após a morte de sua avó biológica, herda a mansão que fica na propriedade onde os horrores aconteceram. Chegando lá com seus amigos, Heather encontra muito mais que móveis no local, não demorando para o massacre recomeçar.</p>
<p>O primeiro sinal vermelho acende quando vemos que foram necessárias quatro pessoas para escrever o “roteiro” do filme, com membros dessa turma de escritores tendo participado de bombas como <em>“O Grito”</em> . Esse truste cerebral resolveu trazer um lado mais sensível para o texto, com uma discussão sobre quem seria realmente o monstro na história, tentando humanizar Jed “Leatherface” Sawyer.</p>
<p>A tarefa se mostra difícil, posto que o rosto do personagem não aparece e ele só grune em todas as suas aparições. Então o roteiro passa a mostrar que cada uma de suas vítimas merecem ser mortas e transformadas em gado de corte, fazendo isso por meio de justificativas moralistas vindas diretamente da década de 1950. O namorado de Heather (Trey Songz) a trai com a amiga promíscua e maconheira (Tania Raymonde), outro futuro falecido tenta roubar a mansão (Shaun Sipos) e finalmente o último (Keram Malicki-Sánchez)&#8230; bom, ele é um cozinheiro.</p>
<p>E então surgem os membros da sociedade local, com um xerife idiota e indeciso (Thom Barry), o prefeito com sede de sangue (Paul Rae) e o policial burro (James MacDonald), que são alvos de Leatherface por seus papéis na morte dos Sawyer. Ao contrário da maioria dos filmes de terror, que meramente identificam as futuras vítimas por seus atos, o longa tenta nos fazer torcer pelo psicopata perigoso porque ele está matando quem merece morrer&#8230; além de estar usando uma gravatinha bonitinha de criança (<em>Ownnnn!</em>).</p>
<p>No entanto, o <em>flashback</em> no começo do filme e as próprias ações de Leatherface mostram que o personagem é perigosíssimo e essas tentativas insanas do longa em fazer com que simpatizemos com ele só o enfraquecem e mostram quão equivocadas foram as intenções dos envolvidos na produção, que falham até em matemática básica.  Ora, se Heather era um bebê em 1974, ela teria quarenta anos hoje e não poderia ser&#8230; bem, Alexandra Daddario!</p>
<p>Nem mesmo as cenas de <em>gore </em>possuem qualquer valor de choque. Não há tensão nelas, com os fãs do gênero sendo capazes descrevê-las nos mínimos detalhes muito antes de ocorrerem. Isso tira todo o impacto desses momentos e manda para o espaço eventuais catarses que estes poderiam provocar. Até mesmo os efeitos de maquiagem apresentam seus altos e baixos, não sendo dignos de maiores elogios. Chega a ser bizarro (para não dizer hipócrita) que o filme não se envergonhe em mostrar corpos mutilados em cena e tenha medo de exibir um par de seios que seja, mesmo com a câmera do diretor John Luessenhop enfocando a bunda de Tania Raymonde toda vez que a atriz entra em cena.</p>
<p>As atuações são terríveis e fazem jus ao verdadeiro <em>checklist </em>de estereótipos que são os personagens, com Alexandra Daddario sendo o único ponto positivo da produção apenas por sua beleza, tendo em vista que nem mesmo o <em>plot twist</em> envolvendo a bela faz sentido, especialmente por conta da participação de outros personagens na estranha virada. Vale a pena ressaltar que o propagandeado 3D só existe em dois momentos, quando Leatherface arremessa sua serra elétrica rumo a tela, em um efeito tão ruim quanto o resto da fita.</p>
<p>Falhando como exemplar de terror, experiência de choque e homenagem ao original, “O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua” certamente não merece figurar como continuação do clássico setentista, com os trechos deste exibidos no começo da projeção nos lembrando que poderíamos usar esse tempo para ver um filme muito melhor.</p>
<p>P.S.: Há uma dispensável – e previsível – cena após os créditos.</p>
<p>___<b><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></b><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Reino Escondido (2013): bonitinho, mas fácil de esquecer</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 02:48:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Epic - Reino Escondido [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Visual bonito e pouca originalidade marcam esta nova parceria entre a 20th Century Fox e a Blue Sky Studios, resultando em um filme que não ofende, mas que passa longe de ser marcante.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-299755" alt="foxrebannerpersonagens" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/foxrebannerpersonagens.jpg" width="222" height="334" />Na maioria das vezes em que críticos falam sobre adaptações radicais nos títulos originais de filmes quando são lançados no mercado brasileiro, o fazem reclamando. Não é o caso deste “Reino Escondido”, cujo título genérico combina muito mais com o produto que o original “Epic”, que teria sido quase uma propaganda enganosa. Sim, pois de épica esta nova animação da <em>Blue Sky Studios</em> em parceria com a <em>20th Century Fox</em> não possui nada. A despeito da excelência técnica, a animação tem uma história desinteressante, mais parecendo que o espectador já tinha visto esse filme com outro nome antes.</p>
<p>Na trama, a jovem Maria “M.C.” Catarina, após a perda de sua mãe, tenta uma reconciliação com o pai, um atrapalhado cientista cuja crença na existência de uma sociedade de pequenos humanoides que guardam a floresta afastou todos do seu convívio. Tal civilização avançada realmente existe na figura dos Homens-Folha, liderados pela Rainha Tara. Eles estão em guerra com os bogans, facção que representa o apodrecimento e que é comandada pelo maligno Mandrake. Quando um ataque bogan atinge os Homens-Folha em seu coração, M.C. é levada para o coração do conflito, tendo como seus protetores o experiente guerreiro Ronin e o rebelde Nod.</p>
<p>A sensação de <i>deja vu </i>que a fita causa é explicável. Em 1992, a <em>20th Century Fox</em> lançou a fraquíssima animação 2D <i>&#8220;Ferngully &#8211; As Aventuras de Zack e Crysta na Floresta Tropical&#8221;</i>, que tinha uma premissa bastante parecida, com um protagonista magicamente encolhido para um conflito entre forças da natureza e da devastação. Até mesmo pedaços do DNA do <em>blockbuster “Avatar” </em>(por coincidência também da <em>Fox</em>) podem ser vistos aqui. “Reino Escondido”, no entanto, possui diversas vantagens em cima de <em>“Ferngully”</em>, a começar de um universo melhor explorado e uma protagonista que possui conflitos reais e consegue despertar alguma simpatia do público.</p>
<p>É uma pena que os personagens que gravitam ao redor dela pareçam meros arquétipos a serem preenchidos. O pai ausente e amalucado, o guerreiro honrado (cujo nome revela sua condição), o rebelde que se recusa a aceitar seu destino, os alívios cômicos&#8230; Até mesmo o vilão Mandrake (pessimamente batizado, aliás) peca por ser genérico demais, sem despertar raiva na audiência, algo fatal em uma aventura desse tipo. Mas se há um aspecto a ser exaltado aqui é a animação em si e seu design de produção. Os elementos que formam o mundo dos Homens-Folha, desde as armaduras destes, passando por suas montarias, até as vestimentas da Rainha Tara são magníficos e muito bem detalhados, com temas claramente influenciados pela cultura japonesa.</p>
<p>A movimentação dos personagens é bastante fluida e os ambientes são bem construídos (com exceção de alguns momentos na água), com tudo sendo iluminado por uma bela fotografia digital, que é a proverbial cereja do bolo. O 3D é dispensável, embora seja mais presentes que os de certas superproduções recentes. A trilha sonora de Danny Elfman pode não inovar, mas ao menos não incomoda e a dublagem nacional é até competente e tem seu ponto fraco em Murilo Benício, que simplesmente não encontrou o tom ao interpretar o pai de M.C., criando um ruído toda vez que surge em cena.</p>
<p>“Reino Escondido” pode não ser épico, mas ao menos se mostra uma diversão passageira de fácil digestão e facilmente esquecível, ideal pra levar as crianças em um domingo preguiçoso.</p>
<p>___<b><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></b><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Terapia de Risco (2013): o novo suspense de Steven Soderbergh</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 02:35:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Cruz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia de Risco | Side Effects [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa mostra sua versatilidade em um suspense que envolve traumas e o grande mercado da indústria farmacêutica.  ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-medium wp-image-299758 alignleft" alt="280035" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/280035-213x300.jpg" width="213" height="300" />Com mais de 20 anos de carreira, Steven Soderbergh tem em sua lista filmes premiados como <em>&#8220;Erin Brockovich- Uma Mulher de Talento&#8221;, &#8220;Traffic&#8221; </em>e<em> &#8220;Contágio&#8221;</em>, explorando diversos gêneros e narrativas. Em 2013, o cineasta lança um suspense que mexe com o mundo da psiquiatria, intrigas e a grande indústria farmacêutica.</p>
<p>&#8220;Terapia de Risco&#8221; conta a vida de Emily Hawkins (Rooney Mara), uma jovem que não responde bem ao retorno do namorado da prisão, que cumpriu pena por favorecimento ilícito em um negócio na Bolsa de Valores de Nova York. Nitidamente deprimida, ela decide procurar ajuda especializada e chega ao psiquiatra Dr. Jonathan Banks (Jude Law), que receita um novo medicamento lançado no mercado para controlar a ansiedade. A princípio, Emily responde bem ao tratamento, porém os efeitos colaterais geram consequências inesperadas na vida da jovem.</p>
<p>Soderbergh discute as consequências de um tratamento médico mal resolvido. Na primeira parte do filme, Emily sempre aparece abatida devido aos efeitos colaterais de um remédio visto como inofensivo pelos médicos, mas que tornam a jovem potencialmente perigosa por suas atitudes agressivas e distúrbios emocionais bipolares. O longa prende a atenção do espectador, pois, a princípio, nenhum personagem assume o papel de vítima, e a cada revelação a trama vai tomando novos rumos.</p>
<p>O elenco é composto por grandes atores, com destaque para Rooney Mara. A atriz desenvolve uma personagem intrigante que dosa bem o descontrole gerado pelas sequelas do tratamento. Além de Mara, o elenco ainda traz os veteranos Channing Tatum, Jude Law e Catherine Zeta-Jones. Escrito por Scott Z. Burns, mesmo roteirista que trabalhou com Soderbergh em <em>&#8220;Contágio&#8221;</em>, &#8220;Terapia de Risco&#8221; possibilita interpretações ousadas do seu elenco.</p>
<p>Com o pseudônimo de Peter Andrews, Soderbergh também é responsável pela direção de fotografia, tão particular em seus filmes. O longa realiza um bom balanço ao mostrar os momentos de alegria em tons pastéis e os dramáticos em tons mais escuros. Sendo um longa analítico e bem apresentado narrativamente, &#8220;Terapia de Risco&#8221; mostra mais uma vez o lado obscuro da indústria farmacêutica, com um desfecho surpreendente.</p>
<p>__<br />
<em><strong>Adriana Cruz</strong> é formada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), aspirante a cineasta e formada pelo SENAC São Paulo em roteiro cinematográfico.</em></p>
</ul>
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		<title>Finalmente 18 (2013): versão adolescente de Se Beber, Não Case!</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 00:07:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Finalmente 18! | 21 and Over [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Jon Lucas e Scott Moore, responsáveis pelo roteiro da trilogia estrelada por Bradley Cooper e Zach Galifianakis, rejuvenesce seus personagens, adiciona uma boa dose de insanidade e consegue fazer divertir quase sem compromisso.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-299730" alt="Finalmente 18" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/Finalmente-18.jpg" width="222" height="325" />Bebedeiras incontroladas, animais selvagens cruzando o caminho dos personagens, uma boa dose de falta de noção da realidade, um asiático com o dom de causar problemas e um compromisso a ser assumido ao final de tudo isso. Não, não estamos falando de <em>“Se Beber, Não Case!”</em>, mas poderíamos estar, já que as semelhanças são evidentes. Trata-se de “Finalmente 18” (ou 21, como no título original) , filme dirigido e escrito por Jon Lucas e Scott Moore, os mesmo responsáveis por quais longas? Exatamente pelo roteiro da trilogia daquele grupo de amigos inconsequentes que deixaram sua marca em Las Vegas e na Tailândia. Dessa vez, porém, eles estão mais novos, atingindo a maioridade, mas fazendo quase o mesmo estrago e divertindo como seus colegas mais famosos.</p>
<p>A localidade “vítima” agora, no entanto, não possui tantas particularidades. Na verdade, poderia ser qualquer cidade universitária cercada por irmandades e bares. É para lá que Miller (Miles Teller), um jovem tresloucado, desses bem desajuizados, vai para encontrar seus amigos. Um deles é Casey (Skylar Astin), um rapaz judeu comportado de quem tem se afastado nos últimos anos. O outro é Jeff Chang (Justin Chon), estudante que está completando 21 anos e que possui um compromisso inadiável pela manhã. Miller, porém, convence-os (o melhor seria dizer “carrega-os”) para celebrar a data. A partir de então, o trio passa a protagonizar as mais medonhas histórias, fazendo até a polícia agir para contê-los.</p>
<p>Sem aparente compromisso com qualquer tipo de seriedade, o filme permite-se armar as mais inimagináveis estrupulias, começando, claro, por aquelas ocasionadas primordialmente pela ingestão de álcool. Logo, um mero jogo de tiro ao alvo vira motivo para brigas e a entrada em locais antes proibidos pela falta de idade é razão para festejos sem limites. E o “sem limites” aqui assume um literal sentido, desde que a lei não se faça valer. O que vem depois é mera consequência do que aprontaram durante a noite, ocasionando uma grande bola de neve difícil de ser contida.</p>
<p>Nada disso seria possível se o roteiro de Lucas e Scott não fizesse de Miller o “sem noção” da vez, aquele rapaz que pode e deve ser apontado como o grande culpado por todos aqueles fatos do quais nunca nos esqueceremos. Miles Teller dá ao protagonista o carisma necessário para suportarmos suas sandices durante 90 minutos, mesmo que elas cansem um pouco na meia hora final, exatamente quando a trama parece ultrapassar um pouco a fronteira do exagero aceitável e torna-se repetitiva e apelativa. O ator também valoriza os diversos diálogos que caracterizam o longa. Falando de forma bastante rápida, quase ininteligível, ele transforma papos sobre nomes de atores ou sua origem latina em motivos para vários risos.</p>
<p>O outro responsável por gargalhadas é Justin Chon. Como o recém-nascido estereótipo hollywoodiano, do hilário asiático, ele cumpre sua função ao transformar rapidamente um universitário pressionado pelos mandos do pai que concorda em apenas tomar uma cerveja para relaxar em um jovem completamente embriagado, daqueles que não conseguem sequer ficar em pé. É de Chon as melhores cenas, e elas não são poucas e curtas. Utilizando-o sem qualquer moderação, a história ganha muito em humor desmedido e também ao permitir improvisações que em muito acrescentam aos intentos básicos dessa comédia, fazer rir.</p>
<p>Já Skylar Astin surge como o personagem discreto da vez. Seu Casey não é um completo chato que interrompe a diversão alheia. Deveria estar ali apenas para dar alguma noção de realidade aos amigos. No início, ele até deixa-se levar, embarcando e sendo levado a embarcar nas loucuras de Chang e Miller. No entanto, ele acaba exercendo uma função errônea na narrativa, a de introduzir seriedade. E ela vem em doses maiores do que a permitida, especialmente no último ato. Seu inocente romance pode até não incomodar, mesmo com seus lugares comuns e conclusões fáceis. Mas as suas discussões de relacionamento com Miller soam deslocadas, pertencentes a um outro filme adolescente nem tão cômico assim.</p>
<p>O mesmo pode-se dizer da relação de Chang com seu pai e consigo mesmo. Há demasiado drama nesse amor fraternal. Mudando de tom em sua meia hora final, assim como tornando-se extremamente previsível com suas piadas, “Finalmente 18” perde a oportunidade de deixar sua marca cravada definitivamente na mente de seu público alvo. Mas o fato é que quando propõe a divertir, o filme o faz com êxitos. Proporcionando hilários momentos de escatologia, nudez e bebedeiras quase sem compromisso, essa comédia adolescente comprova que Jon Lucas e Scott Moore são bons quando o assunto é farra.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>Amor Profundo (2011): drama de época visualmente belo e intenso, mas raso</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/299134/amor-profundo-2011-drama-de-epoca-visualmente-belo-e-intenso-mas-raso/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 05:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel Weisz]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Hiddleston]]></category>

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		<description><![CDATA[A atriz Rachel Weisz e o diretor Terence Davies fazem belos trabalhos, apesar de o roteiro pouco se preocupar em justificar as atitudes inconsequentes de sua personagem principal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-299135" alt="Amor Profundo" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/Amor-Profundo.jpg" width="222" height="326" />A Hester Collyer, de Rachel Weisz, protagonista deste “Amor Profundo”, não poderia ser uma mulher mais sofrida. Sua tristeza está no seu olhar, em seus gestos, em suas atitudes. O amor deveria ser seu combustível, mas ela acaba transformando-o em algo absolutamente destrutivo. Parece não saber o que quer. Talvez seja depressiva, talvez viver em uma Londres pós-guerra atormente-a ainda mais, talvez sua falta de referência familiar seja a causa para tantas perturbações. A verdade é que Terence Davies, que dirige e escreve o filme, não nos dá essa resposta. Ele muito menos abre espaço para o público fazer sua própria interpretação. Desta forma, o longa acaba desperdiçando seu enorme potencial, virando um visualmente belo, intenso, mas raso drama de época.</p>
<p>Passada nos anos 50, quando a Europa ainda convive com as destruições causadas pela 2ª Guerra Mundial, a película conta a história de Hester Collyer, a esposa do juiz William Collyer (Simon Russel Beale) e dona de casa pouco dedicada, aparentemente. O surgimento de um jovem militar, de nome Freddie Page (Tom Hiddleston), em seu convívio, porém, acaba fazendo-a deixar seu conforto. Ela foge para os braços do rapaz. Parece buscar intensidade. E isso, definitivamente, ela consegue, mas não apenas advindo da paixão, mas também das brigas e discussões, o que acaba fazendo-a tomar decisões inconsequentes, como tentar tirar a própria vida.</p>
<p>Adaptado da peça homônima escrita por Terence Rattigan em 1952, “Amor Profundo” explora um terreno já muito bem utilizado por cineastas recentes, chegando a cometer até os mesmos erros. Se de <em>“As Horas”</em>, Davies tira a intensidade de um desolador e sofrido universo  feminino, de <em>“Foi Apenas um Sonho”</em> advém a ânsia por deixar o marasmo de uma vida ditada por regras e convenções. Do último último filme, ainda guarda a infeliz semelhança de dar atenção apenas aos conflitos, falhando em um desenvolvimento mais gradual de seus personagens e da relação entre eles. Por isso mesmo, tudo parece muito gratuito e imotivado.</p>
<p>O roteiro de Terence Davies não consegue fazer de Hester uma personagem tão profunda quanto a direção do filme sugere. Seus atos, enfim, são superados por suas divagações e momentos de introspecção. Se apenas o amor e o carinho que sente pelo antes amante e agora companheiro, assim como o sentimento desse por ela, ganhasse atenção, a trama soaria mais convincente. Não há nem mesmo uma universalização e contextualização adequada da condição de Hester, apesar de momentos como o plano final e da bonita cena em que os londrinos apenas sentem, literalmente, dentro de uma estação de metrô, os efeitos da guerra.</p>
<p>Felizmente, os atores retratam o sofrimento com competência. Rachel Weisz, em <em>performance </em>impressionante, dá a Hester uma vulnerabilidade que transborda. Sua instabilidade pode ser sentida por sua voz pouco convicta e até por sua maneira insegura de tragar um cigarro. Tom Hiddleston até que faz bastante por um personagem que não passa de um arquétipo de um herói de guerra que não se cansa de se gabar de seus feitos. Já Simon Russel Beale transforma William Collyer em um aristocrata de coração, que se não entende, pelo menos aceita as decisões tomadas pela esposa.</p>
<p>O trio é valorizado por uma direção bastante plástica, de planos minuciosamente pensados e executados. Os dez minutos iniciais, então, são de tirar o fôlego. Com uma fotografia granulada que transforma as imagens em verdadeiros delírios de tão belos, Davies moderniza sua história clássica, característica enfatizada pela sempre presente trilha sonora composta por Samuel Barber. Por meio de seu trabalho, corpos femininos e masculinos se confundem, a fumaça do cigarro ganha o charme de um filme noir e a passagem do trem metaforiza com o tempo.</p>
<p>A montagem incerta, recheada de <em>flashbacks</em>, quando toda a trama não passa de um grande e doído dia, traz um diferencial  maior ao filme, tornando ainda mais confundível com o onírico. Impressiona como a história não perde o fôlego e jamais cansa visualmente. No entanto, quando despimos a narrativa de toda essa pomposidade, não sobra muito. “Amor Profundo” se revela mais raso do que parece, soando muito mais como um filme fetiche sobre o sofrimento. Pelo menos, as lamentações, discussões e choros compõem uma beleza singular.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>O Último Exorcismo &#8211; Parte II (2013): sequência é pouco assustadora</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 05:46:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Cruz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[O Último Exorcismo - Parte 2 | Last Exorcism Part II [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuação traz uma sucessão de pequenos sustos em uma história pouco envolvente.  ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-299152" alt="O Último Exorcismo" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/O-Último-Exorcismo.jpg" width="222" height="338" /></p>
<p>Sequência do terror de 2010, &#8220;O Último Exorcismo &#8211; Parte II&#8221; tem início com um <em>flashback</em> para ambientar o público e reapresentar a situação da protagonista, a jovem Nell Sweetzer. Desta vez, ela é encontrada suja e aterrorizada na floresta após ter escapado do ritual visto no filme anterior. Nell é encaminhada a um centro psiquiátrico, mas ela não se lembra do que aconteceu.</p>
<p>Tempos mais tarde, Nell se muda para uma pequena cidade chamada Davreaux, começa a namorar um jovem e arruma um emprego em um hotel da região. Ela tem esperança de recomeçar a vida, mas começa a perceber que o objetivo do demônio que a possuiu a impedirá que isso aconteça facilmente.</p>
<p>História de exorcismo sempre é um grande atrativo para o público, mas neste longa o enredo é confuso. Temos vários pequenos sustos previsíveis e um demônio que lembra muito, por mais engraçado que pareça, um adolescente mimado. É evidente que existem pontos positivos, como a atuação de Ashley Bell, que faz o papel de uma jovem que vive com medo e tem seus traumas.</p>
<p>Mesmo com o bom trabalho da protagonista, os outros personagens completam um enredo repleto de clichês. Compõem a história ainda uma feiticeira, um grupo de adolescentes maldosas, um psicólogo cético, um garoto apaixonado pelo desconhecido e um exorcista tatuado que lembra Keanu Reeves em <em>&#8220;Constantine&#8221;</em>. Todos tentam ajudar a jovem Nell, mas o demônio é ciumento com a presença de qualquer um que se aproxime da moça, levando a feiticeira a acreditar que a entidade está apaixonada pela jovem.</p>
<p>O diretor investe em analogias para compor a perseguição do demônio a Nell de uma forma até criativa, com presenças de pessoas que ela gosta e homens estranhos com boa aparência que constantemente a relembram que o demônio a quer ao seu lado. Nell é apresentada como uma garota que mais cedo ou mais tarde pode se entregar ao mau, mesmo tendo uma pequena resistência natural.</p>
<p>Ainda assim, a trama é desajustada e traz poucas cenas de terror. Os efeitos sonoros são constantemente usados, sendo até possível perceber quando o espectador levará um susto. Para aqueles que esperam assistir a um filme com cenas constantes de possessão, como foi visto na primeira parte, irão se decepcionar ao ver uma história que pouco interage com o longa anterior e que fica mais preocupada em cuidar dos efeitos sonoros e perseguições de um demônio do que elaborar um bom enredo. O maior erro deste novo filme é o seu desfecho sem atrativos, o que aconteceu no primeiro da franquia.</p>
<p>__<br />
<em><strong>Adriana Cruz</strong> é formada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), aspirante a cineasta e formada pelo SENAC São Paulo em roteiro cinematográfico.</em></p>
</ul>
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		<title>Uma Ladra Sem Limites (2013): comédia genérica se perde na falta de ambição</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 05:38:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Amaro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Jason Bateman]]></category>
		<category><![CDATA[Melissa McCarthy]]></category>
		<category><![CDATA[Seth Gordon]]></category>
		<category><![CDATA[Uma Ladra Sem Limites | Identity Thief [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Sinergia entre os protagonistas não consegue salvar da irrelevância este longa infestado de clichês, twists previsíveis e situações vulgares.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-299028" alt="postersemlimites" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/postersemlimites-202x300.jpg" width="202" height="300" />Tudo caminha bem na vida de Sandy Patterson (Jason Bateman, de <em>&#8220;Juno&#8221;</em>). Homem metódico na casa dos 40, tem tudo o que deseja: bela esposa,  duas filhas e emprego satisfatório.  Mas, quando está prestes a dar o maior passo de sua carreira profissional, descobre ser vítima de uma golpista, que lhe rouba a identidade e torra todo seu dinheiro. A partir desse ponto, atingido nos primeiros 20 minutos de trama, o que se vê da comédia “Uma Ladra Sem Limites” é um <em>road movie</em> infestado de clichês, <em>twists </em>previsíveis e situações vulgares, em um roteiro nada original que leva o protagonista a atravessar os Estados Unidos na companhia da culpada pelo seu inferno astral para recuperar a vida que levava antes.</p>
<p>Os cada vez mais badalados Bateman e Melissa McCarthy (da série<em> &#8220;Mike &amp; Molly&#8221;</em>), nos dois papéis principais, transportam carisma e competência ao espectador que, se não chega a se contagiar com a química entre o par, sai da sala satisfeito com a <em>performance</em> dele. McCarthy vive Diana, uma maníaca por compras experimentada em roubar a identidade alheia. Ela tenta preencher um vazio existencial e o próprio guarda-roupas usando cartões de crédito falsos até que a fonte de recursos seque e procure uma nova vítima para aplicar o golpe. Não raramente a dupla demonstra uma intimidade cênica que geralmente só se consegue com bons roteiro e direção ou <em>casting</em> acertados. Neste caso, ponto exclusivo para o <em>casting</em>.</p>
<p>Não que o <em>script</em> seja de todo ruim. Mas está longe de ser bom. Como pontos fortes tem a própria premissa do roubo de identidade, a opção pela narrativa linear  - “feijão com arroz” que geralmente dá certo –, alguns bons diálogos (ênfase no alguns) e momentos capazes de furtar sorrisos e até gargalhadas de quem está na poltrona. Há quem defenda que um filme de entretenimento do chamado “Cinemão” de Hollywood tem mesmo essa função: a de entreter.</p>
<p>Já as fraquezas do texto escrito por Craig Bazin (<em>“Se Beber Não Case: Parte II”</em>) e orquestrado por Seth Gordon (<em>“Quero Matar Meu Chefe”</em>) preencheriam um galpão. Aparecem mais claramente na infinidade de lugares comuns, que não trazem só a sensação de “dejà vu”, como também a de “como eles tiveram a coragem de copiar isso?”.  Especialmente a quem já assistiu aos formidáveis <em>“Fuga à Meia-Noite”</em> (1988) e<em> “Antes Só do Que Mal Acompanhado”</em> (1987), comédias norte-americanas que divertem e provocam a reflexão por meio da convivência de duas pessoas antagônicas durante uma viagem. A principal questão de &#8220;Uma Ladra Sem Limites&#8221; é que não convence nem como comédia descompromissada nem como dramédia, gênero empurrado pela goela do espectador a partir da derradeira parte do filme.</p>
<p>Diante disso e da estapafúrdia perseguição dos caçadores de recompensa caricatos atrás da dupla, que não assustam a ninguém – nem aos perseguidos –, até que a tentativa de redenção da personagem de McCarthy e os clichês sobre a diversidade étnica norte-americana não arranham tanto o desempenho do longa.</p>
<p>Os mais extremados falarão também do abuso do humor físico e sexual que costura a trama. Temos situações cômicas, porém sempre apoiadas no constrangimento e no absurdo. Mas seria justo culpar pela opção o realizador Seth Gordon quando o mercado consumidor de cinema atual clama por continuações de<em> “Ted”, “As Branquelas”, “Se Beber não Case”, “American Pie”</em> e tantas outras? Vendo por esse lado, não. Mas, no final das contas, mesmo se valendo dessas fórmulas de sucesso e se espelhando em grandes obras do passado, &#8220;Uma Ladra Sem Limites&#8221; fraqueja ao esbarrar em sua própria falta de ambição e em subestimar o público. Por mais que a dupla de protagonistas ainda dê algum brilho ao trabalho, não consegue livrá-lo do esquecimento em poucos meses.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Victor Amaro</strong></em><em> é jornalista pós graduado em Jornalismo Literário com passagens como repórter e redator em grandes veículos de comunicação de São Paulo. Herdou a cinefilia da mãe, Eunice, que nos tempos do VHS alugava em média dez fitas toda semana.</em></p>
</ul>
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		<title>O que Traz Boas Novas (2011): o luto compartilhado</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 05:28:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa canadense indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2012 traz uma narrativa simples e tocante sobre a dor que aproxima os diferentes.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-299105 alignleft" alt="21003753_20130506190925039.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/21003753_20130506190925039.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" width="222" height="315" />Iniciando sua primeira aula em uma escola canadense, o professor recém-contratado escreve seu nome no quadro para se apresentar aos alunos com idade por volta dos doze anos. Uma menina pergunta curiosa: <em>“Bashir Lazhar? Qual o significado?”</em>. O professor, imigrado da Argélia, explica que Lazhar quer dizer “sorte”, e Bashir é “o que traz boas novas”, expressão que dá nome ao longa – em uma das raras ocasiões em que o título brasileiro é mais significativo do que o original, <em>“Monsier Lazhar”</em>.</p>
<p>Adaptado da peça teatral de Evelyne de La Chenelière, o filme parte do suicídio repentino de uma das professoras do colégio, dentro da própria classe em que dava aula – obviamente, durante o intervalo, enquanto os alunos estavam no pátio. A tragédia abalou todos da instituição, sendo necessário um acompanhamento psicológico das crianças durante as semanas decorrentes, assim como a substituição da professora.</p>
<p>Para a surpresa de Mme Vaillancout (Danielle Proulx), a diretora da escola, surge em seu escritório o personagem título (do original), interpretado por Mohamed Fellag – devidamente premiado por sua atuação em duas ocasiões, dentre outras duas que foi somente indicado. Diante da situação delicada, Lazhar se apresenta para o cargo com disposição e disponibilidade tais que Vaillancout não consegue negar o emprego ao estrangeiro.</p>
<p>Apesar do empenho, o professor novato sente dificuldades em se adequar às práticas de ensino atuais, atendo-se a uma metodologia pedagógica mais tradicional e antiquada. Embora haja uma razão específica para isto, que só iremos descobrir mais adiante na película, tal relação também serve para concretizar a própria solidão do personagem, que tenta reestruturar sua vida longe de casa e sem a família. Na cena em que Lazhar tenta colocar seu notebook na gaveta de sua mesa de trabalho e este não cabe, percebemos uma boa metáfora desta desadequação.</p>
<p>As crianças do elenco entregam impressionantes atuações, principalmente Sophie Nélisse, que interpreta a madura Alice, e Émilien Néron, que dá vida ao arteiro Simon. Ambos formam o centro da narrativa junto ao protagonista, sendo fundamentais para a composição e o desenvolvimento deste ao mesmo tempo que estabelecem seus próprios arcos.</p>
<p>O diretor e roteirista Philippe Falardeau, juntamente com o diretor de fotografia Ronald Plante, exibe uma admirável preocupação de expressar ideias por meio da composição da imagem. Muitos planos que focam Lazhar têm uma profundidade mínima, separando assim o personagem do ambiente e evidenciando seu deslocamento ao mesmo tempo que guia o espectador para uma visão mais introspectiva. Outro exemplo é a forma como a mãe de Alice é retratada, onde os enquadramentos e a <i>mise-en-scène</i> não permitem uma visão clara do rosto da personagem. Mesmo tentando se aproximar da filha, ela é impedida de ser mais presente por conta do seu trabalho como pilota de avião, que a torna literalmente distante.</p>
<p>A relação entre a inocência do ambiente escolar e o luto instaurado pela tragédia inesperada, que permeia toda a narrativa, é visualmente representada por Emmanuel Fretchette, privilegiando tons de azul e amarelo em seu design de produção, tanto nos cenários quanto no figurino – algo evidenciado pela fotografia de Plante. Isto fica estabelecido logo no início do longa, após o suicídio da professora, quando as paredes da sala de aula, antes de tom amarelo morno, são repintadas com um azul acinzentado. Esta intenção de dualidade é desnecessariamente explicitada no roteiro quando a psicóloga do colégio comenta com Lazhar que a classe parece um quarto de hospital e precisa de mais cor.</p>
<p>“O que Traz Boas Novas” é uma obra sobre pessoas diferentes com dores semelhantes. O roteiro não tenta fechar uma história, apenas falar sobre os sentimentos humanos mais primordiais: alegria e tristeza. Por meio disso, constrói-se um drama leve com pequenos toques de humor naturais ao cotidiano escolar. Algumas cenas de teor cômico são descartáveis para a história em si, mas funcionam muito bem enquanto niveladoras do tom narrativo, que nunca cai nas armadilhas do próprio tema. A simplicidade do filme evoca uma autenticidade que funciona melhor do que qualquer artifício melodramático para arrancar sentimentos do público.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>Somos Tão Jovens (2013): cinebiografia indigna do significado de Renato Russo</title>
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		<pubDate>Sun, 05 May 2013 18:41:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Somos Tão Jovens [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa transforma cantor em rebelde sem causa, preocupando-se mais com fatos curiosos de sua trajetória do que com a sua real essência como artista.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-298347" alt="Somos Tão Jovens" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/Somos-Tão-Jovens.jpg" width="222" height="327" />Nos últimos anos, os documentários nacionais vêm escolhendo como uma de suas principais temáticas as trajetórias de bandas e músicos brasileiros. E o resultado tem sido, no mínimo, satisfatório. É, de fato, um caminho mais fácil, de poucos percalços e de saldo quase sempre positivo. O mesmo não se pode dizer da ficção. Tanto é que os poucos que apostaram em cinebiografias não deram vida a bons filmes. Se <em>“Cazuza &#8211; O Tempo Não Para”</em>, em 2004, pouco valorizava o artista, dando mais atenção do que deveria a promíscua vida sexual do cantor e compositor, “Somos Tão Jovens” também não é digno do que Renato Russo significou e ainda significa para o cenário da música do País.</p>
<p>Pelo menos acertando na escolha do recorte da intensa, mesmo que curta, vida do cantor carioca, a trama nos mostra Renato ou Júnior (Thiago Mendonça), como era chamado pelos pais, ainda em Brasília, para onde se mudou em 1973. Foi lá que ele deu início a sua carreira, já na fase final de sua adolescência. O mergulho no rock aconteceu quando uma doença óssea não o permitia se movimentar. Mas depois da melhora, veio a chance de formar uma banda, e ela se tornou realidade. O Aborto Elétrico nasceu. Ao lado dos irmãos Fê (Bruno Torres) e Flávio Lemos (Daniel Passi), ele deixa sua marca no cenário local. No entanto, desentendimentos levam-no a sair da formação e dar vida, posteriormente,  a uma das bandas mais bem sucedidas do rock nacional: o Legião Urbana.</p>
<p>A poesia das músicas escritas por Renato e sua consequente essência como homem, músico e intelectual, porém, jamais ganham destaque nesta produção. Quem acabamos conhecendo durante 100 minutos de duração é o menino Renato. Na verdade, o rebelde sem causa de nome Renato. Nas mãos do diretor Antônio Carlos da Fontoura e do roteiro de Marcos Bernstein (responsável por trabalhos importantes, como <em>“Central do Brasil”</em>), um dos compositores mais aplaudidos da História do País é transformando em um rapaz inconsequente, que decide rasgar a roupa por simples vontade, que invade a festa alheia apenas para mostrar como o rock é mais divertido e que termina uma parceria profissional por nenhum motivo convincente.</p>
<p>Além disso, a história de “Somos Tão Jovens” parece mais preocupada com curiosidades, em revelar como encontros, desencontros e ideias aconteceram. Logo, não se impressione se Hebert Vianna (em imitação sofrível) e Dinho Ouro Preto surgirem, mesmo que suas aparições em nada contribuam para a vida do protagonista ou para a trama. Também não fique espantado se a escolha de nomes de bandas e sobrenomes artísticos tornarem-se motivos para risos durante a sessão. A falta de naturalidade com que esses e a maioria dos diálogos do filme ocorrem, ao lado de uma direção que faz questão de dar closes inconvenientes, tornam algumas situações imotivadas e vergonhosamente cômicas.</p>
<p>Por sinal, a busca do texto por colocar frases de efeito (e sem qualquer conteúdo) na boca de seus personagens incomoda bastante, chegando até a influenciar na composição dos personagens por parte dos atores. Talvez por isso, o Renato Russo de Thiago Mendonça (mesmo com semelhança física inegável) soe tão acima do tom, característica que se repete em outras interpretações. Até mesmo a premiada Sandra Corvelone surge inverossímel como a mãe do cantor. A única que verdadeiramente se salva é Laila Zaid. Como Aninha, a melhor amiga do personagem principal, ela fica responsável pelos diálogos mais descontraídos do filme, dando origem a única relação que convence durante todo o longa, a amizade entre ela e Renato. Não por acaso, uma das melhores cenas da produção seja a apresentação da música que ele escreveu para a moça.</p>
<p>As outras exibições do cantor (e elas são várias) não possuem o mesmo significado, já que não há qualquer relação entre o que compositor escreve e canta e o modo como ele age. Suas inspirações nunca são devidamente demonstradas, não passando de citações ou flashes de curiosidades. E até mesmo a maneira encontrada por ele para guardar suas e as histórias dos outros para posteriores composições é tratada apenas como motivo para brigas e acusações.</p>
<p>Falhando ainda nas contextualizações, seja musical ou política, “Somos Tão Jovens”, pelo menos, ainda reserva momentos de introspecção de seu protagonista em que podemos ouvir algumas das melhores gravações feitas por Renato e sua Legião Urbana sem sermos importunados por qualquer briga juvenil, diálogo forçado ou apresentações sem conteúdo. Mas, infelizmente, eles são poucos. Muito poucos. Mais do que insuficiente para a grandiosidade de um dos maiores nomes da música brasileira. Renato Russo merecia mais.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>Em Transe (2013): o flerte de Danny Boyle com o surrealismo noir</title>
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		<pubDate>Sun, 05 May 2013 15:27:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Danny Boyle]]></category>
		<category><![CDATA[Em Transe | Trance [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[James McAvoy]]></category>
		<category><![CDATA[Rosario Dawson]]></category>
		<category><![CDATA[Vincent Cassel]]></category>

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		<description><![CDATA[Tendo como ponto de partida um assalto, o novo longa do cineasta britânico nos leva por uma jornada visual pela mente de seu protagonista, em um jogo mental de gato e rato visualmente fascinante.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-298277" alt="cartazemtranse" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/cartazemtranse.jpg" width="222" height="325" />Danny Boyle é um cineasta que gosta de mergulhar fundo na psique de seus personagens e que evita repetir gêneros, sempre dando a seus diversificados longas marcas visuais e narrativas que os tornam imediatamente reconhecíveis pelo seu estilo estético. Neste “Em Transe”, o britânico adapta para o cinema um filme para a TV cujo roteiro o permitiu colocar a ação, de fato, dentro da mente de seu protagonista.</p>
<p>Simon (James McAvoy) trabalha como leiloeiro em uma famosa galeria de arte. O local acaba sendo o cenário de um ousado roubo orquestrado pelo criminoso profissional Franck (Vincent Cassel), com a ajuda do próprio Simon. No entanto, o rapaz escondeu o valioso produto do crime e, após um golpe na cabeça, não lembra mais onde a obra está. Sem saída, Franck recorre a Elizabeth Lamb (Rosario Dawson), uma hipnotista que pode recobrar a memória de Simon. Segredos começam a emergir entre as partes, em um perigoso jogo de gato e rato, onde as fronteiras entre caça, caçador, realidade e sonhos começam a se misturar.</p>
<p>A abertura do filme lembra muito um <em>heist movie</em> (filme de assalto) extremamente compactado, remetendo inclusive ao eficiente <em>“O Plano Perfeito”</em>, até mesmo por incluir um monólogo do personagem principal direcionado à plateia. Estes primeiros minutos são os mais convencionais da produção que, a partir daí, se torna uma verdadeira caixa de areia para Boyle e seus colaborados, que aproveitam o aspecto onírico da história ao máximo.</p>
<p>Especialmente deve ser louvado o trabalho do diretor de fotografia Anthony Dod Mantle que, de maneira econômica, navega por diferentes ambientes (reais ou mentais), criando identidades visuais para cada um, indo desde cores frias e ângulos desconfortáveis (como no tenso diálogo envolvendo o trio principal dentro de um carro) até uma paleta acolhedora e alegre em uma das fantasias de Simon.</p>
<p>Paralelos com <em>“A Origem”</em> são inevitáveis, mas enquanto Christopher Nolan transportou para a tela o subconsciente de uma maneira mais analítica, pouco se utilizando do surrealismo em sua narrativa, Boyle se permitiu brincar mais com essa ausência do real que lhe foi dada, trabalhando com maior liberdade e fugindo de uma lógica mais conservadora, em uma mistura de <em>noir </em>e fantasia psicológica, mantendo o espectador atento e maravilhado ao que é projetado.</p>
<p>Para criar esse clima mutável, a fotografia trabalha em uníssono com um design de produção extremamente inteligente (reparem a estrutura labiríntica da casa de Franck em um momento e a presença opressora da tela no apartamento de Simon quando este recebe visitas) e com a maravilhosa trilha de Rick Smith (que inclui até mesmo a própria Rosario Dawson em mais que apropriada canção sobre “o sonhador”). Todos esses elementos são mixados pela excelente montagem de Jon Harrison, que os condensa em um ritmo, com o perdão do trocadilho, hipnótico.</p>
<p>O trio de protagonista está fantástico. James McAvoy trabalha seu personagem como uma tela em branco, inicialmente pura que, aos poucos, vai sendo pintada com tons cada vez mais sombrios, tornando-se especialmente assustador quando o vemos dando vazão a um lado sádico de sua personalidade que, até pouco tempo, parecia plácida e McAvoy explora muito bem esse desafiador crescendo de seu personagem.</p>
<p>Já Rosario Dawson é uma versão modificada de uma <em>femme fatale</em> que, mesmo tentando manter o controle o tempo todo, nos permite ver que possui um segredo, revelado por meio de um choro, pouco depois de sua primeira aparição em cena. A verdadeira natureza de Elizabeth é um dos mais intrigantes mistérios da fita, tornando-a altamente sedutora. Finalmente, Vincent Cassel surge como um criminoso impiedoso para, aos poucos, revelar-se cada vez mais fragilizado, com seu Franck conquistando aos poucos alguma simpatia do público.</p>
<p>“Em Transe” enfrenta sua dose de problemas. As excessivas reviravoltas presentes no terceiro ato atrapalham um pouco a experiência e acabam por enfraquecer a produção, especialmente em sua estrutura. Mas é algo mínimo em comparação com seus aspectos positivos, o que torna essa ambiciosa empreitada de Danny Boyle mais um acerto dentro da carreira deste ótimo diretor.</p>
<p>___<b><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></b><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>A Datilógrafa (2012): saudosismo, previsibilidade e algumas risadas</title>
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		<pubDate>Sun, 05 May 2013 15:20:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa que integra a programação da quarta edição do Festival Varilux de Cinema Francês traz comédia romântica aos moldes dos anos 50.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-298233 alignleft" alt="Populaire-Poster" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/Populaire-Poster.jpg" width="222" height="296" />Recentemente, o longa francês <em>“O Artista”</em> ganhou a atenção do público e da crítica por se tratar de um filme mudo em pleno século XXI. Desde a fotografia em preto e branco até o roteiro metalinguístico sobre a decadência de um ator diante do avanço tecnológico que trazia o som para o cinema – fazendo referência inclusive a um dos maiores clássicos hollywoodianos, <em>“Cantando na Chuva”</em> –, a obra foi realizada no formato da época a que se propunha homenagear. Adotando o inglês como idioma e valorizando a cultura cinematográfica americana, <em>“O Artista”</em> levou o Oscar de Melhor Filme em 2012 sem grandes dificuldades.</p>
<p>Eis que o diretor francês Régis Roinsard decidiu seguir os passos de seu conterrâneo “oscarizado”, Michel Hazanavicius, e prestar homenagem a outra fase do cinema americano. Desta vez, não são os filmes mudos, mas as comédias românticas da década de 50 e início dos anos 60 que servem de inspiração para “A Datilógrafa”, que marca a estreia do diretor em longas. Os créditos iniciais, permeados por animações coloridas acompanhadas de uma trilha no melhor estilo de <em>“O Pecado Mora ao Lado”</em> e da extinta série de TV “Jeannie é um Gênio”, revelam o tom narrativo do filme.</p>
<p>Estamos na região da Baixa Normandia, na França, em 1958. Rose Pamphyle (Débora François) datilografa seu nome entusiasticamente em uma velha máquina de escrever que está a venda no armazém de seu pai. A tímida jovem do interior que trabalha ajudando no pequeno negócio da família sonha em ser uma secretária. Para ela, isso é sinônimo de modernidade, relações sociais ativas e viagens pelo mundo, tudo o que sua vida pacata não lhe permitia ter.</p>
<p>Embora a realidade não seja tão chique quanto parece, é o suficiente para Rose fugir de um futuro infeliz com um casamento arranjado pelo pai. Ela se arrisca em uma entrevista de emprego em uma companhia de seguros na cidade de Lisieux. Seu empregador, o charmoso empresário Louis Échard (Romain Duris), percebendo a agilidade da jovem na escrita com a máquina – que, apenas usando os dois indicadores, é mais rápida do que a maioria que usa os dez dedos –, promete-lhe a vaga de secretária com a condição de que ela treine para vencer um concurso de datilografia. Este é o pontapé inicial para uma conturbada, divertida e previsível história de amor.</p>
<p>François e Duris se divertem em seus papéis, com atuações caricaturais e eficientes para o tipo de humor desejado, servindo bem dentro da proposta do longa. O design de produção de Sylvie Olivé também caminha neste sentido, conferindo à obra uma vivacidade que define o teor cômico da época e, ao mesmo tempo, o contexto da trama. A decoradora de set Jimena Esteve brinca com a metalinguagem, dispondo fotos de Audrey Hepburn e Marilyn Monroe – dois ícones da comédia romântica americana da época – na parede do quarto de Rose.</p>
<p>Laure Gardette e Sophie Reine são responsáveis por boa parte da eficácia narrativa do filme por meio de sua montagem que, além de fornecer dinamismo a cenas aparentemente enfadonhas – como as competições que Rose participa –, consegue potencializar <em>gags</em> apenas pela variação entre planos ou por elipses bruscas – como quando Louis se fere com uma faca.</p>
<p>Apesar dos incansáveis e desnecessários trocadilhos visuais e verbais relacionando o nome da protagonista (Rose) e uma rosa sem que haja algum significado relevante, o roteiro da dupla estreante Daniel Presley e Romain Compingt, em parceria com o próprio diretor, constrói diálogos afiados e divertidas interações entre os protagonistas.</p>
<p>No terceiro ato, porém, o trio de escritores perde a criatividade e se limita apenas a adiar uma conclusão já adivinhada pelo espectador. A narrativa se torna arrastada e os personagens, desinteressantes. A montagem continua sustentando o ritmo de uma forma tão admirável que até parece nos preparar para algo diferente do esperado. Porém, o roteiro insiste em decepcionar, tornando inútil a pequena expectativa por alguma surpresa que ainda nos resta.</p>
<p>“A Datilógrafa” é uma comédia leve e inofensiva, mas que tem seus méritos. A decadência do roteiro no momento mais decisivo é a principal falha do longa e a que o determina. A obra não consegue alcançar a regularidade de <em>“O Artista”</em> que, mesmo adotando os clichês e a simplicidade como bases fortes de consistência narrativa, parte de uma mesma proposta de resgate/homenagem de uma época e gênero cinematográficos.</p>
<p><em>Esse filme integra a programação do Festival Varilux de Cinema Francês 2013.</em><br />
___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>Ferrugem e Osso (2012): superação de um, amadurecimento de outro</title>
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		<pubDate>Sun, 05 May 2013 15:07:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Cruz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Marion Cotillard]]></category>

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		<description><![CDATA[Premiado em Cannes, Marion Cotillard estrela uma história intensa que mostra o antes e depois de uma tragédia que muda vidas.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-298321" alt="Ferrugem e Osso" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/05/Ferrugem-e-Osso.jpg" width="222" height="326" />Premiações como Cannes e César são para filmes que se destacam pela sua forma de arte e qualidade narrativa, independente da nacionalidade. O Oscar, mesmo considerado a maior premiação do cinema, claramente destaca os longas americanos, limitando os ganhadores aos já conhecidos conglomerados hollywoodianos, mas em Cannes muitos premiados mereciam a estatueta esse ano. Um deles é o novo longa do diretor francês Jacques Audiard.</p>
<p>&#8220;Ferrugem e Osso&#8221; é um filme franco-belga que conta a história Alain (Matthias Schoenaerts), um ex- boxeador e pai solteiro de um menino de cinco anos que vive de forma miserável pelas ruas, após ter perdido o treinador. Não tendo alternativa, e com muitas dificuldades, ele viaja para a casa da irmã em busca de ajuda para recomeçar a vida e logo consegue um emprego de segurança. Uma noite ele conhece na boate que trabalha Stéphanie (Marion Cotillard), uma bela adestradora de um famoso parque aquático da região. Alain a leva em casa e, encantando com a beleza da moça, deixa seu telefone, caso precise de algo. Porem, Stéphanie sofre um grave acidente no trabalho. Deprimida, ela entra em contato com Alain, que a visita com frequência. Com o passar do tempo, a relação entre eles fica mais intensa, mudando completamente a rotina e a vida dos dois.</p>
<p>Dirigido por Jacques Audiard e com o roteiro baseado nos contos <em>&#8220;Rocket Ride&#8221;</em> e <em>&#8220;Rust and Bone&#8221;</em>, do livro <em>&#8220;Rust and Bone&#8221;</em>, do canadense Craig Davidson, &#8220;Ferrugem Osso&#8221; mostra a transformação de duas vidas por meio da superação. O longa conta a história dos personagens aos poucos, mostrando a grande diferença de vida e cotidiano que cada um passa. Logo no início, cada personagem é apresentando ao público como pessoas solitárias que vivem de forma artificial, sem se importar com as situações e pessoas ao seu redor. Alain é um troglodita, que só pensa nele mesmo e não percebe que o seu jeito de ser prejudica e magoa as pessoas que estão próximas, principalmente o filho e a irmã. Stéphanie, por sua vez, é uma mulher que gosta de chamar a atenção pela sua aparência e amor pela vida, visto por ela como algo fundamental para ter bons relacionamentos e conseguir o que quer.</p>
<p>Quando Stéphanie sofre o acidente, o mundo dela desaba, vendo tudo o que mais amava acabar de um dia para o outro. Por um tempo, ela pensa em desistir, mas percebe que viver deprimida não irá mudar sua situação.  Alain acompanha a luta dela pela vida e isso o motiva a fazer o mesmo, retomando o sonho de se tornar um boxeador profissional. A princípio, de forma clandestina em lutas de rua organizada por conhecidos, Alain volta a lutar escondido da família e consegue retirar um bom dinheiro extra com isso. A única que o acompanha é Stéphanie e, mesmo sendo um homem rude e grosseiro, ele percebe nela alguém que pode confiar, despertando em ambos uma necessidade de ficar perto um do outro, não só pelo relacionamento amoroso, mas pela companhia e compreensão que compartilham quando estão juntos.</p>
<p>Matthias Schoenaerts, tendo uma carreira consolidada na Europa, ganhou destaque e reconhecimento em &#8220;Ferrugem e Osso&#8221; pela interpretação do lutador A parceria com Marion Cotillard lhe rendeu o premio César de Ator Promissor. A interpretação de Schoenaerts é intensa em mostrar que toda a fúria do personagem se dá na condição de não aceitar o fim de sua carreira e, no lugar de prosseguir, desiste covardemente sem ver alternativa.</p>
<p>Por sua vez, a atriz Marion Cotillard claramente retrata a fragilidade e a transformação da personagem antes e depois do acidente. Todo o filme mostra sua superação, mas deixa claro que a mudança de paradigmas não acontece imediatamente. Para aqueles que não estão acostumados, a obra pode parecer um pouco monótona, mas cada personagem, principalmente de Cotillard, sofre a transformação a partir do momento que muda seu foco e para de ver a tragédia como o fim. A famosa cena de encontro com a orca mostra esse desejo de superação, igualmente visto na cena em que a personagem de  Cotillard, sentada na varanda de sua casa, faz os comandos que antes realizava como adestradora. As cenas de sexo são intensas, pela aceitação do próprio corpo e renovação da autoestima. A companhia de Alain a faz se sentir bem, pois com o seu jeito rude ele não a trata com pena, mas sim como uma pessoa normal.</p>
<p>O brilhantismo da história e a construção narrativa se dão na reflexão sobre o medo e a necessidade que cada um tem de mudar e quebrar os paradigmas impostos por si mesmo, de uma forma romântica e sem exageros, Jacques Audiard mostra que a superação tem que ser vivida devagar, aprendendo a cada paço para se tornar uma pessoa melhor.</p>
<p><em>Esse filme integra a programação do Festival Varilux de Cinema Francês 2013.</em></p>
<p>__<br />
<em><strong>Adriana Cruz</strong> é formada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), aspirante a cineasta e estudante de roteiro cinematográfico.</em></p>
</ul>
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		<title>Um Bom Partido (2012): Gerard Butler estrela mais uma comédia romântica esquecível</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 18:11:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Catherine Zeta-Jones]]></category>
		<category><![CDATA[Dennis Quaid]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriele Muccino]]></category>
		<category><![CDATA[Gerard Butler]]></category>
		<category><![CDATA[Jessica Biel]]></category>
		<category><![CDATA[Noah Lomax]]></category>
		<category><![CDATA[Um Bom Partido | Playing For Keeps [2012]]]></category>
		<category><![CDATA[Uma Thurman]]></category>

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		<description><![CDATA[Gerard Butler protagoniza a estreia do diretor de "À Procura da Felicidade" no gênero comédia romântica.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-297964" alt="um bom partido" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/um-bom-partido.jpg" width="222" height="326" />Mais conhecido por seus grandes papéis em filmes de ação, Gerard Butler ganhou fama de galã das comédias românticas desde que estrelou <em>“A Verdade Nua e Crua”</em> ao lado de Katherine Heigl. Já o cineasta italiano Gabriele Muccino, conhecido internacionalmente por <em>“À Procura da Felicidade”</em> e <em>“Sete Vidas”</em> (ambos estrelados por Will Smith), não é totalmente familiarizado com o gênero. Em “Um Bom Partido”, Muccino conta com o talento do galã e do ótimo elenco coadjuvante para fazer o público rir em uma obra atípica de sua carreira melodramática.</p>
<p>George Dryer (Butler) é um decadente ex-jogador de futebol escocês que vai aos Estados Unidos em busca do reconciliamento com sua ex-esposa Stacie (Jessica Biel) e do seu filho Lewis (Noah Lomax). Aclamado por seu passado vitorioso, Dryer se converte em uma figura célebre do subúrbio da Virgínia após aceitar o trabalho de técnico do time de futebol infantil no qual seu filho joga. Enquanto não está dirigindo a Ferrari do amigo puxa saco Carl (Dennis Quaid) ou sendo atacado pelas mães dos amigos de Lewis, George tenta cumprir seu papel de pai e reconquistar o amor de Stacie. Entretanto, sua massiva dívida com ambos se torna cada vez mais difícil de ser quitada.</p>
<p>O roteiro genérico de Robbie Fox conta, felizmente, com um excelente elenco e momentos de comicidade. Jessica Biel está ótima no papel de mãe de família, firmando o contraponto dramático necessário para o desenvolvimento da narrativa e o crescimento do personagem de Butler. O mesmo pode se dizer do estreante Noah Lomax, que já havia figurado em algumas séries de sucesso como <em>“The Middle”, “Drop Dead Diva”</em> e <em>“The Walking Dead”</em>. Gerard Butler também se revela confortável em seu papel e conduz o filme com eficiência entre as cenas dramáticas e cômicas. Além disso, o elenco de apoio composto por Dennis Quaid, Catherine Zeta-Jones e Uma Thurman, embora subaproveitados na narrativa, contribuem em alguns dos melhores momentos do filme.</p>
<p>Contudo, como estamos fartos de saber, não é só com um grande elenco que se faz um grande filme. É inegável a influência televisiva na estrutura do roteiro, afinal, em questão de cinema, Robbie Fox é praticamente um estreante. O aproveitamento dos personagens periféricos parece seguir a lógica da sitcom, suas aparições são efêmeras, engraçadas e não causam grandes impactos no desenvolvimento da narrativa, soando invariavelmente como uma ferramenta deselegante para cumprir tempo de tela.</p>
<p>Por mais que Gerard Butler cative, o crescimento de seu personagem (afinal, é disso que o filme se trata, do crescimento e amadurecimento de George Dryer) é formulaico e previsível. A previsibilidade dos atos é consequência natural de quem já assistiu a muitos filmes, principalmente de gêneros recheados de estereótipos e de fórmulas pré-estabelecidas. Sabemos que ‘A’ chegará em ‘B’, contudo, o caminho utilizado para a conclusão do arco narrativo é a grande chave para que haja surpresas. Fox parece se contentar com o feijão e arroz básico e entrega um filme esquecível.</p>
<p>“Um Bom Partido” trabalha bem com os clichês do gênero e peca justamente por não encontrar identidade em sua narrativa. Trata-se de mais uma comédia romântica ‘divertidinha’ da qual provavelmente não nos lembraremos daqui a alguns meses.</p>
<p><strong><em>__<br />
<strong><em>Pedro Azevedo</em></strong></em></strong><em></em><em> </em><em>é estudante de psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pesquisador na área da psicanálise. Formado em Cinema e vídeo pela Casa Amarela Eusélio Oliveira, é apaixonado pelas artes em geral e pelo cinema em particular.</em></p>
</ul>
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		<title>E se Vivêssemos Todos Juntos? (2011): a velhice na França tratada com leveza</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Apr 2013 16:13:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Diretor e roteirista Stéphane Robelin problematiza, sexualiza e torna divertido o sutil mundo de idosos que exibe nesta agradável dramédia.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-297546" alt="E se Vivêssemos Todos Juntos" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/E-se-Vivêssemos-Todos-Juntos.jpg" width="222" height="328" />Se Michael Haneke, com seu <em>“Amor”</em>, mostra de forma crua e cruel a velhice na França, em que um casal de idosos sofre suas dores isoladamente (e literalmente) em um enorme e vazio apartamento, Stéphane Robelin traz uma história bem mais leve sobre a mesma temática. Mas não espere idealizações. “E Se Vivêssemos Todos Juntos?” tem apenas um ponto de vista menos dramático e profundo, mas quase tão desesperançoso quanto. A diferença está no fato de que seus personagens preservam entre eles uma relação longínqua e de confiança baseada na lealdade, de nome “amizade”.</p>
<p>É graças a ela que cinco idosos, quase todos no mínimo septuagenários (se verificarmos as idades dos atores) decidem dividir o mesmo teto. A decisão é tomada depois que Claude (Claude Blanchard) sofre um acidente e precisa passar um tempo, por ordem do filho, em um triste e melancólico asilo. Uma visita rotineira dos amigos, então, vira uma fuga. E todos partem para a casa de Jean (Guy Bedos) e Annie (Geraldine Chaplin). Jeanne (Jane Fonda) e Albert (Pierre Richard) complementam o “time”. Juntos eles vão ter de enfrentar seus problemas de saúde, que não são poucos, suas limitações físicas e suas antigas e novas “birras”. Mas também vão repartir momentos de puro companheirismo.</p>
<p>Contextualizado em uma França atual, economicamente instável, o filme já faz questão de ressaltar, em uma única cena, a vitalidade de alguns de seus personagens e o preconceito dos jovens (advindo até da própria família) para com eles. Liderando um protesto, que chega ao ponto de segurar e bradar em um megafone, Jean é ignorado pelos policiais quando o movimento de repressão da mobilização tem início. É deixado de lado. Nem mesmo jogar um garrafa de vidro em um agente o faz ser preso. Ele quer ser visto, mas não consegue. Ao lado da rua, seus amigos tentam contê-lo, ao mesmo tempo que não escondem as gargalhadas. E dessa forma, “E se Vivêssemos Todos Juntos?” funciona, unindo seriedade com leveza em uma harmonia invejável que conquista facilmente o público.</p>
<p>O objetivo de Stéphane Robelin, que dirige e escreve a película, não é que sintamos pena ou remorso pelo estado de seus personagens. Trata-se muito mais de um registro documental, um alerta nada explícito ou didático sobre uma situação inevitável, pela qual todos nós, se tivermos sorte, teremos de passar. Por isso mesmo, o roteiro faz da maioria de seus personagens pessoas ativas, que ainda buscam prazer com prostitutas ou cuidam da casa com destreza jovial. E mesmo quando a saúde não coopera, como no caso de Albert, que sofre do Mal de Alzheimer, vem o humor, advindo das próprias situações embaraçosas causadas pela doença, para amenizar o clima.</p>
<p>Quando se reúnem, então, não faltam motivos para risos, mesmo que seja após uma pequena e habitual discussão. Logo, a ideia de viverem no mesmo lar jamais soa absurda, apesar de demorar muito para ser executada pelo roteiro. Robelin também faz questão de revelar uma essência crua do quinteto. Se alguns são mais amorosos do que outros, o mesmo acontece com o preconceito,  demonstrado explicitamente em cena em que expressam não gostar dos árabes que invadem seu país. A sexualidade também é introduzida sem medos, seja por meio de uma bonita sequência de sexo (em que é possível até confundi-los com jovens) ou por um bate-papo revelador.</p>
<p>A conversa, por sinal, é consequência da introdução do mais jovem personagem desta história, o etnólogo Dirk (Daniel Bruhl). De pretenso cuidador de cachorro, querendo apenas complementar sua bolsa de estudo, ele vira um pesquisador em contato direto com o objeto de sua tese. Dessa forma, o público, por diversas vezes, assume sua posição, sendo muitas vezes surpreendido, seja pela falta de pudor, seja pelos problemas que as limitações e enfermidades dos cinco amigos vêm a causar. Adentrar a intimidade de Dirk, e saber de seus problemas afetivos, logo, é um erro que o roteiro persiste em exibir.</p>
<p>Revelações e casos passados, que quase transformam essa história em um conto cômico de amor e traição, é outro tropeço do filme. Felizmente o elenco faz tudo ser amenizado por meio de <em>performances</em> mais do que carismáticas. Ver Jane Fonda atuando em francês, então, é uma grata surpresa. Ao lado dela, Geraldine Chaplin, Guy Bedos, Pierre Richard e Claude Blanchard tornam “E se Vivêssemos Todos Juntos?” um conto divertido e comovente sobre cinco amigos de idade avançada que souberam enfrentar  os males da saúde e da sociedade com uma dose extra de companheirismo. E tudo não poderia ser melhor representado pela metáfora da piscina que constroem.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>Homem de Ferro 3 (2013): o homem é mais importante que o metal</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Apr 2013 13:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ben Kingsley]]></category>
		<category><![CDATA[Don Cheadle]]></category>
		<category><![CDATA[Drew Pearce]]></category>
		<category><![CDATA[Guy Pearce]]></category>
		<category><![CDATA[Gwyneth Paltrow]]></category>
		<category><![CDATA[Homem de Ferro 3 | Iron Man 3 [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Jon Favreau]]></category>
		<category><![CDATA[Rebecca Hall]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Downey Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Shane Black]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar de alguns problemas e mudanças que certamente causarão polêmica junto aos fãs mais apaixonados dos quadrinhos, esta produção fecha bem a trilogia que apresentou o grande público a Tony Stark e transformou Robert Downey Jr. em um dos atores mais poderosos de Hollywood.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-297520" alt="homem-de-ferro-3-poster-nacional" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/homem-de-ferro-3-poster-nacional.jpg" width="222" height="317" />Já diz aquele velho ditado que “as roupas não fazem o homem”. As façanhas do <em>alter-ego</em> blindado de Tony Stark podem ter sido o que atraiu inicialmente o público para a primeira adaptação de “Homem de Ferro”, em 2008, mas foi a poderosa interpretação de Robert Downey Jr. como o excêntrico “mecânico” bilionário que fez com que a audiência esperasse por cada uma das aparições seguintes do personagem no cinema.</p>
<p>Com isso em mente, é apropriado que “Homem de Ferro 3” seja muito mais sobre o homem do que sobre a sua couraça (ou casulo) de metal. Não que o filme se furte de ter o Vingador Dourado em cenas de ação de tirar o fôlego, longe disso. Mas logo fica claro que o foco do roteiro do britânico Drew Pearce e do diretor Shane Black (velho colaborador de Downey Jr. e um dos responsáveis por seu retorno às telas) se interessa mais em dissecar psicologicamente seu protagonista do que apenas colocá-lo em batalhas aleatórias por aí.</p>
<p>Situado algum tempo após os eventos de <em>“Os Vingadores”</em>, o longa nos apresenta a um Tony Stark que, por conta do seu encontro com alienígenas, monstros gigantes e semideuses, sofre de ataques de pânico e constantemente recorre à sua armadura para sentir-se seguro. Obcecado pela construção de novos e melhores trajes, ele se afasta um pouco da sua amada Pepper (Gwyneth Paltrow) e dos amigos, o militar Jim “Patriota de Ferro” Rhoades (Don Cheadle) e Happy Hogan (Jon Favreau, diretor dos dois filmes anteriores da série).</p>
<p>Esse afastamento tem consequências trágicas quando o terrorista conhecido como Mandarim (Ben Kingsley), líder da organização que sequestrou Tony na fita original, surge causando pânico pelo país, secretamente aliado ao industrial Aldrich Killian (Guy Pearce). Eles atingem o herói em um nível pessoal e o extirpam de todos os seus recursos. Abalado e sem poder contar com seu arsenal tecnológico, Tony tem de se reinventar para lidar com a nova ameaça.</p>
<p>Logo de cara, o roteiro tem um problema sério a contornar, chamado Universo Cinematográfico Marvel. Com a existência dos Vingadores, fica difícil acreditar que o Homem de Ferro não pediria ajuda ao Capitão América ou a Viúva Negra. Até mesmo considerando que se trata de um desafio pessoal para Stark, em dado momento a situação fica tão séria que se torna impossível não esperar o envolvimento ao menos do patriótico Steve Rogers na aventura.</p>
<p>É um detalhe incômodo que provavelmente será resolvido nos próximos filmes do estúdio, mas que, agora, existe, mostrando que a ambiciosa empreitada da <i>Marvel Studios</i> tem seus desafios operacionais. No entanto, esse isolamento (relativo) da fita em relação às demais do selo Vingadores dá a este terceiro voo solo do enlatado uma vantagem óbvia em relação a <em>“Homem de Ferro 2”</em>, pois elimina qualquer necessidade do filme parar sua trama e abrir espaço para elementos de outras séries, sendo focado exclusivamente em seu protagonista.</p>
<p>Elogiar o Tony Stark de Robert Downey Jr. é chover no molhado. Interpretando o Homem de Ferro pela quinta vez, Downey já é dono do personagem, mas traz aqui uma insegurança antes inédita. Sua expressão ao ser diagnosticado com ataques de ansiedade demonstra bem o quão absurdo aquilo soa para ele e prenuncia as dificuldades pelas quais ele passará.</p>
<p>Durante todo o tempo em que acompanhamos Tony, ele foi o dono da situação e a figura central de poder. Ao ver que este não é o caso, a crise de pânico se torna crível, bem como sua necessidade de reajustar seu papel e sair de sua zona de conforto. Nisso, Stark surge em cenas de ação sem armadura, com Downey Jr. empregando sua habitual energia nesses momentos. Engraçado notar como Charlie Chaplin continua a influenciar o ator até hoje, tornando-se impossível não lembrar de <i>“O Garoto”</i> nas divertidíssimas interações de Downey com o ator-mirim Ty Simpkins.</p>
<p>Durante um <em>flashback</em> pré “Homem de Ferro”, percebemos o quanto Tony amadureceu e boa parte disso é por conta da Pepper Potts de Gwyneth Paltrow. A química entre os dois flui de maneira natural com o romance e até mesmo as discussões são recheadas de um carinho tão grande que nos obriga a torcer pelo casal. Paltrow tem um papel mais acentuado aqui e participa de maneira ativa da ação, aproveitando bem cada momento na tela.</p>
<p>O posto de alívio cômico caiu bem para Jon Favreau e seu Happy Hogan, que desempenha um importante papel para o andamento da trama. Don Cheadle está um pouco mais à vontade como Jim Rhodes e suas trocas de diálogo com Downey se mostram mais ágeis, mas o ator ainda parece um tanto deslocado como um <em>action hero</em> de um blockbuster. Já a talentosa Rebecca Hall tem pouco a fazer em cena e realmente não deixa nenhuma grande impressão com sua Maya Hansen.</p>
<p>Isso não pode ser dito de Sir Ben Kingsley que, mesmo com pouco mais de 10 minutos de tela, rouba a cena até mesmo frente ao magnético protagonista na pele do Mandarim, figura que se apresenta como uma mistura daquilo que o oriente e o ocidente possuem de pior. O Aldrich Killian de Guy Pearce se mostra um vilão/magnata mais comum, mas tem uma construção melhor que o Obadiah Stane de Jeff Bridges, bem como uma motivação e objetivos mais claros, tornando seu arco mais eficiente que aqueles dos vilões anteriores da trilogia.</p>
<p>Longe de ser um empregado-padrão, Shane Black orquestra a produção do seu jeito e deixa sua assinatura em cada fotograma da película, especialmente ao aproveitar vários pontos de <em>“Máquina Mortífera”,</em> franquia que o consagrou como roteirista nos anos 1980.</p>
<p>Assim como na primeira investida daquela série, a trama se passa no Natal e tem um protagonista lidando com problemas psicológicos, além de vilões e capangas em seu encalço (o capanga principal, Savin, vivido por James Badge Dale, lembra muito o personagem de Gary Busey naquele filme). O clímax da produção remete a <em>“Máquina Mortífera 2”</em>, inclusive com Stark e Rhodes fazendo às vezes de Riggs e Murtaugh, e até mesmo a narração do herói lembra a utilização deste recurso narrativo em <em>“Beijos e Tiros” </em>(que, não por acaso, foi estrelado por Downey).</p>
<p>Mas Shane Black e Drew Pearce não se limitaram à filmografia do primeiro na confecção do texto e navegam ainda por feridas políticas estadunidenses recentes, sem ter medo de nominá-las. Também é perceptível que a base do roteiro é o arco <i>“</i><em>Homem de Ferro – Extremis”</em>, escrito por Warren Ellis e ilustrado por Adi Granov (este último, aliás, foi a grande referência visual da trilogia).</p>
<p>Sem contar que a organização IMA (Ideias Mecânicas Avançadas) e a gigante do petróleo Roxxon, conhecidas dos fãs de quadrinhos, ganham espaço na tela, além da aparição de versões cinematográficas de várias das armaduras do Homem de Ferro queridas pelos leitores das HQs. Por falar neles, em uma aposta arriscada, a dupla de escritores tomou imensas liberdades quanto ao material original. Apesar dessas mudanças fazerem sentido dentro do contexto e proposta do filme, elas irritarão vários <em>fanboys </em>mais xiitas, especialmente nas viradas de roteiro que acontecem no segundo ato.</p>
<p>As cenas de ação são intensas e bem filmadas, todas bastante diferentes entre si e nunca caem na mesmice. Black se mostra a altura das ambições impostas do roteiro e entrega sequências incrivelmente elaboradas, mas que jamais se tonam incompreensíveis, permitindo que o público compreenda o que está acontece na tela e se empolgue com as <em>stunts </em>realizadas pelos mocinhos e bandidos que ali se digladiam.</p>
<p>Apesar de a fita equilibrar bem comédia, ação e drama, alguns momentos fazem uma transição abrupta entre esses tons, o que tira o peso de algumas cenas, especialmente de uma mais próxima do fim da projeção. O epílogo também é deveras apressado e resolve alguns <em>plots </em>de maneira insatisfatória, mas nada que comprometa o todo.</p>
<p>O “3D” propagandeado é quase que inexistente e ainda prejudica a fotografia de John Toll, especialmente no clímax, que se passa a noite e se torna muito escuro graças aos benditos óculos. A trilha sonora de Brian Tyler também não é das mais marcantes, deixando o rock que marcou o herói nas suas aparições anteriores de lado.</p>
<p>“Homem de Ferro 3” dialoga com seus antecessores e fecha arcos iniciados em 2008<i>,</i> concluindo a trilogia com um estouro, com direito a uma montagem dos melhores momentos dos episódios anteriores. Acompanhamos a evolução desta figura, seu nascer e renascer como Homem de Ferro e, ao menos de maneira solo, uma maior exploração do personagem se mostra desnecessária e poderia até manchar um trabalho até aqui bem realizado. <em>Tony Stark has left the building.</em></p>
<p>Obs.: Não saia do cinema antes do fim dos créditos!</p>
<p>Falei sobre <a href="http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/84006/homem-de-ferro-2008-84006/">&#8220;Homem de Ferro 1&#8243; em 2008</a> e <a href="http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/159252/homem-de-ferro-2-3/">&#8220;Homem de Ferro 2&#8243; em 2010</a>.</p>
<p>___<b><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></b><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Reality &#8211; A Grande Ilusão (2012): uma crítica à sociedade do espetáculo</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Apr 2013 13:42:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mateus Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Nova produção italiana diverte e comove ao provocar reflexões sobre o fascínio causado pela televisão.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-297536" alt="Reality" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Reality.jpg" width="222" height="329" />Assim como o cinema, a televisão causa um imenso fascínio ao invadir a casa de cada espectador com seu universo. Dos programas de auditório aos de entrevista; dos populares seriados aos telejornais, o meio televisivo tornou-se presença obrigatória na vida de quase todos. Entretanto, o fenômeno dos <em>reality shows</em> levou ao extremo uma espetacularização dos fatos, de maneira que a rotina de pessoas comuns é integrada à mídia, tornando tênue a linha entre realidade e o universo formulado da televisão.</p>
<p>Uma crítica bem humorada à cultura do espetáculo, “Reality – A grande Ilusão”, novo longa de Matteo Garrone (<em>&#8220;</em>Gomorra&#8221;, 2008) é iniciado com a sequência de um pomposo casamento. Ao som da trilha sonora, que evoca uma atmosfera de fantasia digna de Danny Elfman, chegamos à festa acompanhando uma carruagem que transporta os noivos.  Fotógrafos, pombos e mesmo a participação de uma celebridade fazem da cerimônia um grande evento, quase nos moldes dos casamentos de alguma realeza.</p>
<p>Impregnados por um clima de sonho, somos apresentados a Luciano (o ótimo Aniello Arena) e sua família tipicamente italiana que, morando em um cortiço, estão longe deste mundo idealizado. Entre as vendas na humilde peixaria e pequenos golpes aplicados com a ajuda de seu irmão, a personagem leva uma vida pobre até receber a oportunidade que pode mudar sua vida ao fazer um teste para um <em>reality show</em>.</p>
<p>Avançando no processo seletivo para “Il Grande Fratello” (nome italiano para o &#8220;Big Brother&#8221;), o peixeiro deposita grandes esperanças na possibilidade de participação como futura fonte de estabilidade para sua família. Entretanto, a lógica do show extrapola para a realidade, já que Luciano torna-se obsessivo, se imaginando intensamente vigiado por consultores do programa enquanto está à espera de seu ingresso neste. Um morador de rua, freguesas comprando peixes ou mesmo duas senhoras rezando em um cemitério podem estar buscando informações decisivas que permitirão uma entrada no &#8220;Big Brother&#8221; europeu e a ascensão na vida.</p>
<p>Tal paranoia crescente é representada de modo sutil, mas interessante, no uso de primeiros planos e de uma profundidade de campo curta, que foca no protagonista nos momentos em que ele se vê como objeto de atenção dos “funcionários da emissora”. Além disso, a fotografia ainda contribui, junto com figurinos coloridos, para a atmosfera de fantástica vivenciada no cortiço, utilizando cores saturadas que parecem construir cenários televisivos.</p>
<p>A direção de Garrone conduz momentos de destaque como a belíssima cena após o casamento, em que a família de Luciano sai da fantasia da cerimônia e volta à realidade, como Cinderela após a meia-noite, ou a divertida sequência de uma velha vizinha que cobra dinheiro do protagonista. Porém, o diretor, que assina o roteiro com três outros autores, peca na construção de um terceiro ato arrastado e com cenas redundantes, que parecem reafirmar um propósito já apresentado, a exemplo da repetitiva briga entre a personagem de Arena e sua esposa.</p>
<p>Culminando em um final aberto a interpretações, “Reality- A Grande Ilusão<i>”</i> navega entre a comédia e o drama ao tempo em que discute o fascínio provocado pela televisão na sociedade atual. Consolidando a posição do diretor Matteo Garrone, a produção vencedora do prêmio de Júri no ano passado em Cannes é digna de muito mais que uma “espiadinha”.</p>
<p><em><strong>___<br />
Mateus Almeida</strong> é professor de Ciências, mas encontrou seu caminho na sétima arte. Na busca por ele, passou pelo MI6, Terra Média e até por galáxias muito, muito distantes, tudo dentro de uma sala escura. Atualmente, também é estudante de Jornalismo e realizou cursos na área de cinema e crítica cinematográfica.</em></p>
</ul>
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		<title>O Futuro (2011): uma visão pessimista da humanidade</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Apr 2013 13:27:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Comédia dramática com toques de fantasia constrói uma narrativa liberta de convenções.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-297397 alignleft" alt="20498628.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/20498628.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" width="222" height="307" />Em 2004, a revista <em>Filmmaker</em> listou os “25 Novos Rostos dos Filmes Indie”. Miranda July, que na época havia dirigido apenas três curtas-metragens e estava trabalhando em seu primeiro longa, <em>“Eu, Você e Todos Nós”</em>, ficou no topo desse <em>ranking</em>. Há dois anos, a cineasta lançou seu segundo longa, intitulado “O Futuro”, que retrata um pacato casal de jovens adultos em busca de resgatar o sentido perdido de suas vidas.</p>
<p>Sophie e Jason, interpretados pela própria diretora e por Hamish Linklater, mergulham na internet com seus respectivos notebooks em lados opostos do sofá, ilustrando uma vida acomodada e individualista, mesmo que ingenuamente. Ele trabalha em casa como assistente técnico de informática por telefone e ela é uma professora de dança para crianças – <em>“só professora”</em>, diz a personagem, como se reconhecendo os limites de seu talento para ser uma verdadeira dançarina.</p>
<p>As brincadeiras internas do casal, que envolvem poderes da mente e conversas com o presidente sobre um futuro promissor, revelam seus sonhos perdidos e sua infelicidade contida. Quando decidem adotar um gato de estimação, eles percebem que tal responsabilidade pode custar anos de dedicação ao animal e abdicação de suas metas pessoais. Concluem que terão apenas um mês de liberdade até a chegada do gato e resolvem mudar radicalmente seu estilo de vida para tirar o máximo proveito dela.</p>
<p>July escreve um roteiro liberto de convenções temáticas, dando à obra uma dimensão bem maior do que se espera. A jornada individual dos personagens transborda o âmbito pessoal e esboça a caricatura de um momento crucial da existência dos seres humanos, onde tudo necessariamente mudará para melhor ou para pior. Mas isso não é feito de modo irresponsável e prepotente, e sim reconhecendo o valor de elementos importantes que mantém a história íntima, particular – por exemplo, a música que o casal define como sinal de sua união ou a camisa amarela que Sophie sempre carrega como um porto seguro diante das novas possibilidades, tão assustadoras quanto atrativas.</p>
<p>A direção de arte de Ruth De Jong confere uma atmosfera intimista ao apartamento do casal, gerando um clima de aconchego que convida o espectador a testemunhar o cotidiano pacato dos protagonistas sem constrangimento. Objetos largados ou mal arrumados demonstram o sentimento de pertença de ambos em relação àquele pequeno espaço, onde o desleixo se traduz em uma leve desorganização que soa autêntica, natural.</p>
<p>July e Linklater formam uma ótima química entre seus personagens, sem a qual a narrativa perderia suas bases, comprometendo metade do atrativo da obra. As atuações e os diálogos naturalistas contrastam bem com elementos fantasiosos que eventualmente são apresentados à trama, obviamente exercendo um papel simbólico. Tais elementos são impressos de forma também natural, integrando-se às situações por meio de efeitos práticos que não corroem o caráter materialista do longa.</p>
<p>Enquanto o casal protagonista “aproveita a vida” do jeito que sabe e se redescobre do jeito que não planeja, o gato que espera os dois na clínica veterinária fala (literalmente) com o público sobre seu sofrimento de antes e sua ansiedade de agora, sabendo que terá um lar, uma família. Ele parece ser a meta desejada e inalcançável, a oportunidade rara e perdida de todos nós – as árvores derrubadas, o ar poluído, as crianças mal cuidadas, o amor perdido, a vida moribunda que nos lança um ultimado. Sophie e Jason são a paródia do último casal da face da Terra, e o título do filme é um questionamento.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>A Morte do Demônio (2013): remake respeita suas origens e estabelece identidade</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Apr 2013 04:22:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Morte do Demônio | The Evil Dead [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Fede Alvarez]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Raimi]]></category>

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		<description><![CDATA[Prestando homenagem à trilogia original ao mesmo tempo que mantém sua própria identidade, este remake comandado pelo uruguaio Fede Alvarez é imperdível para os fãs de filmes de terror, quer eles tenham tido contato com a série criada por Sam Raimi ou não.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296845" alt="A-Morte-do-Demônio" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/A-Morte-do-Demônio1.jpg" width="222" height="326" />Criada com um baixíssimo orçamento pelo cineasta Sam Raimi em 1981, a franquia <i>“The Evil Dead” </i>(no Brasil, “A Morte do Demônio” ou <i>“Uma Noite Alucinante”</i>) é uma das mais conhecidas e adoradas pelos fãs de terror, servindo como uma intersecção entre o horror e a comédia, tendo em vista que os dois últimos exemplares da trilogia original visam mais os risos (intencional) que os sustos.</p>
<p>Buscando uma volta às origens sombrias da série, Raimi produziu este remake do primeiro longa (acrescido de partes do segundo), deixando o uruguaio Fede Alvarez encarregado da direção e do roteiro, com contribuições de Rodo Sayagues e Diablo Cody no texto. O maior acerto deste novo “A Morte do Demônio” é reconhecer que o filme tem de se sustentar sozinho, sem contar com a nostalgia do público como muletas para funcionar.</p>
<p>Mesmo com <i>easter-eggs</i> que remetem ao clássico <i>trash</i> aparecendo aqui e ali, Alvarez e Raimi sabem que a fita não pode alienar a imensa parcela do público geral. Com isso, Ash, o protagonista da trilogia clássica eternizado por Bruce Campbell, ganha um merecido descanso e até mesmo os momentos <i>fanservice </i>(aqueles que estão lá apenas para os já iniciados), embora existentes, são isolados ao máximo da história que está sendo contada.</p>
<p>A trama básica se mantém, com um grupo de jovens indo a uma cabana isolada onde, acidentalmente, libertam um antigo demônio, após a leitura de um livro antigo escrito em sangue. A entidade passa a torturar o grupo de maneira sádica, possuindo suas almas e eliminando-os um a um. As diferenças entre os filmes jazem nos detalhes e dão identidade própria a este <em>remake</em>, que tem uma proposta relativamente mais séria e pesada.</p>
<p>Os personagens (ao menos alguns deles) têm personalidades mais definidas, ao invés das quase caricaturas que Raimi criou 30 anos atrás. Até mesmo o isolamento dos garotos ganhou um motivo plausível, desintoxicar a jovem viciada Mia (Jane Levy) que, não por acaso, é a primeira a ser possuída pela criatura, com seus ataques sendo confundidos por síndrome de abstinência pelos seus desafortunados amigos.</p>
<p>Ressalte-se ainda os bons desempenhos da dupla principal, formada por Jane Levy e Shiloh Fernandez. Vivendo os irmãos Mia e David, os dois possuem uma boa química e, como epicentro dramático da produção, carregam bem a responsabilidade de serem as figuras com quem mais nos importamos ali, a despeito de alguns exageros de interpretação pontuais por parte de Fernandez.</p>
<p>Levy, por sua vez, tem bastante material com o que trabalhar e passa boa parte da projeção como a versão “endemoniada” de sua fragilizada personagem, demonstrando uma energia incrível em sua <em>performance</em>. A jovem atriz, aliás, sofreu o diabo durante as filmagens, tendo realizado boa parte de suas cenas de ação ela mesma.</p>
<p>Isso porque, assim como seu “padrinho”, Fede Alvarez investe pesado em efeitos práticos, passando longe de CGI. Apesar disso, a milionária produção não compartilha o caráter semi-amadorístico que marcou o original, com maquiagens extremamente efetivas e uma bela direção de arte,  elementos que acrescentam muito ao clima tenso proposto pelo diretor.</p>
<p>Como se trata de uma refilmagem, diversas cenas do(s) longa(s) base são reimaginadas segundo a visão do cineasta uruguaio, recriadas de modo extremamente gráfico e violento, para a alegria dos fãs do <em>gore</em> (que devem ir ao delírio com a nova versão do “estupro da floresta”).</p>
<p>A fotografia de Aaron Morton presta homenagem ao original ao investir bastante em estilizados primeiros planos, sem contar com a aproximação imaterial em primeira pessoa do demônio, com a câmera avançando ferozmente pelo cenário, algo presente em todos os episódios da série. Além disso, Morton lança mão de uma paleta de cores adequadamente sombria, ressaltando as centenas de litros de sangue falso que jorram durante a projeção.</p>
<p>Como nem tudo são flores, a fita também tem sua dose de problemas. Os demais membros do elenco estão lá apenas cumprindo funções pré-determinadas, sem demonstrarem muito carisma e servindo apenas como carne para o moedor. Sem contar que, ao misturar o original e sua sequência, o longa acumula diversos clímax, prejudicando a fluência do seu terceiro ato.</p>
<p>Mas esses pecadilhos não mancham o resultado final, que é um filme de terror sem medo de assustar sua plateia ou de diverti-la, prestando uma justa homenagem a uma franquia que marca cinéfilos há mais de três décadas. <em>Groovy</em>!</p>
<p>Obs.: Não saia do cinema antes do fim dos créditos!</p>
<p>___<b><i><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></i></b><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<item>
		<title>O Dia Que Durou 21 Anos (2012): um documentário fraco sobre um forte tema</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Apr 2013 04:04:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Desfocado e lidando melhor com seus temas periféricos que com o plot principal, o filme trata de forma burocrática um dos momentos históricos mais tensos do nosso País.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296955" alt="O_dia_que_durou_cartaz" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/O_dia_que_durou_cartaz.jpg" width="222" height="312" />A ditadura militar que se instalou no Brasil em 1964 foi, argumentativamente, o período mais sombrio do Brasil desde a proclamação da República. Por conta disso, é também um dos nossos momentos históricos mais ricos do ponto de vista dramático, servindo de ponto de partida para ótimos documentários e de pano de fundo para obras sobre as adversidades e privações sofridas pelo povo. Dentro do imenso rol de filmes e livros que lidam sobre o assunto, este “O Dia Que Durou 21 Anos” não se destaca entre os melhores.</p>
<p>Dirigido por Camilo Tavares, o longa tenta dissecar a participação dos Estados Unidos no golpe de 1964, começando no interesse estadunidense pelo Brasil após a renúncia de Jânio Quadros e a polêmica ascensão de João “Jango” Goulart à presidência. A partir daí, por meio de imagens de arquivo e entrevistas, a fita tenta montar o quadro da interferência dos primos ricos do norte no cenário político nacional com o avanço da ditadura.</p>
<p>A questão é que a intervenção nortenha não é dos ângulos mais surpreendentes a serem exploradas sobre a Ditadura Militar, até porque os EUA não chegaram a intervir diretamente no País, embora tenham chegado bastante perto. Inexiste, portanto, uma urgência maior no tema principal que segure a atenção do público até mesmo pelos parcos 77 minutos da projeção.</p>
<p>No epicentro da produção, o único destaque são as imagens de arquivo estrangeiras, que mostram a importância da política do Brasil lá fora, o que mina o complexo de nanico que acomete a maioria dos brasileiros, mostra a importância do nosso país no cenário mundial e contextualiza a necessidade dos EUA na sua desastrada intervenção.</p>
<p>Entretanto, a maioria dos bons momentos do documentário vem de plots introdutórios ou periféricos, com a tensão entre a renúncia de Jânio e a ascensão de Jango sendo o ponto mais alto da película. Também é interessante verificar que os militares até hoje defendem o golpe que eles insistem em chamar de “revolução”, com as exposições de ponto e contraponto sobre a defesa dos interesses capitais e nas reformas de base desejadas por Jango constituindo outra pedra preciosa dentro da produção.</p>
<p>Devastando a sua própria montagem (algo mortal no gênero), o documentário acaba se arrastando em entrevistas que fogem do tema principal e se envereda no sequestro do embaixador estadunidense em 1969, usando esse incidente como clímax, mas sem o devido contexto para o evento e mal preparando um crescendo para que se chegasse de maneira orgânica ali.</p>
<p>Além disso, o diretor lança mão de uma trilha sonora deveras intrusiva, que impede que o público se envolva nas informações que o longa tenta passar. O mesmo se aplica à própria estética da produção, com introduções absolutamente artificiais e animações que simplesmente não funcionam no contexto da obra.</p>
<p>Encerrando de maneira anticlimática com um slideshow dos presidentes brasileiros durante o regime militar, &#8220;O Dia Que Durou 21 Anos&#8221; lida de maneira excessivamente burocrática com um tema delicadíssimo de nossa história, afastando o elemento humano da equação e efetivamente alienando o público. Uma pena.</p>
<p>___<b><i><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></i></b><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.<br />
</em></p>
</ul>
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		<title>Um Porto Seguro (2013): um Nicholas Sparks ainda mais descartável</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Apr 2013 01:10:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Josh Duhamel]]></category>
		<category><![CDATA[Julianne Hough]]></category>
		<category><![CDATA[Nicholas Sparks]]></category>
		<category><![CDATA[Um Porto Seguro | Safe Haven [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Oitava adaptação de obra do escritor norte-americano para os cinemas traz os mesmos elementos de sempre: muito romance, inocência, apreciação da natureza e aquela dose de elemento surpresa em seu desfecho. Nada de novo!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296905" alt="Poster Um Porto Seguro.indd" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Um-Porto-Seguro.jpg" width="222" height="325" />De tanto ser adaptado para os cinemas, Nicholas Sparks está quase se tornando um subgênero do romance. “Um Porto Seguro” é nada menos do que seu oitavo livro que vira filme. Se a originalidade fosse uma das características do autor, a insistência se justificaria, mas é o potencial mercadológico do mundo açucarado que descreve em suas páginas (principalmente entre o público feminino) que chama a atenção dos produtores de Hollywood. Neste novo filme, os mesmos elementos continuam em evidência. De diferente, temos apenas os nomes das personagens e da cidade em que eles vão viver seu amor quase impossível cheio de inocência.</p>
<p>Depois de Rachel McAdams e Amanda Seyfried, a loura que protagoniza a mais recente adaptação de Sparks é Julianne Hough. Ela interpreta Katie, uma moça em plena fuga da cidade em que mora. Seus motivos para tal atitude não são claros em um primeiro momento. Mas o fato é que ela encontra em uma localidade litorânea a paz que precisava depois de passar por maus bocados. O que não esparava era se apaixonar tanto tão cedo. Apesar de relutar, Katie não resiste às investidas de Alex (Josh Duhamel), um homem também de passado sofrido. Os fantasmas da antiga cidade da moça, que buscam encontrá-la a todo custo, porém, vão tentar impedir a união dos dois.</p>
<p>Dirigido por Lasse Hallstrom, que já havia realizado o bom “<em>Querido John</em>”, outra obra de Sparks, “Um Porto Seguro” trata-se de um trabalho menos pretensioso e mais descartável do autor. Não estamos diante de um romance que ultrapassa épocas (como “<em>O Diário de uma Paixão&#8221;</em>) ou que tenta sobreviver às agruras de um inevitável destino trágico (como “<em>Um Amor para Recordar</em>”). Seu espaço de tempo não chega a um ano e o seu vilão é bastante combatível. A simplicidade, porém, é prejudicada por uma previsibilidade além do suportável, bem como pelo desenvolvimento frágil de sua personagem principal, fazendo com que o filme perca em emoção e traga consigo uma recorrente sensação de <em>dejá-vu</em>.</p>
<p>No entanto, como em todas as outras adaptações, o nascimento e o crescimento gradual do amor entre o casal principal ganha a atenção que merece por parte do roteiro de Leslie Bohem e Dana Stevens. A química entre Duhamel e Hough, principalmente por “culpa” daquele, é imediata. O fato de ambos serem adultos e terem passado por experiências bastante desagradáveis durante toda a vida afetiva (Alex perdeu a esposa por conta de um câncer) não impede nem torna inconvicente a vivência de uma paixão cheia de pureza, que resiste até mesmo a um tórrido primeiro beijo, em uma das cenas mais bonitas de todo o filme. A relação entre Katie e os filhos de Alex, sem forçações de barra ou birras inexplicáveis, também ajuda no estabelecimento do clima de romance.</p>
<p>Se Katie não fosse resumida a uma mulher cheia de traumas recentes, sem qualquer vínculo familiar, bem como tivesse uma intérprete de mais expressividade, o longa ganharia ainda mais em qualidade. Por outro lado, Duhamel faz de Alex um homem bem mais resolvido, cheio de humor e preocupações. Por sinal, a presença (ou falta) da mãe dos filhos do rapaz, seja por meio de memórias ou de objetos deixados por ela, como as cartas que escreveu para os filhos, acrescenta melancolia sem exageros à história. Pena que uma grande surpresa, guardada para os últimos momentos do longa, como de praxe, vise apenas o interesse comercial e prejudique toda uma trama de uma inocência transbordante.</p>
<p>Outro grande erro da película é a tentativa de inserção de suspense, incluída em uma linha investigativa à parte. Sem revelar a essência dos personagens envolvidos na caçada a Katie, o enredo busca enganar gratuitamente o espectador, quando esse jamais possui dúvidas de quem é o mocinho e o vilão da trama. Essa busca torna a história ainda mais previsível, dando à narrativa um desenvolvimento clichê, em que apenas esperamos o momento do tal encontro. E quando ele chega, a falta de originalidade não poderia ser maior.</p>
<p>Soando muito mais como uma “Sessão da Tarde” do dia dos namorados, vide a falta de intensidade de seu arco dramático (em que até a cena de sexo é coberta por lençóis), “Um Porto Seguro” acaba por ser um romance que esbarra em sua simplicidade e falta de pretensão. Não há elemento algum que torne essa história marcante, nem mesmo a desagradável surpresa final, muito menos sua trilha sonora. Mais descartável do que qualquer outra adaptação de obra de Nicholas Sparks, o filme deve agradar apenas aos mais iludidos com o recorrente sentimento que o seu autor insiste em descrever da forma mais pura.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>O Acordo (2013): The Rock tenta, mas não cativa em drama policial</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Apr 2013 17:20:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Dwayne Johnson]]></category>
		<category><![CDATA[O Acordo | Snitch [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Dwayne The Rock Johnson explora frustradamente sua faceta dramática em longa de resultados satisfatórios.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296766" alt="O Acordo" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/O-Acordo.jpg" width="222" height="311" />Dwayne Johnson, alcunhado The Rock, é, atualmente, um dos mais célebres e carismáticos <em>action heroes</em> do cinema de ação contemporâneo no imaginário popular. Em “O Acordo”, dirigido pelo ex-dublê Ric Roman Waugh, o ator é convidado a se retirar da zona de conforto e desafiado a viver um personagem carregado de drama que não tem a porrada como válvula de escape.</p>
<p>Escrito por Justin Haythe (<em>“Foi Apenas um Sonho”</em>) e Waugh, o longa acompanha a jornada do empresário John Matthews (The Rock) após assistir à injusta prisão de seu filho por narcotráfico internacional. Condenado a dez anos de cárcere, Jason Matthews (Rafi Gavron) teria que dedurar os seus ‘comparsas’ se quisesse ter sua pena reduzida. Determinado a ajudar a promotoria a realizar as prisões dos responsáveis em troca da redução da pena do filho, Matthews se infiltra no submundo do narcotráfico com o apoio de Daniel, ex-presidiário vivido por Jon Bernthal (o Shane da série <em>&#8220;The Walking Dead&#8221;</em>).</p>
<p>No Brasil, “O Acordo” parece se vender como um filme de ação policial, afinal é o que propõe a figura ameaçadora de The Rock no pôster nacional, com direito a um caminhão pegando fogo ao fundo. A ação, tal como percebemos ao longo da narrativa, é muito mais acidental do que essencial para o desenvolvimento da história que a dupla de roteiristas quer contar. A dificuldade de Johnson em se portar como ator dramático e a eclipsagem que o elenco coadjuvante promove em cima do protagonista (com destaque para Susan Sarandon e Jon Bernthal) fragilizam progressivamente o roteiro de Haythe e Waugh.</p>
<p>Ao passo que é inverossímil testemunhar The Rock apanhando de três mequetrefes e chorando em frente às câmeras, é impressionante ver a naturalidade e a competência com que Jon Bernthal compõe o seu personagem. Em sua <em>performance</em>, o ator representa tudo aquilo que falta no protagonista: emoção. Outrossim, Ric Waugh mostra maturidade no seu trabalho de direção quando diz respeito às raras sequências de ação. O cineasta manipula a câmera na mão e a montagem com uma eficiência que poucos colegas de sua geração possuem, daí talvez a importância da sua formação como dublê de filmes de ação dos anos 80.</p>
<p>Apesar de bem intencionada, a narrativa de “O Acordo” passa por sérios problemas espaço temporais, onde o ritmo apressado engole as passagens de tempo e o deslocamento dos personagens dentro de seu universo. Uma prova disso é a ascensão meteórica de Matthews no contrabando de drogas. Depois de apenas um bico para um traficante local, o protagonista já é intimado a transportar US$ 83 milhões para um dos cartéis de drogas mais perigosos dos EUA.</p>
<p>Assim, enquanto The Rock se esforça e falha na tentativa de cativar em seu papel, “O Acordo” compensa em outros fatores, ora pela direção bem conduzida, ora pela intensidade das performances dos atores coadjuvantes.</p>
<p>__<br />
<strong><em>Pedro Azevedo</em></strong><em> </em>é estudante de psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pesquisador na área da psicanálise. É apaixonado pelas artes em geral e pelo cinema em particular.</p>
</ul>
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		<title>Hoje (2011): o encontro do passado com o presente</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Apr 2013 17:05:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Cruz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Denise Fraga]]></category>
		<category><![CDATA[Hoje]]></category>
		<category><![CDATA[Tata Amaral]]></category>

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		<description><![CDATA[A diretora Tata Amaral acerta em um longa que mostra os fantasmas de quem sofreu com a ditadura militar.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296750" alt="Hojeposter" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Hojeposter.jpg" width="222" height="311" />Rodado quase exclusivamente em um apartamento em São Paulo, &#8220;Hoje&#8221; impressiona com a sua simplicidade ao contar a história dramática de uma mulher que, em sua juventude, sofreu com a opressão da ditadura militar. O filme acompanha Vera (Denise Fraga), uma ex- militante política que recebe uma boa indenização do governo brasileiro pelo sofrimento vivido na ditadura.</p>
<p>Com o dinheiro, ela compra um apartamento e pretende renovar sua vida, agora oficialmente reconhecida como viúva de um também militante que desapareceu na época da opressão. Ela só não planejava receber a visita do marido anos depois, desencadeando um acerto de contas com o seu passado.</p>
<p>Dirigido por Tata Amaral e roteirizado por Jean-Claude Bernardet, o longa conta com vários jogos de enquadramento e dinamismo para imergir o espectador em um cenário que não é só uma residência, mas um ambiente de encontro entre épocas e situações mal resolvidas. O uso da trilha sonora instrumental é denso, participando da construção narrativa. A diretora também evita o uso de <em>flashbacks</em> para deixar a história ser contada pelos próprios personagens.</p>
<p>Ao longo do filme, o espectador é apresentado a Vera como uma mulher comum, mas que esconde uma tristeza nítida enquanto vai arrumando suas coisas no novo apartamento. O encontro com o seu marido, o uruguaio Luiz (César Trancoso), dificulta a arrumação da casa e objetos escondidos vão sendo revelados, como se a mudança fosse também uma limpeza de vida. A presença do marido torna difícil se sentir confortável no novo local, mesmo porque Vera não quer que Luiz seja visto pelos dois homens que estão ajudando na mudança.</p>
<p>Denise Fraga, mais conhecida por seus papéis cômicos, mostra sua versatilidade nessa personagem, que não é tão carismática, mas que desperta no espectador uma curiosidade sobre os segredos de sua vida. Cesar Troncoso prova que é um dos grandes nomes da dramaturgia latino-americana, contribuindo muito com a qualidade do filme de Tata Amaral. A interação entre eles é tão boa que, em muitas cenas, somente com a troca de olhares e gestos é possível perceber nitidamente todo o sentimento que os envolve.</p>
<p>O desfecho é previsível e, ao mesmo tempo, profundo, com a autodescoberta de Vera e sua superação e amor pela nova vida. Vencedor do Festival de Brasília do ano passado, onde somou seis prêmios, &#8220;Hoje&#8221; mostra que o mínimo muitas vezes é suficiente para a construção de uma história envolvente e que faz o espectador refletir sobre conflitos e amadurecimento.</p>
<p>__<br />
<em><strong>Adriana Cruz</strong> é formada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), aspirante a cineasta e estudante de roteiro cinematográfico.</em></p>
</ul>
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		<title>Thérèse Desqueyroux (2012): adaptação morna tem ritmo incerto</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Apr 2013 16:44:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mateus Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Audrey Tautou]]></category>

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		<description><![CDATA[Roteiro problemático e irregular torna a nova adaptação do romance de François Mauriac estagnada e monótona.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296746" alt="kinopoisk.ru" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Thérèse-Desqueyroux1.jpg" width="222" height="314" />Durante a sua campanha publicitária, “Thérèse Desqueyroux” adotou em seus pôsteres tanto seu nome original quanto a abreviação “Thérèse D”. A opção de suprimir o sobrenome dá destaque à personagem título, vivida por Audrey Tautou, de maneira mais individual, abstraindo sua origem. Este contraste entre a individualização da protagonista e seu sobrenome, como a estrutura social na qual está inserida, é o eixo da produção francesa, uma segunda adaptação do romance de François Mauriac.</p>
<p>Na região rural da França de 1920, a infância de Thérèse se desdobra ao lado da amiga Anne, entre brincadeiras e conversas sobre o futuro. Desde criança, a primeira apresenta-se independente e questionadora, porém indecisa e confusa com as próprias ideias. Por medo dessas ideias, já adulta, casa-se com Bernard Desqueyroux (Gilles Lellouche) em uma união arranjada que garantirá a estabilidade econômica de ambas as famílias dos noivos.</p>
<p>Até que o motivo de seu casamento, as terras com pinheiros a serem herdadas pelo casal, torna-se uma prisão, dentro da qual ela lentamente definha enquanto sua liberdade é podada. As árvores retratadas na bela fotografia de Gérard de Battista tornam-se grades que rodeiam a moradia da protagonista, domando seus anseios dentro de uma sociedade prosaica e teatral. E se contrastada com as cores escuras e uma paleta mais fechada predominante no filme, o barco de velas vermelhas do sonhador Jean Azevedo exala desejo e emoção.</p>
<p>O jovem amante de Anne (Anais Demoustier), vivido por Stanley Weber, aproxima-se de Thérèse como um homem apaixonado pela vida e, em conversas com ela, tanto a inspira quanto a faz realizar sobre sua infeliz situação. O figurino acompanha a infelicidade e a resultante decadência da personagem, à medida que se torna predominantemente escuro até culminar no ponto de confrontarmos uma mulher pálida e magra, como uma assombração dos antigos filmes de terror em preto e branco.</p>
<p>Entretanto, o roteiro é tão monótono quanto as cores do figurino ou o clima nublado da região. O <em>script</em> se desenvolve em um ritmo lento e com inúmeras falhas e, aliado a uma montagem que abusa de <i>fade outs</i>, torna o filme tedioso. A partir do segundo ato, ao presenciarmos os conflitos da protagonista e suas reações, esta se configura como estática e não notamos grande evolução ou aprofundamento em seu estado. O descuido com a filha recém-nascida ou uma posição indiferente a um ato extremo de escape estão imersos em uma estagnação tão grande que dificulta a ligação emocional com o espectador. Além disso, o clímax desvalorizado tem final em uma resolução abrupta e pouquíssimo efetiva, como se um problema trabalhado durante toda a projeção fosse resolvido com pressa, de forma simples e superficial.</p>
<p>Mesmo a atuação da talentosa Audrey Tautou é prejudicada pelos problemas do roteiro, enquanto ela tenta construir uma personagem complexa, mas sem maior desenvolvimento ao longo da trama. Gilles Lellouche acaba sendo o grande destaque, vivendo Bernard Desqueyroux como um homem rígido moldado pela estrutura social da época e que chega a seu limite. Assim, esse último trabalho do diretor Claude Miller,que faleceu no ano passado, acerta na caracterização da época e na fotografia contrastante, mas tem em seu roteiro um grande problema de ritmo que acaba por prejudicar o andamento do filme, tornando-o uma produção caracterizada pela monotonia e estagnação.</p>
<p><em><strong>___<br />
Mateus Almeida</strong> é professor de Ciências, mas encontrou seu caminho na sétima arte. Na busca por ele, passou pelo MI6, Terra Média e até por galáxias muito, muito distantes, tudo dentro de uma sala escura. Atualmente, também é estudante de Jornalismo e realizou cursos na área de cinema e crítica cinematográfica.</em></p>
</ul>
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		<title>Meu Pé de Laranja Lima (2012): a valorização do imaginário infantil</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Apr 2013 12:26:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Meu Pé de Laranja Lima [2012]]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa baseado em clássico da literatura nacional nos convida a ver o mundo com os olhos de uma criança em busca de afeto e compreensão.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-296686 alignleft" alt="cartaz-oficial-do-filme-brasileiro-meu-pe-de-laranja-lima---poster-nacional-1366060210484_300x420" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/cartaz-oficial-do-filme-brasileiro-meu-pe-de-laranja-lima-poster-nacional-1366060210484_300x420.jpg" width="222" height="311" />O romance literário juvenil “Meu Pé de Laranja Lima” foi publicado em 1968 pelo escritor brasileiro José Mauro de Vasconcelos. Com o sucesso comercial, o livro foi traduzido para dezenas de línguas e adaptado para diversas mídias. No cinema, a obra teve uma versão de 1970, realizada por Aurélio Teixeira, que até 2012 era a única. Eis que, ano passado, a história ganhou outra versão para as telonas, desta vez dirigida por Marcos Bernstein.</p>
<p>Inspirado na própria infância de Vasconcelos, o enredo foca em Zezé (João Guilherme Ávila), um menino pobre que vê nas traquinagens um refúgio dos problemas familiares. Com o pai (Eduardo Dascar) desempregado e ausente e a mãe (Fernanda Vianna) doente e conformada, Zezé é castigado violentamente por suas travessuras, que nada mais são do que o reflexo da falta de atenção.</p>
<p>Criativo e sonhador, o garoto preenche essa lacuna emocional com fantasias, dentre as quais o pé de laranja lima de seu quintal, batizado de Minguinho, é seu principal companheiro e confidente. Ainda assim, ele necessita de uma figura paterna, encontrada na pessoa mais inusitada, o português Manoel (José de Abreu), conhecido pelas crianças da cidade como Portuga. Antes visto por Zezé como um senhor mal humorado, Portuga começa a estabelecer um vínculo amistoso com o garoto que alivia a carência afetiva de ambos.</p>
<p>O ator mirim que dá vida ao protagonista não decepciona e sustenta o longa, sendo convincente até nas cenas de maior carga dramática. Ótima escolha de elenco, já que a proposta narrativa de Bernstein – que também assina o roteiro ao lado de Melaine Dimantas – visa desenvolver a história a partir do olhar de Zezé, exigindo do personagem carisma e uma dimensão psicológica autêntica. O experiente José de Abreu também consegue nos cativar com seu Portuga, construindo boas interações com Ávila e dando consistência à espinha dorsal do filme, que é a relação de amizade entre os dois. Além destes, destaca-se a breve e intensa participação de Emiliano Queiroz como Edmundo, tio de Zezé.</p>
<p>Bernstein demonstra sensibilidade ao tornar reais as fantasias do peralta, como o galho do pé de laranja lima que se torna um cavalo branco e a pipa que alça voo mesmo depois de destruída injustiçadamente pela irmã mais velha, em um das cenas mais marcantes da película. A escolha da voz da pequena árvore como sendo a mesma de Zezé em um tom mais grave é ótima, mas, no momento em que isso é explicitado visualmente, perde-se o contato com o olhar do personagem, empurrando o espectador de volta para o papel de mero observador.</p>
<p>A ausência de efeitos visuais na construção do imaginário de Zezé, além de fornecer um caráter orgânico que permite ao espectador perceber tais fantasias de forma concreta – assim como o próprio personagem o faz –, também valoriza a fotografia de Gustavo Hadba e a montagem de Marcelo Moraes, que dão conta de gerar por meio de estratégias práticas os efeitos técnicos e emocionais intencionados.</p>
<p>Apesar disso, alguns descuidos do roteiro e do ritmo da montagem prejudicam a fluidez de determinados momentos importantes na construção do personagem. Um exemplo é a cena em que Zezé provoca a queda de uma mulher grávida e é castigado fisicamente por isso. Tudo acontece de forma apressada, permitindo o entendimento do público sobre o fato, mas inviabilizando uma maior empatia por parte deste em relação à situação do personagem.</p>
<p>Esta versão de “Meu Pé de Laranja Lima” merece ser apreciada não por contar novamente uma bela história já conhecida e adorada por muitos, mas sim por se desprender respeitosamente da obra original ao mesmo tempo que constrói uma visão particular sobre ela. Não é apenas a obra de José Moura de Vasconcelos transposta para o cinema, é a reação artística de Marcos Bernstein a este romance.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>Ginger &amp; Rosa (2012): o drama do fim atinge dois universos</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 22:10:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mateus Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Alice Englert]]></category>
		<category><![CDATA[Elle Fanning]]></category>
		<category><![CDATA[Ginger & Rosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Com um tom quase melodramático, longa mostra os conflitos da adolescência no contexto da Guerra Fria e tem na atuação de Elle Fanning seu grande trunfo.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296681" alt="Ginger" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Ginger.jpg" width="222" height="320" /><em>“Assim é a maneira que o mundo acaba. Não num estouro&#8230;”</em>, diz uma das protagonistas do novo filme de Sally Potter (<em>&#8220;Por que Choram os Homens&#8221;,</em> de 2000), lendo T. S. Elliot em busca de alguma esperança. Em “Ginger &amp; Rosa<i>”,</i> a esperança é buscada, já que os grandes estouros nucleares que abalaram cidades japonesas durante a Segunda Guerra são apenas um anúncio do fim do mundo em duas escalas diferentes: global e individual.</p>
<p>O longa acompanha as adolescentes que o dão nome: a ruiva Ginger (Elle Fanning) e a morena Rosa (Alice Englert), que passam pelos dilemas e descobertas naturais desta fase enquanto sofrem os efeitos de uma Inglaterra que ainda se recupera da Segunda Guerra. As duas nascem em famílias próximas e crescem amigas e cúmplices em suas experiências, fumam os primeiros cigarros, realizam descobertas sexuais, encolhem seus jeans em uma banheira e alisam os cabelos. Entretanto, tal amizade torna-se abalada à medida que o mundo de uma delas sofre ameaças de desabar como as cidades atacadas pela bomba.</p>
<p>Apesar de bastante amigas, utilizando figurinos iguais ou bastante parecidos, e de compartilharem problemas (ambas possuem uma relação conturbada com suas mães), suas personalidades são tão diferente quanto a cor de seus cabelos. A ruiva (Fanning) é eloquente e politicamente engajada, abalada pela tensão política da Guerra Fria que se desenvolve com ameaça de um conflito nuclear; enquanto a morena (Englert) é tão romântica quanto a amiga, mas mais impulsiva e busca a estabilidade pessoal, algo que sua mãe não teve, como forma de superar os conflitos da época. A interação entre estas diferentes personalidades é ilustrada, desde os primeiros minutos, de maneira criativa na fotografia que alterna uma paleta mais escura nas cenas com outras de cores mais avermelhadas.</p>
<p>A diretora consegue trabalhar com um elenco de peso enquanto conduz os efeitos de um conflito mundial e da liberação sexual da década de 1960 em suas personagens: Christina Hendricks surge como a infeliz Natalie, mãe de Ginger, sempre apoiada pelo casal de homossexuais, ambos chamados Mark, interpretados de maneira discreta, mas interessante por Oliver Platt e Timothy Spall.  Annete Benning tem um papel um pouco menor do que os de costume, sendo uma ativista americana e referência para a menina ativista, enquanto Alessandro Nivola vive o cínico intelectual Roland, que justifica atitudes duvidosas por meio do ideal de liberdade.</p>
<p>A produção apresenta seu elenco em boa forma, mas é nas protagonistas que encontramos seu verdadeiro brilho. Se Englert torna-se uma calada e introspectiva Rosa, Fanning, aos 14 anos de idade já mostra uma maturidade impressionante ao interpretar sua conflituosa e poética personagem. A atriz mirim com porte de “gente grande” impressiona com as nuances de seu trabalho que, pouco a pouco, mostra uma explosão de sentimentos e decepções, seja em uma tensa discussão com sua melhor amiga ou quando chora guardando um segredo que parece querer sair de qualquer jeito pela boca trêmula no clímax do filme.</p>
<p>Potter segue de perto todas as reações da jovem atriz. A diretora abusa de primeiros e primeiríssimos planos e confere por vezes um incômodo tom novelesco à projeção. A escolha na utilização da câmera na mão em diversos momentos confere um caráter íntimo e pessoal e enfatiza a situação de fragilidade da personagem principal. Redundante, tenta, sem sucesso, criar rimas que são bastante óbvias e dispensáveis, como a de um disco que só termina sua música em uma outra cena na qual uma conversa é terminada com seus pontos de vista reafirmados. Responsável também pelo roteiro, Potter desenvolve um texto com falhas e diálogos repetitivos, além de tornar a narrativa quase melodramática, exagerando em alguns pontos e entediando em outros, como em alguns poemas ou notícias jornalísticas que parecem querer reforçar por repetição o contexto.</p>
<p>A direção de arte revela cores escuras e desbotadas em uma triste e tensa Londres que ainda verá o brilho com os efeitos do movimento hippie alguns anos depois. Fazendo uso de combinações de cores, relações entre personagens são estabelecidas como a de Ginger, sempre vestida em tom complementar ao seu chamativo cabelo, e seus confortantes padrinhos, cuja decoração da casa é realizada em cores também complementares.</p>
<p>Os choques vividos por Fanning ao longo da narrativa são revelados pela fotografia que desfoca situações como se a personagem não quisesse ver o que se passa, enquanto a montagem utiliza de maneira construtiva recursos como o <i>jump cut</i> e cortes mais bruscos em momentos de conflito mais direto com sua  personalidade que, apesar de madura, é bastante jovem para assimilar emocionalmente determinados fatos, cortando parte deles de sua percepção.</p>
<p>Tendo como destaque um elenco com boas participações e uma interpretação (sempre) impressionante de Elle Fanning, “Ginger &amp; Rosa<i>”</i> quase chega ao melodrama, mas consegue expor com eficiência os escombros de dois universos bastante danificados.</p>
<p><em><strong>___<br />
Mateus Almeida</strong> é professor de Ciências, mas encontrou seu caminho na sétima arte. Na busca por ele, passou pelo MI6, Terra Média e até por galáxias muito, muito distantes, tudo dentro de uma sala escura. Atualmente, também é estudante de Jornalismo e realizou cursos na área de cinema e crítica cinematográfica.</em></p>
</ul>
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		<title>Uma Garrafa no Mar de Gaza (2011): um olhar raso sobre um conflito profundo</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 21:51:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mateus Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Abordando os conflitos na faixa de Gaza de maneira superficial, o longa tenta aproximação com o público jovem, mas esbarra na falta de contextualização.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296675" alt="Gaza1" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Gaza1.jpg" width="222" height="333" />Com o advento da internet, podemos acompanhar em tempo real as notícias mundiais, dentre elas os altos e baixos da oposição entre Israel e Palestina e seu estado quase constante de alerta. No meio da transmissão rápida de informação, é por meio de um arcaico e aleatório canal que se inicia “Uma Garrafa no Mar de Gaza”, produção francesa na qual se desenvolve uma perspectiva imparcial da luta entre as duas nações.</p>
<p>A narrativa tem início após um atentado realizado por um homem-bomba em Jerusalém, quando Tal (Agathe Bonitzer), uma estudante francesa que mora em Israel, pede a seu irmão que jogue uma garrafa contendo uma mensagem ao mar. A mensagem, que questiona as razões do conflito que envolve os dois países e a insegurança causada por este estado de permanente guerra, é respondida por Naim (Mahmud Shalaby), entregador de uma loja de camisetas que vive uma vida difícil e receosa à sombra de um futuro incerto perante aos ataques israelenses.</p>
<p>Ao começarem a se corresponder, Naim, bastante irônico em postura defensiva, desconfia da ingenuidade da mensageira da garrafa e devolve, em comentários ácidos, as investidas da estudante por um maior entendimento entre eles. Contudo, este muro é pouco a pouco quebrado e ambos relatam um ao outro suas experiências vividas dos dois lados da guerra, trocando experiências e se aproximando.</p>
<p>Apesar de os protagonistas buscarem maior compreensão sobre a tensão entre os seus países, o filme romantiza e descontextualiza completamente a guerra ocorrente. Em momento algum somos apresentados aos aspectos políticos ou históricos relativos ao conflito e sua origem, vivendo-o por ambos os lados e sem tomar partido, porém nunca entendendo as razões das partes envolvidas de maneira mais aprofundada, o que dá a produção um caráter raso e inocente. De maneira tão descontextualizada quanto a situação das nações, a narrativa apresenta a França e a cultura francesa de maneira heroica, colocando-a como o objetivo ideal, esquecendo-se, todavia, do crescente preconceito que assola o país.</p>
<p>A relação de amizade dos protagonistas torna-se o fio condutor da narrativa e, como um <em>“Romeu e Julieta”</em> moderno, apresenta os dois em lugares e situações opostas: Tal estuda e leva uma vida confortável em Israel, indo a diversas festas com os amigos, enquanto Naim vive com sua mãe em um lar pobre e trabalha com poucas expectativas, desesperançoso com as condições em que vive. O figurino se esforça para desvendar melhor o elo entre estes personagens, mas acaba caindo em representações óbvias que enfatizam as cores das bandeiras de ambos os países: Tal, que teve a iniciativa de contato e compreensão, utiliza com frequência roupas verdes que combinam com seus cabelos ruivos, formando um padrão que representa uma ligação com a bandeira da Palestina; enquanto Naim inicialmente utiliza também um figurino com base no vermelho e verde, mas ao estabelecer ligação com a jovem franco-israelense passa a vestir tons azuis e claros, representando a bandeira de Israel e sua ligação.</p>
<p>O roteiro se desenvolve com base nos e-mails trocados pelos jovens, sem maiores surpresas, mas consegue criar alguns momentos de tensão (em pontos previsíveis da trama) como a presença do exército Palestino cercando Naim e principalmente ao retratar o momento de um atentado Israelense pela ótica da família Palestina. Sendo muito superficial em sua abordagem, repleto de frases feitas e diálogos por vezes forçados, principalmente entre a estudante e sua família, este ainda não desenvolve de maneira profunda os personagens, excluindo-se os protagonistas e a mãe de Naim, interpretada por Hiam Abbass.</p>
<p>Ao tentar estabelecer um contato entre a situação política que envolve Israel e a Palestina com o público jovem, a produção peca principalmente por inocentar o conflito e isolá-lo de um contexto maior. Tendo uma atmosfera leve em sua maior parte, devido a um roteiro superficial e uma direção de arte simplificadora, a produção francesa tem, entretanto, bons momentos em que sua inocência prejudicial nos faz enxergar um futuro mais esperançoso para as tensões da região.</p>
<p><em><strong>___<br />
Mateus Almeida</strong> é professor de Ciências, mas encontrou seu caminho na sétima arte. Na busca por ele, passou pelo MI6, Terra Média e até por galáxias muito, muito distantes, tudo dentro de uma sala escura. Atualmente, também é estudante de Jornalismo e realizou cursos na área de cinema e crítica cinematográfica.</em></p>
</ul>
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		<title>O Carteiro (2010): experiência embaraçosa na filmografia brasileira</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Apr 2013 23:57:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Reginaldo Faria volta à direção após enferrujados 26 anos em uma das experiências mais constrangedoras do cinema nacional.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-296603" alt="O Carteiro" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/O-Carteiro.jpg" width="222" height="328" />Reginaldo Faria possui um dos rostos mais carimbados da televisão brasileira. Entre novelas, séries e filmes, o ator retoma, depois de 26 anos, uma de suas facetas perdidas na década de 80: a de cineasta. É difícil acreditar que um artista com tamanha experiência cinematográfica, que dirigiu sete longas entre o final da década de 60 e o começo da década de 80, tenha realizado um filme tão pueril temática e esteticamente.</p>
<p>Roteirizado pelo próprio cineasta, o longa é centrado em Vitor (Candé Faria), um jovem funcionário dos correios de uma pequena cidade serrana do Rio Grande do Sul. Com alma de poeta e espírito de porco (paradoxo mal construído que acompanha a personalidade do protagonista até o final da projeção), o jovem costuma violar as correspondências locais, interferir e pregar peças nas vidas dos seus conterrâneos.</p>
<p>Quando a adorável Marli (Ana Carolina Machado) se muda para a cidade, Vitor se vê compelido a investigar sua intimidade por meio das cartas enviadas ao seu namorado e cai de amores pela moça.  Ao lado de seu companheiro usual Jonas (Felipe de Paula), o jovem passa a falsificar várias cartas que mudam o destino de muitas pessoas, inclusive o seu. O roteiro de Reginaldo Faria tenta reanimar a brasa do amor romântico, das causas impossíveis e ao invés disso, o que consegue é conquistar a total antipatia do público em relação aos seus personagens.</p>
<p>Quando nomeio o filme de pueril, me refiro, entre outras coisas, à direção extremamente infantilizada e despreparada. A fotografia de Roberto Henkin, erroneamente premiada na edição de 2011 do Festival de Gramad, se revela artificial e limitada. Entre os maiores deméritos da direção de fotografia está a imperdoável falha em emular a nostalgia de uma época passada. A imagem cristalina do cinema digital é implacável e não perdoa nem oculta os detalhes. O uso excessivo e despropositado de <em>close-ups</em> nos rostos dos atores revela uma tremenda falta de imaginação e criatividade (além de preguiça) na construção dos quadros propostos por Henkin e Faria. O design de produção parece se contentar com a presença de carros antigos na tela como atestado histórico, negligenciando o figurino (que parece ter sido comprado ontem em uma dessas lojas de departamentos contemporâneas), a arquitetura e os objetos que integram o cenário (em certa altura da projeção, percebemos claramente um orelhão moderno no fundo do quadro).</p>
<p>A linguagem televisiva invade “O Carteiro” a todo o momento. Seja na montagem picotada e sem ritmo que alude à <em>sitcom</em> ou na onipresença da trilha sonora que presta serviços contrários à eficiência. Não existem hiatos na utilização das músicas, que aparecem e reaparecem sem justificativa aparente ou papel dramático, se tornando ferramentas obsoletas e irritantes. E se os aspectos técnicos do longa decepcionam, o que falar das suas atuações? Candé Faria (filho de Reginaldo) não tem 100% de culpa por sua abordagem <em>over</em> em inúmeros momentos da narrativa, já que a dramática trilha sonora, os closes abundantes e o péssimo texto  também se prestam a esse serviço. Entretanto, não há como negar a incompetência do ator e o alto nível de afetação imposta em sua <em>performance</em>, que soa invariavelmente artificial.</p>
<p>O mesmo pode ser dito de todos os outros membros do elenco de “O Carteiro”, preguiçosamente embutidos no esquemão arquétipo de funções dramáticas (o bobo, a virginal, a puta, o sábio, o policial, etc.), além do próprio diretor, que faz uma ponta como professor na escola de Vitor e Jonas. Reginaldo Faria não explora o mínimo de eficiência no trabalho dos atores, o que é de certa forma assustador, pois a atuação é costumeiramente a principal preocupação de diretores/atores.</p>
<p>Com um desfecho tão imbecil quanto seu desenvolvimento, “O Carteiro” não se justifica por mérito algum, pelo contrário: o filme falha ao tentar ressuscitar o amor romântico, ao emular a nostalgia provinciana, ao provocar o riso e, antes de tudo, a contar uma boa história. Talvez Reginaldo Faria tenha ficado fora do jogo tempo o suficiente para enferrujar&#8230; Ou talvez ele nunca tivesse sido mesmo um bom jogador.</p>
<p>__<br />
<strong><em>Pedro Azevedo</em></strong><em> </em>é estudante de psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pesquisador na área da psicanálise. É apaixonado pelas artes em geral e pelo cinema em particular.</p>
</ul>
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		<title>Alvo Duplo (2012): tão genérico quanto o seu título</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Apr 2013 19:13:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Alvo Duplo | Bullet to the Head [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Sung Kang]]></category>
		<category><![CDATA[Sylvester Stallone]]></category>

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		<description><![CDATA[Tentando ser um filme de duplas desajustadas ao estilo "Máquina Mortífera", esta produção se perde em um turbilhão de clichês e diálogos ridículos, com o par formado por Stallone e Sung Kang estando muito longe daquele de Mel Gibson e Danny Glover.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-295864" alt="alvoduplo_1" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/alvoduplo_1.jpg" width="222" height="326" />Sylvester Stallone é certamente um dos astros do cinema de ação oitentista mais atuantes hoje em dia. É um fato que a carreira do Garanhão Italiano na sétima arte mostra mais altos e baixos que um sismógrafo em meio a um terremoto. No final dos anos 1990 e no começo dos anos 2000, ele passou por um período de baixa onde seus filmes (de péssima qualidade) eram lançados direto para o mercado de <em>home vídeo</em>. Pois bem, este “Alvo Duplo” poderia muito bem ser encaixado neste capítulo da filmografia.</p>
<p>Baseado na <em>graphic novel</em> francesa <i>“</i><i>Du plomb dans la Tetê”</i> (a qual não li), a produção é uma verdadeira bagunça, espelhando muito bem a confusão que aconteceu por trás das câmeras, repleta de problemas como troca de atores e substituição de diretor, tudo para acomodar o projeto ao seu astro. Mas o público, que só quer ver um bom filme, não tem nada a ver com isso.</p>
<p>A trama é focada no assassino profissional Jimmy Bobo (Stallone) que, após ser traído em um trabalho, acaba tendo de se aliar ao policial certinho Taylor Kwon (Sung Kang) para se vingar de seus empregadores, com essa dupla improvável tendo de enfrentar o mercenário Keegan (Jason Momoa) para chegar aos chefões de colarinho branco (Adewale Akinnuoye-Agbaje e Christian Slater).</p>
<p>Obviamente, todos os clichês do gênero estão lá, como os parceiros de etnias diferentes que não se dão bem, a garota entre eles (Sarah Shahi), os vilões cheios de planos elaborados, as brigas do policial com os superiores&#8230; O que não seria incômodo nenhum, se tais chavões contribuíssem com a diversão do produto. Parece até que os produtores fizeram uma lista do que queriam ver e pouco se importaram se esses elementos poderiam contribuir para a história ou como eles seriam utilizados.</p>
<p>O <i>plot</i> da conspiração e corrupção não faz muito sentido e é deveras forçado, não servindo nem mesmo para expor o mau caráter dos antagonistas. Nisso, o roteirista Alessandro Camon infla o texto com tediosos diálogos expositivos para explicar os esquemas dos personagens de Akinnuoye-Agbaje e Slater, e deixa pouco espaço para o vilão “físico” de Jason Momoa aparecer e conquistar nossa antipatia.</p>
<p>Desse eixo do mal, mesmo com pouco espaço em cena, Momoa é o que se sai melhor, fazendo um divertido sociopata assassino que realmente gosta do que faz e, fisicamente, ele parece capaz visualmente de encarar a montanha sexagenária que é Stallone no mano a mano. Christian Slater, sumido desde o horrendo <i>“Alone in the Dark”</i>, surge em um <i>overacting</i> terrível ao viver o advogado corrupto Baptiste, ao passo que Adewale Akinnuoye-Agbaje aparece usando muletas como&#8230; bem, muletas de interpretação para o seu esquecível Morel.</p>
<p>A situação não melhora quando a fita tem de lidar com os mocinhos. Os momentos de interação entre Jimmy e Kwon mostram um claro desentrosamento entre Stallone e Sung Kang, e não de um bom jeito. Essa falta de química e sintonia entre os atores (e não entre os personagens) mata qualquer interesse que o público poderia ter por eles, pois em nenhum momento as tiradas entre eles parecem fluir naturalmente.</p>
<p>Além de Sung Kang estar perdido em cena e servir basicamente como saco de pancadas, o filme ainda faz questão de reiterar como Kwon é inútil a todo momento, buscando com isso fortalecer o status de Jimmy como macho-alfa e do próprio Stallone como protagonista, sendo que este atua aqui no piloto automático, sem fazer nenhum esforço para conquistar a nossa simpatia. Sly parece tão inseguro de seu status que ainda costura na projeção uma inútil e inconstante narração em <i>off</i> que teima em repetir informações que já foram ditas anteriormente ou em dar outras que serão passadas posteriormente de forma mais orgânica.</p>
<p>Sem personagens interessantes ou uma história que prenda a audiência, o que restou ao diretor Walter Hill foi tentar salvar a produção na base da porrada. Apesar da brutalidade honesta das cenas de ação, bastante diretas e gráficas, elas são muito curtas e espaçadas, não chegando nem perto de compensar as falhas narrativas e estruturais da película.</p>
<p>A coisa mais memorável deste “Alvo Duplo” é sua trilha sonora em <i>blues</i>, que tenta prestar alguma homenagem à cidade de Nova Orleans, que lhe serve de cenário. Isso, claro, depois que o filme basicamente disse que toda a força policial local é corrupta. Daí se vê a lógica desta produção.</p>
<p>___<b><i><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></i></b><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Chamada de Emergência (2013): thriller vai de promissor a desastroso</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Apr 2013 19:04:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Abigail Breslin]]></category>
		<category><![CDATA[Brad Anderson]]></category>
		<category><![CDATA[Chamada de Emergência | The Call [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Halle Berry]]></category>

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		<description><![CDATA[Halle Berry e Abigail Breslin protagonizam ótimas cenas de ação até o momento em que as pretensões do roteiro passam por cima de qualquer lógica e sentido. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-295937" alt="Chamada de Emergência" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Chamada-de-Emergência.jpg" width="222" height="324" />Personagens interessantes, ritmo frenético, estratégias inteligentes e uma história simples, mas eficiente. É dessa forma que podemos caracterizar a primeira hora (quase que por inteira) de “Chamada de Emergência”, novo filme do diretor Brad Anderson (“<em>Expresso Transiberiano</em>” e “<em>O Operário</em>”). O que vemos a partir de então, em cerca de trinta minutos, é um longa em franca e vertiginosa queda, que estraçalha os méritos que havia construído até então. O resultado é uma produção extremamente irregular, que não poderia começar melhor, assim como terminar de pior maneira.</p>
<p>A trama acompanha Jordan (Halle Berry), uma atendente da linha de emergência de Los Angeles. Diariamente, ela é uma das várias pessoas que ajudam tantas outras da cidade em situações que vão de meros pedidos de informação a casos de vida ou morte. No entanto, um erro cometido por ela, que leva ao assassinato de uma jovem garota, traumatiza-a, tirando-a do atendimento do público. Seis meses depois, o dever, porém, chama Jordan, e ela passa a cooperar no caso de outra adolescente, o sequestro de Casey Welson (Abigail Breslin), tendo de enfrentar os fantasmas de um passado bem recente.</p>
<p>Iniciado com uma <em>mise-en-scéne</em> cheia de improviso, que exibe a rotina da chama “Colmeia”, tratada acertadamente como “os olhos e ouvidos da cidade”, o filme traz um boa impressão. Além de tratar os sofridos profissionais da área com o devido respeito, a história traz também um tímido humor que faz o público conhecer melhor o clima do local e todos os personagens que o compõem. Mas “Chamada de Emergência” não é um <em>thriller</em> de perder muito tempo. Vai direto ao seu propósito. E assim começa o drama de Casey e Jordan, que ganha seus devidos momentos de silêncio, de dor sofrida e calada, digno de qualquer profissional que está sucestível ao erro em seu dia-a-dia.</p>
<p>E, então, o roteiro de Richard D’Ovidio e a direção de Brad Anderson começam a trabalhar em conjunto em incessantes cenas de ação, que, por mais que enquadrem o filme em um padrão narrativo extremamente comum, fugindo completamente da universalização da temática, é dono de um ritmo invejável. São cerca de quarenta minutos de uma perseguição ao “desconhecido”, enquanto a vítima é instruída de forma inteligente por meio de estratégias convincentes, que vão de arrancar o farol do carro a utilizar a tinta que se encontra no porta-malas. Fazendo o público encarar o medo transbordante de seus personagens, Anderson ainda faz questão de, por vezes, quase “colar” o rosto de seus atores na câmera, dando ares de filme de terror à história, como se preparando erroneamente  o terreno para o desastre que espera os espectadores em algumas dezenas de minutos.</p>
<p>Como uma grande bola de neve, as pretensões do longa vão aumentando, assim como a repercussão do sequestro, sendo suportável até o momento em que o vilão não passa de um homem insano de atitudes inexplicáveis e enquanto Casey e Jordan mantém contato por telefone, dando origem a uma relação de dependência e responsabilidade que ajudam a definir melhor as mulheres que carregam o filme debaixo do braço. A partir de então, o roteiro surta. Se alguns exageros e “licenças poéticas” são relevadas até então em prol do bom entretenimento, eles se tornam insuportáveis.</p>
<p>Em uma conclusão desastrosa, enfim, a trama deixa os ares policiais e adentro outros bem mais obscuros do que poderia, e coloca sua protagonista em situações bastante inverossímeis, para dizer o mínimo. “Forçando a barra”, o <em>script</em> confronta a paciência e  inteligência do espectador, seja ao tirar sinais de celulares e fazê-los cair no local menos improvável possível, seja ao tornar Jordan, subitamente, uma mulher sem qualquer noção do perigo. Coincidências e relações entre lembranças e crimes passados também enfraquecem o <em>thriller</em> apresentado até antes dali.</p>
<p>“Chamada de Emergência”, na ânsia por tornar-se bem mais impactante do que é, deixa sua zona de conforto, quando essa satisfaz consideravelmente o espectador, perdendo seu rumo e o consequente objetivo inicial. E na vontade por terminar em alta, ainda temos de ver uma frase de efeito fazer um filme contradizer-se completamente, podendo deixar alguns boquiabertos, mas de espanto com a irregularidade da produção que acabou de conferir.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>Oblivion (2013): empolgante nos efeitos, mas maçante na história</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Apr 2013 18:57:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Cruz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Andrea Riseborough]]></category>
		<category><![CDATA[Joseph Kosinski]]></category>
		<category><![CDATA[Oblivion [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Olga Kurylenko]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Cruise]]></category>

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		<description><![CDATA[Novo longa do astro Tom Cruise prova que a participação de um grande ator é um diferencial importante para um blockbuster.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-295999" alt="Oblivion poster" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Oblivion-poster.jpg" width="222" height="326" />Ter um bom <em>casting</em> é um diferencial importante para um filme, principalmente se for um blockbuster. Com um enredo batido de mundo futurista pós-apocalíptico, &#8220;Oblivion&#8221;<i>,</i> novo longa do diretor Joseph Kosinski, mostra que Tom Cruise está em ótima forma.</p>
<p>A trama começa no ano de 2077, quando Jack Harper (Cruise) é responsável pela manutenção de equipamentos de segurança no planeta Terra, devastado por uma grande guerra contra alienígenas há 60 anos. Os humanos sobreviventes vivem na Titã, uma colônia lunar em Saturno onde Jack e sua esposa Victoria (Andrea Riseborough) estão se preparando para se juntar a eles, assim que terminarem seu trabalho no planeta. Antes de irem para a missão na Terra, ambos têm a memória removida para não se evitar o envolvimento emocional com a colônia de origem.</p>
<p>Jack, porém, tem lembranças fragmentadas e guarda em si uma nostalgia que atiça sua curiosidade e que aumenta a cada dia enquanto ele é obrigado a percorrer a superfície terrestre. Um dia, ele vê a queda de uma espaçonave não identificada e, entre os destroçosm encontra uma mulher que constantemente aparece em suas memórias, aparentemente esquecida. Ao conhecê-la, tudo o que Jack sabe até então é posto em dúvida. É o início de uma jornada onde ele precisará descobrir o que realmente aconteceu no passado.</p>
<p>Por ser um filme de ficção científica, os efeitos especiais que constroem essa época chamam atenção. Com cenas extremamente belas rodadas em 4k de resolução, é recomendado até que o espectador assista ao filme em IMAX, para ter melhor proveito das imagens tridimensionais e efeitos especiais semelhantes aos que foram vistos no filme &#8220;<i>Tron &#8211; O Legado&#8221;, </i>do mesmo diretor<i>. </i></p>
<p>Com cenas gravadas na Islândia, Joseph Kosinski tira um pouco da cenografia artificial, frequente nos filme do gênero, para dar lugar a um cenário que ajuda na ambientação de um mundo pós-apocalíptico rico em detalhes. O personagem de Cruise é um apaixonado pelo planeta e sempre que pode passeia com a sua nave pelas áreas desertas que a radiação das bombas nucleares não prejudicaram. Grandes paisagens e cenas clássicas de monumentos destroçados, parques e estádios abandonados deixam na memória do expectador um pouco o que foi a batalha entres os humanos e os alienígenas, e a difícil tarefa do protagonista de ficar em um mundo deserto sendo constantemente ameaçado pelos invasores que ficaram no planeta.</p>
<p>Apesar dos bons efeitos, o longa peca em sua construção narrativa. No primeiro ato é apresentada com cautela toda a situação em que se encontram os protagonistas, porém a segunda parte demora para engatar, tornando o enredo maçante para quem assiste. O longa empolga na apresentação, mas se perde ao longo da projeção e tenta explicar muita coisa, que no fim é desnecessária.</p>
<p>Além disso, as cenas de batalha se comparam facilmente a &#8220;<i>Star Wars&#8221;</i> e &#8220;<i>Independence Day&#8221;</i>, perdendo assim a identidade e a criatividade narrativa. Em seu desfecho, a trama se estende um pouco mais, somente para apresentar um improvável <em>happy end</em> e acaba não amarrando todas as pontas aberta. Assim,  &#8220;Oblivion&#8221; prova que o carisma de um bom protagonista pode salvar um longa irregular.</p>
<p>__<br />
<em><strong>Adriana Cruz</strong> é formada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), aspirante a cineasta e estudante de roteiro cinematográfico.</em></p>
</ul>
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		<title>Angie (2013): uma tentativa falha de road movie</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Apr 2013 18:13:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Andy Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[Camilla Belle]]></category>
		<category><![CDATA[Marcio Garcia]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo longa de Marcio Garcia tem boa proposta, mas peca nas estruturas básicas de criação e condução narrativas.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-295855 alignleft" alt="cartaz-oficial-em-portugues-do-filme-angie---poster-nacional-1365540392705_300x420" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/cartaz-oficial-em-portugues-do-filme-angie-poster-nacional-1365540392705_300x420.jpg" width="222" height="313" />Não são raros profissionais de cinema que se aventuram por diferentes funções desta área. O exemplo mais em voga atualmente é Ben Affleck, que depois de vários anos em uma carreira de ator que divide opiniões, tem surpreendido o público e a crítica com seu talento para direção, o que recentemente lhe rendeu o Oscar de Melhor Filme <em>por “Argo”</em>.</p>
<p>Sem querer forçar comparações, outro ator que tem se arriscado como diretor é o brasileiro Marcio Garcia, que iniciou sua carreira em novelas e já trabalhou até como apresentador de programa televisivo. Depois de seu primeiro longa como realizador, a comédia romântica <em>“Amor por Acaso”</em> – que já revelava sua desenvoltura para contatos hollywoodianos –, Garcia agora nos traz uma obra mais dramática com “Angie”.</p>
<p>O longa, que se apresenta como uma espécie de <em>road movie</em>, segue a personagem título, vivida por Camilla Belle, uma jovem artista brasileira que se aventura por terras estadunidenses à procura de uma certa pessoa. Morando em uma barraca no meio da mata e trabalhando como garçonete em uma cidade pequena, sua única companhia autêntica é Chuck (Andy Garcia), um mendigo igualmente solitário que visita a jovem todas as noites para conversar e jantar.</p>
<p>Apesar de manter contato regularmente com sua irmã por telefone, Angie apresenta um enorme desapego em relação aos familiares, fazendo desta jornada uma busca também por si mesma. Encorajada por seu amigo morador de rua, a jovem parte rumo a outro lugar. Durante a viagem, ela conhece David (Colin Egglesfield), um policial que lhe presta ajuda depois que seu carro parou de funcionar na estrada.</p>
<p>A partir daí, Angie começa uma relação amorosa que não tem certeza se pode manter, considerando assuntos pessoais inacabados e uma escolha de vida assumidamente nômade. Isto faz correlação com seu comportamento evasivo, sempre guardando segredos e evitando conversas sobre o passado. A estrutura de<em> road movie</em> é interessante neste sentido, pois representa mais do que uma fuga geográfica, sendo este um dos poucos aspectos em que Julia Camara acerta a mão no roteiro.</p>
<p>Acostumada a escrever para curtas, Camara falha em aproveitar a metragem da obra para dar mais consistência à protagonista. A roteirista preenche o longa com cenas de diálogos que só reafirmam o que já sabemos sobre Angie, tornando a narrativa arrastada e a personagem pouco interessante. Em vez de misteriosa, ela parece vazia; em vez de introspectiva, apenas sem graça. A direção de Garcia, pouco sensível ao drama dos personagens, apenas filma o roteiro, importando-se mais com os fatos em si do que com a possível funcionalidade destes.</p>
<p>Quando nem a história nem os personagens atraem o espectador, até as falhas no som de Marcelo Cyro e Pedro Lima são perceptíveis. Por algum motivo, especialmente nas cenas em que Angie fala em português, a imagem e o áudio são notavelmente sem sincronia. A trilha musical é bastante invasiva. Momentos potencialmente dramáticos se tornam piegas com a inserção de uma música que descaracteriza a cena e chega a incomodar.</p>
<p>Isto demonstra as estratégias antiquadas de Garcia para evocar sentimentos no espectador, revelando sua insegurança e inexperiência na condução da trama e na criação de vínculo com o público. Até nas cenas de transição podemos observar as más escolhas do diretor na forma de filmar, dando pouca opção para os montadores Daniel M. Turcan e Felipe Velloso.</p>
<p>As participações de Andy Garcia e de Juliette Lewis – que interpreta Jill, prima de David – são as chamarizes do longa. Ambos se limitam a atuações genéricas, assim como os diálogos escritos por Camara, salvo alguns momentos em que Andy Garcia se esforça para potencializar as cenas com improvisos. Aliás, todo o elenco tem seu mérito, mas as falhas de roteiro e direção sabotam uma entrega maior dos atores.</p>
<p>“Angie” é uma obra aspirante a<em> road movie</em> que tem uma proposta interessante, mas um desenvolvimento que beira o deplorável. O elenco é esforçado e consegue construir alguns bons momentos de interação entre os personagens, mas fora isso não há muita coisa que se salve no longa. Marcio Garcia ainda precisa amadurecer como cineasta para perceber que um bom filme não é feito apenas de vínculos profissionais de grande porte.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>Invasão à Casa Branca (2012): O novo homem do presidente</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Apr 2013 18:24:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Aaron Eckhart]]></category>
		<category><![CDATA[Angela Bassett]]></category>
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		<category><![CDATA[Invasão à Casa Branca | Olympus Has Fallen [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Melissa Leo]]></category>
		<category><![CDATA[Morgan Freeman]]></category>
		<category><![CDATA[Radha Mitchell]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Forster]]></category>

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		<description><![CDATA[Mesmo reunindo um elenco forte e um diretor gabaritado, este ufanístico filme mais parece uma produção para vídeo estrelada por Chuck Norris nos anos 1990 que qualquer outra coisa. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-295583" alt="invasao_a_casa_branca_poster_0" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/invasao_a_casa_branca_poster_0.jpg" width="222" height="325" />A maneira mais fácil de descrever este “Invasão à Casa Branca” é como o filho cinematográfico bastardo de <i>“Duro de Matar”</i> e “Força Aérea Um”, mas sem herdar o carisma do primeiro ou o valor <i>trash divertido</i> do segundo. Este novo trabalho de Antoine Fuqua, diretor cujo único grande êxito foi <i>“Dia de Treinamento”</i> lá em 2001, pesa a mão no ufanismo patriótico estadunidense e pega bastante leve no que tange a bom senso e originalidade.</p>
<p>O roteiro dos novatos Creighton Rothenberger e Katrin Benedikt tem como foco Mike Banning (Gerard Butler), agente do serviço secreto encarregado da proteção do Presidente Asher (Aaron Eckhart) e de sua família. Banning é transferido para o trabalho burocrático após uma tragédia envolvendo a Primeira Dama (Ashley Judd). Mas quando terroristas norte-coreanos tomam a Casa Branca e fazem o Presidente de refém, ele se torna a única esperança de resgate, preso sozinho em um prédio cheio de reféns e terroristas, no melhor estilo John McClane.</p>
<p>O grande mistério é como Fuqua conseguiu reunir um elenco extremamente talentoso com um material tão rasteiro. Além de Butler, Eckhart e Judd, o filme tem participações de Angela Bassett, Melissa Leo, Radha Mitchell, Robert Forster e Morgan Freeman, todos eles atores gabaritados que se reduzem em cena a coadjuvantes declamando clichês de filmes de ação em diálogos expositivos e terrivelmente embaraçosos.</p>
<p>Até mesmo o veterano Freeman, que possui o dom de transformar qualquer coisa que declame em algo sábio graças à sua poderosa voz, parece envergonhado do seu texto, estando preso em um núcleo político que é tão útil a este filme de ação descerebrada quanto um drive de disquete num computador hoje em dia. Uma situação interessante é ver o Presidente de Aaron Eckhart ser a “donzela em perigo” esperando pelo resgate do mocinho, um dos poucos pontos (relativamente) diferenciados da película.</p>
<p>Um dos principais pilares de qualquer bom filme de ação é o carisma de seu protagonista e dos vilões, carisma este que pode fazer com que o público ignore um roteiro ruim e até mesmo interpretações canastronas. Neste ponto, temos Gerard Butler em sua zona de conforto, vivendo o herói macho-alfa com o nível certo de fragilidade (aqui representada por uma busca por redenção).</p>
<p>O problema é que jamais conhecemos Mike muito bem (nem mesmo sua namorada o conhece), faltando uma conexão real com o personagem, algo que foi um dos fatores que fez o McClane de Bruce Willis ser tão querido pelo público. Não existe ninguém com quem o herói possa desabafar, tornando tudo muito impessoal, inexistindo qualquer envolvimento emocional com o destino daquele personagem.</p>
<p>Nisso, acaba sendo a bagagem cinematográfica de Butler que empresta alguma força ao protagonista, permitindo até mesmo que a audiência engula momentos como Mike sentado na cadeira do presidente enquanto se prepara para entrar em ação e lidar sozinho com mais de uma dúzia de terroristas fortemente armados.</p>
<p>O bizarro subtexto desta cena, aliás, meio que descreve o filme, com um herói militar (o Rei Leônidas, de <i>“300”</i>, vejam) sentado no posto do “líder do mundo livre” enquanto se prepara para matar inimigos estrangeiros (norte-coreanos, ainda por cima). Certamente, alguns republicanos devem ter atingido o orgasmo assistindo isso no cinema.</p>
<p>Os vilões são extremamente genéricos, com os únicos que possuem alguns diálogos sendo o terrorista-chefe vivido por Rick Yune e o traidor interpretado por Dylan McDermott. Enquanto o primeiro tem como sua maior característica encarar os outros sem mudar sua expressão, o segundo justifica sua vilania como um protesto contra “tudo isso que está aí”, começando a fumar e imitando uma cena de (oh, a surpresa) <i>“Duro de Matar”</i>.</p>
<p>O outro sustentáculo de longas deste gênero são suas cenas de ação. Fuqua faz um trabalho genérico, mas até eficiente quando mantém as coisas mais simples, com os tiroteios e porradarias habituais. Mas quando resolve levar sua ação para o ar, o cineasta nos brinda com sequências deveras absurdas que poderiam passar, não fossem tão mal realizadas e repletas de efeitos especiais que mais parecem inacabados, tirando o espectador do filme e quebrando qualquer suspensão de descrença.</p>
<p>O pacote se completa com uma trilha sonora pavorosa e uma fotografia que passa longe do ideal, especialmente por explorar ao máximo os defeitos especiais da produção. É uma pena ver um elenco tão forte desperdiçado no que mais parece um trabalho para TV daqueles estrelados por Chuck Norris no fim dos anos 1990.</p>
<p>___<b><i><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></i></b><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Mama (2013): novato argentino faz versão corajosa de seu curta de terror</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Apr 2013 22:29:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Andres Muschietti]]></category>
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		<category><![CDATA[Megan Charpentier]]></category>
		<category><![CDATA[Morgan McGarry]]></category>
		<category><![CDATA[Nikolaj Coster-Waldau]]></category>

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		<description><![CDATA[Produzido por Guillermo Del Toro, longa opta por uma história simples, mas de escolhas ousadas, as quais perdem força por erros evidentes de roteiro e fraqueza de suas personagens.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-295217" alt="Mama" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Mama.jpg" width="222" height="329" />Desde o lançamento do belíssimo <em>“O Labirinto do Fauno”</em>, o mexicano Guillermo Del Toro tornou-se um dos produtores mais ativos tanto dentro da forte indústria norte-americana de cinema quanto fora dela. O <em>IMDB</em> calcula um total de 17 projetos realizados por Del Toro a partir de então até o início de 2013, entre longas e curtas-metragens. E ele aposta em tudo, desde animações de altíssimo orçamento a dramas europeus intimistas. Mas são os filmes de suspense e terror que mais fazem questão de ressaltar o “Guillermo Del Toro apresenta” em seus trailers e créditos iniciais. O mais novo filme a utilizar-se sem limites dessa referência é “Mama”. Versão extendida de curta de 2008, a produção não desrespeita o nome de peso que carrega, mas também não contribui para fortalecê-lo ainda mais.</p>
<p>Dando vida à trama que mostrava apenas duas garotas fugindo, pelos cômodos da casa, de um fantasma chamado Mama, o filme  tem início com uma enorme fatalidade. Após seu pai cometer um massacre, matando inclusive sua própria esposa, e sofrer um acidente durante a fuga, Victoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nélisse), então com 3 e 1 ano de idade, respectivamente, são levadas por ele para uma escondida casa em uma densa floresta. Lá misteriosos acontecimentos levam as crianças a tornarem-se orfãs, ocasionando o desaparecimento delas. Apenas cinco anos depois, ela são encontradas, passando a morar com seu tio Lucas (Nicolaj Coster-Waldau) e sua namorada Annabel (Jessica Chastain). Cheias de mistérios, elas e diversas situações revelam, aos poucos, que a amiga imaginária que possuem é bem mais amedrontadora do que se pode ter ideia.</p>
<p>O mesmo não se pode dizer do filme, o que não se trata de um demérito. “Mama” não tem como principal propósito assustar o público a qualquer custo, apesar de fazê-lo bem eventualmente. Quase todas as sequências de terror mais explícito possuem uma lógica para existirem, fazendo parte de uma história extremamente simples, sem grandes propósitos ou megalomanias, mas dono de uma coragem notória, que se transforma em seu grande diferencial em relação a outras obras do gênero. Dirigido e escrito pelo novato argentino Andrés Muschietti, que na última função divide a responsabilidade com sua irmã Barbara Muschietti e Neil Cross, a produção, enfim, revela-se uma grata surpresa. E seria ainda melhor se não fosse dona de erros pontuais, mas relevantes na construção da trama e de suas personagens.</p>
<p>Como maior ponto positivo, temos a falta de medo em encarar, literalmente, o sobrenatural. Desde a introdução, o longa demonstra que não vai ficar apenas em ameaças. O climax, claro, acontece nos últimos minutos, mas antes há muito o que apreciar das peripécias aprontadas pela personagem-título. O roteiro, por sinal, faz de Mama um vilã cheia de propósitos em suas atitudes, por mais exagerada que elas possoam soar, evitando, por exemplo, atacar Annabel, por essa pouco exibir vontade em substituí-la, enquanto faz o contrário com Lucas, o tio cuidadoso que deseja exercer a função de pai a partir de então. O mesmo pode-se dizer da relação das garotas para com ela. Existe um respeito entre o trio que supera qualquer clichê de filme de terror.</p>
<p>Interessante também é observar a animalização das meninas, que de crianças bem criadas, tornam-se, justificadamente, seres com pouca noção de como comportar-se em meio a civilização. “Pouca”, porque, mais uma vez com sobriedade, o <em>script</em> faz de Victoria uma menina ainda cheia de memórias que, mesmo com pouca idade quando abandonada, já havia absorvido muito dos ensinamentos dos pais. Tanto que ela acaba tornando-se uma peça chave para questionar a autoridade de Mama. Enquanto isso, sua irmã Lilly, que não sabe falar e possui dificuldade até em movimentar-se, possui uma óbvia relação de dependência com as duas, especialmente com sua dita “amiga imaginária”. O desempenho elogiável de Megan Charpentier e, especialmente, de Isabelle Nélisse, é fudamental para tornar crível uma trama que poderia facilmente adentrar no terreno do “absurdo”.</p>
<p>Mas se as meninas são bem, ainda que limitadamente, definidas, o mesmo não se pode dizer das personagens adultas. Bem que Jessica Chastain tenta dar algum carisma a Annabel, fazendo-a uma mulher descolada, com atitudes dignas de uma integrante de uma banda de rock, até chegando a divertir o espectador eventualmente. No entanto, isso é tudo que sabemos dela. Nem sua relação com o namorado nem com as “sobrinhas” é bem construída. Com Nicolaj Coster-Waldau, a situação é ainda pior. Não há tempo de tela suficiente para que ele nos convença como o tio amável. Já Daniel Kash, como o Dr. Dreyfuss, tenta, mas é incapaz acrescentar algum mistério interessante a narrativa, exatamente onde o roteiro mais falha.</p>
<p>Em sua busca por apresentar alguns fatos e suspeitas durante a investigação do caso, o filme, então, perde-se. Por mais que a trama que sustenta o filme não desabe, ela é comprometida por furos e mais furos, bem como por coincidências questionáveis, dignas de um terror com pressa em encerrar sua história. A simplicidade do conteúdo principal mantém-na em pé, assim como sua ousadia em enfrentar seus fantasmas de frente. E tudo desagua em um desfecho de resultado dúbio, que mantém em alta a tensão que impõe desde seus primeiros minutos, mas que perde a destreza técnica da boa direção de Andrés Muschietti, principalmente em sua tentativa de inserir algum lirismo no longa. Guillermo Del Toro tem, enfim, motivos para se orgulhar de “Mama”, mas nem tantos assim.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>A Visitante Francesa (2012): uma aula de cinema pós-moderno</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Apr 2013 22:19:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa sul-coreano valoriza o naturalismo por meio de uma linguagem orgulhosamente digital.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-295126 alignleft" alt="in-another-country-sang-soo-hong-poster" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/in-another-country-sang-soo-hong-poster.jpg" width="222" height="317" />Existem obras em que a assinatura do autor fica impressa na tela. Seja na forma ou no conteúdo, poucos cineastas conseguem transmitir sua visão de maneira clara sem racionalizar suas intenções. O diretor coreano Sang-soo Hong é um destes. Com uma carreira iniciada na metade dos anos 90, Hong abraça uma estética de vídeo sem receio, indo na contramão da indústria cinematográfica que ainda se ressente e tenta compensar a perda da película.</p>
<p>Em “A Visitante Francesa”, somos convidados a entrar na mente de uma jovem roteirista que escreve pequenas histórias apenas para esquecer os problemas familiares. Estas histórias são compostas pelos mesmos personagens, ocorrem no mesmo local e apresentam situações similares, mas vividas de formas que variam de acordo com a  personalidade e as motivações de Anne, a protagonista interpretada por Isabelle Huppert.</p>
<p>No primeiro “conto”, Anne é uma diretora francesa que vai passar um tempo em Mohang com um casal de amigos sul-coreanos – o também diretor de filmes Jong-soo (Kwon Hye-Hyo) e sua esposa grávida, Geum-hee (So-ri Moon). Lá ela conhece o guarda salva-vidas da praia, vivido por Jun Sang Yu. No segundo, Anne é uma mulher casada que vai a Mohang para se encontrar com o amante, o cineasta Moon-soo (Moon Sung Keun). Na última história, Anne é uma mulher divorciada que foi traída pelo marido e vai a Monhang com uma amiga, Park Sook (Yeo-jeong Yoon), para superar a mágoa. Lá elas conhecem o casal e o guarda salva-vidas do primeiro segmento, e Sook apresenta Anne a um monge budista (Kim Yong-ok).</p>
<p>As três histórias se conectam de alguma forma, mesmo sem ficar claro se coexistem em uma mesma realidade ou se são versões alternativas de uma única história. Esta indefinição, a repetição das ações e a continuidade delas em momentos improváveis são pontos-chave da narrativa. O destino deixa de ser apenas um conceito para se tornar uma entidade quase palpável, tomando forma enquanto delineia as relações entre os personagens em um movimento circular, não temporal.</p>
<p>Hong, que desde seu segundo longa também assina como único roteirista, escreve sobre o cotidiano, sobre os encontros e desencontros de pessoas e sentimentos nas situações mais corriqueiras da vida. A simplicidade e o bom humor dos atos fornecem um caráter imediatista às cenas, evocando reações emocionais no espectador que vão da gargalhada à indignação.</p>
<p>Os diálogos são abertos a improvisações, a <i>mise-en-scène</i> dá liberdade de movimento aos atores e o naturalismo toma conta da narrativa. Yune-jeong Jee e Hong-yeol Park são fiéis ao estilo do diretor em sua fotografia, que valoriza a luz natural – com a cor branca muitas vezes estourada – e uma textura digital, lembrando obras de jovens autores independentes que carecem de condições para produzir algo considerado “profissional” pelo mercado.</p>
<p>Os frequentes <em>zooms</em> que reenquadram a imagem inusitadamente traduzem a postura moderna do cineasta, despida de limitações teóricas e que não se intimida em readequar constantemente o olhar sobre a própria obra no instante em que a cria. Aliás, o filme é sobre esta readaptação, sobre esta insatisfação com o que está selado, sobre busca e movimento, sobre a falta de algo que nunca é encontrado, mas é a única coisa que nos move para frente. Não é a toa que, em todas as histórias, Anne está sempre à procura de um farol como um barco o faz para se guiar.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>Uma História de Amor e Fúria (2012): passado, presente e possível futuro de um País</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Apr 2013 22:03:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Cruz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Camila Pitanga]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Uma História de Amor e Fúria [2012]]]></category>

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		<description><![CDATA[Animação brasileira narra uma história de amor que transcende o tempo, com plot na luta do Brasil contra a opressão e descaso social. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-medium wp-image-294972 alignleft" alt="Uma História de Amor e Fúria" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Uma-História-de-Amor-e-Fúria-poster-200x300.jpg" width="200" height="300" />É ótimo ver o cinema nacional ousar e arriscar em uma animação com a temática mais adulta, ainda mais quando estão envolvidos problemas políticos e sociais que marcaram a história do Brasil. Em &#8220;<i>Uma História de Amor e Fúria&#8221;</i>, a grande estreia do premiado Luiz Bolognesi na direção de um longa traz toda a sua experiência como roteirista de <em>&#8220;Bicho de Sete Cabeças&#8221;</em> (2001),<em> &#8220;Chega de Saudade&#8221;</em> (2008) e <em>&#8220;As Melhores Coisas do Mundo&#8221;</em> (2010) para criar uma animação que tem tudo para se tornar um marco no cinema brasileiro.</p>
<p>Selton Mello<i> </i>e Camila Pitanga dublam os protagonistas, o casal apaixonado que transcende o tempo em quatro épocas distintas de conflitos armados. O filme tem início na colonização e narra um pouco da história dos índios tupinambás que são dizimados pelos portugueses na região, onde hoje é a cidade do Rio de Janeiro; após 200 anos é contada a história do início da balaiada, revolta de escravos no Maranhão que deu origem ao surgimento do cangaço no nordeste do Brasil.</p>
<p>Anos mais tarde, Janaína, personagem de Camila Pitanga, encontra seu amado durante a ditadura militar em Maio de 1968, e mais uma vez, o amor entre eles é posto a prova em uma época que sentencia a vida de presos políticos. Em 2096, o foco é a luta por água potável e faz um contraste criativo com as milícias que impõe a lei e a ordem do município e o povo marginalizado escondido das altas classes sociais.</p>
<p>Por mais que seja uma animação, a veracidade com o que aborda as guerras e a opressão passada pelos brasileiros ao logo dos séculos é algo belíssimo, mostrando assim o lado daqueles que foram oprimidos por essas lutas e não os generais que ganharam monumentos em honra dos seus feitos e causaram grande sofrimento a uma minoria. A direção de arte de Anna Caiado de fato é algo para se destacar, por mostrar o sofrimento e o surgimento de várias frentes revolucionárias que são pouco lembradas com o uso de ilustrações que relembram as regiões contadas na história, como da cidade de Caxias, no Maranhão, e do Rio de Janeiro nos anos 60.</p>
<p>Toda a trama é contada pelo ponto de vista do personagem de <em>Selton Mello</em> e faz uso de fatos para contar uma história de amor entre duas pessoas que lutam, não só para ficarem juntas, mas para serem livres. O longa vai contra a corrente e foca sua atenção nos mais velhos, embora também possa agradar aos jovens com seus belos traços e com sequências de ação e sexo. Baseado em H.Q, a animação tem cenas fortes que usa o 2D tradicional e CGI, além de imagens geradas em computador feitas em três dimensões. As sequências em CGI ficam mais claras quando a trama vai para o futuro ou mesmo nas cenas de ação e movimentos rápidos. Porém, quando a animação está mais lenta, ou é necessário se focar no diálogo, todos esses efeitos visuais se esvaem, e o filme perde a força.</p>
<p>Como toda animação, a trilha sonora tem seu destaque com a participação de bandas como Nação Zumbi, Otto, Cidadão Instigado e Rappin’ Hood.  As letras têm sempre conteúdo político e crítica social com mistura de sons eletrônicos, maracatu e ritmos regionais para dar uma batida mais frenética nas cenas de ação e poesias nas sequências de romance entre Janaína e o Jovem centenário. É interessante, já que a música ganha destaque justamente na transição de tempo entre uma época à outra. O som futurista para o Rio de Janeiro em 2096 mistura o eletrônico com melodias de bossa nova e batidas rápidas para as cenas de ação e conflitos.</p>
<p>O enredo é bem construído e ver a história do Brasil contata de forma tão clara e tão bem arquitetada em animação mostra uma nova área cinematográfica que precisa ser mais explorada e, quem sabe, ampliada em nosso País.</p>
<p>__<br />
<em><strong>Adriana Cruz</strong> é formada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), aspirante a cineasta e estudante de roteiro cinematográfico.</em></p>
</ul>
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		<title>Pietá (2012): Kim-Ki Duk subverte a moral das coisas em grande obra</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Apr 2013 21:56:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Kim-Ki Duk]]></category>
		<category><![CDATA[Pietá]]></category>

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		<description><![CDATA[Ganhador do Leão de Ouro em Veneza no ano passado, longa coreano subverte a obra de Michelangelo entre os discursos freudianos e econômicos de Kim-Ki Duk.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-295353" alt="Pietà1" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Pietà1.jpg" width="222" height="317" />Em “Pietá”, Gang-Do é um funcionário (leia-se: capanga) do submundo da agiotagem na periferia de Seoul. Com a conduta patológica de um perfeito sociopata, o jovem se presta aos serviços sujos que lhe convém ao ofício. Assim como <em>“Abutres”</em> de Pablo Tropero, o novo filme de Kim Ki-Duk (<em>“Casa Vazia”</em>) se aproxima de um discurso político-econômico quando explora as mazelas e decrepitudes do regime capitalista (particularmente na periferia da capital sul coreana, onde a especulação imobiliária e a marginalização do pobre são subtextos claramente explorados pelo cineasta), ao passo que conduz uma história genuína sobre personagens.</p>
<p>Vivido com esmagadora frieza e indiferença por Jung-jin, Gang-Do é o cobrador de dívidas. Ele está constantemente invadindo casebres/oficinas de trabalhadores braçais, trazendo consigo apenas duas opções aos miseráveis que optaram pela saída da agiotagem: ou paga ou fica aleijado. Ao aleijar suas vítimas – com seus próprios instrumentos de trabalho, diga-se de passagem –, o jovem confisca o direito de revogar o dinheiro de seus seguros de vida por invalidez. Tudo transcorre como o previsto, até que uma mulher (vivida pela incrível Min-soo) alegando ser sua mãe invade seu apartamento e, progressivamente, sua vida.</p>
<p>Não é preciso demandar muito esforço – e isso não é, de modo algum, um demérito – para perceber que o roteiro assinado pelo próprio cineasta escancara uma dinâmica extremamente freudiana entre mãe e filho. Desamparado, o filho assume inicialmente uma posição hostil na qual incesto e agressão física são cartões de visita, enquanto a mãe assume posição de pecadora e se submete à flagelação. &#8220;<i>Eu quero entrar de novo!&#8221;, </i>diz Gang-Do a sua suposta mãe enquanto insere o braço em sua vagina. Machucá-la, puni-la por não haver cumprido a função materna. Kim-Ki Duk brinca com as referências edípicas (vide a cena da corrente com o cadeado mais ao fim da projeção).</p>
<p>A sucessiva infantilização do filho e a munição de poder que é investido na figura da mãe leva Gang-Do a questionar a validade do labor que exerce. É a partir dessa virada narrativa, em que o jovem violento é domesticado, sofre com as consequências de seus erros e passa a ser perseguido pelo passado (composto de fantasmas e indivíduos de membros mutilados) – que o cineasta sul coreano funde seu complexo discurso psicanalítico com argumentos de crítica socioeconômica e revela as verdadeiras intenções de seus personagens.</p>
<p>O apartamento e as roupas (que dão ideia de repetição e rotina) de Gang-Do às vezes dizem mais sobre sua personalidade do que seus próprios atos. O trabalho de direção de arte de “Pietá” é de eficiência ímpar ao construir uma evidente dicotomia entre o universo particular do protagonista (seu apartamento austero, acinzentado, sujo de sangue, porém luxuoso para os padrões periféricos) e a geografia geral da cidade onde vive, com prédios mal-acabados, terrenos especulados e casebres de manufaturas em condições paupérrimas, um cenário de repressão ideal à crítica proposta por Ki Duk. O sentimento evocado pelas imagens de tom quase sempre contemplativo do longa variam da angústia ao mais puro e sublime suspiro.</p>
<p>Pietá, a escultura homônima de Michelangelo, é um retrato de Jesus Cristo morto nos braços da virgem Maria. A escultura secular diz muito sobre o filme. O cineasta subverte a moral das coisas, Jesus não opera milagres em aleijados, aqui ele é o agiota que os fere e os mutila; Maria não é a virgem imaculada e sim uma velha pecadora que não pôde perdoar o passado. Kim-Ki Duk transforma o belo em feio, o inocente em culpado e o nobre em vingança nesse que é, desde já, o melhor filme de sua carreira.</p>
<p><strong><em>__<br />
<strong><em>Pedro Azevedo</em></strong></em></strong><em></em><em> </em><em>é estudante de psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pesquisador na área da psicanálise. Formado em Cinema e vídeo pela Casa Amarela Eusélio Oliveira, é apaixonado pelas artes em geral e pelo cinema em particular.</em></p>
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		<title>Jack &#8211; O Caçador de Gigantes (2013): a tendência das adaptações infantis</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Apr 2013 20:36:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Azevedo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Bill Nighy]]></category>
		<category><![CDATA[Bryan Singer]]></category>
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		<category><![CDATA[Ewan McGregor]]></category>
		<category><![CDATA[Jack - O Caçador de Gigantes | Jack the Giant Slayer [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[John Kassir]]></category>
		<category><![CDATA[Nicholas Hoult]]></category>
		<category><![CDATA[Stanley Tucci]]></category>

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		<description><![CDATA[Bryan Singer quase acerta na releitura de "João e o Pé de Feijão".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center"><img class="alignleft size-full wp-image-294702" alt="Jack - O Caçador de Gigantes" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/04/Jack-O-Caçador-de-Gigantes.jpg" width="222" height="312" />Desde o sucesso esmagador de <em>“Alice no País das Maravilhas”</em>, de Tim Burton (com arrecadação de mais de US$ 1 bilhão), as reciclagens de fábulas infantis – tradição moralista europeia – tem progressivamente tomado mais espaço na indústria de filmes voltados ao público infanto-juvenil. Não me refiro aqui a obras como <em>“Shrek”</em>, que remontam a mítica do conto de fadas para desconstruí-la em farsa, e sim a outras como <em>“A Garota da Capa Vermelha”, “Branca de Neve e o Caçador”, “João e Maria – Caçadores de Bruxas”, “Oz – Mágico e Poderoso”</em> ou até mesmo <em>“A Fera”</em>. Todos esses filmes encontram intercessão na modernização, estilização e <i>imbecilização</i> do seu material de origem.</p>
<p>Dentro de um contexto marcado pelo sucesso comercial desse novo nicho de produção que emerge, surge “Jack – O Caçador de Gigantes”, maior fracasso de bilheteria do ano até o momento. Dirigido por Bryan Singer (responsável pelos dois primeiros <em>“X-Men”</em><em></em> e <em>“Operação Valquíria”</em>) e estrelado por Nicholas Hoult (que trabalhará de novo com o cineasta na sequência de <em>“X-Men – Primeira Classe”</em>), o longa faz par com as outras adaptações fabulares que lhe são contemporâneas, tem ponto de partida na história de &#8220;<i>João e o Pé de Feijão&#8221;, </i>mas toma rumos alternativos como maneira de dialogar com seu público alvo. O resultado é um filme palatável que fica no limbo do meio termo.</p>
<p>Logo na cena de abertura de “Jack – O Caçador de Gigantes” é apresentado o casal protagonista por meio de uma montagem ritmada (e rimada!) de metalinguagem. Jack (Nicholas Hoult, o João) é um jovem camponês apaixonado por histórias de aventuras fantásticas, mas impossibilitado de viver suas próprias pelo estrato que ocupa no sistema de castas. Isabelle (Eleanor Tomlinson) é uma princesa igualmente apaixonada por literatura fantástica, entretanto, apesar de ocupar um espaço social diametricamente oposto ao de Jack, se vê tão presa quanto ele diante da vida que leva.</p>
<p>A premissa simplista da dinâmica do casal só reforça as construções dos arquétipos clássicos no desenvolvimento dos personagens envolvidos na trama; arquétipos esses que serão explorados de maneira eficiente e a favor da narrativa (sempre autoindulgente): o casal misto (nobre e plebeu), a donzela em perigo, o camponês bem intencionado, o pai super protetor, o conselheiro inescrupuloso, o ajudante atrapalhado, o gordinho engraçado, o cavaleiro nobre e corajoso, enfim. Não há tridimensionalidade no caráter ou nas ações dos indivíduos apresentados naquele universo. Bryan Singer parece ter uma percepção autocrítica rara em relação à condição de sua narrativa e, por isso mesmo, o esvaziamento dos seus personagens soa quase sempre como uma brincadeira – se a brincadeira é de bom ou mau gosto, o espectador é quem decide.</p>
<p>Como em &#8220;<i>João e o Pé de Feijão&#8221;</i>, Jack é dissuadido a trocar uma cabeça de gado por feijões mágicos de valor inestimável, contudo, na releitura em questão, os feijões são apenas o ponto de partida para a revelação de uma verdadeira teia de intrigas. Há uma sucessão de reviravoltas, ascensão e queda de vilões e a constante ameaça do fim da era dos homens e começo da era da magia (ou será que é o contrário?).</p>
<p>O uso da computação gráfica em longas como este não é meramente pontual. Ela tem fundamental importância diegética na narrativa e conduz quase todo o filme, tendo em vista que mais de 90% do que se vê em tela é fruto artificial do CGI. São nos efeitos digitais que Bryan Singer se perde. A arte, o maior atrativo, é tão estéril quanto a caracterização dos gigantes. Tudo parece ter sido constituído com ferramentas primárias, o que é paradoxal pra uma produção de US$ 195 milhões. Além de primitiva, a fisionomia dos gigantes parece ser uniforme (além dos dois gigantes de mais destaque na narrativa, os outros são meros clones). São detalhes como esse, ignorando ainda o mau uso do 3D (Singer insiste em usar constantes planos fechados e ignorar a profundidade de campo), que enfraquecem o filme, que tinha tudo para superar qualquer <em>“Alice no País das Maravilhas”</em> da vida.</p>
<p>A história virou lenda e a lenda virou mito, diz o pai de Jack logo no início da narrativa. E não é que Bryan Singer soube aproveitar a alcunha? Não que essa onda de re-re-readaptações de contos infantis sejam brilhantes, mas temos aqui um exemplar promissor; ou mesmo palatável.</p>
<p><strong><em>__<br />
<strong><em>Pedro Azevedo</em></strong></em></strong><em></em><em> </em><em>é estudante de psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pesquisador na área da psicanálise. Formado em Cinema e vídeo pela Casa Amarela Eusélio Oliveira, é apaixonado pelas artes em geral e pelo cinema em particular.</em></p>
</ul>
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		<title>G.I. Joe &#8211; Retaliação (2013): sequência funciona quase como um reboot</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Apr 2013 09:30:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Adrianne Palicki]]></category>
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		<category><![CDATA[G.I. Joe: Retaliação | G.I. Joe 2: Retaliation [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Jon M. Chu]]></category>
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		<category><![CDATA[Joseph Mazzello]]></category>
		<category><![CDATA[Ray Park]]></category>
		<category><![CDATA[Ray Stevenson]]></category>

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		<description><![CDATA[Estreando no cinema de ação, o diretor John M. Cho até surpreende ao brincar com os Comandos em Ação nesta sequência, embora sérios problemas com a narrativa e com o próprio roteiro sabotem o cineasta.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-294336" alt="gi-joe" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/gi-joe.jpg" width="222" height="329" />É uma aposta segura afirmar que ao menos 80% dos meninos nascidos nos últimos 30 anos tiveram quando criança algum veículo ou figura dos <i>“Comandos em Ação” </i>(ou G.I. Joe). Em tempos da Guerra Fria, a ideia dessa franquia de brinquedos/animações/quadrinhos era bastante simples, colocando os coloridos e versáteis “heróis” (os Joes ou Comandos) contra os igualmente diversificados “vilões” (os membros da organização COBRA).</p>
<p>A despeito da longevidade da marca, o primeiro filme só veio em 2009, com <em>“G.I. Joe – A Origem de Cobra&#8221;</em>, longa regular que retratou de forma bem fantasiosa o início da luta entre essas facções, bem como o surgimento dos líderes destas, Duke (Channing Tatum) e o Comandante Cobra (lá vivido por Joseph Gordon-Levitt). Apelando para a nostalgia dos marmanjos e para a sede de explosões dos mais novos, a fita fez sucesso suficiente para garantir uma continuação, embora os donos da bola tenham ficado menos que satisfeitos com o produto em si.</p>
<p>Impossibilitados de fazer um <i>reboot</i> por conta do filme anterior ser tão recente e repleto de ganchos para sequências, os produtores aproveitaram tais deixas neste “G.I. Joe – Retaliação” para modificar quase tudo o que fora estabelecido antes, de modo deveras brusco, colocando no comando o diretor John M. Chu (<i>“Justin Bieber – Never Say Never”</i>), que surpreende nas cenas de ação, mas deixa a peteca cair no que concerne à narrativa.</p>
<p>Sai o foco internacionalizado da película passada e entra o <i>“Real American Hero”</i> que caracteriza a franquia em seu berço de origem, com os Joes sendo retratados como uma unidade do exército estadunidense. Além disso, o roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick (<i>“Zumbilândia”</i>) dá algumas alfinetadas desnecessárias na Coreia do Norte ao mesmo que tenta se mostrar liberal ao criticar a <i>Fox News</i>, em uma tentativa de se mostrar atual e agradar a esquerda e a direita ao mesmo tempo.</p>
<p>Na trama, o vilão Zartan (Arnold Vosloo) assume a aparência e o lugar do presidente norte-americano (Jonathan Pryce) e liberta o Comandante Cobra (Luke Bracey). Os dois, ao lado de Storm Shadow (Byung-hun Lee) e do explosivo Firefly (Ray Stevenson), põem em prática um plano que colocará o mundo sob o jugo da COBRA.</p>
<p>Eles dizimam os Joes em uma ação que devasta seus rankings e a imagem pública da corporação. Os únicos que escapam do ataque são o experiente Roadblock (Dwayne Johnson), a bela Lady Jaye (Adrianne Palicki), o impetuoso Flint (D.J. Cotrona) e os ninjas Snake Eyes (Ray Park) e Jinx (Elodie Yung). Sem apoio, desprovidos de seus equipamentos e transformados em renegados, o grupo busca reforços com o fundador dos Comandos, o aposentado General Joe (Bruce Willis).</p>
<p>Reese e Wernick basicamente pegaram parte do roteiro de <i>“Missão: Impossível – Protocolo Fantasma”</i> e o refizeram com ninjas. E o <em>plot</em> envolvendo esses guerreiros orientais, apesar dos visuais bacanas dos personagens e de gerar a cena de ação mais interessante do longa, nunca parece se encaixar com o resto, correndo em paralelo com o pilar principal do <em>script</em> e quase não o influencia.</p>
<p>Os roteiristas fazem verdadeiros malabarismos para tentar justificar a trama envolvendo Snake Eyes e Storm Shadow, incluindo aí um <em>twist</em> insano e mal ajambrado para embasar uma mudança temporária na dinâmica entre eles. A adição de Jinx e do Blind Master (RZA) incha ainda mais o <i>subplot</i>, com essas figuras surgindo basicamente do nada, não tendo nenhum desenvolvimento e castigando os atores com diálogos ridículos e excessivamente expositivos.</p>
<p>Nisso, o filme engancha mais de uma vez na transição entre os eixos ocidental e oriental apresentados, prejudicando a fluência da montagem, algo primordial em um bom filme de ação. Voltando à trama central, esta é salva por alguns atores que mergulharam fundo no espírito juvenil que uma produção dessas deve representar. Os melhores nesse quesito são certamente Dwayne Johnson e Jonathan Pryce.</p>
<p>Nos mocinhos, Johnson assume o posto de protagonista sem seus monstruosos ombros, injetando um carisma que faltou a Tatum na fita anterior, realmente se divertindo a cada segundo como o herói de ação que é. O ator D.J. Cotrona não faz nada digno de nota com seu Flint, sendo uma presença negativa em cena, enquanto Adrianne Palicki empresta suas curvas a Lady Jaye e faz com que os problemas paternos de sua personagem elevem a presença de Bruce Willis no filme a algo além de uma ponta glorificada, com os dois tendo uma boa química na tela com as piadas machistas do eterno John McClane.</p>
<p>Do lado dos vilões, o veterano Jonathan Pryce, em um papel duplo, prende a atenção do público com seu anárquico Zartan, um homem tão cínico e insano que consegue jogar <i>“Angry Birds”</i> despreocupadamente no celular enquanto ameaça destruir o mundo. O Firefly de Ray Stevenson também prima pela canastrice do ator, em um bem-vindo <i>overacting</i>. Os desempenhos de Pryce e Stevenson apagam por completo o Comandante Cobra, que deveria ser o antagonista principal da franquia. Vai entender!</p>
<p>Mas todos sabem que o verdadeiro astro aqui são as cenas de ação e estas são muito bem conduzidas e deveras bem coreografadas, se mostrando espalhafatosas na medida certa. Um destaque especial vai para a luta nas montanhas que envolve os ninjas, mesmo com a falta de sangue nas espadas incomodando um pouco. Esta sequência sozinha já paga o ingresso 3D, o que prova que o ano em que o filme ficou sendo convertido para o formato valeu a pena.</p>
<p>Note-se que os veículos extravagantes, uma marca registrada da série, são poucos e quase todos do lado dos COBRA, não só por exigência da trama, mas também para fortalecer ainda mais a conexão entre os Joes e os soldados reais dos EUA. Só isso explica a inclusão dos soldados antigos amigos do General Joe, que jamais chegam a fazer qualquer coisa. Semelhanças com a inclusão de veteranos militares em <i>“Battleship – A Batalha dos Mares”</i> e <i>“Transformers – O Lado Oculto da Lua”</i>, ambos também baseados em produtos da <em>Hasbro</em>, não são mera coincidência.</p>
<p>Quem for assistir a “G.I. Joe – Retaliação” apenas por nostalgia e pelas cenas de ação, deve sair razoavelmente satisfeito do cinema, especialmente por conta do bom trabalho de Dwayne Johnson e Jonathan Pryce. No entanto, quem for esperando uma história minimamente bem contada com algo um pouco além de diversão descerebrada, certamente irá se decepcionar.</p>
<p>___<em><strong><br />
Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema</em></p>
</ul>
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		<title>A Hospedeira (2013): outra adaptação pífia de obra de Stephenie Meyer</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Apr 2013 09:21:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Hospedeira | The Host [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Niccol]]></category>
		<category><![CDATA[Boyd Holbrook]]></category>
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		<category><![CDATA[Saoirse Ronan]]></category>
		<category><![CDATA[Stephenie Meyer]]></category>
		<category><![CDATA[William Hurt]]></category>

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		<description><![CDATA[Andrew Niccol escreve e dirige ficção padrão B com aliens, resistência humana e, claro, triângulo amoroso, como não poderia ser diferente em filme baseado em livro da autora da saga "Crepúsculo". ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-294377" alt="A Hospedeira" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/A-Hospedeira.jpg" width="222" height="315" />Stephenie Meyer não deve ser uma boa escritora, para dizer o mínimo. Mesmo para quem  nunca leu uma página de seus livros, é perceptível a falta de rebuscamento, originalidade e, por que não, de noção em suas histórias, tornadas ainda mais públicas por meio da adaptação da “saga” &#8220;<em>Crepúsculo</em>&#8221; para os cinemas. Com “A Hospedeira”, a sensação não é diferente, com exceção da segunda falta de qualidade citada. Com uma trama pretensiosa e com algum potencial, o que vemos, porém, é uma ficção mal concebida que resulta em um filme vergonhoso, de sua concepção artística a suas atuações. Nem mesmo Andrew Niccol, diretor do ótimo “<em>Gattaca – Experiência Genética</em>”, consegue fazer algo de bom pela produção.</p>
<p>Como cenário dessa trama temos a Terra, mas agora um planeta pacífico, dominado pelos alienígenas, que ocupam corpos humanos como verdadeiros parasitas. São poucos os que ainda resistem ao controle extraterrestre. Entre eles está Melanie Stryder (Saoirse Ronan), mas por pouco tempo. Ela, logo, é capturada, passando a ser dominada pelas vontades de Peregrina, a chamada “alma” que foi introduzida em seu corpo. Suas memórias são, então, vasculhadas na busca por pistas da localização de outros resistentes. A consciência ainda presente de Stryder, no entanto, atrapalha os desejos iniciais de Peregrina, os quais logo são modificados na tentativa de  salvar os familiares da garota.</p>
<p>Dando uma boa primeira impressão, especialmente pela ideia original do universo que apresenta, onde os alienígenas não são seres maléficos e o mundo vive em um estado de estabilidade jamais antes visto, “A Hospedeira”, no entanto, não sustenta a realidade que defende nem por uma dezena de minutos. Com cenários futuristas que apostam na brega onipresença do branco, das paredes às roupas dos personagens, diálogos extremamente simplistas e um embate psicológico medonho (sim, temos de acompanhar Peregrina falar com sua própria consciência durante as duas horas de duração), o filme logo mostra-se uma produção de qualidade B. E o pior: sem o sarcasmo que caracteriza obras dessa categoria.</p>
<p>Escrito e dirigido por Andrew Niccol, que conta com o aval da também produtora Stephenie Meyer, o longa sustenta-se graças a sua falta de previsibilidade e ao bom desempenho de Saoirse Ronan, em mais uma escolha duvidosa para seu breve currículo. É ela quem dá alguma credibilidade a um personagem tão mal construído, que nem os convencionais <em>flashbacks</em> ajudam a descrever melhor. E para os que sobrevivem à primeira meia hora e compram essa ideia (o que exige bastante esforço) recheada de carros metalizados e bate-papos consigo mesmo, é minimamente interessante ver o confronto ético que Peregrina passa a enfrentar: entre a missão que precisa cumprir e o respeito que possui pelas vontades da dona do corpo que ocupa.</p>
<p>Sem jamais problematizar a questão, o roteiro ainda tem seus melhores momentos quando a personagem principal é capturada pelos resistentes humanos, dando início a um processo de ganho de confiança, que é gradual e conta com a participação de William Hurt, na melhor performance do filme. A história, porém, se perde completamente à medida que um triângulo amoroso vai ganhando mais atenção do que merece, trazendo associações imediatas e infelizes com a franquia protagonizada por Bella e Edward. Demasiadamente preocupado com seu público alvo, o filme esquece seu próposito principal em prol de beijos adolescentes e paixonites sem hora.</p>
<p>Com isso, a relação da garota com o irmão mais novo, que deveria estar no centro da história, fica de lado, o que uma bela cena em que ambos apreciam a beleza dos vaga-lumes demonstra ser um erro. A falta de motivos para as atitudes vilanescas da Buscadora interpretada por Diane Kruger, à caça dos humanos e de sua isca alienígena, resultando em sequências sem qualquer ritmo, também descredenciam a história. O mesmo pode-se dizer da falta de cuidados em retratar a nova realidade existente, resumida a ruas limpas, prédios espelhados e supermercados públicos, em que os humanos realizam saques e fingem-se de aliens com simples óculos escuros, usados até durante a noite.</p>
<p>Entregue a um texto original problemático, Andrew Niccol também não faz muito a favor de “A Hospedeira”. Parece refém de uma história sem clímax (não há qualquer momento de real empolgação ou emoção na trama), que parece pisar em terrenos jamais explorados, especialmente quando o solo desse gênero cinematográfico é cheio de imperfeições. Dá até a impressão de ter boas intenções, mas a vontade de Stephenie Meyer em satisfazer os românticos e iludidos <em>teens</em> dos dias de hoje está acima de tudo. Soando, por diversas vezes, como um trabalho realizado por amadores, o filme confirma que o problema da franquia “<em>Crepúsculo</em>” era bem maior do que a falta de expressividade de Kristen Stewart e Robert Pattinson.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>Os Croods (2013): a adultização da animação contemporânea</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2013 23:56:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Os Croods | The Croods [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Nova animação da Dreamworks usa a linguagem infantil para narrar – à sua maneira – o nascimento do homem moderno.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-293712" alt="Croods" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/Croods.jpg" width="222" height="326" />O tema da dinâmica familiar é recorrente nas animações modernas. Em um movimento de auto percepção de seu público alvo, os grandes estúdios formulam histórias cada vez mais palatáveis às crianças e aos seus pais. A filmografia recente da<em> Laika, Pixar</em> e <em>Dreamworks</em>, no entanto, tem traçado o movimento inverso: boas histórias com temáticas genuinamente adultas travestidas de linguagem infantil. É esse o caso de “Os Croods”, que mistura a maestria técnica com um argumento cheio de boas intenções, mas que peca pelos tropeços de estruturação do roteiro e desenvolvimento dos personagens.</p>
<p>Apresentados como a última família Neandertal de que se tem notícia, os Croods são compostos por pai, mãe, primogênita, irmão, irmã caçula e sogra. No começo dos tempos, o ato de contar histórias representava detenção de poder e conhecimento; o homem precisa <em>inventar </em>e <em>nomear </em>para explicar os fenômenos do universo que o rodeia. Não é à toa, então, que no roteiro de Chris Sanders (<em>“Como Treinar o seu Dragão”</em>) e Kirk De Micco (<em>“Space Chimps – Micos do Espaço&#8221;</em>), Grug Croods (o patriarca) represente o que há de mais anacrônico e ignorante na natureza humana em nível de racionalidade, e que, mesmo assim, seja o detentor do conhecimento e do poder. A proposta da dupla é justamente narrar ruína do homem primitivo e o nascimento do homem moderno.</p>
<p>Se até uma sociedade perfeita como a de Aldous Huxley em <em>&#8220;Admirável Mundo Novo&#8221;</em> é passível de questionamento, o contrário não seria possível em uma história como “Os Croods”. Eep é a primogênita; adolescente em conflito com a lei paterna (a lei da sobrevivência e do medo), ela quer conhecer o mundo e aproveitar a juventude. Em uma de suas escapadas noturnas (lembrem-se: a noite traz a morte!), ela conhece Guy, um jovem de postura ereta que já domina a arte da camuflagem e do fogo. Instantaneamente, a jovem cai de amores por Guy e pelo que ele representa: um novo estilo de vida.</p>
<p>A cisão da pangeia (deriva continental) é o ponto de partida para a mudança de paradigmas. Guy é o portador da anunciação. Viver em cavernas não é mais a solução para se manter vivo. O que se segue então é um filme de travessia no melhor estilo <em>“O Hobbit”</em> ou<em> “As Aventuras de Tintim”</em>, a ação é desenfreada, cada obstáculo se sobrepõe ao outro, dando pouco espaço para o desenvolvimento individual dos personagens e muito espaço pra comicidade.</p>
<p>Outrossim, é interessante a maneira com que o roteiro de “Os Croods” se estrutura em seu arco narrativo. Ora, o filme começa bem, se desenvolve mal e termina maravilhosamente bem. O interesse dos autores no discurso antropológico e cultural que o filme evoca parece se diluir, mas não deixa, em momento nenhum, de ser fascinante. Guy é o predecessor do homem moderno; ele caminha sob uma postura ereta, domina as tecnologias que o meio lhe oferece por meio da criatividade, e, sobretudo, é guiado pela racionalidade. Como a experiência social deixa óbvio, não é só de lógica e racionalidade que é composto o indivíduo da modernidade, e por isso mesmo é extasiante perceber que não é Guy o homem moderno, e sim Grug, o anacrônico pai de família. A jornada do personagem que tem a intuição e a emoção como força motriz se completa quando lhe é acoplado um cérebro, o instrumento da criatividade, da inventividade. Ter um cérebro não significa perder o coração, pelo contrário: o homem moderno é marcado pela contradição e pela ambiguidade dos seus atos.</p>
<p>A título de técnica, não há como reclamar de “Os Croods”. O uso eficiente do 3D (que dá ideia de imersão no mundo fantástico que é apresentado) e a excelência da computação gráfica dão o tom lúdico de fantasia que a linguagem infantil exige. A direção de arte dos profissionais da Dreamworks na construção dos cenários é um espetáculo a parte; a complexidade e riqueza de texturas de cada terreno apresentado em cena já pagam o ingresso. “Os Croods” é o filhote de uma tendência gritante das animações contemporâneas: adultizar as temáticas e realizar um filme que mesmo voltado ao público infantil, abarque outros tipos de plateia. E quem disse que não tem sobre o que escrever sobre filmes infantis?</p>
<p><strong><em>__<br />
<strong><em>Pedro Azevedo</em></strong></em></strong><em></em><em> </em><em>é estudante de psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pesquisador na área da psicanálise. Formado em Cinema e vídeo pela Casa Amarela Eusélio Oliveira, é apaixonado pelas artes em geral e pelo cinema em particular.</em></p>
</ul>
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		<title>Parker (2013): ação descartável à moda antiga por Taylor Hackford</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2013 23:46:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Jason Statham]]></category>
		<category><![CDATA[Jennifer López]]></category>
		<category><![CDATA[John J. McLaughlin]]></category>
		<category><![CDATA[Nick Nolte]]></category>
		<category><![CDATA[Parker [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Taylor Hackford]]></category>

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		<description><![CDATA[Jason Statham é ofuscado por Jennifer Lopez em novo travalho de diretor de “Ray” e “O Advogado do Diabo”, que agora aposta em tiros, facadas e muito sangue.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-293663" alt="Parker" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/Parker.jpg" width="222" height="329" />Alguns podem chamar Taylor Hackford de versátil. No entanto, seria mais apropriado adjetivar sua filmografia como “sem identidade”. Não há temáticas, gêneros cinematográficos e muito menos estilo de direção que caracterizem suas produções. Vão de cinebiografias a suspenses ousados, passando  por dramas familiares; e depois de um último trabalho que quase não chega aos cinemas americanos, ele agora recorre a um padrão mais popular, contando com a participação de um dos astros de ação do momento, Jason Statham. “Parker”, porém, não faz juz ao protagonista que possui, sendo necessário uma figura feminina para dar algum carisma e diferencial a essa história.</p>
<p>Statham, dessa vez, interpreta o personagem título, um ladrão profissional especializado em roubos de grandes escalas. E organizar um assalto a um parque de diversões é sua primeira tarefa nessa trama. A ação tem seus imprevistos, mas alcança o resultado desejado como Parker tem se especializado. O que ele não esperava era ser traído pelo grupo de criminosos com que agiu, receosos de sua negativa em não participar de um novo roubo milionário. Disposto a fazer vingança e ainda surrupiar o plano alheio, ele parte para Palm Beach, Flórida, onde precisa da ajuda da corretora de imóveis Leslie (Jennifer Lopez) para sair de lá coberto por jóias.</p>
<p>Iniciado já na locação do assalto que acontecerá em poucos minutos, “Parker” jamais nega sua natureza comercial. Está ali para entreter o público com tiros, brigas, perseguições e tudo mais que um filme de ação pode proporcionar. A sequência, porém, já permite perceber também que o que veremos será bastante descartável, seja pela escolha de um parque de diversões como cena do crime, seja por fazer seu personagem principal vestir-se de padre e os coadjuvantes criminosos de palhaço, seja pela maneira estúpida com que trata as vítimas do assalto. E é preciso dizer que, infelizmente, as expectativas são cumpridas, mas sem qualquer louvor.</p>
<p>Adaptado do livro “<em>Flashfire</em>”, 19º da série de Donald Westlake sobre seu ladrão Parker, o filme passa, então, a exibir seguidas situações desenfreadas, sem qualquer pontuação, que não deixam o espectador respirar, muito menos identificar-se com qualquer personagem. Em sua ânsia por entretenimento a qualquer custo, o roteiro de John J. McLaughlin (tão “versátil” quanto seu diretor ao escrever  “<em>Cisne Negro</em>” e “<em>Hitchcock</em>”) esquece de desenvolver uma rivalidade convincente que sustente a trama, fazendo de seu protagonista uma máquina até certo ponto vulnerável de matar e roubar sem qualquer carisma, incapaz de dizer qualquer ironia ou piada que faça o público torcer a seu favor.</p>
<p>A intenção é de fazer um longa de ação à moda antiga, seja pela maneira com que agem seus personagens, que empunham armas pequenas e facas, seja pelos objetos do roubo, dinheiro e joias, jamais sendo necessário uma super ideia para tê-los em mãos. O charme, no entanto, nunca se instala, e o que vemos, até o seu segundo ato, é uma história atropelada coberta por lugares comuns e cheia de erros de <em>script</em>, que introduz e se despede de coadjuvantes sem qualquer cerimônia (que o diga Nick Nolte!). Mas uma dessas, pelo menos, permite que o longa dê um pequeno salto de qualidade: a Leslie de Jennifer Lopez.</p>
<p>Participando da trama apenas em seus 40 minutos finais, Lopez muda o filme, fazendo-o desacerelar seu ritmo e dedicar-se um pouco mais aos personagens. Na verdade, o roteiro dedica-se apenas a ela, uma mulher de poucos escrúpulos, mas dona de um carisma transbordante e uma sensualidade pouco explorada (com exceção de uma dispensável cena que a exibe só de lingerie). Enquanto isso, Parker permanece apático, assim como seus antagonistas, melhor representado por Michael Chikilis. É o suficiente para que o espectador tenha alguém por quem se importar. De alívio cômico, a atriz-cantora quase vira a protagonista, ofuscando completamente Statham, cuja única surpresa que apresenta neste trabalho é ganhar mais cicatrizes do que o usual.</p>
<p>Por sinal, Hackford entrega uma produção bastante sanguinolenta, sem medo de exibir um esfaqueamento a olho nu e brigas que se alongam além do suportável pelos mais suscetíveis à violência. Ele, no entanto, nunca deixa de ser previsível. Seus recursos técnicos de ação não poderiam ser mais secundários. E não há qualquer charme ou ironia em sua “moda antiga”. Entregando uma produção inferior aquelas já estreladas por Statham, “Parker” não deve satisfazer nem seu público alvo. Taylor Hackford precisa de ser mais seletivo e se esforçar com mais afinco para não ficar conhecido apenas como “o marido de Helen Mirren”.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>Vai Que Dá Certo (2013): comédia de assalto fica pelo meio do caminho</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2013 23:38:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Mazzeo]]></category>
		<category><![CDATA[Danton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Fábio Porchat]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Abib]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório Duvivier]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcio Mauro Filho]]></category>
		<category><![CDATA[Maurício Farias]]></category>
		<category><![CDATA[Natalia Lage]]></category>
		<category><![CDATA[Vai Que Dá Certo [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Misturando comédia e filme de assalto com referências do mundo nerd, o filme acaba não funcionando em nenhum de seus intentos ao exagerar demais na caricatura, apesar de ter alguns momentos isolados de brilho graças ao seu elenco cômico.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-293656" alt="cartaz vai que da certo redimensionadoJPG" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/cartaz-vai-que-da-certo-redimensionadoJPG.jpg" width="222" height="326" />Fábio Porchat e Gregório Duvivier são duas das forças por trás do projeto <i>“Porta dos Fundos”</i>, um dos poucos redutos onde o humor politicamente incorreto não se confunde com piadas cruéis e/ou grosseiras. Antes de se envolverem com aquela empreitada, os dois participaram deste “Vai Que Dá Certo”, fita roteirizada por Porchat ao lado do diretor da produção, Maurício Farias (<i>“O Coronel e o Lobisomem”</i>).</p>
<p>É uma pena que os vídeos de três minutos do <i>“Porta dos Fundos”</i> causem mais risadas que os 90 deste longa. Farias e Porchat chegam com sede demais ao pote, tentando criar uma sátira ao modo de vida paulistano com um “filme de roubo” temperado com referências à cultura pop e nerd. Ao tentarem fazer tudo isso ao mesmo tempo, eles acabam não sendo bem sucedidos em nenhum dos seus objetivos.</p>
<p>Na trama, Rodrigo (Danton Mello), um músico financeiramente quebrado, recebe de seu primo (Lúcio Mauro Filho) a proposta de ajudá-lo a roubar malotes de dinheiro da transportadora onde trabalha. Para o “serviço”, Rodrigo chama alguns amigos que se deram tão mal na vida quanto ele (Duvivier, Porchat e Felipe Abib) e que são tão inexperientes na arte de ladroagem quanto ele e o primo.</p>
<p>No meio da confusão, o grupo acaba trombando com um veterano do exército viciado em TV, policiais corruptos, políticos safados e traficantes bizarros, aquelas figuras pitorescas obrigatórias em produções do gênero. O grande entrave do longa é justamente a inabilidade deste em conseguir fazer rir ao mesmo tempo em que desenvolve os personagens.</p>
<p>No primeiro ato da produção, a fita diminui seu ritmo ao mínimo para expor as personalidades de Rodrigo e dos demais protagonistas. Nisso, o <i>timing</i> das piadas se perde, prejudicando a comédia, especialmente quando as <em>gags</em> surgem forçadas dentro do roteiro.</p>
<p>A situação melhora um pouco no segundo ato, mas aí surge outro problema, quando as piadas começam a aparecer como pequenas esquetes que funcionam quase que de forma independente da trama, como na cena onde Porchat resolve dançar <i>pole dancing</i> no meio da rua. São momentos que até fazem rir, mas que não se encaixam bem na história que está sendo contada.</p>
<p>Em compensação, o humor funciona quando inserido dentro do cotidiano, como no roubo do carro de Rodrigo ou nas abordagens policiais que o grupo sofre. Essas cenas, as melhores da produção, expõem as inseguranças dos personagens e conseguem conectar o público com as trapalhadas expostas na tela, possibilitando até mesmo exageros bem dosados sem alienar a audiência.</p>
<p>Há ainda um quê meio “mamãe quero ser nerd”, com efeitos sonoros e motivos visuais que tentam remeter ao Atari do começo dos anos 1980, como se quisesse mostrar que aqueles homens na casa dos trinta não cresceram. Mas isso é feito de modo desorganizado, com as referências jamais se encaixando bem no restante da produção.</p>
<p>Mesmo com a falta de encaixe dos elementos da história, o elenco até que se esforça para criar figuras simpáticas, mas o roteiro pesa a mão nos estereótipos, especialmente com os personagens de Gregório Duvivier e Felipe Abib, cujos diálogos tentam ser nerds, mas que jamais soam naturais ou mesmo engraçados (vide a conversa sobre Batman e James Bond, que não faz nenhum sentido dentro da história).</p>
<p>Fábio Porchat também acaba forçando demais nos seus trejeitos, sempre chamando muita atenção para si. Os melhores em cena são Danton Mello, Bruno Mazzeo e Natália Lage, sendo uma pena que os personagens desses dois últimos acabem tão pouco explorados. Não por acaso, os três vivem as figuras mais normais que surgem em cena (ou pelo menos os menos caricaturais).</p>
<p>Terminando ainda com um gancho para uma eventual continuação, o longa acaba por não funcionar como comedia ou <i>heist movie</i>, desperdiçando um elenco cômico com uma ótima química em um texto com muita ambição e somente alguma inspiração.</p>
<p>___<em><strong><br />
Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Depois de Lúcia (2012): o sofrimento por trás do bullying</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2013 23:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Cruz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Depois de Lúcia [2012]]]></category>

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		<description><![CDATA[Cineasta Michel Franco se inspira em experiências pessoais para construir um drama premiado em Cannes.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-292614" alt="Depois de Lúcia" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/Depois-de-Lúcia1.jpg" width="222" height="333" />Depois de ter passado por diversos festivais, chega ao Brasil o filme que tem como tema uma dos assuntos mais polêmicos abordados pelos jovens hoje, o <em>bullying</em>. Dirigido por Michel Franco e vencedor da mostra <em>Un certain regard </em>no Festival de Cannes 2012, o mexicano <em>“</em>Depois de Lúcia<i>”</i>, conta a história de Alejandra (Tessa Ia) que, com a morte de sua mãe, Lúcia (que não aprece, mas que dá nome ao filme) vai morar com o pai, Roberto (Gonzalo Veiga Jr.) em uma nova cidade para recomeçar a vida após a tragédia que se abateu na família.</p>
<p>A moça de 15 anos começa a frequentar a nova escola e logo faz amizades. Porém, durante uma festa, ela se envolve sexualmente com um colega de classe gerando um grande alvoroço entre os amigos, se tornando assim alvo de piadas pela escola. Envergonhada, a menina não conta nada para o pai, que passa por uma profunda depressão, e, à medida que a violência toma conta da vida dos dois, eles se afastam cada vez mais, com a menina sofrendo torturas físicas e psicológicas.</p>
<p>Atualmente, o <em>bullying</em> é foco de debates na mídia e escolas no mundo, mas durante o longa é possível perceber que tal agressão vai além das brincadeiras exageradas entre alguns jovens. O machismo e a falta de abertura para um diálogo mostra uma triste realidade que, não só os jovens do México, mas todos que passam por situações semelhantes sofrem em silêncio. Muitas vezes, autoridades e familiares não reparam na mudança e nas consequências geradas por esses abuso, como depressão, síndrome do pânico, baixa auto estima e os nítidos problemas de alimentação e estresse.</p>
<p>O diretor Michel Franco não poupa nas cenas em que Alejandra sofre com a rejeição dos amigos. A ausência da trilha sonora e as cenas realistas podem gerar comparação com um documentário, levando o espectador a se comover com a situação que se encontra a garota. A crueldade dos colegas é brutal, visto que, por um motivo torpe, Alejandra passa por torturas e humilhações daqueles que se diziam seus amigos e, como aparentes “donos da verdade”, a tratam com indiferença e a julgam como uma “prostituta barata”.</p>
<p>O impressionante é que em pouco tempo toda a escola está contra Alejandra, tornando a sua permanência no local uma tortura constante por todos os lados. Ninguém ao redor da moça percebe o que se passa com ela. O pai, devido à tristeza com a morte da esposa, não nota o sofrimento da filha. Professores , funcionários e autoridades não se preocupam e preferem acobertar o <em>bullying</em> sofrido pela aluna e levar a situação como uma simples implicância passageira.</p>
<p>Durante toda a história, o longa é conduzido para se levar uma reflexão sobre a postura da sociedade e alertá-la sobre os problemas enfrentados pelos jovens, além de ter um desfecho inesperado que surpreende o espectador.  Acompanhar o ponto de vista de uma pessoa que sofre <em>bullying</em> nos faz perceber como pode afetar a vida de alguém de forma concreta e permanente, sendo necessária uma atenção especial da sociedade sobre o assunto.</p>
<p>__<br />
<em><strong>Adriana Cruz</strong> é formada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), aspirante a cineasta e estudante de roteiro cinematográfico. Correspondente do CCR em São Paulo.</em></p>
</ul>
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		<title>A Busca (2011): do bom drama familiar ao road movie errático</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Mar 2013 22:05:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Busca [2013]]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>

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		<description><![CDATA[Wagner Moura destaca-se em longa de estreia do diretor Luciano Moura, que realiza um trabalho intenso, mas cheio de falhas de roteiro em seus dois últimos atos.  ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-292770" alt="A Busca" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/A-Busca.jpg" width="222" height="311" />É pouca a variedade de atores nos grandes filmes nacionais, pelo menos nos de orçamento privilegiado. E boa parte dos melhores papéis masculinos estão ganhando a interpretação de Wagner Moura. Reconhecido nacionalmente, ele também adiciona talento em sua composição exímia dos personagens, indo de um policial do BOPE em “<em>Tropa de Elite</em>” a um estelionatário em “<em>Vips</em>”, passando por um cientista solitário em “<em>Homem do Futuro</em>”. Neste “A Busca”, ele é mais uma vez o principal destaque ao protagonizar uma história intensa, que funciona como drama familiar, mas que vacila como <em>road movie</em>.</p>
<p>Moura, desta vez, é o intérprete de Théo, um homem que ama sua família, mas parece deixar seu autoritarismo se sobrepor ao seu carinho. Tanto que está em pleno processo de separação com a esposa, Branca (Mariana Lima). A relação com seu filho Pedro (Brás Antunes) também não anda das melhores. Um bate-boca entre os três é o estopim para o menino, às vésperas de completar quinze anos, mentir que está indo viajar por uns dias e fugir de casa, desaparecer por completo. Tem início, então, a busca dos pais pelo garoto, especialmente de Théo, que percorre estradas e mais estradas por qualquer pista do menino. E no caminho, ele depara-se com as mais variadas situações e pessoas, surpreendendo e sendo surpreendido.</p>
<p>E são essas supresas as grandes falhas do roteiro que Luciano Mora divide com Elena Soarez. A cada dezena de minutos, o personagem principal parece obrigado a esbarrar com alguém e repartir experiências, algumas chegando ao ponto do bizarro, dando origem a um <em>road movie</em> decepcionante. Os primeiros personagens coadjuvantes que surgem até que não interferem na harmonia da história, servindo apenas para dar pistas do paradeiro de Pedro, entrando e saindo de cena com elogiável discrição. Mas à medida que eles buscam significar mais do que devem e podem, o filme se perde. Parece querer passar mensagens que nunca são claras, soando muito mais como infortúnios que parecem boicotar gratuitamente a procura de Théo.</p>
<p>Logo, se não nos inquietamos por completo com a tentativa dele em atravessar um mangue com seu carro, sendo necessário uma longa negociação e um bate-papo infrutífero com o dono da barca, torna-se incômodo saber que ele dedicará o mesmo tempo de tela para boa parte dos outros desconhecidos com quem se chocará. No entanto, o que mais irrita é a inverossimilhança das situações e pessoas que surgem, destoando do tom sóbrio que a história havia adotado em seu primeiro ato. Logo não se surpreenda se perseguições, roubos de celulares e partos estiverem dentre as infelizes experiências pelas quais Théo terá de passar.</p>
<p>O que compensa toda essa série de encontros e desencontros inconvincentes é o fato de termos um drama familiar e um desenvolvimento de personagem envolventes durante toda a trama. Se a turbulenta relação entre pai, mãe e filho ganha destaque durante os primeiros minutos de projeção (exibida sem as afetações que acometem a história posteriormente), é o chefe dessa família quem se torna o centro do <em>script</em> a partir do ato seguinte.  Definindo-o sem qualquer estereótipo, e ao mesmo tempo universalizando-o ao descrevê-lo como um homem inseguro e autoritário como qualquer outro, o roteiro o leva da extrema instabilidade à redenção em um processo de amadurecimento gradual e sem precipitações, abordando com méritos o tema da paternidade.</p>
<p>Sua “caçada” sempre soa lógica, e não como um ato de desespero momentâneo. É apenas um pai querendo ter de volta seu bem mais precioso. E nesse ínterim, ele acaba conhecendo a si mesmo, por mais que alguns percalços pareçam querer desviar sua atenção e a do espectador. A câmera sempre próxima ao rosto do personagem ajuda no processo de interiorização de Théo, assim como as cenas solitárias do personagem, especialmente a que mergulha em um riacho para aliviar sua tensão. Em sua estreia na direção de longas, Luciano Moura, enfim, valoriza seus atores, em uma <em>mise-en-scène</em> cheia de improvisação, mantém o ritmo sempre em alta e ainda encontra espaço para fazer poesia.</p>
<p>O trabalho de Moura, logo, não seria o mesmo se não fosse a dedicação de seu elenco. Se Mariana Lima, Brás Antunes e Lima Duarte, em participação especial, contribuem para o convencimento de uma história cheia de inverossimilhanças, Wagner Moura é a maior razão para se assistir a “A Busca”. Em uma interpretação crua, de emoção pulsante, o ator salva, por diversas vezes, o filme dos erros de seu roteiro, retirando-o da artificilidade e devolvendo-o a naturalidade que é o seu verdadeiro tom. Fazendo de Théo um homem cheio de ressentimentos e traumas que é obrigado a encará-los de frente, ele demonstra porque é um dos atores mais requisitados do cinema nacional. Que sua carreira internacional, que está se iniciando, valorize-o tanto quanto merece!</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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		<title>A Fuga (2012): um suspense dramático com resultados cômicos</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Mar 2013 21:47:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Fuga | Deadfall [2012]]]></category>

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		<description><![CDATA[Diálogos horrendos, situações forçadas e humor acidental dão o tom neste verdadeiro erro na filmografia do oscarizado cineasta austríaco Stefan Ruzowitzky.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-292697" alt="a_fuga_poster" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/a_fuga_poster.jpg" width="222" height="331" />Assistir a um filme ruim no cinema pode até ser uma experiência divertida, mas ver um que, além de ruim, desperdiça bons atores e um diretor competente é deveras frustrante. Esse é o caso de “A Fuga”, cujo roteiro tenta ser dramático e tenso, sem jamais chegar perto de concretizar tais ambições.</p>
<p>Escrito (ou cometido) pelo estreante Zach Dean, o <i>script</i> conta a história de Liza (Olivia Wilde) e Addison (Eric Bana), irmãos que assaltaram um cassino e estão em fuga para a fronteira canadense. Após um acidente de consequências sangrentas, os dois se separam em meio a uma nevasca, planejando se reencontrarem na fronteira.</p>
<p>No caminho, Liza acaba pegando carona com Jay (Charlie Hunnam), um ex-boxeador de talento, recém-saído da cadeia e que acabou de piorar sua situação ao se meter em uma briga. Jay está indo para a casa dos pais, Chet e June (os veteranos Kris Kristofferson e Sissy Spacek), tentar encontrar uma saída. Enquanto isso, a policial Hanna (Kate Mara) busca ter seu valor reconhecido pelo pai (Treat Williams), o obtuso xerife local.</p>
<p>Os problemas do texto são muitos. Além de Dean não saber lidar com múltiplos núcleos narrativos, ele ainda o enche de diálogos risíveis (“<i>Minha falecida esposa me contou em um sonho que você viria!</i>”), personalidades flutuantes (especialmente no caso dos irmãos), excesso de clichês mal costurados e, para completar, uma força policial que parece ter como requisito de admissão ter um Q.I. abaixo de 40!</p>
<p>Todas as vezes que surgem os policiais em cena, mais parece que alguém trocou de filme e colocou uma comédia pastelão, quebrando completamente o clima que o longa tenta passar. Um desses gênios fardados chega até mesmo a jogar fora um rádio antes de uma abordagem. Torna-se complicado seguir com o drama dos personagens quando este é entrecortado por esquetes de <i>“Reno 411”</i>.</p>
<p>O triste é ver que boa parte do elenco está realmente tentando. Por mais que Olivia Wilde e Eric Bana se esforcem em dar credibilidade às motivações de seus personagens, estas vão pelo ralo durante o terceiro ato da projeção, onde todos os personagens principais se reúnem no que deveria ser um encontro catártico para todos, com resultados pífios.</p>
<p>As cenas com Kris Kristokferson e Sissy Spacek são salvas pela presença de cena dos dois, completamente desperdiçados nesse tosco esforço cinematográfico. Kristofferson, aliás, possui um daqueles rostos marcados pela idade que parece talhado para o drama, justamente por trazer em seu semblante a experiência e a bagagem que papéis fortes exigem, sendo uma pena vê-lo tão mal utilizado assim.</p>
<p>Já Treat Williams e Charlie Hunnam surgem aqui extremamente canastrões e exagerados. Enquanto isso fortalece o humor (acidental) do personagem de Williams, Hunnam acaba gastando parte do crédito que possui na praça por seu trabalho na ótima série <i>“Sons of Anarchy”</i> vivendo sem brilho ou carisma o seu Jay. Considerando as cenas mais ardentes que ele divide com Olivia Wilde, dá até para entender o que o atraiu no projeto, e não foi a qualidade do texto.</p>
<p>O grande mistério, no entanto, é tentar descobrir como o diretor austríaco Stefan Ruzowitzky se envolveu neste barco furado. Responsável pelo maravilhoso <i>“Os Falsários”</i>, Ruzowitzky tenta desesperadamente trazer alguma respeitabilidade à produção, presenteando o público com planos muito bem elaborados, como o que mostra o acidente no início da fita e aquele que retrata Addison no meio da imensidão gelada. Mas logo fica claro que seus esforços para embelezar essa sessão “Super Cine” megalomaníaca foram em vão.</p>
<p>Com um elenco irregular e um roteiro fraco, “A Fuga” ainda manda o espectador para casa sem saber como sua história termina, tendo em vista que os créditos começam a rolar sem dar nenhum desfecho aos dramas dos seus personagens. Se bem que é possível que, àquela altura do campeonato, o espectador já tenha perdido o interesse mesmo.</p>
<p>___<em><strong><br />
Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Linha de Ação (2013): neonoir escreve errado por linhas retas</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Mar 2013 21:26:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Linha de Ação | Broken City [2013]]]></category>

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		<description><![CDATA[Allen Hughes e Brian Tucker emulam o noir em um filme de dualidades.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-292849" alt="Linha de Ação" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/Linha-de-Ação.jpg" width="222" height="327" />Em “Linha de Ação” (&#8220;<i>Broken City&#8221;</i>) temos – como propõe o título original – uma Nova York  falida. A herança recente do crack da bolsa em 2008 sugere um universo repleto de personagens dúbios onde a aparência é o que vale; contudo, na tentativa de emular os chavões do <i>film noir</i>, o roteiro de Brian Tucker cai no fatalismo maniqueísta e esquece-se de camuflar a linha tênue que separa o bem e o mal.</p>
<p>Estrelado por Mark Wahlberg e Russell Crowe, o longa dirigido por Allen Hughes tem como personagem central o detetive particular Billy Taggart, ex-policial forçado a largar o distintivo após se envolver no controverso homicídio de um jovem rapaz imigrante. Depois de sete anos de trabalho com espionagem de adultério, Taggart se envolve em mais um caso trivial, mas de extremo apelo financeiro (cuja recompensa é sedutores US$ 50 mil): investigar e provar o pretenso <i>affair </i>que a esposa (Catherine Zeta-Jones) do prefeito (Crowe) estaria tendo.</p>
<p>Antes de tudo, um trabalho é só um trabalho. A lógica do detetive <i>noir </i>é pré-determinada por contingentes externos, como o dinheiro, por exemplo, para descambar no teste moral: estás disposto a abandonar o egoísmo mundano e fazer o que é certo? A redenção (ou a inevitável falência) é, portanto, o destino comum dos anti-heróis apresentados nesse tipo de filme. É inevitável que, ao exemplo dos clássicos <i>noir </i>e suspenses políticos, “Linha de Ação” se proponha a investigar uma grande teia de intrigas e conspirações ocultadas por uma premissa minimalista – no caso, sob simples véu de um caso de adultério.</p>
<p>O que Brian Tucker talvez não entenda é que a redenção do herói é só a cereja do bolo do gênero, e não a bússola narrativa. O que se propunha a ser um universo cheio de falsas intenções e personagens complexos vira uma caricatura não planejada e um discurso político tendencioso (e dualista). Em um cenário político norte-americano atual marcado pelo ferrenho combate democrata x republicano, Hollywood já fez sua escolha. Um prefeito caracterizado pela complexidade de seus interesses políticos vira instrumento de vilania republicana, enquanto um candidato democrata representa tudo o que há de mais puro e bem intencionado na política americana. Toda a dualidade e o maniqueísmo funcionam como estrada para a redenção moral de Billy Taggart.</p>
<p>Não deixa de ser interessante (ou patética) a tentativa de Hughes em emular a estética e o conteúdo <i>noir, </i>com direito a Catherine Zeta-Jones de <i>femme fatale.</i> Os frequentes closes angulares nos rostos dos atores, imersos em sombras ou não, são um tiro no pé: servem para reforçar a artificialidade das <em>performances</em> e deixar estampada a fraqueza cristalizada de seus arcos narrativos.</p>
<p>Billy Taggart é um anti-herói formulaico e para qualquer espectador que já tenha assistido a um par de exemplares do gênero, fica fácil deduzir as viradas narrativas e o destino do personagem. Em “Linha de Ação”, os fios soltos estão muito bem amarrados, e por isso mesmo Allen Hughes escreve errado por linhas retas.</p>
<p><strong><em>__<br />
<strong><em>Pedro Azevedo</em></strong></em></strong><em></em><em> </em><em>é estudante de psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pesquisador na área da psicanálise. Formado em Cinema e vídeo pela Casa Amarela Eusélio Oliveira, é apaixonado pelas artes em geral e pelo cinema em particular.</em></p>
</ul>
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		<item>
		<title>Anna Karenina (2012): cinema e teatro em um só espetáculo</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/292641/anna-karenina-2012-cinema-e-teatro-em-um-so-espetaculo/</link>
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		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 21:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Karenina [2012]]]></category>

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		<description><![CDATA[Nova adaptação do romance russo enriquece o conteúdo por meio da forma.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-292642 alignleft" alt="Anna-Karenina-Brasil-400x592" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/Anna-Karenina-Brasil-400x592.jpg" width="222" height="329" />“Anna Karenina” é o título de uma das obras-primas do escritor russo Liev Tolstói, o mesmo autor do clássico <em>“Guerra e Paz”</em>. Publicado entre 1875 e 1877, o romance conta a história da personagem título, interpretada no filme por Keira Knightley, uma aristocrata que viaja com o esposo, o Conde Alexei Karenin (Jude Law), de São Petersburgo a Moscou a fim de salvar o casamento de seu irmão, o Príncipe Oblonsky, vivido por Matthew Macfadyen. Durante sua estada na cidade, Karenina conhece o Conde Vronsky (Aaron Taylor-Johnson), um jovem conquistador que se apaixona pela aristocrata instantaneamente, dando início a um triângulo amoroso intenso e sofrido.</p>
<p>Paralelamente, há o arco do personagem Levin, um agricultor apaixonado pela jovem Kitty (Alicia Vikander), irmã da cunhada de Anna Karenina, Dolly (Kelly Macdonald). Após ela ter recusado seu pedido de casamento, o jovem retorna à sua terra em uma jornada de redescoberta pessoal e social – <i>“Kitty é do céu, e eu sou da terra”</i>, lamenta. Esta subtrama é mais interessante do que a principal e rende alguns dos melhores momentos do filme, mas ainda fica em segundo plano por motivos narrativos óbvios.</p>
<p>O romance de Tolstói já foi adaptado inúmeras vezes para o cinema e para a televisão. O diretor Joe Wright – famoso por adaptar outro romance de época, <em>“Orgulho e Preconceito”</em> –, ciente de que não valia a pena somente recontar a mesma história, utilizou-se brilhantemente de uma abordagem experimental para dar corpo à obra, sendo este seu principal atrativo. O longa é quase inteiramente filmado dentro de um teatro construído nos estúdios <em>Shepperton</em>, na Inglaterra.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que oferece uma novidade ao público, Wright enriquece o enredo permeando-o com uma crítica à aristocracia russa, onde as aparências e o artificialismo ditavam as personalidades, e toda a vida social era uma grande e articulada encenação – o que também dialoga com temas da nossa época. Esta intenção é confirmada quando percebemos que as únicas cenas que são filmadas em locações reais são as que envolvem Levin em sua terra, como se o personagem fosse o único a enxergar o mundo verdadeiramente, livre de todas as futilidades da alta sociedade e com todas as dificuldades da vida dos trabalhadores rurais.</p>
<p>Neste sentido, o design de produção de Sarah Greenwood foi merecidamente indicado ao Oscar. A elaboração de soluções criativas para criar a ilusão de realidade, mesmo quando as transições entre as cenas são feitas durante a própria cena e, portanto, frente aos olhos do público, valorizam a linguagem teatral. O desempenho deste conceito poderia facilmente cair nas próprias armadilhas se não fosse o admirável trabalho conjunto com a montagem de Melanie Oliver e a fotografia de Seamus McGarvey.</p>
<p>Oliver é precisa nos cortes para evitar a completa teatralidade e ao mesmo tempo faz questão de demonstrar que tudo ocorre em um único local. Já McGarvey está preocupado em resguardar a narrativa, com planos fechados que incentivem a inserção do público na realidade do filme e planos abertos com profundidade tal que nos faz questionar que tenham sido realmente filmados em um ambiente fechado e relativamente pequeno. Tom Stoppard também parece se divertir com as possibilidades que esta abordagem lhe dá no roteiro, aproveitando personagens e deixas no diálogo para mesclar cenas de forma inusitada e divertida, principalmente durante o primeiro ato.</p>
<p>A sempre expressiva Knightley, já acostumada a viver personagens sofridas – vide sua personagem histérica em <i>“Um Método Perigoso”</i>, por exemplo –, tira Anna Karenina de letra. A atriz consegue gerar empatia no público mesmo quando apresenta comportamentos ou ideias moralmente questionáveis ou contraditórios. Jude Law também merece destaque pela rigidez que o personagem exige, sabendo lidar com momentos de maior teor emocional de forma sóbria, expondo sentimentos de raiva ou tristeza sem técnicas convencionais de atuação e muito menos artifícios apelativos.</p>
<p>Longe de ser um melodrama barato, para o qual o próprio enredo já se inclina de forma geral, “Anna Karenina” sabe ser bem humorado ou mesmo contemplativo quando necessário. O longa não é simplesmente um teatro filmado, é uma elaborada integração entre duas linguagens artísticas que serve de exemplo para obras posteriores.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>Francisco Brennand (2012): uma visita ao universo de um dos maiores artistas brasileiros</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 04:41:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mateus Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Após 40 anos de isolamento, o documentário acessa de maneira emocionante e inspiradora a trajetória do escultor que vive na sua oficina em Recife.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-292618" alt="Francisco Brennand" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/Francisco-Brennand.jpg" width="222" height="313" />Cercada por mata, isolada no bairro da Várzea, na cidade de Recife, podemos encontrar uma incomum e impressionante instalação. Um templo? Um castelo? A oficina de Francisco Brennand assemelha-se aos dois. O escultor, pintor, fotógrafo, ceramista e escritor é um dos maiores artistas brasileiros e vive isolado nela há mais de quatro décadas. Mas o silêncio do isolamento é finalmente quebrado pelo documentário que carrega seu nome, dirigido por Mariana Brennand, sua sobrinha-neta, que nos leva a uma grandiosa visita não só pelo local onde ele expõe seu trabalho, mas também por sua trajetória e imaginação<em id="__mceDel">.</em></p>
<p>A visita começa apenas de maneira discreta na primeira cena, onde observamos pela janela o artista trabalhar em uma sala pouco iluminada. Ao fotografar as grades da janela em contraste com a luz interior, como se espiássemos por esta, desenvolvemos uma noção do isolamento de Brennand do outro lado desta grade, que nos deixa de fora.</p>
<p>Esta sensação de isolamento é sempre reforçada pelo trabalho sonoro do longa, que usa muito sons diegéticos: da mata que cerca o local ou de um caminhar solitário pelos diversos espaços. A trilha sonora é pontual e trabalha com temas lentos e poucos instrumentos, criando um clima bucólico, ao mesmo tempo introspectivo e um pouco fantasioso em um grande trabalho de Lucas Marcier (&#8220;<em>Histórias que Só Existem quando Lembradas</em>&#8220;).</p>
<p>E se o som trabalha de modo a nos fazer experimentar reclusão, a direção de Mariana Brennand guia a chegada ao mundo do escultor filmando a entrada do local demarcada com uma seta.  A diretora confere interessantes sentidos ao filme e torna-se, também, bastante poética, por exemplo, ao aproximar a câmera<b> </b>do olho de uma escultura em forma de pássaro, como se esperasse que esta, que acabou de sair do forno, abrisse os olhos e ganhasse vida. E deveria, já que em um dos mais belos momentos o criador insere sua obra em um forno, este que leva um nome que evoca um mito de criação envolvendo água, argila e fogo. Outro aspecto interessante da direção foi o de escolher filmar grande parte da produção com câmera na mão e somente com luz ambiente, de modo a criar um laço de proximidade entre o espectador e o idealizador daquela obra.</p>
<p>Quando acompanhamos tomadas de movimento do ceramista pela antiga olaria, destaca-se o papel da montagem em manter o clima íntimo, como se fôssemos recebidos pessoalmente em sua casa e o seguíssemos curiosos. A estrutura do longa é eficiente interligando a narração, feita pela atriz Hermilla Guedes, de trechos do diário do artista com sequências de imagens da oficina, como  uma passagem sobre um pesadelo do autor em que uma enchente que o leva à galeria enquanto vemos um chafariz que introduz outra entrevista na galeria real. Além disso, a montadora Lívia Arbex faz uso de transições que introduzem os assuntos a serem abordados no documentário, quando, por exemplo, inclui uma roda de esculpir argila antes de comentários sobre a criação de cerâmicas.</p>
<p>É interessante notar como o personagem se depara com suas criações e, ainda animado, as redescobre e se surpreende com suas formas que ora são eróticas ora são “estranhas”, como o próprio descreve, misturando conceitos e demonstrando suas diversas facetas e influências. Picasso e Gauguin são alguns dos mencionados como inspiradores do escultor/pintor. tornando-se parte integrante do passado de estudos deste. Passado que é abordado pelo experiente Walter Carvalho (&#8220;<em>Central do Brasil&#8221;</em>) com uma fotografia mais granulada e com cores mais saturadas nos trechos sobre assuntos anteriores. Carvalho também trabalha o jogo de sombras dando a sensação de um ambiente mais vazio, fantasmagórico e isolado.</p>
<p>Neste ótimo filme encontramos um plural criador e passamos, também, a fazer parte de sua criação na cena em que este nos fotografa e finalmente, após entrarmos no seu mundo, nos despedimos em um poético momento pós-créditos em que ele incrivelmente entra no nosso. Um grande documentário em que Brennand abre as portas de sua instalação de maneira a entendermos melhor sua história, imaginação e criação que, com razão, é admirada em todo o Brasil. Um templo? Um castelo? Não. Francisco Brennand e sua oficina são um universo.</p>
<p><strong>___</strong><em><strong><br />
Mateus Almeida</strong> é professor de Ciências, mas encontrou seu caminho na sétima arte. Na busca por ele, passou pelo MI6, Terra Média e até por galáxias muito, muito distantes, tudo dentro de uma sala escura. Atualmente, também é estudante de Jornalismo e realizou cursos na área de cinema e crítica cinematográfica.</em></p>
</ul>
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		<item>
		<title>O Quarteto (2012): estreia de Dustin Hoffman na direção é regular</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Mar 2013 03:36:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Cruz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Billy Connolly]]></category>
		<category><![CDATA[Dustin Hoffman]]></category>
		<category><![CDATA[Maggie Smith]]></category>
		<category><![CDATA[O Quarteto | Quartet [2012]]]></category>
		<category><![CDATA[Pauline Collins]]></category>
		<category><![CDATA[Sheridan Smith]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Courtenay]]></category>

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		<description><![CDATA[Longa mostra a velhice pelos olhos de músicos eruditos aposentados.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-292041" alt="O quarteto" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/O-quarteto.jpg" width="222" height="329" />Baseado na adaptação da peça de Ronald Harwood e roteirizada pelo mesmo, Dustin Hoffman estreia na direção de um longa que tem no elenco atores consagrados, oferecendo um filme leve, simples, despretensioso, baseado no equilíbrio entre drama e comédia. A trama tem como foco a união que supera obstáculos, com o quarteto lírico do título Cissy (Pauline Collins), Reggie (Tom Courtenay), Wilfred (Billy Connolly) e Jean (Maggie Smith) sendo forçado a se reunir em uma apresentação para arrecadar fundos e salvar a luxuosa casa de repouso onde vivem.</p>
<p>Como obstáculo desta reunião estão relações pessoais mal resolvidas, a velhice e a compreensão da decadência, da voz que constantemente falha e não corresponde mais ao talento que antes era aclamado. A idade é obsessão temática do filme, com muitas cenas focadas nas mãos enrugadas e nos olhos cansados, tendo como contraste a juventude da médica que administra a casa (Sheridan Smith) ou dos jovens que visitam o local para aprender sobre ópera.</p>
<p>A direção de Hoffman é segura e livre.  Na história, não há chantagens emocionais ou truques de roteiro para ganhar a afeição do espectador. Porém,  Hoffman aparentemente parece discutir a própria velhice mostrando que a terceira idade não é um fim da vida, mas sim só mais uma fase que pode sim ser vivida de intensamente.</p>
<p>Já o drama é gerado por Maggie Smith e Tom Courtenay, interpretando um casal desfeito há décadas. Os dois se apaixonaram e se separaram, e agora se reencontram nesta casa. Boa parte do filme se passa no diálogo entre eles de como poderia ter sido caso não tivesse acontecido a separação. Infelizmente, este romance é a parte mais fraca do filme, porque aparece sem contexto e cai para segundo plano.</p>
<p>Mesmo a parte dramática sendo mais fraca, a parte musical surpreende durante os ensaios do quarteto e cria grande expectativa para a apresentação final, colocada por Dustin Hoffman de forma inteligente e eficaz. Com o típico humor britânico cínico e diálogos afiados, &#8220;O Quarteto&#8221; é uma obra simples, previsível e um tanto irregular, mas conta com uma direção bastante competente.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Adriana Cruz</strong> é formada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), aspirante a cineasta e estudante de roteiro cinematográfico. Correspondente do CCR em São Paulo.</em></p>
</ul>
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		<title>A Parte dos Anjos (2012): Ken Loach em retrato carismático do Reino Unido</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Mar 2013 02:02:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ken Loach]]></category>

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		<description><![CDATA[Seguindo a linha de “À Procura de Eric”, de 2009, diretor inglês entrega filme em que a comédia se sobrepõe ao drama, destoando de sua filmografia, fazendo de seu país um lugar de algumas possibilidades, quando bem aproveitadas. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-292018" alt="A Parte dos Anjos" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2013/03/A-Parte-dos-Anjos.jpg" width="222" height="311" />Conhecido por suas críticas políticas e sociais ferrenhas  ao Reino Unido, Ken Loach parece estar abrandando suas temáticas e consequentemente criando uma filmografia mais heterogênea e interessante. “<em>À Procura de Eric</em>”, em 2009, já dava sinais de que seu realismo, de alguns improvisos e recheado de não-atores, poderia ser usado em longas mais leves, de um tom cômico mais explícito. Neste “A Parte dos Anjos”, vencedor do prêmio do júri no Festival de Cannes ano passado, a comédia ganha ainda mais espaço, representada por personagens e situações que jamais desrespeitam a visão e o estilo de Loach, mas mostram um lado do cineasta que é extremamente carismático.</p>
<p>A história se passa em sua maioria na violenta cidade escocesa de Glasgow, e o personagem principal, Robbie (Paul Brannigan), é um desses jovens que ajuda a manter a fama citada do local. Preso por ter surrado com requintes de crueldade um rapaz de sua idade, ele, porém, é apenas condenado a cumprir serviços comunitários. É uma oportunidade de ver seu primeiro filho nascer e, assim, reescrever sua história de vida. E essa nova chance fica ainda melhor ao lado de hilários companheiros de pena, que se tornam amigos do dia a dia e de viagens arriscadas que envolvem bastante uísque.</p>
<p>Em mais uma parceria com Paul Laverty, seu habitual roteirista, Ken Loach entrega uma história que permanece retratando seu principal objeto de estudo: a classe operária do Reino Unido. E eles continuam com dificuldades de se estabelecerem em seus empregos (ou até de conseguir um, principalmente quando ainda com pouca idade) e sustentarem suas famílias. No entanto, aqui não há tanto espaço para lamentações e choros por suas condições sofridas. Pelo contrário, sobram razões para gargalhar nessa jornada de alguns meses por terras conhecidas e desconhecidas da Escócia.</p>
<p>Laverty, porém, não faz de Robbie o motivo para risos. Esse permanece um rapaz em pleno e nem tão puro assim processo de amadurecimento. Em um tratamento convincente do personagem principal, o filme faz dele um jovem explosivo, mas que está aprendendo a conter suas emoções e pensar primeiramente na namorada e no filho recém-nascido. Tanto que foge de brigas e repreende outros por atitudes errôneas, enquanto beija o rosto do bebê com suavidade e aceita os conselhos de seu tutor Harry (John Henshaw). O amor dele por sua família e a vontade de fazê-la dar certo é o cerne que sustenta o longa e faz a trama, além de permiti-la, arriscar-se com situações e personagens divertidos.</p>
<p>E a principal razão para a diversão advém de Albert (Gary Maitland), um dos condenados companheiros de Robbie. Desde a primeira e hilária cena do filme, em que já temos uma ideia do tom leve que a história adotará, é ele, por trás de seus óculos “fundos de garrafa”, que faz o público sorrir. Sua falta de intelecto, para ser bem gentil com um homem que nunca ouviu falar em peças artísticas famosíssimas, ou de atenção, ao ponto de não saber qual é o dia da semana, faz dele um personagem de inocência única, sempre com colocações quase sempre desnecessárias para acrescentar.</p>
<p>Ao lado de ambos estão também Rhino (William Ruane, em mais uma parceria com Loach) e Mo (Jasmin Riggins), formando o quarteto principal de “ex-delinquentes”. Juntos, e com a ajuda de outros eventualmente, principalmente o responsável por todos, Harry, eles visitam destilarias, batem papos sem propósitos, se autoconvidam para palestras de degustação sobre uísque e fingem ser escoceses tradicionais ao vestirem kilts, mesmo com algum incômodo. Entre danações ou não, acompanhamos o belo nascimento de uma amizade, mas acima de tudo de uma experiência de vida que eles não esquecerão tão cedo.</p>
<p>A relação se torna ainda mais verossímil por Ken Loach jamais sair de sua tradicional realidade e por conseguir inserir, ainda que moderamente, sua crítica social. Não é por acaso que Robbie precise pensar em deixar a cidade para mudar de vida (se o juiz o “desculpa”, Glasgow parece não querer fazer o mesmo) e que precise buscar na ilegalidade uma oportunidade para adentrar a legalidade. O Reino Unido de “A Parte dos Anjos”, enfim, ainda não é das mais promissoras terras, mas dessas vez Loach, pelo menos, diverte-se e faz divertir, além de parecer esperançoso.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Darlano Dídimo</strong></em><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema</em>.</p>
</ul>
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